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Guerra traduzida, Rádio Observador, dia 715 da invasão. Vamos nos próximos minutos falar da imprensa na Rússia e também na Ucrânia. Hoje começamos com os jornais da Ucrânia, num trabalho do jornalista Rui Casa Nova. Rui, começamos com o canal TSN, que falou com vários especialistas militares que alertam para um ataque poderoso da Rússia em breve.

As tropas russas podem estar a preparar um ataque em larga escala ainda este mês, a coincidir com o segundo ano de guerra, no dia 24. É o alerta deixado por vários especialistas militares que falaram ao TSN e afirmam que a Rússia está a utilizar cada vez mais mísseis fornecidos pela Coreia do Norte e que Moscovo ainda tem uma grande reserva deste tipo de armas. Estes especialistas militares falam, por isso, num ataque muito poderoso e massivo. É a expressão utilizada e que dá título a esta notícia do TSN. Um ataque que pode acontecer já nos próximos dias. Os especialistas dizem, por isso, que os cidadãos ucranianos não podem desvalorizar os alertas de ataques aéreos que têm soado um pouco por toda a Ucrânia, especialmente nos últimos dias.

E hoje, também em destaque na imprensa ucraniana, um relatório de três ONGs sobre Mariupol.

Um relatório divulgado por uma destas organizações, a Human Rights Watch. Este relatório apela a uma investigação e eventual indiciamento de altos responsáveis russos por envolvimento em alegados crimes de guerra cometidos pela Rússia na ocupação de Mariupol, na Ucrânia. Mariupol, se bem nos recordamos, foi um nome muito falado no início da guerra devido aos ataques russos entre fevereiro e março de 2022. O relatório tem mais de 200 páginas, chama-se, passo a citar: "A nossa cidade desapareceu, a devastação de Mariupol pela Rússia". O relatório conclui ainda que pelo menos 8 mil pessoas morreram em Mariupol na sequência dos ataques russos. É uma notícia em destaque no jornal ucraniano Pravda.

E também a merecer destaque hoje nos jornais ucranianos, a notícia de um conhecido e experiente piloto ucraniano que morreu ontem em combate.

Falamos de Vladyslav Rykov, era o nome deste piloto ucraniano. O anúncio é feito pela Força Aérea da Ucrânia nas redes sociais. Como dizias, morreu ontem em combate, mas não são fornecidos mais detalhes, por exemplo, onde ou como. O exército diz que este piloto tinha 385 missões no currículo, portanto, era bastante experiente. Um colega diz mesmo que foi o melhor piloto e comandante que conheceu. Deixa as condolências numa mensagem publicada nas redes sociais. Esta é uma notícia em destaque no jornal online Kyiv Independent. De resto, este tipo de notícias, a morte de conhecidos e experientes militares ucranianos, é muito frequente na imprensa ucraniana desde que começou a invasão.

E para terminar, temos uma entrevista a um militar ucraniano que perdeu totalmente a visão.

Roman Krutyak, o nome de código deste soldado no terreno era Kmara. Falamos de um veterano da Terceira Brigada de Assalto das Forças Terrestres do Exército Ucraniano. Devido aos ferimentos que sofreu no campo de batalha, perdeu completamente a visão, ficou cego. Em entrevista ao jornal RBK Ucrânia, fala sobre a experiência no campo de batalha. Diz que decidiu defender a Ucrânia, juntar-se ao exército no mesmo dia em que começou a invasão. Perdeu a visão numa batalha em Zaporizhzhia, em maio do ano passado, na sequência de um ataque com drone. Nesta entrevista, relata esse momento. Diz que estava a deslocar-se com os colegas do batalhão quando sofreu uma forte explosão. Diz que sofreu uma pancada na cabeça e que ficou com os olhos cheios de sangue. Nesse momento, diz que não conseguia ver nada. Pensava que ia morrer, mas disse: "Afinal, continuei vivo e a respirar", embora não conseguisse ver. Quase um ano depois, está em reabilitação nos Países Baixos, num hospital especializado neste tipo de ferimentos. Está a aprender a andar de novo com a ajuda de uma bengala e a voltar a ter uma vida normal dentro do possível. Diz ainda nesta entrevista ao jornal RBK que mantém contato constante com os colegas com quem estava no terreno. Diz que jamais vai esquecer quem conheceu no dia 24 de fevereiro, no dia em que começou a guerra: "Jamais os esquecerei". Diz também que é o próprio psicólogo e o próprio motivador. Diz que apesar desta lesão permanente, quer voltar a ter uma vida normal e mantém contato constante com os colegas. É uma entrevista que nos mostra bem também as consequências duradouras desta guerra, que já dura há mais de 700 dias.

Destaques da imprensa ucraniana.