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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta essa.

Começa agora uma nova edição do Ainda Bem que Faz Essa Pergunta, da Rádio Observador. Hoje falamos de: com amigos destes.

Pois.

Amigos destes. O dilema centrista, o estado da banca, mas para começar ficamos muito mal na selfie. Espelho meu, podíamos dizer: haverá país mais corrupto do que o meu?

Há, Carla, há outros mais corruptos, mas o nosso também é, ou pelo menos é assim que os portugueses veem o seu próprio país. No índice da Organização Transparência Internacional, quanto à percepção da corrupção, Portugal voltou a descer. Numa escala em que 100 é muito transparente e zero é muito corrupto, passámos de 61 pontos para 57, numa queda de nove lugares e que coloca o nosso país na pior posição de sempre. Entre 180 países, estamos em 43º. E lá está, falamos de percepções, as célebres percepções.

A palavra do ano.

Para mim era, sem a mínima dúvida.

Já, ainda estamos em fevereiro e você já sabe a palavra do ano.

Olha que sim.

Aliás, cada ano, já no ano passado, merecia um grande destaque. Agora, quem diria que as percepções contam tanto? E a percepção que contou mais para esta queda de Portugal neste índice foi a de abuso de cargos públicos para benefícios privados. Será que estamos mais corruptos ou achamos que estamos mais corruptos? O Presidente da República não tem dúvidas e juntou no mesmo saco segurança e corrupção para dizer que não interessam nem a segurança, nem a corrupção em abstrato, mas a imagem que as pessoas têm acerca da corrupção e acerca da segurança. A resposta que o espelho nos dá quanto à corrupção é que é cada vez menos bonita de se ver.

Paulo, então será boa ideia a Caixa Geral de Depósitos comprar o Novo Banco?

Pois, essa é uma discussão que ainda está a começar. Depois de reestruturado, agora o Novo Banco deverá ser vendido pelos seus acionistas e há várias hipóteses para esta operação. Ou dispersar o capital em bolsa, ou então negociar diretamente com possíveis interessados e entregar-lhe, no fundo, o controle do banco. E um desses interessados pode vir a ser a Caixa, a Caixa Geral de Depósitos, detida 100% pelo Estado, como sabemos. João Cotrim de Figueiredo de Miranda Sarmento, ministro das Finanças, não fechou a porta a essa possibilidade, numas declarações que fez há poucos dias. Mário Centeno, por seu lado, governador do Banco de Portugal, está contra essa ideia ou essa possibilidade, pelos efeitos sistêmicos que teria, isto é, pela forma como seria rearranjado o mercado bancário em Portugal. E Carlos Costa, antecessor de Mário Centeno no Banco de Portugal, disse ontem no Parlamento que é preciso analisar o efeito que isso teria na concorrência bancária. A Caixa com o Novo Banco, juntos, ficaria com o dobro dos balcões do segundo maior banco, que seria o BCP. A Caixa já é o maior banco, com 25% do mercado, ficaria ainda muito maior, muito distante do segundo e depois mais ainda dos outros. Mas será que é boa ideia ter o Estado com uma fatia ainda maior do mercado bancário? Essa é uma missão da Caixa Geral de Depósitos. Dificilmente isto pode acontecer sem um debate público alargado, profundo, sem uma decisão muito coerente e com um propósito muito claro. E isso está por fazer, portanto, é uma discussão a acompanhar ainda.

Sim. Bruno, então e o CDS assiste de bancada, de cadeirinha, ao espetáculo das presidenciais.

E isso é estranho, Maria João, para um partido que voltou ao Parlamento a reboque do PSD. No entanto, olhando para as movimentações dos partidos em torno de candidatos, hipotéticos candidatos, os centristas parecem ter bastante a ganhar com o jogo das presidenciais, com outra grande vantagem: é que não têm de ter pressa e, pelos vistos, não têm mesmo. Daí que Nuno Melo tenha dito que a decisão do partido não será tomada tão cedo quanto ao candidato a apoiar nas presidenciais e de também ter dito que quando o frizo de candidatos estiver mais ou menos consolidado, gostaria de ver alguém da área do CDS avançar com uma candidatura, porque esta é uma das várias hipóteses das quais o partido pode sair vencedor. Pode apoiar o almirante, pode mostrar lealdade ao PSD e apoiar Marques Mendes e pode até esperar que a tal figura da mesma família política avance. Alô, Paulo Portas, está à escuta? Já as críticas aos candidatos que se apresentam como candidatos de partido, tiveram, quanto a mim, o destinatário habitual, o Chega.

E até quando, Paulo, podemos continuar a considerar os Estados Unidos um amigo e um parceiro da Europa?

Pois, temos que começar a formular essa pergunta, não é? Agora que a guerra comercial atinge também a Europa. A Comissão Europeia disse ontem que vai retaliar contra as tarifas alfandegárias que os Estados Unidos vão colocar ao aço e ao alumínio que importam, não importa de onde, portanto, o importado dos países da União Europeia também vai passar a pagar tarifas alfandegárias. E isto avançou sem aviso, sem negociação prévia. Trump anunciou a medida, ponto