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Olá, sejam todos muito bem-vindos à História das Histórias. Eu sou o João Paulo Sacadura. Bom ano para todos. Em Viseu, Alberto Correia continua a evocar as suas memórias, as suas crónicas. Desta vez falamos de um festival, o Festival Serranias, um festival que celebra a gastronomia na terra de Aquilino Ribeiro. Olá, Alberto. Vamos a isso então.
Nos idos de novembro do ano que ainda decorre, teve lugar em Soutosa, a aldeia serrana do município de Momenta da Beira, que se tornou a residência de uma vida para Aquilino Ribeiro, o oitavo festival designado Serranias, festival de sabores e tradições, que procura celebrar a velha gastronomia desta região serrana que Aquilino apelidou de Terras do Demo. A deslado do povoado onde assenta a sede de uma associação local, que é a promotora do evento, com apoios dados pela União de Freguesias que Soutosa integra e pelo município de Momenta da Beira, tem lugar durante um intenso fim de semana, uma espécie de vivida quermesse, largamente participada por gentes da terra e da vizinhança, que se tornam participantes ativos dos agora estranhos rituais de um inverno em começo, centrados na cerimonial matança do porco e na manducação típica do dia. Evoca-se também a já pouco distanciada noite de Natal, com os cheiros e os sabores que se soltam na ampla cozinha, que se inventou sob o telheiro onde ardem toros de pinho, que, como fogo quase ritual, aceso sob o bojo negro de quase duas dúzias de abonados potes de ferro, se torna aconchego da gente que já não cobre as velhas capuchas de burel, nem calça os tradicionais tamancos ferrados, que, como elas, se tornaram objeto de museu. Sentados à mesa, todos, a gente da terra e os que chegaram ao jeito de romeiros, saboreiam esses manjares de temperos antigos, à surda de pão e de trigo, bom azeite e polvilhos de alho, e esse prato forte composto pelos lusídeos torresmos de carne fresca e do redanho, o sangue cozido e as batatas untadas pelo molho caseiro. E o vinho novo que corre. Ao domingo, chega de longe o tragendo quando a manhã já vai alta, quando na reinventada cozinha já ardem brandões de pinho, quando o arroz de sanchas, o popular nome que ali dão aos míscaros, já ferve nas panelas, quando as diligentes cozinheiras já testam o sabor da típica feijoada, quando o arroz doce já cheira aos polvilhos da canela, quando o vinho já espera na caneca vidrada. Os mais velhos avivam memórias de um tempo antigo de que os magoa a saudade e contam aos netos histórias de outro viver. Em jeito de feira, há neste domingo para venda bancas com produtos locais, o pão cozido em forno de lenha, o queijo, o mel, o fumeiro, a maçã cujo cultivo subiu à serra e há o ritmo das concertinas tocando à maneira. Valeu o encontro da gente, a animação musical, o animado bailarico, a despedida ao findar rápido da tarde com o ventinho frio da serra a fazer-se sentir e a incerta promessa de para o ano voltar.
Que boa ideia este Festival Serranias. De facto, que lembrou Aquilino Ribeiro e Alberto, fiquei cheio de vontade de participar numa futura edição. Vou estar mais atento ao próximo novembro, que ainda agora passou, mas vou estar atento ao próximo, porque de facto quando o Alberto descreve todas estas iguarias das entradas até ao arroz doce, claro que apetece muito participar e de certeza comer muito bem, como na zona centro estamos habituados.
Ainda se lembram sabores antigos, efetivamente.
E o que é bom permanece, o que é também muito saboroso. Muito bem, Alberto. Marcamos encontro amanhã. Bom ano e até amanhã.
Até amanhã.