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Olá e sejam bem-vindos. Esta é a História das Histórias, eu sou o João Paulo Sacadura e estou ansioso, como sempre, para ouvir as crónicas e as memórias de Alberto Correia. Ele está em Viseu e este arqueólogo e especialista em todas as tradições da região centro, hoje vai nos falar de uma curiosidade que tem a ver com bolotas, as bolotas do John Lennon e de Yoko Ono, ou, como quem diz, as memórias de um gesto em favor da paz, que é tão preciso hoje em dia. Bem-vindo, Alberto.
No já longínquo ano de 1968, no decorrer das filmagens de Love Story, John Lennon e Yoko Ono plantaram duas bolotas, sementes de carvalho, no jardim fronteiro à Catedral de Coventry no Reino Unido, que havia sido quase totalmente destruída pelos bombardeamentos durante a Segunda Grande Guerra e fora reconstruída depois como símbolo de paz. Plantadas na posição leste-oeste, simbolizavam as duas culturas de John e Yoko, que haviam casado recentemente, mas pelos fãs terão sido arrancadas do mágico lugar. Na primavera de 1969, Yoko e John levaram a efeito o seu novo e mais amplo projeto, dito Peace Acorn, Bolotas pela Paz. Num pequeno estojo, acondicionaram duas bolotas e enviaram-nas a muitos chefes de Estado, recomendando-lhes que as plantassem no seu jardim, onde crescessem e se tornassem símbolos de paz duradoura. Muitos deles acusaram o recebimento. Golda Meir, por exemplo, que então presidia aos destinos de Israel. Yoko Ono, no ano de 2009, 40º aniversário deste primeiro simbólico ato, recriou o antigo gesto e enviou as simbólicas bolotas a 123 chefes de Estado, Barack Obama, por exemplo. Os mesmos votos: que os carvalhos crescessem como símbolos de paz. E de muitos chefes de Estado, ela guardou as mensagens que acusavam a oferta. Ao escrever este texto, eu lembro as bolotas da minha infância que eu colhia, qual gesto poético tão-somente, nessas primaveras antigas na quinta de meu pai. As bolotas já não eram ao tempo, na minha terra, alimento da gente, nem sequer dos gados. As pequenas cápsulas onde as bolotas se recolhiam como maternal leito, eram objeto das ingénuas brincadeiras de meninas em seus jantarinhos de criança, místicas bodas onde nós, os rapazes, éramos os convidados, sabe Deus sob que estatuto. Aprendi mais tarde que o carvalho fora na Grécia antiga a árvore sagrada para o povo, e era com seus ramos revestidos de bolotas que se coroavam os vencedores dos Jogos Olímpicos. Já então eram símbolos de paz. Quem dera que alguém repetisse hoje o gesto de Yoko Ono e enviasse as duas simbólicas bolotas aos chefes de Estado de tantos países em guerra. Yoko Ono ficaria contente ao saber do gesto, mas alguns países apenas bordaram a púrpura e ouro nos ombros de alguns dos grandes senhores da guerra, as estéreis folhas de um carvalho.
Um bonito gesto feito por este ex-Beatle e a sua mulher japonesa, que nós lembramos hoje nesta sua crônica. Muito bem, Alberto. E relembrando também as bolotas da sua infância. Eu acho que com esta crônica fica este desejo de paz que o mundo está tão necessitado.
Bem necessária.
Bem necessária hoje em dia, em todo o mundo, em todas as latitudes do mundo. Bem-haja e marcamos encontro amanhã. Até amanhã, Alberto.
Então até amanhã.