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Guerra Traduzida na Rádio Observador. Vamos analisar a imprensa russa, um trabalho do jornalista Miguel Cordeiro, feito em colaboração com a Larissa Tofmasian, natural da Rússia. Miguel, boa tarde.

Boa tarde.

Para começar, Putin diz que a vitória da Rússia é inevitável.

A vitória é inevitável. A vitória russa é inevitável. Baseia-se na unidade do povo russo, no heroísmo dos combatentes da operação especial e no trabalho da indústria da defesa. Frase de Vladimir Putin. Foi afirmado isto hoje por Vladimir Putin durante uma conversa com os trabalhadores da fábrica de Obukhov. O presidente da Rússia observou que a indústria da defesa produz anualmente tantos mísseis de defesa aérea quanto todos os outros fabricantes do mundo, e já vamos detalhar isto mais à frente. Para além disto, Putin apontou uma série de termos que, segundo ele, inspiram confiança na vitória da Rússia. Putin diz que, em termos de resultado final e da vitória, que é inevitável, há várias coisas que não desapareceram e que estão no cerne da nossa vitória. Esta é a unidade e a coesão do povo russo e, em geral, do povo russo a nível multinacional. A coragem e o heroísmo dos nossos soldados no âmbito da operação militar especial e na linha da frente. E claro, o trabalho do complexo militar industrial. Pontos em que Vladimir Putin aponta como já garantidos para a vitória e, de uma forma geral, a garantir que a vitória da Rússia, num plano completamente geral, é uma vitória inevitável.

Miguel, e como referiste, Putin disse que a Rússia produz anualmente tantos mísseis como o resto do mundo.

Sim, e quis detalhar, num caso concreto, com aquele que é o grande rival da Rússia, os Estados Unidos da América. Diz Putin que a Rússia produz anualmente três vezes mais mísseis antiaéreos do que, por exemplo, os Estados Unidos da América. Em geral, diz Putin, a indústria da defesa doméstica produz aproximadamente a mesma quantidade de munições, ou seja, de mísseis antiaéreos, e é disso que estamos a falar, produz tantos, a Rússia, quanto o resto do mundo todo junto. Isto é o que diz Vladimir Putin durante esta visita à fábrica de Obukhov, em São Petersburgo. Putin quis mostrar a força da Rússia e motivar os trabalhadores a seguirem as linhas estratégicas definidas pelo Kremlin, que, na verdade, quer alargar a capacidade de produção de armamentos.

Sergei Lavrov também falou hoje, falou numa longa conferência de imprensa de quase três horas.

Sim, falou. É uma conferência anual. Putin também costuma ter uma conferência anual que foi cancelada. É sempre em dezembro. Falámos disso aqui na Guerra Traduzida. Essa conferência de imprensa foi cancelada. Lavrov deu a conferência de imprensa, quase três horas. Ele falou sobre os objetivos da operação especial na Ucrânia. Falou sobre os países que são amigos de Moscovo. Falou sobre os planos que os Estados Unidos estão a traçar para manter o domínio mundial. Estamos a falar do ministro das Relações Exteriores, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia. Sobre a guerra entre o Ocidente e a Rússia, Lavrov diz que os parceiros ocidentais mentem quando dizem que não estão em guerra com a Rússia, mas apenas ajudam a Ucrânia a restaurar a integridade territorial. O ministro acredita que os Estados Unidos arriscaram muito, em particular, diz Lavrov, mudaram para métodos ilegítimos de dominação e destruíram mecanismos como o livre mercado e a inviabilidade da propriedade privada. Sobre a operação especial, claro, a Rússia continua a falar em operação especial. A luta na Ucrânia foi uma resposta à guerra híbrida desencadeada pelo Ocidente contra a Rússia. Isto é o que diz Lavrov. Os objetivos são determinados pelos interesses fundamentais de Moscovo. Ele diz: "Na Ucrânia, como em qualquer outro território que faz fronteira com a Rússia, não deve haver infraestrutura militar que ameace o nosso Estado. Não deve haver discriminação, não deve haver perseguição contra os nossos compatriotas que se revelaram cidadãos do Estado ucraniano, mas querem preservar a sua língua, cultura e a oportunidade de educar os seus filhos nessa cultura, conforme está estabelecido na Constituição da Ucrânia". Isto é o que diz Lavrov. Ainda sobre os amigos, sobre a China, neste caso, a cooperação entre Moscovo e Pequim está a desenvolver-se perfeitamente, é o que diz Lavrov. Não é uma aliança, nem um sindicato, mas sim é mais forte que um sindicato. As relações são de confiança, são de respeito e baseadas no equilíbrio de interesses, é o que explica Lavrov. São alguns destaques desta conferência de imprensa que durou quase três horas.

A queda de um helicóptero na Ucrânia também merece destaque na imprensa russa.

Está em toda a imprensa russa, tanto na estatal como na independente. Olhando aqui para um artigo na Ria Novosti, um helicóptero caiu na região de Kiev. O ministro dos Assuntos Internos da Ucrânia, Denys Monastyrsky, morreu e isto foi dito pela Polícia Nacional no canal de Telegram. Na publicação está escrito: "Esta manhã, 18 de janeiro, um helicóptero do Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia caiu em Brovary. Como resultado do acidente, o líder do Ministério dos Assuntos Internos morreu. A liderança acabou toda por morrer, o ministro, o primeiro vice-ministro e o secretário de Estado. Neste acidente, pelo menos 15 pessoas morreram, 25 ficaram feridas, incluindo 10 crianças. Kuleba atualizou depois os números para 18 pessoas mortas, incluindo três crianças, 29 feridas, das quais 15 crianças. O helicóptero caiu na cidade de Brovary, perto de um jardim de infância e de um prédio residencial. Quanto a balanço definitivo, e olhando aqui para o que efetivamente aconteceu, o último número, o número mais recente, é de 14 vítimas mortais, uma das quais uma criança, com 25 feridos, 11 das quais crianças.

Para fechar, os russos compraram mais propriedades na Turquia em 2022 do que nos cinco anos anteriores.

Nos cinco anos como um todo, ou seja, no período de cinco anos, compraram praticamente o mesmo do que durante o ano de 2022. Em 2022, os cidadãos russos compraram 16300 casas e apartamentos na Turquia. Isto é escrito pelo RBC, citando estatísticas oficiais turcas. Segundo a publicação, isto é mais do que nos seis anos, na verdade, cinco, seis anos anteriores, ou seja, de 2016 a 2021. Se contabilizarmos todo o período, são, na verdade, seis anos. Os russos compraram nesse período 16200 imóveis, ou seja, até foi mais em 2022 do que em todo esse período. O principal motivo de interesse dos russos em comprar imóveis na Turquia, de acordo com os especialistas ouvidos, é a possibilidade de obter autorização de residência com custo de moradia a partir de 5 mil dólares e com cidadania a partir dos 400 mil. A Turquia, tal como a Arménia, a Geórgia e o Cazaquistão, é um dos destinos de imigração mais populares para os cidadãos russos depois do início da guerra na Ucrânia.

E é desta forma que terminamos a Guerra Traduzida. Analisámos nos últimos minutos a imprensa russa deste dia 18 de janeiro.