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Sejam bem-vindos ao programa "A Nossa Cultura". Meu nome é Martim Madeira e continuamos aqui no Teatro Viriato, nesta exposição cheia de janelas. São 25 no total. Veremos algumas destas janelas aqui na exposição "O Teatro Também é a Nossa Casa". Estamos aqui com a Ângela Rocha, autora desta exposição, e passamos agora para uma janelita chamada "Olhos do Teatro", em que podemos ver uma espécie de, a mim pelo menos parece, um salão de baile. Acho que já percebi o que é que são os olhos do teatro, não é? Porque há um espelho ali no fundo, que está exatamente posicionado de uma forma em que se eu olhar através da janela, aparecem os meus próprios olhos. Portanto, os olhos do teatro somos nós, o público.
Exatamente. Era mesmo essa a mensagem, que é uma mensagem bastante direta, mas que reforça, mais uma vez, a importância do nosso olhar sobre este lugar, sobre os espetáculos, o lugar da reflexão e a importância individual de cada um na construção da cultura.
E a escolha do salão nobre é puramente estética? Pelo menos a mim parece, estes tons de verde. Há alguma parte aqui no teatro que seja assim parecida ou foi puramente uma questão estética e porque achou que era bonito?
O que eu queria era dar um lugar nobre aos olhos do teatro, mas tem sempre esta ligação de que todos os lugares cabem dentro do teatro e, portanto, tem a ver com o imaginário do que seria o salão nobre de cada um de nós ao nos defrontarmos com a nossa importância.
Portanto, é dar esta sensação de importância, como todo o público é importante. Passamos também aqui à outra parte, outra componente, que também é uma homenagem ao público, e é exatamente assim que se chama esta janelita. Diria mais uma espécie de telhado que se abre, e temos aqui dentro deste telhado, na parte do telhado, temos esta homenagem ao público, que tem um praxinoscópio, que é aqueles dispositivos que nós rodamos e tem uns espelhos e depois tem várias formas lá dentro que faz com que pareçam que elas estão a mexer. Portanto, aqui o público, não sei se estão a aplaudir bastante o teatro ou se estão a dançar. Também pode ser, porque também se pode dançar no teatro, quem quiser. Mas parece-me que seja mais o aplauso do público, que é potencialmente não só uma grande homenagem ao público, mas também a maior homenagem que os atores e os dramaturgos e toda gente que trabalha no teatro pode ter, que é o aplauso do público.
Exatamente. O praxinoscópio é um dispositivo que antecede o cinema e faz com que imagens paradas, na sua ilusão, espelhadas, consigam reproduzir o movimento e aqui, como disseste, e bem, a ideia de devolver os aplausos ao público. É a forma que o público se manifesta ao agradecer ou celebrar o momento do espetáculo e devolver essa homenagem, devolver esses aplausos ao público, que são o cúmplice e testemunho último desta arte efêmera.
E esta escolha de estar aqui em cima, nesta zona do telhado, foi puramente uma escolha de espaço, este podia ser o único sítio onde cabia, ou há um simbolismo aqui por trás? Por que esta parte de homenagem ao público está no telhado?
Eles estão na sala de ensaios, que normalmente não há o acesso do público a ela, muitas vezes. Mas fez-me também sentido, não só por uma questão logística e funcional do lugar, mas também porque se for em planta, debaixo da sala do ensaio, corresponde exatamente à zona da plateia. E fez-me sentido que fosse aqui este lugar.
Portanto, temos aqui duas homenagens ao público. De facto, a janela de homenagem ao público que tem este praxinoscópio, que faz estas imagens ao rodar estas colagens, a mim parece-me mais, de pessoas a aplaudir e faz com que elas se mexam numa ilusão espelhada. E depois, já agora, reparar que ambos têm espelhos. Tanto o de cima como o de baixo. Este aqui tem esta ilusão espelhada para mostrar o movimento do público e os aplausos do público. E no outro temos aquele salão nobre para dar esta sensação de importância ao público e com os espelhos lá no fundo para dizer e para dar a entender que os olhos do teatro são, de facto, o público. Vamos então continuar nesta exposição, abrir mais algumas janelinhas para compreender tudo o que está nesta exposição "O Teatro Também é a Nossa Casa", aqui no Teatro Viriato, em Viseu.