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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Falamos agora dos destaques na imprensa russa, hoje com o Martim Madeira. Martim, o político russo Lev Shlosberg foi condenado a 11 anos de prisão.

O jornal The Moscow Times noticia que o tribunal proferiu hoje a sentença contra o veterano do partido Yabloko, Lev Shlosberg, por desacreditar nas Forças Armadas russas. Shlosberg foi considerado culpado de espalhar o que o tribunal chama de "notícias falsas" sobre a operação militar na Ucrânia através das redes sociais. No mesmo dia, o Supremo Tribunal da Rússia rejeitou o recurso do partido Yabloko contra a exclusão das listas dos candidatos, alegando violações de direitos de autor e de financiamento de campanha. Estas decisões judiciais reforçam o clima de repressão contra a oposição que defende a paz, enquanto o governo de Putin mantém que a estabilidade interna e a segurança das tropas são a prioridade absoluta perante o que chamam de "pressão ocidental".

E isto, Martim, numa altura em que a União Europeia prepara o maior pacote de sanções contra a Rússia.

O jornal The Moscow Times revela que o novo pacote de sanções da União Europeia poderá visar cerca de 1600 indivíduos e entidades ligadas ao complexo militar industrial da Rússia. Estas medidas, descritas pela diplomacia europeia como as mais abrangentes de sempre, pretendem estrangular a capacidade de produção de armamento de Moscovo. Em resposta, o Kremlin tem desvalorizado o impacto destas restrições, sublinhando que as receitas de exportação russas cresceram 27% no segundo trimestre deste ano. A porta-voz do governo russo, Maria Zakharova, também criticou duramente a postura da liderança europeia, afirmando que estas sanções prejudicam mais a economia da Europa do que a da Rússia, que continua a encontrar novos mercados para as matérias-primas na Ásia.

E o líder de Myanmar visita a Rússia para reforçar a aliança estratégica entre os dois países.

De acordo com a agência estatal TASS, o líder da junta militar de Myanmar, Min Aung Hlaing, iniciou hoje uma visita oficial à Rússia. Este é o quinto país que o general visita desde que assumiu a presidência em abril, sublinhando a importância que Moscovo atribui às parcerias com nações que partilham uma visão multipolar do mundo. É o que indica a agência. Os encontros focam-se na cooperação militar, económica e tecnológica. A Rússia tem aproveitado estas visitas para demonstrar que não está isolada diplomaticamente e que continua a ser um parceiro fundamental para o desenvolvimento e estabilidade das regiões na Ásia e em África, oferecendo sempre apoio no combate ao terrorismo e projetos de infraestruturas energéticas. É o que indica a agência russa TASS.

Falamos também de Ella Pamfilova, que afasta agentes estrangeiros do processo eleitoral russo.

O jornal Kommersant dá destaque às declarações frontais de Ella Pamfilova, presidente da Comissão Eleitoral Central Russa, sobre as próximas eleições. Pamfilova afirmou que quem foi rotulado como agente estrangeiro por trair os interesses da pátria não deve ter direito de participar no voto, declarando num tom severo: "Traíste, põe-te fora". Esta posição surge num contexto de forte escrutínio estatal sobre os candidatos independentes, que enfrentam as eleições mais difíceis das últimas décadas devido às novas leis de segurança nacional. O Kremlin justifica estas medidas como necessárias para evitar interferências externas e garantir que o processo democrático russo reflete apenas a vontade de quem permanece leal à Federação. É o que escreve o jornal russo "Kommersant".

Por fim, o rapper Kanye West vai atuar em São Petersburgo em outubro.

Segundo o jornal "Kommersant", o artista norte-americano Ye, anteriormente conhecido como Kanye West, tem concertos marcados para o dia 10 e 11 de outubro na Gazprom Arena. O estádio tem capacidade para cerca de 80 mil espectadores e os organizadores esperam uma enchente histórica. A imprensa russa apresenta esta visita como uma prova de que a Rússia continua a ser um destino cultural vibrante, ignorando as tentativas de isolamento por parte do Ocidente. Isto, se perguntavas, Beatriz, por que é que este concerto é importante, é porque a Rússia mostra que artistas do Ocidente também podem entrar em território russo. O evento é descrito como um dos momentos culturais mais aguardados do ano, simbolizando a resiliência da sociedade russa, apesar das sanções, que mantém acesso às grandes estrelas da indústria global do entretenimento.

E está tudo dito. Fica por aqui esta edição da "Guerra Traduzida", hoje com o jornalista Martim Madeira. Fica disponível, como sempre, em podcast.