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Começa agora mais uma Boa Moeda, Má Moeda, sempre com o Paulo Ferreira. Então, Paulo, que novidades é que nos trazes sobre o Banco de Portugal?

Não há novidades.

Então vamos fechar isto.

Até amanhã.

Então pronto.

O Banco de Portugal traz-nos novidades, alertas mais precisamente. Vocês já se imaginaram a perderem o resto, ser roubado ou perderem o telemóvel hoje em dia.

Quase que é pior perder o telemóvel. Quando eu perdi tive um pequeno susto e a pessoa fica com uma sensação de que acabou tudo. Fico sem traços, sem chão, é uma coisa estranhíssima. Ficar sem chão.

Sobretudo hoje em dia as apps de pagamento exigem o número de telemóvel.

As informações todas. Há imensos números de telemóvel que eu não sei.

Sim, sem dúvida. E o teu número de telemóvel?

O meu marido, eu não sei o número de telemóvel dele de cor. Isto é impressionante. Nem o teu, Carla. Não.

E ele já sabe disso?

Sabe, ele também não sabe o meu. Portanto, estamos de igual para igual.

É assim que são as relações hoje em dia.

E vês que tudo isso. Sei que vamos casar. Casar que é para aprendermos o número um do outro.

Claro. Mas já repararam que o número de telemóvel hoje é mais importante até do que o cartão de cidadão. Ou seja, o número de telemóvel como identificação para uma série de coisas. Bom, e precisamente a pensar nisso, o Banco de Portugal lançou uma série de dicas, de alertas, com este mote: "Se perdeu o telemóvel ou foi vítima de roubo, tome atenção". Deixam uma lista de passos essenciais numa situação dramática dessas, que cada um deve seguir sem hesitar, diz o Banco de Portugal.

Não dá para telefonar.

Não dá para telefonar, mas tens de contactar o banco. Começa por contactar o banco. Aqui estamos a falar sobretudo daquilo que importa ao Banco de Portugal, tem a ver com os pagamentos e com a segurança das contas das pessoas, o dinheiro das pessoas. Primeiro contactar o banco, pedir o cancelamento imediato dos acessos à aplicação móvel e home banking. Depois bloquear o cartão SIM imediatamente, ligar para a operadora para evitar que as pessoas que estão com o telemóvel eventualmente possam receber os SMS com códigos de validação, porque nós hoje em dia enviamos um pedido para entrar no site e vem aquele código de validação. Portanto, é preciso bloquear o cartão SIM. Depois cancelar as carteiras digitais, aqueles sítios da Google ou da Apple, onde estão os cartões.

Ou olha o cartão de refeições, por exemplo.

Por exemplo, exatamente. Cartões de pagamento, tudo o que utilizamos para fazer contas.

Cartão de saúde.

Isto tem a ver, por exemplo, com os cartões de MB Way, de Apple Pay, da Google Pay que estão lá. Depois apagar os dados à distância, isto é, utilizar os serviços de localização do fabricante do telemóvel, da marca, para limpar a informação do telemóvel. Depois mudar as palavras-passe o mais depressa possível também, alterar os acessos de e-mails.

Às vezes nem sei as palavras-passe que estão guardadas.

Claro, e é preciso pedir para mudar. Mas é importante alterar os acessos de e-mails e de redes sociais a partir de outro dispositivo seguro, como é evidente. E depois apresentar queixa à polícia, comunicar a situação à PSP, à GNR ou à Polícia Judiciária e guardar o comprovativo para apresentar ao banco, porque depois vai ser preciso fazer uma série de operações e é preciso fazer a queixa. Portanto, há aqui seis passos.

A questão, Paulo, é: esses passos podem fazer-se todos no mesmo balcão, por exemplo? Não.

É assim, os que têm a ver com o banco, contactar o banco imediatamente, sim, para pedir o cancelamento imediato das contas. Bloquear o cartão SIM tem que ser com a operadora de telemóvel, a operadora de telecomunicações. E depois há aqui uma série de operações que têm de ser feitas a partir do outro aparelho, à distância, porque as nossas contas estão todas ligadas, o acesso aos e-mails, o acesso às apps.

Tiras um dia para resolver isto.

Com sorte.

Ou mais.

Se tudo correr bem, tiras um dia só. Mas são passos essenciais. Alguns deles provavelmente não nos passariam pela cabeça, nomeadamente o bloqueio do cartão SIM, para impedir que, de facto, quem esteja eventualmente com o telemóvel receba os códigos de acesso a contas que vão por SMS. E portanto, fica aqui uma listinha.

Só a descrição é angustiante.

Exatamente, é isso. Enfim, isto faz-nos pensar muito na vida.

Vamos lançar o bacalhau.

O que nós andamos cá a fazer. De onde vimos e para onde vamos. Vamos pensar no assunto, mas é bom tomar nota destes seis passos.

E é melhor não perder o telemóvel.

Pois, tenham atenção.

Bem, entretanto, a valorização das casas está a aumentar a riqueza das famílias.

É verdade, lá está, é o reverso da medalha. Tema quente, a questão da habitação e todos os problemas que isso levanta para quem quer ter acesso à habitação, arrendando ou comprando. A grande questão é que 60% das famílias portuguesas moram em casas próprias, essas casas têm um valor, e nos últimos anos, aquilo que é o património calculado pelo Banco de Portugal das famílias portuguesas não para de aumentar, precisamente muito à boleia daquilo que é a valorização desse ativo, que é a casa, que no caso português, para a grande maioria das famílias, é o maior ativo, a maior fonte de património, se quisermos, que as pessoas têm. Não são investimentos em ações, nem depósitos bancários, nem nada disso. E então os dados dizem-nos que as famílias portuguesas têm hoje mais 514 mil milhões de euros de riqueza do que há 10 anos, e houve um aumento de 73% da riqueza das famílias em 10 anos. Nem vou dizer os valores, estamos aqui na escala dos milhares de milhões e, portanto, perdemos a noção daquilo que estamos a falar, mas a grande parte deste aumento de 73% da riqueza da família em 10 anos deve-se a quê? Precisamente à valorização do bem imóvel ou dos bens imóveis que as pessoas têm. E a habitação continua assim a ser o maior investimento em património das famílias em Portugal. Obviamente que a subida dos preços ajuda nestes indicadores.

Claro.