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Guerra traduzida na Rádio Observador. Vamos analisar a imprensa russa desta sexta-feira, dia 9 de dezembro. É o trabalho do jornalista Miguel Cordeiro, feito em colaboração com a Larissa Tovmazian, natural da Rússia. Miguel, boa tarde.

Boa tarde.

Para começar, Putin diz que o Ocidente está a usar a Ucrânia.

Sim, diz que as elites ocidentais deliberadamente procuram a multiplicação do caos e o agravamento da situação internacional, e contam com o fator de poder para fazer isso. Isto foi afirmado pelo presidente Vladimir Putin numa mensagem de vídeo aos participantes da reunião dos chefes de departamentos de defesa dos Estados membros da Comunidade dos Estados Independentes. É uma organização intergovernamental que envolve 11 repúblicas que antes integravam a extinta União Soviética: Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão, Rússia, Quirguistão, Moldávia, Tajiquistão, Turquemenistão e também Uzbequistão. Vladimir Putin diz o seguinte: "Na verdade, eles destruíram a arquitetura da estabilidade estratégica que foi criada por décadas e estão a expandir agressivamente a geografia da expansão da NATO". Segundo Vladimir Putin, os Estados Unidos da América e os aliados estão a tentar, por todos os meios, manter o domínio político, económico, financeiro, militar e ideológico, fazendo com que o potencial de conflito seja crescente em todo o mundo. É a retórica que temos assistido e que temos ouvido desde o início do conflito, ainda antes do conflito. Além disso, Vladimir Putin diz que o Ocidente incentivou o terror no Donbass, usa o povo ucraniano como carne para canhão. Continua também a fornecer armas e munições e está a empurrar a Ucrânia para um caminho suicida. É o que diz Vladimir Putin, uma vez que o Ocidente está a fornecer armas e munições, então estão a colocar os ucranianos num caminho suicida. Neste contexto, o líder russo pede aos departamentos de defesa desta organização que continuem a melhorar as capacidades operacionais das unidades de manutenção de paz e que continuem a trabalhar no envolvimento nas operações da ONU destinadas à manutenção de paz.

É também uma das notícias desta sexta-feira. Brittney Griner já está nos Estados Unidos.

A basquetebolista que estava detida na Rússia. Ela já chegou aos Estados Unidos, já chegou ao Texas. O avião que transportava a estrela da WNBA, Brittney Griner, chegou ao aeroporto de Kelly Fields, em San Antonio, no Texas. A 8 de dezembro, ontem, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia informou que Moscovo e Washington concluíram os procedimentos para trocar o russo Viktor Bout pela jogadora de basquete americana Brittney Griner. A troca aconteceu no aeroporto de Abu Dhabi. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia enfatizou que Moscovo estava a negociar há muito tempo com Washington para libertar Viktor Bout. Os Estados Unidos recusaram categoricamente dialogar sobre a inclusão de um russo neste esquema de troca com Griner. No entanto, a Rússia continuou a trabalhar ativamente para resgatar Bout e conseguiu negociar com Washington. Isto é o que podemos ler no artigo da Ren TV. Viktor Bout foi detido na Tailândia, a pedido dos Estados Unidos, em 2008, como resultado de uma operação dos serviços secretos americanos. Ele foi levado para os Estados Unidos em 2012, foi julgado, foi considerado culpado de conspirar para matar cidadãos americanos e apoiar materialmente o terrorismo. Estamos a falar de um traficante de armas. Ele foi condenado a 25 anos de prisão e nunca concordou com essas acusações. Griner, de 31 anos, neste caso, ela estava a jogar numa equipa russa, foi detida enquanto tentava basicamente circular com óleo de haxixe em fevereiro de 2022, foi condenada por contrabandear óleo de haxixe. A jogadora voltou pra Rússia de Nova York. Ao passar pelo corredor verde, descobriu-se que ela trazia alguns vaporizadores com óleo de cannabis na bagagem e, portanto, foi por isso que foi detida. Durante o julgamento, Griner admitiu totalmente a culpa. Segundo ela, fez a mala à pressa e não queria trazer drogas pra Rússia, mas foi condenada na mesma e foi agora libertada. Estava condenada a nove anos de prisão, mas já está nos Estados Unidos.

E Viktor Bout regressa à Rússia.

Já está também na Rússia. Já aterrou, já chegou a casa. Olhando aqui para declarações de Bout à chegada, perguntaram quais seriam os próximos planos, qual era o sentimento, quais seriam os planos. E ele diz: "Os sentimentos são assim, eu não durmo um minuto há três dias e, portanto, isto já começa a pesar. Parece que é muito cedo nesta altura pra falar de sentimentos ou de planos, porque pra já o que eu preciso é de dormir. Preciso perceber o que aconteceu e como é que tudo isto aconteceu". Segundo ele, numa prisão americana, foi acordado por volta das três da manhã. Mandaram apenas arrumar as coisas. Ele trouxe algumas caixas. Antes disso, segundo Bout, ele não sabia nada sobre a partida. Depois, ele acrescenta que deixou algumas coisas ainda na prisão em que estava, incluindo desenhos, que quer levar para a Rússia. O secretário de imprensa do presidente da Rússia, Dmitry Peskov, afirmou que a detenção de Bout era completamente ilegal e que estava mantida em cativeiro norte-americano e que esteve detido aqui por vários anos. Agora ele já regressou a território russo.

Putin também já comentou esta troca.

Comentou. Diz que os esforços de Moscovo e de Washington permitiram que esta troca fosse possível e diz que quanto às trocas, estes tópicos foram conduzidos pelos serviços secretos russos e que concordaram desde o início negociar e conseguiu alcançar esses resultados. Diz que os contactos continuam, que nunca param nos serviços especiais. Segundo ele, outras trocas são possíveis no futuro.

Também é notícia esta sexta-feira: um opositor russo que foi condenado a oito anos e meio de prisão.

Ilya Yashin é um dos mais conhecidos opositores russos. Curiosamente, nós entrevistamos Ilya Yashin aqui no Observador há cerca de dois meses, num artigo que está disponível em observador.pt e em que ele escreve como é que era a situação nas prisões russas. Esse artigo está disponível. Mas ele hoje foi presente a julgamento para saber o que é que iria acontecer depois desta detenção para ser julgado e foi condenado a oito anos e meio de prisão. Basicamente ele está a ser julgado por, num canal de YouTube ao vivo nas redes sociais, ter falado sobre o que aconteceu em Bucha, sobre as atrocidades russas em Bucha. Está a ser julgado por desacreditar as Forças Armadas da Rússia. Foi condenado a oito anos e meio de prisão.

Miguel, uma pergunta: quantas marcas de automóveis continuam na Rússia?

É a pergunta que vamos ter aqui para fechar esta Guerra Traduzida dedicada à Rússia. São muito poucas. Apenas 14 das 60 marcas que estavam no mercado russo permanecem no mercado automóvel russo até ao final de 2022. Olhando para estas 14, três são russas e as outras são todas chinesas. A informação é da Russian Automobile Dealers Association. Hoje, apenas 14 das 60 marcas permanecem no mercado de automóveis para carros novos. Destas, três são nacionais, Lada, Gaz e Uaz, e as restantes são chinesas. Ou seja, o mercado automóvel russo é 78% chinês. É o que diz esta carta. No momento, quase todas as marcas europeias, americanas e coreanas suspenderam as entregas de carros para a Rússia. O Ministério da Indústria e Comércio, por sua vez, tem uma lista de importações paralelas que são autorizadas para a Rússia, onde estão, por exemplo, a Volkswagen, a Toyota, a BMW, a Porsche, Lamborghini, várias marcas que estão nessa lista de importação paralela. O que é isto? States podem comprar carros, por exemplo, ao Cazaquistão. O Cazaquistão pode comprar BMW, pode comprar Porsche, pode comprar esses carros e depois a Rússia não faz importação diretamente às marcas, faz importação ao Cazaquistão. E então há uma lista de marcas que podem ser contratadas. Ainda assim, foi dito que as importações paralelas melhoram a situação no mercado russo, mas não podem resolver completamente o cenário de ter apenas 14 de 60 marcas. Tinha 60 marcas no mercado total, agora tem apenas 14, três russas, uma delas com produção muito baixa porque foi fundada este ano, e as restantes chinesas também não dão a resposta total face àquilo que eram as 60 marcas de automóveis no mercado russo.

E é com esta limitação à oferta automóvel na Rússia que terminamos a Guerra Traduzida. Analisamos a imprensa russa deste dia 9 de dezembro.