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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Diana Rosa, boa noite.
Boa noite, Lara.
Vamos começar com a imprensa russa. A Rússia reivindica grandes perdas ucranianas e nega avanço de Kiev em Orikhiv.
A comunicação oficial em Moscovo continua a insistir que as forças russas mantêm a iniciativa em vários sectores da frente, apesar de relatos ucranianos dizerem que não há combates de rua em Orikhiv, na região de Zaporíjia. De acordo com o Estado-Maior ucraniano, a Rússia perdeu cerca de 1100 militares nas últimas 24 horas, números que Moscovo não confirma e que contrariam a narrativa de avanços constantes. A imprensa russa, próxima do Kremlin, como o "Kommersant" ou o "Izvestia", tende a destacar o desgaste das forças ucranianas e, apesar de qualquer estabilização da frente, como resultado da pressão militar russa, omitindo os custos humanos do lado de Moscovo. Em paralelo, os meios oficiais sublinham que Kiev exagera o impacto dos ataques russos para justificar a necessidade de novas ajudas ocidentais e encobrir dificuldades internas, tanto económicas como políticas. Este choque de narrativas mostra-se particularmente evidente em torno de Orikhiv, onde Moscovo fala no progresso gradual e Kiev assegura que a situação está controlada.
E Diana, Moscovo está preocupado com a onda de ataques ucranianos em instalações petrolíferas em território russo.
Que incluem oleodutos, estações de bombagem e refinarias. Nas últimas horas, Kiev reivindicou novos ataques com drones a instalações na Crimeia e em duas regiões russas, provocando incêndios visíveis a quilómetros de distância. Fontes ucranianas referem que foram atingidas uma subestação de bombagem e também uma unidade petroquímica, que obrigaram à intervenção de dezenas de bombeiros. Do lado russo, a TASS sublinha que os sistemas de defesa aérea interceptaram a maioria dos drones e minimiza os danos, classifica as ações como sabotagem terrorista destinada a destabilizar o mercado energético. Os analistas russos alertam, contudo, que a continuidade destes ataques aumenta os custos de segurança e obriga a rever rotas logísticas de exportação de combustíveis num momento de forte pressão económica.
O Kremlin usa as perdas russas e a ofensiva de drones para reforçar a retórica de guerra total.
Os números divulgados por Kiev sobre as perdas russas, mais de mil soldados num só dia, como disse há pouco, são ignorados pelos media de referência próximos do Kremlin, que preferem centrar-se na escalada da ofensiva de drones e mísseis contra a Ucrânia. A comunicação oficial apresenta esses ataques como resposta inevitável às ações ucranianas em território russo e como prova de que Moscovo está preparado para uma guerra longa, em que a pressão sobre a infraestrutura energética de Kiev é vista como um trunfo estratégico. Em editoriais recentes, o discurso passa por responsabilizar o Ocidente pela continuação das hostilidades, sugere que o apoio militar e financeiro a Kiev impede qualquer compromisso político. Ao mesmo tempo, o Kremlin evita admitir dificuldades internas, remete para uma suposta estabilidade económica e para o apoio patriótico da população, mesmo com indicadores de desgaste social e financeiro cada vez mais presentes em análises independentes. A combinação de censura, controle dos media e discurso de resistência que acaba por criar um clima em que a ideia de recuo ou compromisso é apresentada como uma ameaça existencial para a Rússia.
E a Rússia tenta usar o convite para a cimeira do G20 para capitalizar a nível diplomático, mas também em matéria de propaganda.
A imprensa russa destaca o facto de Moscovo afirmar ter sido convidado para a próxima cimeira do G20 nos Estados Unidos, transformando a notícia num argumento político interno. Os meios próximos do Kremlin sugerem que o convite demonstra que, apesar da guerra na Ucrânia e das sanções, a Rússia continua a ser um ator incontornável na economia e na segurança globais, algo que a diplomacia ocidental não conseguiria ignorar. Ora, a narrativa oficial procura assim mostrar que a tentativa de isolamento falhou e que o país mantém canais abertos com várias potências, sobretudo fora do eixo euro-atlântico. Em contraste, Kiev e os aliados têm insistido que qualquer participação russa em fóruns internacionais deve ser acompanhada de pressão reforçada para o cumprimento do direito internacional e para a responsabilização por crimes de guerra. Para consumo interno, Laura, porém, a mensagem dominante é de reconhecimento da posição russa no momento em que a guerra entra no quinto ano e, naturalmente, aumenta o cansaço social.
E voltamos já a seguir com os destaques da imprensa ucraniana.