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Vouzela é um dos municípios do distrito de Viseu. É por cá que anda a nossa cultura, no Museu Municipal de Vouzela, a conhecer a origem deste concelho. Já passamos por várias salas no piso inferior, uma sala com exposições temporárias, feita de obras de artistas locais e regionais, que aqui podem expor as suas obras, um espaço aberto à cultura para ser mostrada e vista. Ainda no piso inferior, já visitamos a sala de arqueologia, que permite conhecer as origens da presença humana nesta região. Agora, a subir as escadas para o primeiro piso, continuamos a ver alguns vestígios, desta vez da presença templária nesta região. E daqui chegamos ao primeiro piso e à direita temos a sociedade de antigamente, composta pelas suas atividades, as várias que desempenhavam. Aqui temos em grande destaque o linho e o processo que passa até chegar à roupa. E comigo está António Martin, que acaba por nos poder explicar um pouco melhor daquilo que aqui estamos a ver.
Esta é a sala etnográfica dedicada ao ciclo do linho. Como eu tinha dito, é um exemplo vivo do aproveitamento deste património cultural para reaproximar agentes locais, e não só. Tem uma forte componente pedagógica também. Esta é uma sala muito visitada por estudantes, que conseguem perceber todo o processo do ciclo do linho, que começa na lenhaça, passa por várias etapas até chegar ao tear. É, sem dúvida nenhuma, das salas com maior destaque. As pessoas que visitam o Museu Municipal de Vouzela acabam por preferir esta sala, porque conseguem perceber o que era esta memória desta tradição, desta matéria-prima, da importância que tinha para a região, não só de Vouzela, mas também de Lafões, e conseguem ter uma ideia do trabalhoso que era trabalhar esta matéria-prima.
Portanto, temos aqui alguns dos objetos que eram usados nesta arte. Também algumas fotos. Pergunto se estas fotos são de pessoas da terra.
São pessoas de Vouzela, nomeadamente da zona de Campia, uma freguesia de Vouzela. Aliás, todas estas peças que se encontram aqui nesta sala foram doadas exatamente por estas pessoas que se encontram aqui nestas fotografias.
São, de facto, imagens que mostram bem aquilo que seria esta atividade do linho. Temos também vários objetos, os tais objetos doados, que nos ajudam a compreender melhor este percurso, desde que o linho é extraído até guardado nos espigueiros. Temos também uma imagem desse mesmo espigueiro, temos também aqui algumas representações dos trajes. E aqui atrás de nós há ainda um tear, que seria também usado para esta arte. Numa altura em que os tempos evoluem, a sociedade também, há quem ainda preserve esta arte de forma tradicional?
Não, muito difícil. Há uns anos atrás, surgiu uma associação aqui em Vouzela, que tentou reproduzir todo este ciclo. Tinha um espaço de venda também, mas acaba por ser muito difícil, porque as peças acabam por ser um pouco caras devido ao trabalho que têm. Todo o processo é muito complexo e demoroso, e acabam por não conseguir vender. O que é uma pena terem acabado, mas infelizmente quase ninguém produz o linho e trabalha o linho.
São tradições que infelizmente se vão perdendo com o avançar dos tempos, o desenvolvimento tecnológico também de algumas das tecnologias que temos aqui. Há ainda nesta sala uma referência à produção de vinho, também bastante característica desta região. E vemos ali umas pipas e outros objetos, não é?
Sim, também é uma atividade tradicional da nossa região e acaba por mostrar objetos relacionados com a cultura e a produção do vinho.
E são estas e várias atividades que são bastante características desta região, distrito de Viseu, mas a nossa cultura está então em Vouzela, no Museu Municipal deste concelho, a conhecer a história. Estamos na sala de etnografia, que nos permite imergir dentro daquilo que foi o passado deste concelho. As fotos que rodeiam esta sala ajudam-nos também a pintar esse cenário. E a nossa cultura vai por aqui continuar, do primeiro para o segundo piso, a conhecer a história deste município e sempre na Rádio Observador Viseu.