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Rádio Observador no Centro Interpretativo da Máscara Ibérica em Lazarim. Aqui numa sala, Tatiana Cardoso, responsável pelo centro interpretativo, onde às vezes há demonstrações de como se fazem estas máscaras. O que as pessoas podem esperar quando chegam cá?

Certo, nós chegamos às salas de Lazarim. Conforme dizemos, esta é a sala dos artesãos, onde quando temos visitas de grupo ou até alguma atividade que possamos divulgar ao longo do ano, como o Dia do Artesão, por exemplo, temos aqui artesãos que vêm demonstrar o trabalho da máscara, fazer pequenas demonstrações em que as pessoas também podem participar. Esta sala é precisamente para isso. Temos aqui alguns exemplos de máscaras que estão-

Nas suas diferentes fases.

Nas suas diferentes fases, exatamente. Estas máscaras, principalmente esta com uma madeira que está mais úmida, foi o resultado do encontro de artesãos que se realiza todos os anos aqui no sábado do Entrudo. Também há esta atividade no sábado. As pessoas vêm, os artesãos vão falando da sua experiência enquanto artesãos da máscara de Lazarim, ao mesmo tempo em que trabalham uma máscara em conjunto. Isso também acontece nas nossas atividades que vamos fazendo ao longo do ano. E é para isso que serve esta sala, para estas demonstrações.

Sendo que não são apenas as máscaras que vemos aqui na sala de Lazarim. O que a sala de Lazarim tem mais, sem ser este trabalho dos vossos artesãos?

A sala de Lazarim tem também uma máquina de costura. No fundo, quisemos também homenagear as costureiras, porque na verdade, o careto não é só a máscara. O careto completo tem que ter uma máscara e um fato. Quisemos aqui homenagear, de certa forma, as pessoas que trabalham antes do Entrudo e mesmo ao longo do ano para fazer estes fatos, quer do desfile de Domingo Gordo, quer os fatos dos Caretos de Lazarim.

Como é esse desfile do Domingo Gordo?

O desfile do Domingo Gordo consiste num desfile etnográfico em que é escolhido um tema, cada rua escolhe um tema, e vão desfilando com esse tema, cantando umas cantigas adequadas ao tema escolhido. Desfilam com os trajes também típicos alusivos ao tema e vão desfilando pelas ruas de Lazarim acompanhados de caretos. Neste caso, os caretos não são caretos que estão a desfilar com máscaras novas, são máscaras que já foram reutilizadas, e depois na terça-feira é quando saem as máscaras novas à rua.

Portanto, é mais do que máscaras: máscaras, músicas e também os trajes que acabam por compor esta tradição.

Sim. Também participam grupos de fora, neste caso, principalmente de Bragança. Há aqui também um intercâmbio, digamos assim, porque os Caretos de Lazarim, por exemplo, vão às festividades da altura do Natal a Bragança, e depois os de Bragança, se tiverem disponibilidade, vêm às festividades de Lazarim, como o Careto Bem Posta, os Caretos de Arcas, vários grupos de caretos da zona de Bragança que nos visita aqui e participa no Entrudo de Lazarim.

Sendo que este intercâmbio que estávamos a falar há pouco com a Tatiana, Fernando Ribeiro, acabou por ser o início deste centro interpretativo quase de forma acidental.

Sim, o que acontece é que de uma forma espontânea, eu não tenho tempo suficiente aqui neste espaço para dizer isso de uma forma perentória, mas acabou por cumprir aquilo que é o próprio papel do Centro Interpretativo da Máscara Ibérica. Ou seja, as diversas manifestações de Entrudo ou de mascarado, ou o que quer que seja, acabaram por se conhecer uns aos outros. Outra coisa que eu tinha referido é que os territórios são territórios do interior, que têm alguma dificuldade em garantir, principalmente com pessoas mais nobres, essas manifestações. Eu penso que de uma forma espontânea foram se conhecendo, foram se tornando amigos e foram começando a cruzar uns e outros, irem às suas próprias terras. E o que acabou por acontecer, por exemplo, aqui no Entrudo, é que nós temos manifestações, temos pessoas de Podence, de Bragança, de Vinhais, de diversos lugares. E quando eles se juntam todos, nós temos um cortejo que não é só de Lazarim, há um que é só de Lazarim, que é na terça-feira, mas o que é realizado no domingo gordo acaba por ser uma manifestação de várias localidades, porque tem pessoas presentes dessas mesmas localidades, o que acaba por ser interessante.

E também se juntam tradições espanholas no Domingo Gordo ou é só de Portugal?

Não tem. Nestes últimos anos, isso não tem sido feito. Mas se calhar por culpa nossa, que não os temos convidado ou porque não temos tido tempo suficiente para isso.

Mas parece que esta tradição também acaba por unir as pessoas de diferentes regiões que partilham este interesse.

Elas acabam por se reunir. Os Caretos de Lazarim, ao longo do ano, vão a várias localidades. Depois esse intercâmbio, cada um tem as suas em determinada época específica ou então praticamente na mesma época, eles acabam por se cruzar e se misturar e ao mesmo tempo dar a conhecer aquilo que cada um tem e acaba por fazer todo esse fechar de círculo, que é termos consciência da quantidade de manifestações deste tipo que existem em todo este território mais vasto que é a Península Ibérica.