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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos analisar a imprensa russa deste dia 12 de janeiro. Um trabalho do jornalista Miguel Cordeiro, feito em colaboração com a Larissa Tovmazian, natural da Rússia. Miguel, boa tarde.

Boa tarde.

Para começar, o chefe das Forças Terrestres da Rússia está na Bielorrússia.

Sim, o Ministério da Defesa da Bielorrússia informa que o comandante em chefe das Forças Terrestres Russas, o general Oleg Salyukov, chegou ao país. Ele está a chefiar a comissão do Ministério da Defesa da Rússia, que é enviada à República da Bielorrússia para inspecionar as unidades russas do grupo conjunto de tropas. Foi publicada uma mensagem sobre isto no canal de Telegram do Ministério da Defesa da Bielorrússia. Pode ler-se: "No decurso dos trabalhos, foi verificada a qualidade dos exercícios de coordenação de combate e avaliada a prontidão para o cumprimento das tarefas pretendidas no interesse da garantia de segurança militar do Estado da União". Importa referir que este chefe militar russo foi nomeado ontem para o cargo de vice-comandante do grupo conjunto de Forças a combater na Ucrânia e, no segundo dia neste cargo, viaja até à Bielorrússia para fazer uma inspeção do trabalho que estes militares estão a efetuar na Bielorrússia.

O Kremlin diz, entretanto, que os militares russos em Soledar agiram de forma heroica.

O secretário de imprensa presidencial, Dmitry Peskov, fala em heroísmo e elogia a dedicação dos militares russos na captura de Soledar. A Rússia tem dito ao longo desta semana que conseguiu capturar a região de Soledar. Segundo Peskov, as Forças Armadas têm feito um trabalho gigantesco nesta e em outras áreas de combate. O porta-voz do Kremlin especificou que o exército russo continua à ofensiva. Ele diz: "Vamos lembrar aqueles heróis que perderam a vida, que cuidam dos feridos, mas ainda há muito trabalho pela frente. Não é hora de parar, não é hora de esfregar as mãos e, por isso, em diante, o trabalho principal ainda está por vir". Esta semana, como já disse, a Rússia quis garantir que assumiu o controle de grande parte da cidade de Soledar.

Os militares condecorados por Putin no Ano Novo regressam ao combate.

No site da RenTV podemos ler o seguinte artigo: "No dia 12 de janeiro, os heróis russos voltaram à linha da frente para cumprir as suas tarefas, depois de, por méritos especiais, terem recebido a oportunidade de passar as festas de fim de ano em casa, junto com os familiares. No dia 31 de dezembro, vários destes militares foram condecorados por Putin. Yuriy Schneider, um dos militares, recebeu a Ordem da Coragem por impedir um poderoso ataque inimigo. No menor tempo possível, ele conseguiu determinar e suprimir as posições das Forças Armadas da Ucrânia e então transferiu o destacamento para a ofensiva. Graças às ações de Yuriy Schneider, aeronaves de ataque inimigas e também duas secções de morteiros e um carro ucraniano foram destruídos. Como resultado, o inimigo foi forçado a recuar profundamente nas suas defesas". Este é o artigo completo no site da RenTV, um artigo em que o que lemos é que heróis russos condecorados voltaram para o combate. Há vários artigos destes na imprensa russa. A Ucrânia vai dando conta destas situações para dizer que são formas de a Rússia ter apoio, de a população apoiar o que está a acontecer na guerra e de certa forma também incentivar as pessoas a seguirem para este conflito armado.

E agora, Miguel, está a caminho a fragata Almirante Gorshkov já passou o Canal da Mancha.

Estamos a falar da tal fragata que na semana passada foi enviada pela Rússia para o Atlântico, a fragata com capacidade para transportar e utilizar armamento nuclear. A fragata Almirante Gorshkov já passou pelo Canal da Mancha. Em seguida, segue para o Atlântico e onde está, nessa altura, já no Atlântico, programada para realizar exercícios com outros navios, incluindo navios estrangeiros. Isto foi informado hoje pelo Ministério da Defesa da Rússia. Recordo que o principal armamento deste navio de guerra é o complexo hipersônico Zircon, com capacidade nuclear e com alcance de voo até 1000 km.

Para fechar, foi detido um homem russo que queria ingressar no exército ucraniano.

Isto aconteceu na cidade de Tver, na Rússia. Podemos ler na imprensa russa de hoje que as forças de segurança detiveram um morador de Tver que planeava partir para a Ucrânia para lutar contra o exército russo. Isto foi transmitido pelo serviço de imprensa do Departamento Regional do Serviço Federal de Segurança. No comunicado, está escrito: "Oficiais do FSB da Rússia, na região de Tver, reprimiram as atividades ilegais de um cidadão da Federação Russa, nascido em 1982, que pretendia viajar para a Ucrânia para participar nas hostilidades contra as Forças Armadas da Federação Russa". O suspeito foi detido na estação ferroviária de Tver. Este homem desejava então ingressar numa das unidades do exército ucraniano com um representante que mantinha contacto pela internet, um representante ucraniano. Este morador de Tver estudou a rota para a Ucrânia, também comprou equipamento militar, comprou uniformes e até equipamento médico. Os investigadores abriram processo criminal sob o artigo de preparação para cometer alta traição na forma de passar para o lado inimigo. O suspeito foi detido em flagrante.

E é com esta notícia que terminamos a "Guerra Traduzida". Analisámos nos últimos minutos a imprensa russa de 12 de janeiro.