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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.
A pergunta pare com princípio de errados?
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Paulo, o que se passa com a nossa classe dos professores? Temos problemas estruturais?
Bastante. Temos esses problemas e temos de ficar preocupados com eles. A OCDE faz o retrato dos professores em todos os países da organização e compara-os, e apresentou ontem os principais resultados do TALIS, é assim que se chama este grande estudo. É um estudo internacional sobre a profissão docente. Olhando então para os dados, até comparativos.
Diz devagar.
Querem devagar. Temos uma classe docente envelhecida e com pouca capacidade para atrair talentos jovens, para baixar a média de idade, se quisermos. Só para termos uma ideia, a idade média dos professores do terceiro ciclo é superior a 50 anos, o que significa que nos próximos anos vão sair muitos para a reforma, sem que se saiba como é que vão ser substituídos. Pior do que isto só a Lituania. Um em cada três professores em Portugal diz que perde muito tempo com interrupções de alunos, barulho nas aulas, indisciplina. 27% têm vontade de abandonar a profissão. A média da OCDE é de 20%, portanto, muito abaixo. Apenas 8,7% acha que a sociedade os valoriza devidamente. Estes 8,7% comparam com uma média de 20% nos países da OCDE.
Muito baixo 8,7.
Sem dúvida. E só 13% estão satisfeitos com os ordenados. Pode dizer-se: "Toda a gente está insatisfeita com o seu ordenado." Não, na média da União Europeia, a média é 40%, quase metade acham que estão justamente pagos. Portanto, isto são problemas profundos, não se resolvem só com dinheiro, só a questão salarial é que seria resolvida. Tudo o resto são questões de médio e longo prazo que vão demorar muito tempo a resolver.
Médio e longo prazo, se calhar curto, explica Bruno.
Revidação.
Sebastião Bugalho, o PSD está a preparar o líder do futuro?
Não sei se será o PSD no seu todo. Serão algumas pessoas do PSD, talvez Luís Montenegro, Hugo Soares, mas é assim que as coisas acontecem. Em pouco mais de um ano, Sebastião Bugalho passou de comentador televisivo a possível líder do PSD num futuro mais ou menos distante. A derrota nas europeias, é bom não esquecer que foi derrotado nas europeias pelo PS. Não lhe pesou muito.
Por Marta Temido.
Por Marta Temido. E foi quase como se Luís Montenegro tivesse um plano e agora nas autárquicas passasse à segunda fase da execução deste plano. A presença do eurodeputado do PSD na campanha das autárquicas, em que tem vestido a pele quase de emissário do líder do partido, pode ser vista como mais um teste às capacidades de Bugalho, ou então um teste à resposta, à reação do eleitorado à figura de Sebastião Bugalho, mas também pode ser vista como uma manifestação da fé inabalável do primeiro-ministro no seu delfim, se já lhe podemos chamar assim. E esta é uma aposta praticamente sem riscos, porque Sebastião Bugalho volta a ter visibilidade e ninguém o irá responsabilizar por eventuais maus resultados nas autárquicas. Entre Bruxelas e o país real, estando muito em Bruxelas, depois um bocadinho no país real, é assim que se fabricam os líderes do futuro.
Com o Miguel Morgado a criticá-lo muito na "Vixi Suas", a este propósito. A ele e à estratégia do PSD. Portanto, Sebastião Bugalho, futuro. E com Passos Coelho, o PSD está assombrado por um líder do passado?
Ele diz que está fora da política ativa, mas até por isso mesmo, qualquer atividade, por mínima que seja, suscita sempre grandes reações, grande comoção. E também as autárquicas parecem ser o terreno ideal para Passos Coelho exercitar o seu músculo político, enquanto jura que agora aderiu ao sedentarismo. Ontem apareceu ao lado do candidato do PSD à Câmara de Sintra, Marco Almeida, repetiu que está fora da política ativa, que recebeu muitos convites, mas que já não tem essas funções. Hoje, curiosamente, volta a jantar com o mesmo candidato. Mas ao mesmo tempo, Passos Coelho falou das linhas vermelhas que devem ou não existir em relação ao Chega e já sabe que o antigo primeiro-ministro, que foi vítima do derrube do Muralha à esquerda, não gosta de linhas vermelhas, não gosta de cordões sanitários. Ele pode estar na bancada, mas continua a ser o treinador que muitos desejam ver no banco. O desejado.
Nada como uma boa polêmica judicial para atrair a atenção do público, não é, Paulo?
É verdade. O que eu digo é Joana Marques.
Já sei do que vais falar. Como é que é possível aquilo?
É verdade.
Mas conta.
O humorista anunciou dois espetáculos para maio do próximo ano e fez esse anúncio logo no mesmo dia.
Assim que conheceu a sentença.
Assim que conheceu a sentença, no dia em que foi conhecida a sua absolvição. Chama-se "Em Sede Própria", o espetáculo. Tem, neste momento, uma para Lisboa e outra para o Porto, e portanto, este espetáculo é inspirado no processo movido pelos anjos, e os bilhetes para esses dois espetáculos esgotaram em menos de uma hora, assim que foram colocados à venda online. Há muita gente a querer saber se o julgamento, de facto, foi inspirador para Joana Marques, que novo material é que ela tem. E cá está, o humorista a ganhar com o caso judicial, que não foi ela que escolheu, obviamente. O processo não foi movido por ela. E, portanto, olhando para isto tudo, um influencer poderia dizer qualquer coisa do gênero: "Pedras no caminho? Guardo-as todas. Um dia faço o meu castelo." Ou então, um guru da gestão podia dizer que isto é um daqueles casos típicos de transformar os contratempos em oportunidades e ganhar com eles.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.
A pergunta pare com princípio de errados?
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer