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Olá e sejam muito bem-vindos à História das Histórias. Já sabe, eu sou o João Paulo Sacadura e Alberto Correia, em Viseu, vai-nos continuar a falar de Viseu desta semana. Concretamente agora vamos centrar-nos na Praça da República e nos Passos do Conselho. Olá, Alberto, bem-vindo. Vamos a isso.

Ficavam dentro das muralhas, em lugar nobre, os primeiros Passos do Conselho, abertos sobre a praça, concertados com cadeia e pelourinho, centro cívico onde tinha também lugar a festa. Por séculos sem fim cumpriram a missão. Até que, num trágico dia de 1796, um incêndio os apagou desse lugar, essa charneira bem voltada ao norte, onde se tocam a antiga Rua da Cadeia, ora dita de Dom Duarte, e a Rua do Comércio, que essa bem mais tarde se abriu. Anos sem fim, os Passos do Conselho deixaram de ter um pouso certo. E é apenas em 1877 que o engenheiro José Matos Cid, requerido para o efeito, irá desenhar com desenvoltura e singeleza neoclássica os atuais Passos do Conselho, fazendo desenvolver duas galerias laterais a encerrar um curto pátio desse corpo principal, que ficou aberto sobre a ampla e harmônica fachada de dois pisos para o antigo terreiro, o Rossio de Mansurim, hoje Rossio no dito popular, Praça da República, que veio substituir a antiga designação de Passeio de Dom Fernando. A amplidão dos espaços de interior, que ainda se abrem através das múltiplas janelas concebidas como largos vãos para receber luz, espaços ora refeitos para responder à urgência de um novo tempo, vai a par com a grandeza harmônica da fachada e a força que lhe imprime a natureza da função de prestígio, representação e serviço da comunidade, e cria a quem olha e respeita, o respeito e a admiração por tal espaço arquitetônico. Mas há ali, nestes espaços, uma razão particular que faz deles um verdadeiro eques libris da praça e da cidade. Logo a abrir, o artístico portal de ferro dos serralheiros da cidade deixa ver o elegante candeeiro de ferro forjado, suspenso na zona vestibular, obra-prima de mestre Arnaldo Malho, o singular obreiro que Aquilino Ribeiro titulou de Poeta do Ferro. Vem depois a escadaria de larguíssimos degraus de uma só pedra, que parecem esteios d'anta, e a culminar a maestria do lavor do pintor José de Almeida e Silva, que vive de 1864 a 1945, que lhe veste de cor os muros laterais com painéis azulejares de fabrico aveirense, que lhe inscreve no teto essa inventiva alegoria, o colorido medalhão, onde graças figuras de mulheres, deusas ou ninfas, amparam o escudo d'armas da cidade, enquanto o gênio alado da fama anuncia uma vitória. Ao redor, a espantosa galeria de retratos de homens que foram heróis ou santos, artistas, beneméritos, letrados ou poetas, esses que sustentam com glória a alma de Viseu. Vale a pena entrar. Entra no museu.

Que bonita esta visita guiada por si, Alberto, a estes Passos do Conselho neoclássicos da cidade de Viseu. Tão bonitos, vale sempre a pena dar lá um pulo e admirar estes candeeiros, já o nosso amigo mestre Arnaldo Malho e tão amigo de Aquilino, e também estes painéis azulejares, a escadaria, tudo isto vale muito a pena conhecer em Viseu. É bom ter esta visita guiada por si. E nós despedimo-nos e marcamos encontro então amanhã, onde vamos dar um pulo à Sé. Até amanhã, Alberto.

Até amanhã.