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Chegamos agora ao último episódio de "A Nossa Cultura" em Santa Comba Dão, no Núcleo Museológico de Artes e Ofícios. Estivemos aqui nos últimos oito episódios e ao longo desta visita temos estado a conhecer a exposição de Manuel dos Santos, através dos retratos de alguns dos grandes nomes da história da música. Mas para terminar, vamos deixar de lado os compositores e entramos numa parte mais pessoal desta exposição. Manuel dos Santos retratou também os pais e a si próprio, um autorretrato. Vamos começar pela mãe, Elvira Durães. Manuel, acredito que seja muito diferente retratar alguém com quem se tem, além de uma grande afinidade, contacto diversas vezes e se olha já várias vezes para esta pessoa, do que alguém que se vê numa imagem de referência e que se tenta retratar. Pergunto-lhe, nesse sentido, quais é que são as diferenças, até se é mais fácil, inclusive, ou se se torna mais difícil por conhecermos tão bem as pessoas.

Sim, é um retrato de meus familiares e que, na altura que se faz, temos sempre uma emoção mais forte e que ao retratar estamos a rever o que a gente viu toda a vida em que estivemos com eles.

E lembra-se que imagem é que utilizou para referência? Ou seja, no caso dos artistas, já falámos aqui nos outros episódios, o Manuel utilizou capas de CDs dos próprios artistas, tinha por base as capas. Aqui tem alguma história associada às imagens que escolheu, alguma curiosidade que queira partilhar?

Sim, este é um retrato muito antigo. A minha mãe, nessa altura, tinha alguns 60 anos, cerca disso, e foi em fotografia que eu tirei isto.

E também desenhou estes retratos mais ou menos ao mesmo tempo que desenhou dos compositores, há sensivelmente 15, 16 anos, ou são ainda mais antigos ou mais recentes?

Estes retratos foram desenhados depois dos compositores. Chamou-me a atenção uma fotografia que tinha em casa e decidi, nessa altura, fazer a fotografia daqueles que mais queridos foram na minha vida.

E é uma bonita homenagem. Vamos passar aqui para Belmiro Santos, é o pai de Manuel dos Santos. No caso do seu pai, também quando é que decidiu fazer o retrato? Foi logo, posteriormente fez os três, fez a família também a contar com o seu autorretrato?

Sim, fiz os três de seguida. Foi um de cada vez, porque gostei de dar os traços bem pormenorizados da fotografia. Como eu já disse, fotografias que tenho muito prazer em estar aqui a expor e que são fotografias que temos também como realçar o projeto que a gente fez.

Já falámos aqui sobre quando é que o artista, no caso o Manuel, percebe que é momento para terminar de pintar e que está fechado o retrato. Aqui, no caso, por serem pessoas que o Manuel conhece tão bem, acha que essa perfeição e a tentativa de levar ao máximo até ao fim para terminar o retrato, teve mais essa dificuldade em pousar o carvão e dizer: "Está aqui, o meu pai e a minha mãe estão representados como eu quero"?

Sim, tive mais tempo com estes retratos, porque um retrato de familiares, nós temos que ir a todos os pormenores e se falhar algum, a fotografia não fica como ela é. E que realmente eu gostaria muito bem de ter uma fotografia feita por mim, na realidade de quem eles eram.

Temos, no caso, Elvira Durães, a sua mãe, do lado esquerdo. Temos Belmiro Santos, o seu pai, do lado direito. E ao centro, como não podia deixar de ser, está Manuel dos Santos. E é assim que terminamos esta viagem, com o homem que nos acompanhou ao longo destes episódios. Qual é a grande diferença de fazer um retrato e um autorretrato?

Eu estou a olhar para o retrato e estou a me ver a mim, nesse sentido. Mas é uma pessoa que ainda está viva, que sou eu, ainda cá estou neste mundo, e que realmente a figura que está ali me retrata tal e qual como eu sou.

E quando olha, já agora uma pergunta mais pessoal, isto já tem 16 anos, o Manuel. Olha para este Manuel 16 anos mais novo, reconhece-se ali, lembra-se deste Manuel?

Sim, lembro-me, até porque antes tinha o cabelo penteado diferente, que era um risco, e neste momento ali está puxado para trás.

Era a moda na altura. Para terminar esta nossa visita, depois de tantos anos que tem dedicado ao desenho e tantos retratos que vimos aqui, tem algum rosto que gostasse particularmente de retratar e que ainda não tenha desenhado? Ou se não for algum rosto em específico, no caso aqui vimos grandes nomes da música, se considera assim outra exposição de outra área, por exemplo?

Sim, uma das coisas que eu sempre disse e que queria fazer, e quero fazer, é o retrato dos meus avós. Ainda vou tentar fazê-lo. Não digo já, mas quando tiver um cadinho mais tempo, vou retratar na mesma, em carvão.

E fica a promessa que nós, a Rádio Observador Viseu, vimos cá visitar eventualmente essa exposição. E é diante do autorretrato de Manuel dos Santos que terminamos esta viagem pela sua exposição. Foram nove episódios entre música e desenho e memórias pessoais, aqui no Núcleo Museológico de Artes e Ofícios em Santa Comba Dão, a quem o Manuel também quer deixar uma palavra de agradecimento.

Exatamente. Quero agradecer aqui ao espaço e à Câmara Municipal de Santa Comba Dão. Este espaço é realmente muito recreativo e que continuem a fazer isto para a cultura portuguesa e que nos entusiasmos a vir cá. E quanto mais pessoas vierem cá, mais cultura há neste país.

Muito bem, um bom exemplo de um espaço municipal a funcionar, a dar palco, voz e espaço aos artistas locais. Por agora, eu despeço-me de Manuel dos Santos. Também quer dizer alguma coisa?

Sim. Eu queria também agradecer à Rádio Observador pelo tempo e o projeto que tem sobre estas comunicações a todo o país, quem quer ouvir e quem quer vir visitar este espaço em Santa Comba Dão. E também queria agradecer a todos que trabalham neste espaço pela atitude, pelo carinho e pela humildade que eles têm de expor estas obras, não só minhas, como todas as outras que aparecerem. E mais uma coisa que eu queria dizer é que Deus queira que eu esteja a ver o meu retrato. Enquanto eu estiver a ver é porque estou vivo.

Muito bem, eu despeço-me de si, Manuel dos Santos, e também vou-me despedir de Santa Comba Dão, mas a nossa cultura regressa em breve. Vamos sempre continuar a descobrir as histórias e o património da região de Viseu.