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Está na hora de traduzir a guerra. Vamos analisar a imprensa ucraniana de hoje, dia 16 de maio. E pra isso contamos com o jornalista Miguel Cordaro. Boa tarde, Miguel.
Boa tarde.
Este é um programa que é feito em colaboração com a Tânia Olinyk, natural da Ucrânia. E Miguel, para começar, Zelensky já voltou a Kiev.
Já voltou, depois de passar os últimos dias em diferentes países da Europa, Zelensky regressa à Ucrânia e de imediato realiza uma reunião na sede do comandante-chefe. Ouviu informações sobre a situação na frente de combate. Nesta reunião foi também ajustado o cronograma do fornecimento de armas e munições, tal como a distribuição dessas armas e munições para as unidades de combate e também para as reservas. Além disso, segundo Zelensky, ouviu resultados da prontidão de combate das brigadas que foram recentemente criadas. É um regresso de Zelensky à Ucrânia.
Destaque também para os novos bombardeamentos esta noite, que teve como alvo Kiev.
Os invasores russos atacaram a Ucrânia com 18 mísseis de vários tipos e também drones Shahed. Diz a Ucrânia que todos os alvos inimigos foram abatidos pelos sistemas de defesa. Ainda assim, caíram vários fragmentos. Há notícias hoje, por exemplo, na prensa ucraniana, de fragmentos de um míssil que caíram no território de um jardim zoológico no distrito de Shevchenkivskyi e também fragmentos de foguetes que caíram noutros distritos, Dniprovskyi, Obolonskyi e Solomyanskiy. Um prédio não residencial incendiou-se no distrito de Solomyanskiy. Vários carros arderam, também dois carros ficaram danificados por destroços em Dniprovskyi. Fragmentos que caíram desses bombardeamentos russos esta noite em Kiev.
E a imprensa ucraniana avança que este ataque noturno custou à Rússia mais ou menos 120 milhões de dólares.
Vamos lá fazer as contas. A Rússia lançou este ataque com seis mísseis balísticos Dagger. Cada míssil destes pode custar 10 milhões, portanto, qualquer coisa como 60 milhões. Lançou também nove mísseis cruzeiro Kalibre, cada um custa mais ou menos seis milhões e meio de dólares, um total de 58 milhões e meio de dólares por estes mísseis. Depois, lançou também ataques com os drones Shahed, custam entre 20 mil a 50 mil cada. Foram identificados seis, em média, custam então 280 mil dólares. Há ainda o lançamento de três mísseis Orlan, custam cerca de 100 mil dólares cada, portanto 300 mil dólares. Há ainda três mísseis balísticos antiaéreos, que não dá para especificar quais foram, portanto, não sabemos detalhes sobre esse preço. Daquilo que se sabe, qualquer coisa como 120 milhões de dólares só neste bombardeamento.
Olhando para valores mais globais, hoje é noticiado que os gastos russos com a guerra na Ucrânia aumentam 282% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Só sabemos isto agora, isto é relatado pela Reuters, com referências a dados do Tesouro Russo, e só sabemos isto agora, curiosamente, porque em maio do ano passado, o Ministério das Finanças da Rússia parou de publicar dados sobre a execução de orçamentos mensais de forma individual. Só agora adicionou dados de 2022 e do início deste ano ao portal e, portanto, já dá pra fazer essa comparação. De acordo com os novos dados, os gastos com defesa em janeiro totalizaram 1,8 trilhões de rublos e em fevereiro 822 mil milhões de rublos. Estamos a falar deste ano. O plano de gastos da Rússia para 2023 prevê qualquer coisa como cinco trilhões de rublos para a defesa. São muitos zeros, são muitos números. Os dados mostram que em janeiro e fevereiro o país gastou já 40% daquilo que era a previsão pra o setor da defesa. E isto é que importa, estes valores de comparação. Só nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, já foram gastos 40% do orçamento russo para a defesa. Os dados divulgados na semana passada mostram que o déficit orçamental russo no primeiro trimestre de 2023 já se registra. Há 3,4 trilhões de rublos em orçamento em déficit, isto em comparação com o superávit do ano passado, em 2022, de 1,2 trilhões. Esse déficit deve-se ao fato de Moscovo ter gasto de forma significativa em defesa, aumentou imenso esses gastos e, essencialmente, as receitas com energia caíram a pique.
Também notícia esta terça-feira, mais de um terço dos imigrantes da União Europeia planeiam ficar em países da União.
Os imigrantes da Ucrânia que fugiram para outros países da União Europeia pretendem ficar nos países de acolhimento. Essencialmente é isto. Apenas um em cada três ucranianos que está temporariamente em países europeus por causa da guerra, apenas um terço quer voltar pra casa. Por isso, mais pessoas planeiam ficar no exterior do que regressar à Ucrânia. Isto é comprovado por um largo inquérito realizado pela Agência dos Direitos Humanos Fundamentais da União Europeia. Durante a pesquisa, os entrevistados com mais de 16 anos foram questionados sobre os seus planos para o futuro. Trinta e cinco por cento disseram que planeiam voltar pra casa, esse um terço aproximado, claro. Trinta e sete por cento gostariam de permanecer no país anfitrião, 23% ainda não decidiram os seus planos e 4% já disseram que planeiam mudar-se para outro lugar, não garantidamente o país em que estão, mas não certamente para a Ucrânia. Neste estudo, foram ouvidas quase 15 mil pessoas que fugiram da guerra da Ucrânia.
E é com este dado que terminamos este episódio de guerra traduzida com análise à imprensa da Ucrânia.