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Destaque agora para a imprensa russa na Rádio Observador. Estamos na Guerra Traduzida com o jornalista Miguel Cordeiro, um programa feito em colaboração com a Larissa Tovmazian. E pra começar, Miguel, as forças russas bombardearam a Ucrânia logo depois do cessar-fogo.
Vamos começar hoje com um artigo da imprensa independente que aponta para uma descrição do que aconteceu logo depois do cessar-fogo. Podemos ler neste artigo da Meduza: "O cessar-fogo unilateral na Ucrânia, anunciado pelas autoridades russas para o Natal, terminou na noite de 8 de janeiro. Segundo as autoridades ucranianas, ao mesmo tempo, as tropas russas realizaram vários ataques nas regiões de Zaporízhia, Kharkiv e Donetsk. Na noite de 7 de janeiro, por volta das 22h, horário local, 23h em Moscovo, começou o bombardeamento da cidade de Zaporízhia, que durou meia hora. Por volta das 23h, horário local, meia-noite em Moscovo, de acordo com a Procuradoria-Geral da Ucrânia, os militares russos lançaram um ataque com mísseis contra a cidade de Marefa, perto de Kharkiv, isto na região de Belgorod. A 8 de janeiro, as tropas russas lançaram sete ataques com mísseis contra Kramatorsk, na região de Donetsk. O Ministério da Defesa da Federação Russa chamou o ataque de Kramatorsk uma operação de retaliação depois do que aconteceu no Ano Novo, o bombardeamento das Forças Armadas da Ucrânia em Makiivka, que vitimou mais de 80 militares russos". E este, de fato, é um artigo detalhado com tudo o que se passou depois do cessar-fogo, mesmo depois de terminar esta trégua, com a Rússia a bombardear a Ucrânia em diferentes pontos do território.
Dmitry Peskov volta a recusar rumores de que esteja a ser preparada uma nova mobilização.
Esta é uma frase que surge todos os meses, é um tema que surge todos os meses, e a frase é: "A Rússia não se está a preparar para conduzir uma nova onda de mobilização parcial". A frase é sempre da mesma pessoa, é do porta-voz presidencial Dmitry Peskov, e esta é uma notícia que vai surgindo com regularidade na imprensa estatal, sendo que acontece sempre com Peskov a reagir a perguntas de jornalistas sobre rumores de um regresso do recrutamento militar. Peskov diz: "Tudo sobre este assunto já foi dito muitas vezes nos mesmos canais. Não há necessidade de atribuir tanta importância ao que é dito nos canais de Telegram em geral. A principal fonte de informação sobre a mobilização é o governo oficial", é o que diz Peskov, "que é chefiado pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin". Peskov também aproveitou esta declaração para criticar notícias que descreve como falsas, e essas notícias são, na verdade, os relatos que surgem nas redes sociais de que pode estar a ser preparada uma nova mobilização.
A Rússia bateu com a porta, a Rússia deixa a Convenção Penal sobre a Corrupção do Conselho da Europa.
Vladimir Putin apresentou aos deputados da Duma Estatal um projeto de lei sobre a retirada da Rússia da Convenção Penal sobre a Corrupção do Conselho da Europa. Neste projeto, pode ler-se: "Pretende-se denunciar a Convenção Penal para a Corrupção, assinada em nome da Federação Russa na cidade de Estrasburgo a 27 de janeiro de 99". A nota explicativa do Comitê de Ministros do Conselho da Europa decidiu limitar a adesão plena da Rússia ao grupo de Estados contra a Corrupção, que é o grupo que faz a avaliação, que vai monitorizando o cumprimento da convenção. Ou seja, a Rússia perdeu o direito de voto e não pode participar na discussão dos relatórios. E por isso, Vladimir Putin quis responder, vem com esta resposta: "Vamos então sair devido ao fato inaceitável de tais condições para a Federação Russa, bem como para tomar medidas destinadas a prevenir o tratamento discriminatório no âmbito dos mecanismos de avaliação, propõe-se denunciar a convenção e encerrar a participação da Federação Russa". Peskov, o porta-voz do Kremlin, explica que isto pode levar a certas dificuldades, como por exemplo, na extradição de suspeitos de crimes de corrupção, mas Peskov aponta culpas para as decisões do Conselho da Europa. Peskov diz também, ao mesmo tempo, que esta decisão não prejudica de forma alguma o potencial interno da Rússia para combater a corrupção.
Seguimos com uma notícia da Meduza. Quem não apoia a guerra deixou de estar na base de dados de apoiantes do Rússia Unida.
E fechamos com este artigo. O partido de Putin, o partido que está no poder, quer afastar os apoiantes que não concordam com a guerra. E pra isso recorre à inteligência artificial. Voltamos aqui à imprensa independente, o partido Rússia Unida o que está a fazer, e faz sempre antes do início de um novo ciclo eleitoral, que se aproxima na Rússia, o que faz é limpar a base de dados, ou seja, há uma base de dados não de militantes, mas de pessoas que são apoiantes do partido, e limpou a base de dados de pessoas que apoiam o partido, excluindo todos aqueles que não apoiam a guerra na Ucrânia do número de cidadãos leais. É assim que são descritos. Como disseram as fontes do partido a vários repórteres, de 25 milhões de pessoas apoiantes do Rússia Unida, apenas nove milhões permaneceram na base de dados, sendo que outras quatro milhões foram adicionadas. Ou seja, o partido agora tem 13 milhões de pessoas classificadas como apoiantes do Rússia Unida. Como é que isto é feito? Com recurso à inteligência artificial e algoritmos especiais que foram utilizados para limpar a base de dados, que checava as redes sociais das pessoas, dos apoiantes do partido. E o que era feito era, se alguém dos apoiantes do partido se manifestasse contra a operação especial e o algoritmo encontrasse, havia depois uma verificação para confirmar se efetivamente aquela pessoa se estava a manifestar contra a guerra ou contra a operação especial, ou se estava simplesmente a não apoiar de forma vincada, essa pessoa era retirada da base de dados. E então foram retiradas, como já disse, várias pessoas. Isto servia para os dois lados. Para entrar na base de dados, também iam checar pessoas que apoiavam a guerra e essas pessoas depois são incluídas na base de dados do Rússia Unida, base de dados que se reduziu do partido de Vladimir Putin.
E é desta forma que terminamos a Guerra Traduzida de segunda-feira, 9 de janeiro, analisamos nos últimos minutos a imprensa russa.