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Estamos cá para mais uma boa moeda, má moeda.

É verdade.

E a maioria não faz qualquer poupança para a reforma, Paulo. Essa é que é essa.

Tenho de cantar?

Tens de explicar isto a cantar.

Depois disto, em off, aqui, microfone fechado, eu canto só para vocês.

Já te dei a deixa.

Um concerto exclusivo. Já me deste a deixa.

Já te dei a deixa.

Dizeste que a maioria não faz. É verdade. Mais de 55% dos portugueses não estão a poupar rigorosamente nada para a reforma.

Ontem falávamos sobre isto, é viver o momento. As pessoas estão a viver o momento agora.

Exatamente. E o motivo principal é simples.

Não há como juntar, não sobra.

A grande maioria tem falta de dinheiro com a subida do custo de vida. A carestia de vida, como se costuma dizer, é o principal obstáculo, de facto, para não conseguir pôr de parte uma parte do rendimento quando se chega ao fim do mês e para poupar, seja para a reforma ou para outra coisa qualquer. O outro lado da moeda, de facto, quase metade das pessoas, pelo menos os inquiridos deste estudo, 45%, diz que está a preparar financeiramente a reforma. Isto são conclusões que constam do primeiro estudo apresentado pelo novo Observatório da Poupança para a Reforma. Isto é uma iniciativa lançada pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, portanto, a entidade reguladora da área de seguros. No fundo, é o Banco de Portugal da área de seguros e de fundos de pensões. E o retrato traçado por este estudo evidencia, de facto, a forte dependência da população em relação ao sistema público de segurança social. Não poupando nada, além daquilo que são os descontos obrigatórios para a Segurança Social, obviamente que as pessoas depois quando chegando à altura da reforma, ficam dependentes apenas do sistema público, daquilo que for a pensão definida legalmente nessa altura. Isto numa altura em que a margem de manobra dos orçamentos familiares continua, de facto, francamente apertada para poupanças extra. Entre aqueles que admitem não estar a poupar para os anos depois do trabalho, da vida ativa, cerca de 17% manifestam a intenção de o vir a fazer no futuro, embora confessem que não sabem se vão conseguir. Vai depender, obviamente, da situação económica e familiar desse futuro, que é incerto. A entidade reguladora dos seguros volta, por isso, a reforçar o aviso sobre a urgência de promover literacia financeira no país. Isto perante um cenário demográfico que sabemos que, no fundo, vai tornando isto tudo mais difícil. O envelhecimento da população coloca cada vez mais pressão sobre as reformas futuras e o montante delas. E por isso também o lançamento deste Observatório Poupança Reforma, que é uma plataforma de informação ao público da ASF com a nova IMS. O momento da reforma continua aqui a surgir, também refere este estudo, associado à ideia de incerteza e de perda de poder de compra, alimentando aqui o receio generalizado de que essa passagem da vida ativa para a reforma resulte também numa queda abrupta da qualidade de vida durante a velhice. Em suma, um país com um cenário complicado em termos presentes e futuros, em termos de rendimentos familiares.

Mas Paulo, sobre quem poupa também há detalhes sobre o tipo de poupanças que são feitas, não é?

Há esses detalhes. Portanto, os tais 45% estão a poupar como? Praticamente um em cada cinco, isto é, 20% da população, diz estar a investir na compra de casas, além daquela em que vive. Um quinto aqui.

Percebe-se que é um bom investimento para quem pode.

Exatamente. As pessoas que podem, valoriza. Tem a vantagem para muita gente de ser um bem real, isto é, não é um investimento em ações, obrigações, certificados de aforro, outro tipo de poupança financeira. As pessoas veem o imóvel, sabem que ele está ali, podem mais tarde vendê-lo, podem arrendá-lo e, portanto, continua a ser, de facto, o tipo de investimento em que a larga maioria das famílias portuguesas têm a grande parte do seu património, da sua riqueza imobiliária. Cá está, 20% investe em compra de casa a pensar na reforma. No grupo daqueles que estão a fazer poupança, depois há outros instrumentos financeiros. Temos aqui depósitos a prazo, 42%. É um erro absoluto, porque o depósito a prazo vai valer muito menos do que vale agora, porque a inflação, as taxas de juro são invariavelmente abaixo da taxa de inflação e passando 10, 20 anos, as pessoas com o dinheiro, que lá está, mesmo que deixem ficar o juro, vão ter menos poder de compra do que teriam agora aos preços atuais. Depois há aqui outros instrumentos, PPR, 31%, investem em PPR. Investimento em ações, 18%, e em ETFs, os Exchange Traded Funds, é um investimento indireto em ações, se quisermos, 24%. Atenção aqui aos depósitos a prazo, sobretudo. O grande alerta é esse, é perder dinheiro todos os anos para a inflação.