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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Seguimos com a imprensa ucraniana, com a jornalista Diana Rosa. Com o desbloqueio de 90 mil milhões de euros para apoiar a Ucrânia e a aprovação do pacote número 20 de sanções contra a Rússia, o presidente do Conselho Europeu considera que está na hora de começar a preparar a adesão da Ucrânia à União Europeia.
Ideia partilhada por António Costa depois de uma reunião com o presidente ucraniano e com o presidente da Comissão Europeia no Chipre.
Demos dois passos importantes para alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia. Em primeiro lugar, reforçamos as capacidades militares da Ucrânia para que continue a responder à invasão russa. Em segundo lugar, exercemos pressão à Rússia para que Moscovo encare de forma séria as negociações de paz. Agora está na altura de olharmos para o futuro e prepararmos o próximo passo. E esse próximo passo é abrir a primeira ronda de negociações para que a Ucrânia possa aderir à União Europeia.
Conforme noticiado pela Ukrinform, o presidente Zelensky está a participar pessoalmente na reunião informal do Conselho Europeu, no Chipre, depois do desbloqueio de um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia.
E Diana, um ataque russo contra Dnipro fez dois mortos e 10 feridos.
A cidade de Dnipro voltou a ser alvo de ataques durante esta madrugada, provocando, pelo menos, essas vítimas que referiste, Laura. São os dados avançados pelas autoridades locais. De acordo com o jornal Pravda, mísseis russos atingiram uma zona onde vivem pessoas civis, assim como outro tipo de estruturas, o que causou a destruição significativa e obrigou ao deslocamento de equipas de resgate para retirar essas pessoas debaixo dos escombros. Entre as vítimas, há relatos de feridos em estado grave, incluindo mulheres e idosos, o que reforça as acusações de Kiev de que Moscovo continua a atacar de forma indiscriminada nas áreas habitadas. Há imagens divulgadas que mostram edifícios com fachadas destruídas, carros queimados e janelas partidas num raio de centenas de metros. As autoridades locais sublinham que, apesar da eficácia relativa da defesa antiaérea, a densidade dos ataques impede a intercepção de todos os mísseis, mantendo o nível elevado de risco para a população civil.
E a Rússia lançou quase 160 drones. Mantém assim as operações de assalto em nove locais no campo de batalha.
O Estado-Maior ucraniano descreve as últimas 24 horas como extremamente intensas em toda a linha da frente. Foram registados também assaltos terrestres em vários setores, numa tentativa russa de explorar fragilidades táticas depois da campanha de bombardeamentos. Apesar da pressão, as forças ucranianas afirmam ter repelido a maioria dos ataques e salientam que o número de drones e munições de precisão utilizados demonstra o esforço da Rússia em manter a iniciativa através do desgaste aéreo. Kiev insiste que a resposta passa por reforçar a defesa antiaérea e por proteger melhor infraestruturas críticas, desde subestações elétricas a depósitos de combustível.
E Diana, houve mais uma onda de drones ucranianos a atingir um depósito de petróleo na Crimeia e também uma unidade petroquímica na Rússia.
Do lado ucraniano, continua a campanha de ataques de longo alcance contra alvos de alto valor na retaguarda russa e em territórios ocupados. Nesta madrugada, drones ucranianos atingiram um depósito de petróleo, o que provocou um incêndio de grandes dimensões e obrigou à suspensão temporária das operações, é o que avança a imprensa ucraniana. Pouco depois, outro ataque teve como alvo uma estação de bombagem e uma estação petroquímica em duas regiões russas, com relatos de explosões e colunas de fumo visíveis à distância. Kiev não revela o tipo de drones utilizados, mas apresenta estas operações como resposta direta aos bombardeamentos contra a infraestrutura energética ucraniana. Há analistas ucranianos que argumentam que a capacidade de atingir de forma profunda a logística russa é essencial para reduzir o potencial ofensivo de Moscovo e colocar pressão adicional sobre a economia de guerra.
O presidente ucraniano deixa um alerta: são as tropas, não as palavras, que podem travar novas guerras de Putin.
Um discurso amplamente citado pela imprensa ucraniana. Volodymyr Zelensky afirma que é no campo militar que se resolve o conflito, sublinhando a necessidade de reforçar a capacidade de defesa e de ataque do país. As declarações surgem num contexto de intensos combates e de um novo ciclo de ataques aéreos russos, que, segundo Kiev, mostram que o Kremlin não está disposto a reduzir a agressão. Aliás, Kiev já tinha adiantado ao longo das últimas semanas que a Rússia estaria a preparar uma operação primavera-verão, digamos assim, em que iria gerar ondas de fortes ataques à Ucrânia. Zelensky agradece o apoio dos parceiros sociais, insiste que é preciso acelerar a entrega de sistemas de defesa antiaérea, munições e armamento pesado para garantir que a Ucrânia consegue não apenas defender-se, como dizia, mas também recuperar os territórios ocupados. O presidente ucraniano ligou ainda a resistência ucraniana à segurança de toda a Europa. Afirma que uma Rússia vitoriosa na Ucrânia iria sentir-se encorajada a testar as fronteiras da NATO e a desafiar outras democracias. Para Kiev, a mensagem é clara, Laura. Qualquer discussão sobre paz só vai ter sentido se for acompanhada por força no terreno e por garantias de segurança duradouras.
Fica por aqui a "Guerra Traduzida" com a jornalista Diana Rosa. Está de regresso amanhã.
Até amanhã, Laura.