Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Esta é a história do dia da Rádio Observador: que onda é esta dos desenhos Ghibli feitos em inteligência artificial. Cátia, como é que eu faço isto?
Então, tens de fazer o upload da fotografia no ChatGPT e depois escreves o pedido: "Aplicar o estilo Ghibli a esta imagem".
Ok, vou fazer. E agora podemos fazer como nos programas de culinária, porque acho que isto está com ar de que vai demorar uns minutos. Portanto, fazemos aquele truque de meter no forno cru e sair assado. Cátia, eu pareço o avô da Heidi.
Acho que ainda podes pedir para melhorar o nariz, e o teu cabelo também acho que está pouco grisalho.
Estás sendo muito simpática para dizer que o meu nariz parece uma batata e que o meu cabelo não está assim tão grisalho. Vou tentar. Cátia, isto piorou. Isto não melhorou.
Por favor, diz-me que vais usar uma destas imagens como capa do episódio.
Eu posso usar, mas só a primeira, está bem? Apesar de tudo, acho que a primeira imagem ficou um bocadinho melhor, mas só vou usar, Cátia Rocha, porque és tu que me estás a pedir. E neste ponto, já percebemos que vamos falar de inteligência artificial e de desenhos com estilo muito próprio, que estão a ser produzidos pelo ChatGPT através de fotografias ou pedidos para criar uma imagem. Neste episódio extra, vou conversar com Cátia Rocha, jornalista do Observador, que acompanha a área da tecnologia. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a história do dia, extra, de sábado, 5 de abril. Bem-vinda, Cátia.
Obrigada, Ricardo.
Vamos talvez começar por explicar o que é o estilo Ghibli.
Bem, é a forma como a internet se está a referir às imagens que estão a inundar as redes sociais. Não é possível usar nenhuma rede social sem ver uma imagem destas. E tem este nome porque tem um estilo visual, que é muito parecido com a animação que é feita pelo estúdio japonês Studio Ghibli, que fez filmes como "A Viagem de Chihiro" ou "O Meu Vizinho Totoro". E é um estilo que transforma fotos em animação, transforma ou gera fotos, imagens a pedido, e que dá uma coloração muito específica às imagens, tudo em tom de animação japonesa.
E o que o ChatGPT fez ou está a fazer?
Bem, a culpa de tudo isto estar a acontecer é do ChatGPT, que faz esta transformação de fotos em imagens de animação. E tudo isto acontece porque há pouco mais de uma semana, a OpenAI, que é a empresa responsável pelo ChatGPT, lançou funcionalidades mais avançadas de imagem que foram incorporadas no ChatGPT. Ponto prévio: a OpenAI já tinha um modelo capaz de gerar imagens, que era o DALL-E, que já se tornou conhecido há alguns anos, mas agora o que fez foi incorporar todas estas formas mais avançadas de gerar imagem, tudo no ChatGPT, que é um chatbot com que as pessoas já se habituaram a interagir. E em muito pouco tempo, a popularidade disso cresceu imenso e já houve várias fases. Primeiro, estava disponível para todos os utilizadores do ChatGPT, ou seja, quem paga pela subscrição e quem tem só acesso à versão gratuita. Depois, já perceberam que era preciso limitar o uso da versão gratuita e isso foi retirado, ficou com mais limites, com menor capacidade. E depois já voltaram a disponibilizar todas as funções mais avançadas a toda a gente, quem paga e a quem não paga.
Daí eu ter conseguido. E está sendo um sucesso, é inegável, não é?
Sim, a popularidade foi tanta que até superou as expectativas da OpenAI. O CEO Sam Altman explicou justamente isto na rede social X. E fica a nota: também passou a usar um avatar dele em versão Studio Ghibli. Primeiro, as pessoas começaram por aplicar o filtro a fotografias de família, álbuns de casamento, porque é um estilo de animação que é esteticamente muito bonito e os filmes deste estúdio têm muitos fãs. Mas depois isto evoluiu para outro patamar. Por exemplo, aplicar o filtro Ghibli a fotos do 11 de setembro, até aquela foto muito conhecida em que estão a avisar George W. Bush dos ataques. Há uma versão Ghibli disso, há uma versão do atentado contra Donald Trump também, de memes muito conhecidos e até políticos, como por exemplo Pedro Nuno Santos, fizeram a sua versão Studio Ghibli.
Mas isto acaba por levantar muitas questões. Primeiro, o ChatGPT ficou a saber ainda mais, neste caso, sobre mim, que testei com a fotografia que usamos na capa da história do dia. Ele fica com mais informações sobre mim e com informações sobre as minhas fotografias. Isso não é de borla.
Isto é uma questão que é muito complexa. Aliás, desde que começou toda esta onda da IA generativa, que tem muito início com o lançamento do ChatGPT em novembro de 2022, que há muitas dúvidas sobre o que acontece a todos os textos, toda a informação, imagens que carregamos para o ChatGPT. Não é totalmente linear o que acontece, embora nas políticas e nas questões de privacidade do ChatGPT, seja dito que os ficheiros e os textos que são usados não servem de base a treino de outros modelos, que são apenas para ajudar na conversa que estamos a ter naquele momento com o chatbot. Mas a OpenAI não é totalmente transparente em que dados se está a basear para treinar os modelos. E esta é uma das maiores críticas que é feita à empresa. Portanto A empresa diz isto, mas nós não temos bem a certeza se é ou não verdade. É uma questão que é complexa.
E depois há o outro lado, o lado dos direitos de autor.
Sim, e é assim, temos de recordar que a suposta infração de direitos de autor já valeu vários processos à OpenAI. Por exemplo, um dos mais conhecidos é o facto do New York Times ter decidido processar a OpenAI quando percebeu que havia uma reprodução, não vou dizer quase integral, mas uma reprodução muito vasta de artigos que foram feitos pelos jornalistas do New York Times. E quem fala disto, fala também de artistas visuais que decidiram processar a OpenAI porque perceberam que os seus trabalhos estavam lá, escritores que perceberam que havia livros quase integrais para ensinar ao modelo como é que se escreve, como por exemplo, Margaret Atwood. Há muitos processos que envolvem a OpenAI por causa desta questão. Concretamente, no caso destas imagens do filtro Studio Ghibli, estamos a falar aqui de um estilo. E segundo os especialistas nesta área, o estilo não é protegido por direitos de autor. O que seria considerado uma infração era se o ChatGPT, de repente, fizesse uma reprodução parcial ou integral de um frame, por exemplo, de um filme do Studio Ghibli. Isso aí já era claro que era uma violação. Agora aqui é uma área um bocadinho cinzenta e admite-se que é uma questão complexa também. Aqui em alguns dos testes que fizemos no Observador a testar esta funcionalidade, o próprio ChatGPT ao início definia um limite, dizia: "Não consigo imitar o estilo desse estúdio, porque é de um artista vivo, ou então porque isso viola a política de conteúdo".
Mas entretanto começou a fazer, não é?
Entretanto, nos vários testes que fomos fazendo, há aqui resultados muito diferentes. Há vezes em que basta pedires: "Quero isto em versão Studio Ghibli" e o ChatGPT faz, não levanta questões.
Consegues dar-me um exemplo mais concreto?
Por exemplo, pedir para carregar uma foto e dizer: "Quero isto em Studio Ghibli" e aparece. Demora algum tempo.
Foi o que fizemos.
Exatamente. Demora algum tempo, mas aparece. Ou então pedir para gerar uma imagem completamente nova, por exemplo, da Rainha de Inglaterra, e a primeira reação do ChatGPT é dizer: "Não posso gerar imagens baseadas na Rainha de Inglaterra, porque é uma figura pública, mas posso fazer algo parecido". E o resultado do parecido da Rainha original é uma reprodução de uma fotografia da Rainha Isabel II. Portanto, não há aqui versões muito coerentes nestes resultados do ChatGPT. E também outra coisa que se tornou viral ao longo desta semana e destes dias em que isto tem inundado a internet, é um vídeo de Miyazaki, que é o criador do estúdio japonês e o cérebro que está por trás de todos estes-
É o grande criador.
O grande criador de todos estes-
Que é um senhor já octogenário.
Sim, é o criador de todos estes filmes e deste estilo. É um vídeo de 2016 que está a ser utilizado agora aqui um bocadinho fora de contexto, porque em 2016 não havia ChatGPT, não havia nada desta história de IA generativa como hoje a conhecemos, mas é um vídeo em que está a ser apresentado ao criador japonês uma versão de um zumbi criado com inteligência artificial e ele é completamente contra aquilo. E temos de recordar que isto é um estúdio que se tornou conhecido por fazer animação de uma forma muito tradicional, desenhos à mão, há muito pouca tecnologia.
E com o tal estilo muito marcado, não é?
Sim, e é uma questão que se levanta agora.
Então, e nesta altura, e no limite, cabe ao utilizador escolher, no fundo, em que lado da questão se coloca. Se vou divertir-me aqui um pouco a fazer uns bonecos destes ou não vou usar isto porque isto é uma ofensa ao artista e à criaturidade humana.
São duas versões. E é assim, temos de recordar que isto tornou-se viral pelo filtro Ghibli, mas é possível pedir vários outros estilos de animação.
Dá para fazer, por exemplo, South Park também.
South Park, Simpsons. Fica um bocadinho ao critério de quem está a brincar com o ChatGPT, vamos assim dizer. Mas há versões muito opostas. Tens os fãs do estúdio que dizem que se calhar um frame daquele filme demora meses ou anos a ser feito, é um trabalho moroso, feito com muito cuidado, que envolve muita gente. Não é como: "Ok, temos aqui um computador e vamos pedir". E que, portanto, são contra este filtro. Mas depois também tens pessoas que são muito fãs dos filmes e que querem um bocadinho ver como é que seria entrar neste filme e como é que seria ter o aspeto de uma personagem deste filme, porque há muita gente que cresceu com estes filmes e é uma questão um bocadinho de conforto e nostalgia também. Por isso é que até na primeira fase há aquela história de vou transformar a minha família em personagens de um destes filmes. Mas realmente, isto agora é uma questão que divide opiniões. Onde é que traças a linha entre o que é uma homenagem e o que é uma apropriação e um bocadinho desrespeitar, se calhar, aquele trabalho de animação?
É uma dúvida que fica. Obrigado, Cátia. Vamos, de qualquer forma, usar a imagem que criámos a partir da capa da história do dia. Vamos usá-la para este episódio, onde realmente eu estou muito parecido com o avô da Heidi. A Heidi na versão também de desenhos animados japonesa, que eu via quando tinha a tua idade, não, quando era muito mais pequeno. Obrigado, Cátia.
Obrigada, Ricardo.
Cátia Rocha é jornalista da secção de economia e especialista em tecnologia. Esta foi a História do Dia. A sonoplastia é da Mariana Sousa Aguiar, a música do genérico do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Bom sábado e bom fim de semana.