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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Estamos no dia 9 de maio de 2023, é o dia 440 da invasão russa à Ucrânia. Hoje começamos com a imprensa ucraniana, é um trabalho do jornalista Rui Casanova, sempre com a colaboração da Tânia Olynyk. Rui, a imprensa ucraniana dá destaque ao discurso de Vladimir Putin neste dia da vitória.

Sim, boa tarde. Como disseste, estamos no dia 9 de maio. No Ocidente celebra-se o Dia da Europa, uma data que assinala a paz e a unidade do continente europeu. Já na Rússia é celebrado o Dia da Vitória, data que destaca a vitória sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial em 1945. Foi há 78 anos. E todos os anos Vladimir Putin aproveita esta ocasião para fazer discursos patrióticos, para galvanizar o apoio popular, e em Moscovo são habitualmente feitas celebrações e paradas militares. E este ano, claro, não foi exceção. Ouvimos aqui em fundo os sons das celebrações e paradas militares na Praça Vermelha em Moscovo. As celebrações decorreram esta manhã, mas vamos ao discurso do presidente russo, que durou cerca de 10 minutos, e vamos aos destaques da imprensa ucraniana, das palavras do presidente russo. Ora o canal TCN descreve, como já tem vindo a ser hábito, Vladimir Putin como ditador e destaca a seguinte citação: "Uma verdadeira guerra foi desencadeada contra a nossa pátria". Foram as palavras de Vladimir Putin no discurso desta manhã, que volta assim a passar as culpas da guerra para o Ocidente. Putin também afirma que o mundo está num ponto de viragem e acusa mesmo o Ocidente de promover o nazismo em todo o mundo. São os destaques do canal ucraniano TCN, que também partilha imagens das paradas militares, com este destaque para Vladimir Putin, de certa forma, num lado de vitimização, a passar as culpas desta guerra para o Ocidente.

E temos reações. O chanceler alemão está em destaque na imprensa ucraniana. Olaf Scholz reagiu a estas declarações de Putin.

E diz que jogadas de poder não os assustam. No Parlamento Europeu, o chanceler alemão avisa que a Europa não se pode deixar intimidar por Vladimir Putin nem por este tipo de grandiosas paradas militares. Olaf Scholz afirma mesmo que os 27 não devem ter medo deste tipo de jogadas de poder. Fala assim numa ilusão imperialista por parte da Rússia. O chanceler alemão garante ainda que a Europa vai continuar a ajudar a Ucrânia enquanto for necessário. Reitera assim o apoio dos 27 a Kiev.

A imprensa ucraniana também destaca a presença de Ursula von der Leyen hoje em Kiev, neste Dia da Europa.

Sim, já tinha sido notícia ontem na imprensa ucraniana. Foi até anunciado que Ursula von der Leyen ia voltar a visitar Kiev precisamente hoje, neste Dia da Europa. Esta notícia é destaque novamente hoje, agora com destaque claro para a chegada da líder do Executivo comunitário a Kiev. A chefe da Comissão Europeia veio a Kiev para celebrar o Dia da Europa, é o título do jornal Pravda. Um título desta notícia que partilha uma fotografia de Ursula von der Leyen à chegada à capital ucraniana, como é hábito, através de comboio. A líder do Executivo comunitário mostra-se feliz por estar de volta à Ucrânia. Escreve no Twitter que reitera o apoio dos 27 a Kiev. Entretanto, há poucos esteve reunida com Zelenskyy e deu uma conferência de imprensa.

The first priority is to help to secure the ammunition Ukraine needs.

Ouvimos aqui em fundo estas declarações de Ursula von der Leyen. A presidente da Comissão Europeia afirma que a Europa deve reforçar a ajuda ao esforço de guerra da Ucrânia. Ursula von der Leyen garante ainda que os Estados-membros já estão a discutir o 11º pacote de sanções à Rússia. Entretanto, também só aqui uma outra nota, outro destaque também da imprensa ucraniana. A bandeira ucraniana foi hasteada esta manhã em frente ao edifício da Comissão Europeia em Bruxelas. Foi hasteada ao lado das bandeiras da União Europeia. O Executivo comunitário reitera assim o apoio a Kiev no coração da Europa. É claro, uma informação em destaque na imprensa ucraniana.

Mas Rui, apesar destas iniciativas, a verdade é que no terreno a guerra continua.

Sim, as tropas de ocupação russas continuam a aterrorizar o território ucraniano com bombardeamentos. É assim que começa uma notícia do jornal Pravda desta manhã. Esta notícia dá conta de 11 regiões ucranianas sob bombardeamentos nas últimas horas. Falamos de regiões como Kiev, Chernihiv ou Zaporizhzhia. Foram todas elas atingidas por bombardeamentos por parte das forças russas. De acordo com o jornal Pravda, não há ainda dados oficiais sobre possíveis vítimas na sequência destes ataques. Há apenas relatos de algumas casas, prédios residenciais danificados e algumas zonas destas cidades sem eletricidade para já.

Sim, e ontem à noite, na véspera deste Dia da Europa, houve vários ataques russos.

Sim, ontem à noite a Rússia atingiu o território da Ucrânia com mísseis de cruzeiro marítimos e aéreos. O exército da Ucrânia fala em duas grandes vagas de bombardeamentos, mais no lado oriental da Ucrânia. Ao todo, explica a fonte do exército citada pelo jornal Pravda, a defesa antiaérea conseguiu neutralizar 23 dos 25 mísseis lançados pela Rússia. Mais uma vez, ainda não há dados concretos oficiais sobre possíveis vítimas ou danos na sequência destes ataques.

E entretanto, o primeiro-ministro da Ucrânia, Denys Shmyhal, voltou a falar sobre a contraofensiva. O que ele nos disse?

Denys Shmyhal afirma que esta contraofensiva vai começar quando for o momento oportuno. Não abre assim muito o jogo. Denys Shmyhal tem falado várias vezes ao longo dos últimos dias desta anunciada contraofensiva, que tem sido de forma insistente apontada para esta altura da primavera. Volta agora a falar dessa contraofensiva para dizer que vai começar quando for um bom momento para isso mesmo. Afirma numa entrevista à Sky News que a Ucrânia está a preparar-se com cuidado, fala numa operação muito importante e que daqui tem de sair uma operação com sucesso para todo o país e para o mundo, e especialmente para a Rússia. Pode assim estar para breve a tão anunciada contraofensiva da Ucrânia contra a Rússia. Declarações do primeiro-ministro da Ucrânia em entrevista à Sky News.

Fechamos assim este episódio da "Guerra Traduzida".