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Guerra traduzida na Rádio Observador. Passo a trazermos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Laura Figueiredo, muito boa noite.
Boa noite.
E começas pela imprensa ucraniana. Volodymyr Zelensky diz que a Rússia planeia atacar a presidência ucraniana e a residência oficial do chefe de Estado.
O presidente ucraniano cita dados dos serviços militares e de informação da Ucrânia que indicam que Moscovo pretende atingir cerca de duas dezenas de centros de tomada de decisão em todo o país, incluindo vários edifícios governamentais e postos de comando militar considerados estratégicos para a condução da guerra. Um desses documentos, revelados pelas autoridades ucranianas, inclui as coordenadas detalhadas nos alvos, bem como a localização de três abrigos subterrâneos no centro de Kiev, o que sugere que o planeamento russo contempla não só os edifícios à superfície, mas também estruturas de protecção usadas pela liderança política em caso de ataque. Zelensky afirma que essas informações já foram plenamente tidas em conta pelos responsáveis ucranianos, que estão a reforçar medidas de protecção e planos de contingência para garantir a continuidade do comando político e militar, mesmo perante as tentativas de ataques de decapitação da liderança. O presidente insiste, no entanto, que a resposta da Ucrânia não vai passar por ceder à intimidação, mas sim por continuar a defender-se e a trabalhar politicamente para isolar Moscovo.
Um total de 36 países, juntamente com a Comissão Europeia, ratificaram o acordo para criar o chamado tribunal especial para o crime de agressão contra a Ucrânia.
Este tribunal terá o poder de processar responsáveis políticos e militares pela invasão russa da Ucrânia. O jornal New Voice of Ukraine destaca que esta estrutura, apoiada por vários países europeus, pretende colmatar as limitações do Tribunal Penal Internacional, que tem competências mais restritas no que toca ao crime de agressão, quando não há consentimento dos Estados envolvidos. Para Kiev, a criação deste tribunal é uma prioridade diplomática. O objetivo é que altos dirigentes russos, incluindo o presidente Vladimir Putin, possam ser formalmente acusados pela decisão de lançar a invasão em 2022, independentemente do desfecho militar no terreno. Num artigo deste jornal ucraniano, juristas e responsáveis ucranianos defendem que um mecanismo claro de responsabilização pode ter um efeito dissuasor em futuros conflitos e também enviar um sinal forte a outros regimes autoritários que ponderem usar a força para alterar fronteiras. Ao mesmo tempo, os especialistas alertam que o processo vai ser longo e politicamente complexo e que vai exigir coordenação estreita entre os governos europeus, as organizações internacionais e também a própria Ucrânia, para garantir que o tribunal tenha legitimidade e meios para funcionar de forma eficaz.
Donald Trump diz que o grande golpe sofrido pela Ucrânia pode ter atrasado os esforços de paz.
Em causa está o ataque russo a Kiev, na passada madrugada, que matou 24 pessoas. Hoje, a bordo do Air Force One, no regresso a Washington, depois da visita a Pequim, o presidente norte-americano abordou este tema, reiterou que é uma guerra que gostava de ver resolvida e disse mesmo que até à noite passada parecia que estava a correr bem, mas os ucranianos sofreram um grande golpe ontem à noite. É uma pena", foram as declarações do presidente norte-americano, deixando aqui implícito que o fim do conflito pode estar, afinal, mais longe do que achava.
E as autoridades ucranianas dizem que os mísseis russos usados no ataque que matou 24 pessoas em Kiev foram fabricados com componentes ocidentais.
Sim, de acordo com o Pravda, as autoridades afirmam que os mísseis foram fabricados este ano e que incorporam dezenas de componentes produzidos em países ocidentais. De acordo com a avaliação de peritos ucranianos, apoiada por um especialista independente e descrita pelo Financial Times, os destroços recolhidos no local do impacto mostram que o míssil que atingiu um prédio de apartamentos no distrito de Darnitski, causando 24 mortos, era um KH-101, um dos modelos de cruzeiro mais avançados ao serviço das forças russas. Fotografias dos fragmentos revelam elementos internos, números de série e também componentes elétricos e eletrónicos que permitem concluir que os mísseis foram montados no segundo trimestre deste ano. O responsável ucraniano pela política de sanções disse ao Financial Times que todos os mísseis KH-101 que atingiram Kiev e foram analisados por especialistas foram produzidos neste período recente, o que, a seu ver, demonstra que Moscovo continua a conseguir contornar restrições à exportação de tecnologia.
E voltamos a seguir com os destaques da imprensa russa.