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Começa agora mais uma Guerra Traduzida na Rádio Observador, espaço em que passamos em revista os principais destaques da imprensa russa, bem como da imprensa ucraniana, desta feita com o jornalista Martim Madeira. Boa noite, Martim. Começamos pela imprensa ucraniana. Falamos de Zelensky, que respondeu a Moscovo para exigir uma trégua total nas infraestruturas civis.
Boa noite, Ricardo. Este é o destaque de abertura hoje no jornal Ukrayinska Pravda. O presidente Volodymyr Zelensky respondeu diretamente às declarações que chegam de Moscovo, sublinhando que qualquer entendimento sobre uma trégua energética terá de abranger a totalidade das infraestruturas civis ucranianas, e não apenas refinarias ou alvos específicos. Zelensky reafirmou que a Ucrânia não aceitará compromissos parciais que deixem a população civil desprotegida durante a época de frio do inverno. A posição do presidente foi acompanhada também por declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, Andrii Sybiha, que lembrou que as ações russas contra a rede civil ucraniana continuam sob forte escrutínio. Ainda Volodymyr Zelensky diz que a Rússia não cumpriu com a trégua energética anunciada por Donald Trump. Diz mesmo que esta é a resposta de Putin a Trump.
Falamos agora da Europa e do importante papel que pode ter neste conflito. Isto porque, Martim, países do norte da Europa aprovaram um fundo conjunto para comprar munições para a Ucrânia.
De acordo com o jornal The Kyiv Independent, os ministros da Defesa dos países nórdicos e bálticos fecharam hoje um acordo para criar um fundo financeiro comum destinado à aquisição acelerada de projéteis de artilharia. A iniciativa pretende financiar a compra direta de munições de calibre 155 mm junto de fabricantes europeus e sul-coreanos, contornando assim as burocracias das licitações tradicionais. A verba inicial está avaliada em cerca de €400 milhões e deverá permitir as primeiras entregas de material às brigadas ucranianas na linha da frente já nas próximas semanas. O Ministério da Defesa em Kiev congratulou-se com a rapidez do acordo, sublinhando que a estabilidade do fornecimento de munições de artilharia é crucial para travar a pressão das forças russas no Donbass.
Numa altura, Martim, em que a Ucrânia lançou também um novo canal digital, isto para apoiar famílias de militares desaparecidos.
É uma notícia com um cariz mais social e humano em destaque no portal Express Online. O Ministério da Reintegração da Ucrânia apresentou hoje uma plataforma digital unificada para prestar apoio jurídico, psicológico e financeiro às famílias de soldados que estão considerados desaparecidos em combate. A nova ferramenta permite aos familiares acompanhar em tempo real o estado das investigações, submeter amostras de ADN e aceder aos subsídios estaduais sem necessidade de deslocações presenciais a serviços públicos. As autoridades ucranianas estimam que milhares de famílias continuam à espera de confirmação oficial sobre o paradeiro de familiares sem linha de contacto, sendo este canal visto como uma medida necessária para reduzir a incerteza e também a burocracia que está a empatar o conhecimento destas famílias sobre os seus familiares.
Viramos agora a nossa atenção para o Parlamento ucraniano, que, Martim, começou hoje a debater um novo projeto de lei para incentivar o regresso de refugiados.
Continuamos com esta visão social e humana, com destaque no jornal Golos Ukrainy. A Verkhovna Rada, o Parlamento ucraniano, iniciou hoje a apreciação de uma proposta legislativa que prevê incentivos fiscais e apoios ao crédito à habitação para os cidadãos ucranianos que decidam regressar ao país vindos do estrangeiro. O projeto de lei sugere a isenção temporária de imposto sobre o rendimento e linhas de financiamento bonificado para quem pretender abrir pequenos negócios ou reconstruir habitações danificadas pelo conflito. O governo defende que o regresso da população em idade ativa é indispensável para sustentar a economia nacional e cobrir a escassez de mão de obra em setores energéticos, como, por exemplo, a construção e os serviços.
Foram estes os principais destaques da imprensa ucraniana. Nós voltamos já a seguir, também com as principais notícias dos jornais russos.