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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.

A pergunta parece que me parece garrados.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

Paulo, que país é este onde se suspendem serviços essenciais das conservatórias?

Ó Luís, olha à tua volta.

Até suspiram.

Exato. Olha, à tua volta é o nosso país. É mesmo nosso. É aquele país onde o Instituto de Registos e Notariado suspende temporariamente os serviços, por exemplo, como o Casa Pronta, o Balcão de Heranças e Partilhas por Divórcio, ou a passagem de documentos particulares autenticados. E suspende porquê? Até 15 de setembro não se podem executar estas burocracias, exceto em locais pontuais. Há alguns que não podem ser feitos em qualquer lugar do país. Aliás, há uma listinha na própria página do Instituto de Registos e Notariado. E por quê? Porque há falta de profissionais nas conservatórias e estamos em período de férias, obviamente, o que acentua mais ainda essa falta. Foram, entretanto, admitidos 120 conservadores em dois concursos recentes, mas ainda estão em formação e imaginem se só devem iniciar funções no final do próximo ano.

No final do próximo ano? Nem é no final deste ano, é no final do próximo.

Isto com calma, qual é a pressa? Parece que há alguma coisa fechada e sem prestar serviços. É o que diz o sindicato, de facto, isto demora tempo para formar um conservador e é assim. Nós temos cada vez mais funcionários públicos, isto é, a cada trimestre que passa, as estatísticas dizem que são batidos novos recordes. Pagamos cada vez mais impostos, a receita fiscal não para de subir, mas temos cada vez menos serviços públicos, como se tem visto, da saúde à educação e agora registos e notariado, imigração também funciona mal, como sabemos. Enfim, olhem, é o país que temos.

Trabalha-se muito. Em Portugal.

Neste país.

Neste país.

Neste país trabalha-se muito, se falarmos de horas trabalhadas, e trabalha-se mal, se calhar, porque a produtividade também tem que ver com o impacto no PIB daquela função. Ou seja, é diferente trabalhares quatro horas na Autoeuropa e trabalhares 12 horas a apanhar morangos.

Depende do valor acrescentado, claro.

Que contribui. Mas, ao nível das horas trabalhadas, de facto, em Portugal trabalha-se muito, trabalha-se quase mais do que em qualquer outro país europeu. Só há três países europeus em que jornadas de trabalho são maiores: Grécia, que é o país onde mais horas um trabalhador em média trabalha por semana, o Chipre e França. Países também com diferenças a nível de robustez econômica. Já na produtividade, estamos lá no fundo do ranking europeu e isso tem a ver com as características da nossa economia. Se calhar era bom para nós trabalharmos um pouquinho menos, menos horas.

Mas melhor.

Mas melhor.

Claro, uma questão de quantidade e qualidade.

É sempre.

Sempre.

Confirma-se, Paulo, que a cortiça é muito difícil de afundar.

É muito difícil. Vocês já tentaram pegar numa placa de cortiça e afundá-la? Não é fácil.

Até pode servir de braçadeira.

De braçadeira, de boia, de flutuadores, por aí fora. Flutua sempre a cortiça e até no meio de uma guerra comercial com os Estados Unidos, agora em sentido metafórico.

Ali no meio do Atlântico a flutuar.

Ali a flutuar. Ontem confirmou-se, de facto, que a cortiça é um dos produtos que os Estados Unidos vão excluir da aplicação de tarifas de 15%, uma série de produtos à entrada do país. É uma excelente notícia, sobretudo para Portugal, porque Portugal é destacadamente o primeiro produtor mundial de cortiça, produtor nas árvores, depois da sua transformação também em N produtos, cada vez mais produtos.

Cada vez mais, era isso que eu ia falar. Este verão eu fiquei apaixonada a ver uma montra só com coisas de cortiça.

E a utilização, por exemplo, na indústria aeronáutica.

Tudo. Seja isolante de temperatura, de som e por aí fora. Na arquitetura.

Há uns anos não tínhamos noção do potencial.

Isto explica também a importância desta matéria-prima para os Estados Unidos.

Exatamente, para várias utilizações também. Portanto, é uma ótima notícia para Portugal, para a economia portuguesa, para as empresas do setor, para os trabalhadores das empresas do setor, que assim não têm grandes solavancos na sua atividade. E ainda bem. É menos uma dor de cabeça, pelo menos para algumas pessoas. Ó Bruno, e afinal quantos volumes são precisos para contar a história de Rui Moreira?

A história de Rui Moreira à frente da Câmara do Porto. Isto é para ser exato, é só esta parte da história de Rui Moreira. À partida, seriam oito volumes, aliás, isso foi anunciado no ano passado, na Feira do Livro do Porto.

Que, de resto, começa a edição deste ano, começa hoje.

Exatamente, da Feira do Livro do Porto. Esta obra de grande valor artístico e histórico, pela qual a Câmara iria pagar mais de €68 mil a uma editora, no caso a Tinta da China, tinha previsto estes oito volumes. No ano passado foram apresentados os dois primeiros volumes. Agora foram anunciados os dois últimos, porque talvez se tenha chegado à conclusão de que a história podia ser contada em metade dos volumes. Portanto, de oito passou para quatro esta coleção. O gabinete de imprensa da Câmara do Porto diz que houve imponderáveis atrasos e incumprimentos na produção dos conteúdos que impediram a edição destes oito magníficos, o adjetivo é meu, volumes da coleção intitulada Fazer Cidade, que agora até poderá ter um novo título que será Fazer pela Metade.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.

A pergunta parece que me parece garrados.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.