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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos falar agora dos destaques da imprensa russa hoje com Martim Madeira. A Rússia diz não ao cessar-fogo no Mar Negro.
De acordo com a agência estatal TASS, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia rejeitou liminarmente a proposta da Turquia para um cessar-fogo no Mar Negro. O governo russo classificou a iniciativa como uma meia medida, que serviria apenas para oferecer um período de descanso às forças ucranianas. O jornal The Moscow Times acrescenta que Moscovo não vê bases para negociações parciais que não envolvam uma solução definitiva que aceite o controle russo sobre os territórios ocupados. Também o portal ucraniano Ukrainska Pravda, a notícia é lida como um sinal de que o Kremlin pretende manter o bloqueio total às exportações de cereais na Ucrânia, numa altura em que os ataques russos contra portos como o de Odessa e o terminal privado Tisza continuam a intensificar-se.
Moscovo aumenta também as zonas de voo proibido.
O jornal The New Voice of Ukraine noticiou hoje, com base em diretivas do Ministério dos Transportes da Rússia, que o país vai duplicar o número de zonas de exclusão aérea em todo o território nacional. O plano prevê que as zonas interditas passem de 371 para 818, abrangendo infraestruturas críticas, depósitos de combustível e centros de transporte. Segundo o jornal, esta medida é uma resposta direta ao aumento da frequência e da eficácia dos ataques de drones ucranianos contra o interior da Rússia, como o que atingiu recentemente os armazéns da Wildberries e as refinarias em Bashkortostan. O governo russo admite assim a necessidade de criar um escudo de segurança muito mais vasto para proteger a logística interna das operações de sabotagem de longo alcance.
A Rússia condena um espião a 23 anos de prisão.
A agência TASS reporta hoje que o Tribunal de Moscovo condenou o cidadão russo Georgi Pirogov a 23 anos de prisão por alta traição. Pirogov foi acusado de espionagem a favor dos serviços de inteligência da Polónia. O jornal The Moscow Times detalha que o condenado tinha desaparecido misteriosamente em julho de 2024, durante uma viagem de negócios ao Uzbequistão, e acabou por reaparecer dias depois numa prisão preventiva em Moscovo. Este caso é apresentado pelos mídia estatais como um sucesso na luta contra a infiltração externa, num dia em que também foram anunciadas penas de prisão para soldados russos acusados de crime em território ocupado e processos contra figuras da oposição, como por exemplo, Lev Shlosberg, por descredibilizarem as Forças Armadas russas.
O governo russo reforça a entrega de combustíveis.
De acordo com a agência estatal TASS, o governo russo deu instruções às companhias petrolíferas para aumentarem o fornecimento de combustíveis às regiões consideradas mais vulneráveis. Esta medida surge após relatos de escassez e racionamento de combustível em várias províncias da Rússia, uma crise que o jornal The Moscow Times associa diretamente aos ataques ucranianos contra refinarias. Segundo o jornal The New Voice of Ukraine, têm sido reportadas filas de horas e confrontos em postos de abastecimento, inclusive em Moscovo. O gabinete dos ministros russos tenta agora garantir a estabilidade do mercado interno através de subsídios e da autorização para a venda de combustível com padrões de qualidade inferiores para evitar uma rutura total do estoque.
Fica por aqui esta edição da "Guerra Traduzida", hoje com o jornalista Martim Madeira.