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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Diana Rosa, boa noite.

Boa noite, Filipa Duarte.

Boa noite. Hoje começas pela imprensa de Moscovo. O Fundo Monetário Internacional acredita que o conflito na Ucrânia vai durar até ao final de 2026.

É o que afirma Alfred Kammer, o director do departamento europeu do FMI, numa conferência de imprensa. No ano passado, o Fundo Monetário achava que a guerra ia acabar em dezembro de 2025. Agora acredita que, afinal, há mais um ano de conflito. Kammer acrescentou que a revisão da previsão para o fim do conflito resultou também numa redução significativa na previsão de crescimento do PIB ucraniano. Anteriormente, o FMI declarou que esperava que o PIB da Ucrânia crescesse 2% este ano, o que se mostrou significativamente pior do que a previsão anterior dos 4,5%. A Ucrânia tem vindo a registar um défice orçamental recorde nos últimos anos, um país em guerra, na esperança de cobri-lo com ajuda ocidental. O orçamento do país para 2026 foi aprovado com um défice de US$45 bilhões, é uma notícia da RIA.

E na Rússia, centenas de pessoas foram hoje retiradas de Tuapse, no sul do país, na sequência de um ataque ucraniano.

Tiveram de ser retirados 300 moradores da cidade portuária que vivem nas zonas próximas à refinaria de petróleo de Rosneft, depois da Ucrânia ter atacado e incendiado as instalações pela terceira vez este mês. Um incêndio deflagrou e atingiu grandes proporções, o que adianta o governador da região. Para teres uma ideia, Filipa, as autoridades da Proteção Civil indicam que mais de 300 bombeiros foram mobilizados para combater o fogo. Os residentes foram obrigados a sair de casa devido a riscos para a saúde e para a segurança e ficaram a receber alojamento temporário numa escola local. Imagens de satélite da NASA mostram fumo negro sobre Tuapse esta manhã, num vídeo gravado a cerca de 100 km de distância, na estação de esqui de Krasnaya Polyana, nos arredores de Sochi, via-se uma grande coluna de fumo a erguer-se na atmosfera.

E Moscovo acusa o Ocidente de puxar a Europa para o coração da guerra.

Os responsáveis russos voltaram hoje a acusar a União Europeia de se deixar arrastar para o conflito na Ucrânia ao financiá-lo e abastecê-lo com armas. Nas declarações citadas pela TASS, a Rússia fala de uma situação internacional extremamente instável e apresenta os países que fornecem armamento a Kiev como responsáveis diretos pela escalada, procurando assim repartir o custo político e moral da guerra. Esta retórica insere-se numa linha constante da diplomacia russa desde 2022, transformar a guerra numa contenda entre Moscovo e o bloco ocidental, e não apenas entre Rússia e Ucrânia, tentando explorar divisões internas na União Europeia e no espaço euro-atlântico. Ao apresentar a Europa como cada vez mais envolvida, Moscovo procura também preparar a opinião pública russa para um conflito prolongado, justificando as sanções, a militarização da economia e os custos humanos como argumento de que a Rússia enfrenta um confronto quase existencial com o Ocidente coletivo. Está no Moscow Times.

E voltamos já a seguir com os destaques da imprensa ucraniana.