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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
E então, Bruno, ei-los que regressam?
Ei-los que regressam. Contextualizando, "Ei-los que Partem" é uma canção de Manuel Freire e é também título de um excelente documentário sobre a história da imigração portuguesa. Agora, muitos estão não a partir, mas a regressar. E mesmo que não seja por causa dos benefícios fiscais do programa Regressar, quem regressa pode beneficiar em sede de IRS desta redução. Curiosamente, o primeiro-ministro que implementou o programa Regressar, António Costa, em 2019, emigrou.
Saiu.
Saiu. Foi-se embora. Mas o programa continua e só no primeiro semestre de 2025 já havia 2851 pessoas a solicitar este apoio. Para se ter uma ideia, no ano passado, de 2024, o total de candidaturas foi de 3815, o que pode indicar que este recorde será batido este ano. Desde a criação do programa, em 2019, já foram beneficiados mais de 17 mil candidatos, ao que tem de somar também aqui, no regresso, nas contas do regresso ao país, os restantes elementos do agregado familiar, sendo um total de 37 mil pessoas. Este pode não ser o fator decisivo na hora de regressar, como é óbvio. É muito natural que haja outros fatores a pesar mais, mas é uma ajuda.
Sim, já dá uma ajuda. Paulo, e como é que se chegou a este ponto no Metrobús do Porto?
É uma boa questão, Luís. E este é um exemplo sobre aquilo que são muitas vezes os processos de decisão de investimentos, falta de responsabilização depois do decorrer desses investimentos e por aí fora. Esta obra, o Metrobús do Porto, o dono da obra, quem a lançou, quem a prepara, é a empresa do Estado, que é o Metro do Porto, que é quase totalmente detida pelo Metro de Lisboa, e depois tem umas pequenas participações também dos municípios da zona do Porto. A primeira fase do Metrobús da Boa Vista já está em fase de testes. Nós sabemos, tem sido mediático e não falta quem aponte erros básicos na obra e quem queira travá-la. A começar pela própria Câmara Municipal do Porto, atualmente liderada por Rui Moreira, e agora também há candidatos autárquicos como Pedro Duarte, da coligação AD, que querem travá-la. Pedro Duarte diz que quer rever a obra se for eleito. Bom, a questão é: como é que se avançou e começou a concretizar o investimento que totaliza 66 milhões de euros, mas que afinal poucos querem, sobretudo poucos querem desta forma. A começar pela Câmara do Porto, onde a obra está instalada, agora vários candidatos autárquicos. Depois não há responsáveis pelos erros. A Metro do Porto já fez uma avaliação de como é que se chegou a este processo de decisão, não se tiram consequências disto. Ficamos sempre com a ideia, com estes casos, que o dinheiro dos contribuintes, de facto, é mesmo pau para toda a obra.
E Bruno, sai mais uma comissão para a mesa do canto?
Comissões, alguém tem que ganhar a sua comissão.
Comissões e argumenta que adantão lá que quer.
Estão mais que querem. Nós resolvemos, ou tentamos resolver, ou dizemos que vamos resolver muitos problemas com a criação de comissões. Tanta discussão sobre o 25 de novembro, se se deve ou não comemorar, se deve ser feriado, se deve ser feita uma cerimónia solene ou uma mais discreta, para agora o governo anunciar a criação, lá está, de uma comissão. Esta comissão será composta por nove membros, um presidente designado pelo ministro, três membros indicados pelo presidente da Assembleia da República, o representante designado pela ministra da Cultura, o diretor-geral de Política de Defesa Nacional, o presidente da Comissão Portuguesa de História Militar e o representante da Sociedade Histórica da Independência Nacional. Portanto, nove figuras para decidirem como é que se vai comemorar o 25 de novembro. O governo diz que esta é uma comissão apartidária. Pois bem, vamos ver. Com uma maioria substancial de direita, não deve haver muito ruído no Parlamento, mas teremos de esperar para ver o que é que sai desta comissão para as celebrações do 25 de novembro. Será que os portugueses, com aquilo que a comissão vier a decidir, vão ficar a saber mesmo o que aconteceu no 25 de novembro? O que é ao certo o 25 de novembro? Ou estamos esperando mais um daqueles braços de ferro simbólicos entre esquerda e direita? O tempo o dirá.
Por falar em tempo, tempo de sono. Já vamos dormir mais descansados sobre os conteúdos da disciplina da cidadania.
Eu acho que sim. Aliás, esta noite já foi. O país todo já sentiu um descanso, uma serenidade no sono, aquela tranquilidade.
Agora sim, sei o que posso contar.
Reina a calma em todo o país. É verdade, é isso mesmo. Isto foi um sobressalto, de facto. E agora parece que chegamos à conclusão que o sobressalto foi manifestamente exagerado, que há umas semanas, as reações a um primeiro documento apresentado pelo governo para consulta pública, com alguns tópicos sobre a disciplina, e só isso gerou logo algum autêntico rasgado de vestes em muita gente. Basicamente, que o governo ia acabar com a educação sexual, que queria que as crianças e os jovens agora voltassem à obscuridade, às cavernas. E também houve quem escrevesse isso, e responsáveis políticos, que isso ia aumentar a gravidez na adolescência e que era isso que o governo ou queria, ou pelo menos estava a discurar esse efeito. O governo explicou que não, na altura, que as matérias de educação sexual estavam lá. Podem não ter este nome concreto, mas quando se fala de saúde, muitas vezes fala-se de educação sexual e a consulta pública decorreu agora, como estava previsto, e isso agora foi tornado mais explícito. E lá está, todos agora podemos dormir muito mais descansados depois deste sobressalto. Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.