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Sejam muito bem-vindos ao programa "A Nossa Cultura". O meu nome é Martim Madeira e continuamos aqui no Teatro Viriato a ver esta exposição "O Teatro Também é Nossa Casa". Contamos com Ângela Rocha. E Ângela, vamos continuar onde estávamos, neste caso, no processo criativo.

Continuando a folhear, temos um outro capítulo, por exemplo, que tem a ver com a construção da própria chave. Coincidiu com a altura que o Teatro Viriato também criou um novo logotipo, a sua imagem, e portanto, também havia um lançamento da imagem. Pensamos, inclusive, que a chave pudesse ter o logotipo introduzido nela. Acabou por não ser uma ideia que avançou. Vimos os diferentes tamanhos que podiam caber para poder fazer sentido a mãos pequenas e a mãos grandes, e que pudessem criar todo o sistema aqui à volta da ativação das janelas na fechadura, como é que foram ativados. Houve um grande levantamento em relação ao próprio edifício do Teatro Viriato. Não existia um desenho pormenorizado das suas fachadas e, portanto, foi uma coisa feita inicialmente à mão levantada, através de um registro fotográfico. Eu passei aqui bastante tempo, fui aos confins todos do teatro para conseguir depois passar para um desenho mais técnico em AutoCAD, que serviu de base para a impressão da própria fachada do teatro que se materializou ali. Houve um estudo. Se aquela maquete é pequena, há uma primeira maquete ainda mais pequena.

De um dedo, quase. Da frente do dedo. Da falange do dedo.

Depois um outro segundo, já mais estruturado, em que há já um pensamento: "OK, quais as janelas que nós podemos utilizar ou não? Como é que nós vamos encaixar aqui estes universos todos?" Porque há uma componente elétrica, autômatos, etc. Portanto, foi todo um encaixe aqui um bocadinho ao milímetro. Também este trabalho conjunto com o Moveco, que fez o seu exterior e nós desenvolvemos o seu interior, tivemos que ter uma proximidade quase ao milímetro, que era para as coisas baterem certas umas com as outras. Depois temos aqui um outro capítulo deste caderno, em que há um pensamento detalhado sobre cada janela. Muitas das coisas que temos aqui são primeiros protótipos, estudos de cor, perguntas que surgiram, pequenos esquemas. Eu gostava de transmitir esse processo de construção. Aqui temos, por exemplo, uma série de testes que deram errados. Nós só conseguimos ao sétimo teste para criar uma tempestade numa das janelas, por exemplo. Mesmo quando estamos a comprar os componentes, por exemplo, para conseguir desenvolver esta tempestade, estarmos a explicar: "Sim, nós queremos fazer uma tempestade, mas que tivesse o tamanho de 10 centímetros" e, portanto, como é que podemos fazê-la e agir quando comecemos a envolver as pessoas a pensarem: "OK, este aparelho que eu tenho, que é um soprador, também pode servir para criar uma tempestade num copo d'água".

É aquela ideia DIY.

Exato. Sim. E acho que é sempre bom, eu gosto sempre muito de partilhar. Temos aqui o teste de diferentes luas que foram feitas até chegar à versão final de uma outra janela que vamos descobrir. Testes de materiais, diferentes esquemas que foram feitos até chegar às esquemas finais deste peixe, que foi feito com antigos filtros queimados do teatro. Isso é outra característica que eu acho que foi muito importante no processo, que foi todo o seu interior foi feito manualmente, através de desperdícios do teatro. Ou seja, coisas que serviram a utilidade e a sua função a seu tempo no teatro e que agora já não eram necessárias. E portanto, nós pegamos nesse desperdício todo, que já teve significado para o teatro, e reinventamos esses materiais, fossem eles flyers, cartazes, cadernos de programação, bocadinhos de arame, bocadinhos de madeira, filtros dos projetores, e voltamos a ressignificar, a dar um novo olhar também a esses materiais e tornamos, de certa forma, a própria história do teatro implícita e estruturante da construção dos seus próprios interiores. Isso era uma coisa que para nós foi muito importante de criar, que era um teatro faz a si mesmo e há infinitas formas de reinventá-lo, redefini-lo e, portanto, esse desafio também de construir os seus interiores maioritariamente com materiais que foram recolhidos da própria história do teatro.

Dar essa componente também de reutilização de elementos do teatro para mostrar que o teatro, de facto, aqui está presente nesta exposição. Não sei se a Ângela tem mais algum apontamento que gostava de mostrar. Possivelmente passaremos no próximo episódio para a maquete, para toda a maquete, com todas as janelinhas que compõem esta exposição, "O Teatro é Nossa Casa". Estamos no Teatro Viriato a acompanhar esta exposição. Aqui tivemos a explicação do processo criativo, o processo de trabalho, um processo de trabalho longo e que teve muita tentativa e erro e que também envolveu toda uma logística enorme para entregar chaves às pessoas de Viseu. Continuaremos no próximo episódio, vamos analisar esta maquete mais detalhadamente com todas as janelas que abrem novos universos e novos mundos, que podem verificar aqui no Teatro Viriato.