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Jornal das quatro, com Miguel Videira. E Miguel, está confirmado: há um cidadão português desaparecido em Espanha. Suspeita-se que possa ser um dos passageiros dos comboios acidentados em Toledo.

É essa a convicção do familiar que contactou os serviços consulares para dar conta do desaparecimento. O relato é feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

O gabinete de emergência consular foi contactado por um familiar de um cidadão português, dizendo que não conseguia contactá-lo e que tinha uma convicção fundada de que seria passageiro deste comboio. Nós não temos mais nenhum dado. Temos, de facto, o reporte de um desaparecido português, o que não quer dizer que não possa acontecer que até não estivesse neste comboio, nós não sabemos, está desaparecido, ou que até já esteja eventualmente bem, mas ainda não contactável. Pode acontecer isso. Também pode acontecer que se encontre entre os feridos ou as vítimas mortais. Não sabemos.

Possibilidades para serem despistadas nas próximas horas, nos próximos dias. Vai ser preciso esperar, por exemplo, pelo trabalho de identificação das vítimas, um processo demorado, e é compreensível que assim seja, considera Paulo Rangel.

A primeira preocupação das autoridades espanholas não é a identificação das pessoas nem das nacionalidades, é que tudo seja tratado com dignidade relativamente às vítimas mortais e a preocupação em que as pessoas que estão hospitalizadas possam recuperar. E por isso, é natural que nós tenhamos a informação, até agora, escassa. E isto vale para vários países, vários países têm dado nota disso. No caso português, com toda a compreensão.

O ministro dos Negócios Estrangeiros deixou ainda um alerta.

Agora sim, um reporte de uma pessoa desaparecida, que há uma probabilidade muito forte de estar em um dos dois comboios e, portanto, estamos a envidar esforços. Isso não quer dizer que não haja ainda, mais tarde, notícia de outras vítimas, seja feridos, seja eventualmente falecidos portugueses.

Uma possibilidade que não é descartada por Paulo Rangel, declaração do ministro dos Negócios Estrangeiros à margem da audição no Parlamento, no âmbito da apreciação, na especialidade, da proposta do Orçamento do Estado para o próximo ano, uma audição que ainda decorre a esta hora.

E já se ouviu um apelo de Paulo Rangel dirigido ao secretário-geral do PS. O ministro pede a José Luís Carneiro que não seja queixinhas.

Depois das críticas do líder do PS, à forma como o Partido Socialista foi tratado pelo PSD durante o debate do Orçamento do Estado. Ora, nesta audição setorial sobre o orçamento, Paulo Rangel criticou José Luís Carneiro e Eurico Brilhante Dias, o líder parlamentar socialista, por se terem oposto à posição de Portugal quanto à base das Lajes e pediu ao secretário-geral do PS isso que referias, Filipa, para que não seja queixinhas.

Eu sei que agora o secretário-geral do PS, ontem à noite, entrou em modo queixinhas. Que "ai, meu Deus, eles são..." Quer dizer, por amor de Deus, vamos pôr as coisas em contexto. Nos debates parlamentares, é natural que haja, enfim, estou eu a dizer em abono do seu secretário-geral, que ele que não fique assim, que não se sinta: "ai, meu Deus, estão a tratar muito mal o PS". Quer dizer, bom, o PS quando quer tratar os outros partidos, trata como quer, pois não quer ouvir, mas tem de ouvir.

Paulo Rangel e o pedido para José Luís Carneiro não ser queixinhas foi durante a audição, na especialidade, do orçamento que decorre esta tarde na Assembleia da República. Ainda esta tarde, também vai ser ouvido o ministro com a pasta da Economia, Manuel Castro Almeida.

E já terminaram as audições dos partidos promovidas pelo presidente da República, no Palácio de Belém.

António José Seguro chamou os representantes dos 10 partidos com assento parlamentar para debater o tema da coesão social, com a crise na habitação em pano de fundo. O presidente da República tem pedido entendimentos, mas Vasco Maldonado Correia, à saída das audições, uma coisa ficou clara: o único consenso é que parece não haver espaço para consenso algum.

O presidente da República pediu consensos para alcançar a coesão social. O PSD encontra-os no Orçamento do Estado.

Foi certamente, do nosso ponto de vista, um momento muito relevante, de demonstração da capacidade dos partidos se entenderem. Repito, metade dos partidos representados na Assembleia da República se entenderem.

Leonor Beleza destaca essa metade, mas André Ventura prefere olhar para a outra, que usa como prova de que a procura de consensos tem limites.

Se só houver metade do Parlamento que simplesmente diz: "nós não queremos falar disto, não queremos discutir nada, estamos fora da discussão", fica uma discussão a dois, entre o Chega e o PSD. O país não pode parar por haver birras de alguns ou por alguns partidos não se quererem meter numa discussão.

José Luís Carneiro pede a Montenegro que se junte ao Partido Socialista na lei do arrendamento.

Nós temos uma alternativa que apresentamos na Assembleia da República e era importante que o governo tivesse a humildade democrática para dialogar e construir com o PS uma solução estável e duradoura.

Já Mariana Leitão usa uma das pressões preferidas de António José Seguro para garantir que o problema não é da iniciativa liberal.

Parece-me que há mais do que suficientes chão comum para se conseguir chegar a bom porto. Isto não tem a ver com esquerda ou direita, isto tem a ver com o que é que ajuda a resolver o problema. Então vamos tentar encontrar um consenso para conseguir resolver o problema.

Isabel Mendes Lopes, do Livre, garante que o problema é mesmo o Executivo.

A maneira como encara os outros partidos na Assembleia da República, encara-os como adversários políticos de uma forma muitas vezes que não é nada cordial.

No PCP, Paulo Raimundo olha para este cenário e não prevê sucesso para as iniciativas do presidente da República.

Se às vezes há uma certa expectativa num consenso que nunca vai haver.

Mais longe vai o Bloco de Esquerda, que quer ver Seguro falar de forma mais clara sobre o problema da habitação. O CDS desafia os restantes partidos a apresentarem melhorias à lei do arrendamento na discussão orçamental.

Vasco Maldonado Correia, que acompanhou estas audições em Belém com os partidos com assento parlamentar. Na próxima segunda-feira, o presidente da República continua os esforços de promoção da coesão social, desta feita, através de uma reunião do Conselho de Estado, que está agendada para a próxima segunda-feira.

Fica tudo na mesma. O Banco Central Europeu decidiu não mexer nas taxas de juro.

Apesar da subida de preços, da pressão inflacionista. Assim, a taxa de juro dos depósitos mantém-se nos 2,5%. Ainda que a presidente do BCE, Christine Lagarde, sublinhe que é preciso estar atento a alguns indicadores.

Os preços da energia continuaram a subir, representando riscos de subida para as perspetivas de inflação e riscos de descida para as perspetivas de crescimento. Embora os efeitos do choque energético ainda se estejam a manifestar, a inflação subjacente tem-se mantido estável até ao momento. Os salários não revelam uma reação significativa nesta fase. As condições de financiamento tornaram-se mais restritivas desde a nossa última reunião, o que deverá pesar sobre a inflação e o crescimento. Estamos empenhados em definir uma política monetária que garanta que a inflação se estabilize na nossa meta de 2% a médio prazo. Continuamos bem posicionados para lidar com a elevada incerteza atual.

Os analistas antecipam que na próxima reunião de política monetária, o BCE deve ser obrigado a aumentar as taxas de juro, precisamente com este objetivo de manter a taxa de inflação próxima dos 2%. Ainda sobre o BCE, ficou hoje a saber-se que Christine Lagarde, que aqui ouvimos, vai deixar a presidência do Banco Central Europeu no próximo dia 7 de fevereiro.

Oito minutos para as 16h, Miguel, vamos a outros temas em destaque.

No sábado, outra vez, o movimento Acampada de Lisboa anunciou há pouco que vai voltar a montar tendas e pernoitar na Praça do Rossio no sábado, depois de amanhã, no final da manifestação que começa às 16h, no Largo de Camões. O empresário Mário Ferreira foi absolvido do crime de fraude fiscal, em causa a venda do navio Atlântida, por parte da empresa Douro Azul, detida pela Mystic River, de Mário Ferreira, a uma empresa em Malta no ano de 2015. O Ministério Público acusava o empresário de ter obtido ganhos superiores a €3 milhões e de não ter declarado esses ganhos em tempo devido, beneficiando, desta forma, de uma vantagem em sede de IRS calculada em €1 milhão. Os juízes que julgaram este caso consideram que não foram dados como provados os elementos objetivos e subjetivos do crime e, portanto, absolveu o empresário e as empresas envolvidas neste processo. Ainda o acidente ferroviário em Espanha. Aumenta a pressão sobre o ministro com a pasta dos Transportes. A confederação sindical Comissões Operárias exige a demissão de Óscar Puente, considera inaceitável que o ministro tenha responsabilizado os trabalhadores sem que a investigação do acidente esteja concluída. Lamenta também que tenham sido divulgadas as comunicações entre o controle de tráfego e o maquinista do comboio de alta velocidade que embateu na composição que estava parada na linha. O número de mortos no ataque russo à estação ferroviária de Dnipro subiu para 14. Informação do jornal ucraniano Kyiv Independent. Além das vítimas mortais, há 14 pessoas feridas. O ataque foi feito com recurso a um drone que atingiu uma plataforma da estação de comboios. Fechamos com desporto. A esta hora, as equipas de futsal do Sporting e do Benfica participam na segunda jornada da ronda principal da Liga dos Campeões. Depois do triunfo ontem sobre o Soligorsk da Bielorrússia por 5x1, os Leões orientados por Nuno Dias defrontam os franceses do Etoile Lavalloise. Já o Benfica empatou quatro gols frente ao HT Kyiv, da Ucrânia. Afronta a esta hora os espanhóis do El Pozo.