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Olá, seja muito bem-vindo. Já sabe, esta é a história das histórias. Eu sei que estava à espera de nos ouvir. Eu sou o João Paulo Secadura. Aliás, nos ouvir, é mais ouvir o Jorge Adolfo Marques, ele é historiador, professor e mestre de arqueologia, que nos vai falar hoje de Terra de Senhorim e dos Moinhos de Rodízio da Ribeira do Castelo, que tem um museu local. Vamos dar mais voltas agora, que apetece e está bom tempo, por estas terras. Olá, Jorge. Bem-vindo. Vamos a isso.

Olá. Hoje vamos fazer uma pequena incursão pelas terras de Senhorim e pelos Moinhos de Rodízio, com um breve apontamento ao museu local. Senhorim é uma freguesia do concelho de Nelas. Um território também muito bonito, com os seus vinhedos das encostas do Dão. Extraordinário. Vamos recuar uns séculos e vamos até ao tempo em que o Fernando Magno, rei de Leão, empreendeu a reconquista definitiva deste território entre o rio Douro e o Mondego, o Mondego e a serra da Estrela, entre o rio Douro e Coimbra. Isto entre 1037 e 1064. Em 1064 foi feita a reconquista definitiva da cidade de Coimbra. E este território, esta zona beirã, a norte da serra da Estrela, ficou definitivamente nas mãos cristãs. É a chamada Campanha das Beiras. Eu vou dizer aqui umas datas, mas isto é só para ficarmos com uma referência. Em 1055, ele conquistou o Castelo de Seia, repare-se, na serra da Estrela. Depois, em 1057, foi um bocadinho mais a norte e conquistou o Castelo de Lamego. Em 1058, o de São Martinho de Mouros, Viseu, Travanca, Penalva e Tarouca. Portanto, uma série de fortificações que estavam a oriente da terra de Santa Maria, a zona da feira. Toda esta região estava nas mãos muçulmanas e o Fernando Magno vai reconquistar estes castelos todos e, com isso, reconquistando o castelo, reconquista o território. E seis anos depois desta campanha importante, ele então conquista a cidade de Coimbra. Fez um cerco à cidade durante vários meses e depois entregou a sua administração, bem como este território todo, ao muçarabo Sisnando Davides, que se encontra sepultado na Sé Velha de Coimbra. Encontra-se lá o túmulo deste Sisnando Davides. Para além desta reconquista, o Fernando Magno depois reorganizou o território, criou novas circunscrições político-militares, que vêm substituir uma antiga divisão administrativa do seu antepassado, que foi Afonso III. Mas essas circunscrições são mais pequenas, e na cabeça de cada uma delas havia um castelo. Portanto, era mais fácil depois de controlar, defender esse território, porque essas circunscrições são mais pequenas, mais fáceis de dominar, que são designadas de terras. Algumas delas foi a terra de Viseu, que tinha sede em Viseu. A terra de Lafões, tinha sede em Vouzela, na Senhora do Castelo. Penafiel de Covas, ficava na zona da serra da Gralheira, não se sabe exatamente o sítio onde estava o castelo. A terra de Santa Cruz, a terra de Besteiros, na zona de Tondela, a terra de Zorara, na zona de Mangualde, e uma outra terra, que era a terra de Senhorim.

Essa que falamos hoje.

Que dá precisamente o nome à nossa conversa de hoje. Essa terra de Senhorim tinha um castelo, que capitaneava esse território. E onde é que estava esse castelo? Esse castelo estava na margem esquerda do rio do Castelo. Há um pequeno ribeiro que corre na freguesia de Senhorim, e há um morro, um cabeço, onde estava esse castelo. Capitaneava esse território de Senhorim, essa terra de Senhorim. É um castelo que hoje está completamente arruinado, no meio das mimosas, no meio do mato, um bocado escondido, mas ainda que se encontram lá vestígios dos muros da cerca desse castelo. Têm se lá encontrado alguns objetos arqueológicos, nomeadamente cerâmicas. O que é certo é que essa terra de Senhorim Essa terra de Senhorim também tinha aldeias, casais, quintas, pequenos lugarejos que vão ser documentados nos documentos medievais ao longo dos séculos e que chegaram até nós, não só esses documentos, mas também alguns outros vestígios, como as tais sepulturas escavadas na rocha, que nós já tivemos oportunidade aqui de conversar sobre elas, e que são um documento desse povoamento, desse período. Estamos a falar do século XII, XIII, sobretudo desse período, século XI, XII, XIII, XIV, digamos, no início da nacionalidade, e que são muito importantes pra nós percebermos que esse território estava povoado. Ao longo desse ribeiro, essas populações, agricultores, essencialmente, construíram esses moinhos de rodízio, precisamente para moer, para farinar os cereais, para confeccionar o pão, que era a base da alimentação dessas populações. Esses moinhos têm sido recuperados pelo município de Nelas nos últimos anos e têm feito algumas ações de divulgação e de mostrar aos mais jovens como é que funcionavam aqueles moinhos. Podem ver também um desses moinhos, o interior desse moinho, as rodas de moagem e toda a tecnologia que era utilizada para moer.

Aquelas mós. Exato.

As mós de grandes dimensões em granito.

Exatamente.

Podem ver isso. Onde? No tal pequeno museu na Junta de Freguesia de Senhorim, no Paço dos Senas, que é um edifício maravilhoso, que deve ser também visitado por todos, porque é um edifício barroco extraordinário.

Muito giro.

E que nesse pequeno museu local podem ver o que estava nesse rio do castelo onde era a sede da terra de Senhorim.

Então, assim, essa preocupação pedagógica pras novas gerações perceberem como é que aquilo era feito, é uma boa ideia. E ficamos então com mais esta dica, Jorge, muito boa, como sempre, dos moinhos de rodízio de Ribeira do Castelo, ali na terra de Senhorim. Por nós, marcamos encontro amanhã. Jorge, bem-hajas. Até amanhã.

Até amanhã.