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Notícias das 9, com edição de Marti Madeira e em destaque: Luís Montenegro está preocupado com as ameaças feitas por um manifestante contra a casa do primeiro-ministro e da família.
Em declaração aos jornalistas no final da Cimeira do Conselho Europeu, o primeiro-ministro alertou para a existência de um vídeo de uma manifestação, onde é feita uma ameaça direta à casa de habitação do líder do governo. Luís Montenegro descreveu este vídeo como preocupante e diz que é um vídeo que apela à violência e à importação de conflitualidade que tem acontecido em outros países, para além de Portugal. Pouco depois, o vídeo acabou por ser divulgado pelo Palácio de São Bento e, nesse vídeo, é possível ouvir o manifestante a ameaçar atacar a residência do primeiro-ministro com um tijolo e incentiva também os outros manifestantes à descoberta da morada de Luís Montenegro. O governo acredita que estas palavras foram proferidas durante os protestos pela habitação, nos últimos dias, na cidade do Porto. O primeiro-ministro reafirma, no entanto, compreender que as pessoas queiram respostas e sublinha que têm todo o direito à indignação.
E o primeiro-ministro nega que tenha dito que havia egoísmo por parte dos manifestantes pela habitação no Porto.
Assegura que não se mostrou contra os protestos, nem faltou o respeito com os manifestantes. Em Bruxelas, assegura que respeita o direito de todos os portugueses, de qualquer tipo de manifestação. Luís Montenegro releu o que já tinha dito sobre o tema e insiste que o alvo das palavras não foram os manifestantes.
Em algum momento eu disse que havia egoísmo dos manifestantes. E eu disse isto: em primeiro lugar, eu já tive ocasião de dizer, na semana passada, na Assembleia da República, que espero que os partidos políticos, movimentos associativos, organizações portuguesas, não caiam na tentação de, por razões meramente egoísticas da sua própria ação, importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não têm, de fato, respaldo na sociedade portuguesa. Portanto, eu dirigi-me a partidos políticos, a movimentos associativos e a organizações.
O primeiro-ministro sublinha ainda que está solidário com todos os manifestantes.
Nós temos toda a compreensão para que as pessoas queiram respostas, queiram que essas respostas estejam à sua disposição e possam expressar a sua indignação sobre aquilo que, no entender delas, possam ser omissões das políticas ou um alinhamento menos condizente com as suas ideias.
As palavras de Luís Montenegro no final da reunião do Conselho Europeu.
No Porto, o Movimento pela Habitação quer voltar a montar tendas na Praça Dom João I já amanhã.
A informação é avançada ao Observador por um dos porta-vozes do movimento. Foi divulgado um comunicado onde se pode ler: "Voltaremos, permaneceremos sábado, Praça Dom João I, ao meio-dia, em apoio a esta manifestação da CGTP, às 17h, acampada". Para hoje, a organização do protesto explica que está prevista apenas uma vigília, que já começou às 19h. E é lá no Porto que está a jornalista do Observador, Laura Figueiredo. Laura, boa noite. Há pouco relatamos as palavras do primeiro-ministro sobre as ameaças à própria casa. Existe alguma clarificação por parte da organização?
Boa noite. Sim, a organização diz repudiar por completo as declarações feitas aqui ontem, onde um dos manifestantes deixava ameaças ao primeiro-ministro. Ora, há pouco falei com o advogado que representa o movimento, que está também aqui hoje na Praça Dom João I. Tiago Machado diz que o Movimento pela Habitação não subscreve, de qualquer forma, este tipo de comportamentos.
Nós estamos numa manifestação que é pública. O ingresso, digamos assim, à manifestação é livre. Quem começa a falar, nós não sabemos previamente o que vai dizer, até porque não seria correto perguntar: "O que vais dizer? O que vais falar?" É evidente, quando se diz uma coisa dessas, nós não vamos subscrever. Estando eu ontem a apelar à ordem pública, quer na comunicação social falada, escrita ou qualquer que ela seja, digamos que é colocar em ponto de destaque a ordem pública, não vamos naturalmente subscrever isso. Nós somos completamente alheios e não estamos em nenhum momento de acordo com esse tipo de declarações.
Tiago Machado, advogado do movimento. Ouvimos também João Silveira, um dos porta-vozes do movimento, que diz não ver as ameaças dirigidas ao primeiro-ministro como um incitamento à violência e justifica.
Estavam cá mais de mil pessoas ontem. É verdade que houve pessoal que aplaudiu, mas, sobretudo, o sentimento e não as ações. Há uns anos, também houve várias palavras de ordem aqui no Porto sobre ocupar-se a casa do Rui Moreira. Isso, obviamente, nunca passou à prática. É uma palavra de ordem, é meramente figurativo. Nunca seria para ser levado à prática e mesmo que fosse, chumbaria por unanimidade. Portanto, não é uma ameaça real, é o senhor primeiro-ministro a querer, de facto, armar um espantalho à nossa volta, a querer que nós percamos a nossa integridade, quando a nossa integridade está perfeitamente intacta, para além de que mais, se fosse preciso invadir uma casa do senhor primeiro-ministro, seria preciso escolher qual das 54.
João Silveira, um dos porta-vozes do Movimento Habitação. Por aqui na Praça Dom João I, nesta altura estão ainda reunidas algumas pessoas, mas bem menos do que ontem. Isto porque para amanhã está agendada uma nova ação. A organização planeia voltar aqui à praça em força e novamente com tendas, como dizias. Para o dia de hoje, o movimento diz que a prioridade é, sobretudo, o trabalho da organização e preparação logística para amanhã, dia em que o movimento se vai também juntar à manifestação convocada pela CGTP, que tem início marcado para às 10h, e por isso mesmo os ânimos hoje estão aqui mais calmos nesta Praça Dom João I, que tem sido palco destes protestos pela habitação. O movimento diz que os manifestantes estão a guardar-se para amanhã.
A jornalista Laura Figueiredo, em direto do Porto, a dar aqui esta nota de que, por agora, está tudo mais calmo e também a reação dos responsáveis deste movimento às declarações do primeiro-ministro, garantem que, de facto, é um movimento que não se materializa, que não aconteceria esta movimentação à casa do primeiro-ministro
E do lado da oposição, José Luís Carneiro diz que a prioridade do PS é resolver a crise da habitação e defende a passagem para um novo ciclo de medidas.
O secretário-geral do partido está em Fafe para participar numa conferência moderada por Marques Mendes sobre a abrintação em Portugal. À margem, em declaração aos jornalistas, aponta a habitação como prioridade do partido, defende uma nova ronda de medidas para travar a subida de preços com base em algumas linhas principais.
Por um lado, uma política de solos, em segundo lugar, uma política fiscal, em terceiro lugar, uma política de construção de habitação acessível em todo o país, que mobilize o Estado, as autarquias, as cooperativas, as associações de moradores, para respondermos às 380 mil casas que são necessárias hoje para que as famílias portuguesas, os jovens portugueses, possam emancipar-se o mais cedo possível.
A subida dos preços das casas e do valor das rendas tem gerado grandes protestos no país e José Luís Carneiro diz que acompanha estas críticas à gestão que o governo tem feito no setor da habitação e, por isso, compreende as manifestações que têm acontecido, nomeadamente no Porto, mas deixa uma nota.
Compreendo a indignação das pessoas na rua, mas também faço um apelo: que manifestem a sua indignação, mas que procurem respeitar as regras democráticas e que procurem respeitar o direito de manifestação, porque o direito de manifestação implica também respeitar a ordem e a segurança públicas e, portanto, é preciso compatibilizar o direito e a ordem pública com o direito de manifestação.
Declarações de José Luís Carneiro em registros captados pela RTP Notícias.
E pela capital, Carlos Moedas acredita que a manifestação agendada para Lisboa vai correr bem.
O presidente da Câmara de Lisboa diz que a causa é justa, mas ressalva que as pessoas têm de cumprir a lei. Portanto, apelou à calma e sublinha que as manifestações são um direito constitucional.
Aquilo que eu pedia era calma, serenidade, para que a causa seja justa e para que a causa possa ter a sua razão sem haver desrespeito pela lei. E isso é muito importante que amanhã aconteça em Lisboa e por isso é aquilo que eu peço. Espero que vai correr bem. Para ter uma ideia, nós temos 700 manifestações por ano em Lisboa. Damos autorização a todas essas, obviamente, elas são notificadas. As manifestações é um direito constitucional e, portanto, é isso que nós fazemos todos os dias na nossa cidade. Amanhã será uma. Esta eu penso que é uma causa justa, que as pessoas têm razão.
As palavras de Carlos Moedas, antecipar a manifestação pela habitação agendada para amanhã em Lisboa, no Rossio.
Martim, vamos agora atualizar as notícias de âmbito local.
A Câmara Municipal de Sintra vai investir mais de €64 mil na reabilitação de edifícios. Chama a iniciativa ao abrigo do programa Reaviva. A autarquia afirma que o objetivo é melhorar as condições de vida dos moradores. Os edifícios em questão situam-se em Monte Abrão, Mercês, Cacém e Maçãmá. Em Arouca, a Comissão Europeia não detetou qualquer problema no rio Paiva, é o que avança o deputado municipal de Arouca, Pedro Bastos, depois de várias denúncias de odores intensos e espuma branca. A Comissão Europeia diz não ter recebido qualquer informação sobre a degradação da qualidade da água e garante que, segundo o plano de gestão da bacia hidrográfica comunicado a Bruxelas, o rio apresenta um bom estado ecológico e químico. Isto apesar de no local estarem afixados avisos da Associação Portuguesa do Ambiente que indicam o contrário. Em Porto de Mós vai haver no domingo uma sessão de colheita de sangue no Salão dos Bombeiros Voluntários. O horário de atendimento é entre as 09h e a 13h. Em Vila Nova de Famalicão, o trânsito vai estar condicionado no domingo devido à realização da 12ª Meia Maratona da Cidade. A Estrada Nacional 206 e 309 vão estar cortadas a partir das 08h e as rotundas do empreendedor e da variante a partir das 18h. Em Ansião, no distrito de Leiria, o IC8 vai estar cortado no acesso ao Parque Empresarial do Camporês. Isto a partir da próxima segunda-feira até o dia 23 deste mês, devido a obras nesse local. Fechamos com o Festival Almada Folk, que regressa amanhã. O programa desta segunda edição conta com uma oficina de percussão ibérica e outra iniciação à gaita de foles, amanhã, no salão de festas do incrível Almadense.