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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Paulo, o que achas? Está a endurecer o braço de ferro entre a ministra da Saúde e um grupo de tarefeiros.
As posições, pelo menos, parecem extremadas. E a forma como isto tudo pode acabar é muito incerta. Falamos daquele grupo de cerca de mil médicos que prestam serviços aos hospitais, chamados tarefeiros. Não pertencem ao quadro e que fez uma ameaça de greve, o que pode avançar e pode ter efeitos devastadores nas urgências, que já são frágeis, como sabemos, até porque o SNS está muito dependente, nalgumas áreas, destes tarefeiros. No fundo, querem que a ministra não avance com o corte de pagamento que estaria a preparar, o pagamento à hora. Foi feita uma proposta de reunião com Ana Paula Martins, mas a ministra diz que só pode negociar com entidades socioprofissionais e não com grupos ad hoc. E não estamos aqui a falar de nenhum sindicato, nem nenhuma representação formal, se quisermos, destes tarefeiros. Como é que vamos sair daqui? Não sabemos, de facto. Vamos ver como é que as coisas correm, mas pode até acontecer que esta guerra parcelar, porque é feita por uma classe profissional bem definida, que ajude, pelo menos temporariamente, a segurar a ministra, porque nenhum primeiro-ministro dispensa ou deveria dispensar um ministro no meio de uma guerra destas. Senão, obviamente, se o fizer, não fará mais nada do setor até ao fim da legislatura.
Andy Warhol tinha razão.
Tinha em muitas coisas, mas nesta em particular.
Nesta também. Toda a gente tem direito aos seus 15 minutos de fama.
Desta vez até serão, provavelmente, mais do que 15 minutos. Mas calhou ao advogado José Manuel Ramos, de 53 anos, que até há poucos dias era um ilustre desconhecido e que agora surgiu no meio de um labirinto judicial, que é o processo da Operação Marquês. E a fama chegou sem aviso, inesperadamente. O advogado estava tranquilamente no campus da Justiça quando o chamaram para ser o advogado oficioso de José Sócrates. E foi mesmo assim que aconteceu?
É assim que acontece. Andam por lá nos corredores, estão de piquete.
Exatamente, à espera de ser chamados. Ele foi chamado, não sabia que processo, nem que cliente teria. Chegou e descobre que era José Sócrates. Calhou assim, é caso para dizer que há dias de sorte ou de pouca sorte. Para já, o advogado, que é cego, considera que está aqui uma boa oportunidade de se dar a conhecer, desde que as coisas lhe corram bem. E aqui é que começa a ser um bocadinho mais difícil. O que é correr bem neste processo? Com José Sócrates, ninguém sabe o dia de amanhã. Por isso é aproveitar estes 15 minutinhos de fama, que já devem estar a render alguma coisa, pelo menos para captar e angariar novos clientes, é sempre uma boa maneira de fazer publicidade.
Pois é. E em relação aos cartazes do Chega, os polêmicos cartazes do Chega, afinal, são um caso judicial e não eleitoral.
É esse o entendimento da Comissão Nacional de Eleições, afirma que os cartazes não violam a lei eleitoral. Agora, se violam ou não outras leis do país, isso já é outra história. Os cartazes são aqueles que dizem: "Isto não é o Bangladesh", ou então, "Os ciganos também devem cumprir a lei". E claro que as dúvidas se colocam, sempre se colocaram desde o início, do ponto de vista de eventual xenofobia e racismo ou incitamento ao ódio, e não das regras estritas que estão definidas para a propaganda eleitoral, e é disso que se trata. Por isso o caso vai seguir para o Ministério Público e era bom que houvesse da parte do Ministério Público uma decisão rápida, digamos, em poucos dias ou semanas. Dava jeito que fosse antes do ato eleitoral. Enfim, esquisitice, eu sei, essa coisa dos prazos. Esquisitice.
Gostas muito.
Gosta de falar esquisito.
Estavas mortinha.
Bruno, vamos ter uma entrada à francesa? Sem "finir".
Sem "finir". Normalmente, uma saída à francesa é aquelas saídas definidas, mansas, sem ninguém dar por isso. Aqui podemos ter uma entrada à francesa na TAP. É essa a intenção da Air France KLM e já foi anunciada pelo presidente executivo da companhia e querem mesmo, ao que parece, avançar para a compra da TAP, ou de parte do capital da TAP. Nada de lançar foguetes, para já. A companhia irá apresentar uma carta formal de manifestação de interesse até o final do mês, mas isto é só o início do processo e tudo vai depender da oferta e da existência ou não de outros potenciais compradores para a TAP. Seria bom que houvesse mais concorrentes, como é óbvio. À partida, é uma boa notícia, não deixa de ser uma boa notícia, porque é um grupo sólido e é um grupo importante e também esse era um dos critérios do governo para vender a TAP. Uns querem vender, parece que haja quem queira comprar, mas como tudo na história da TAP e dos aeroportos, os avanços rapidamente se transformam em recuos. As privatizações são revertidas, já foram revertidas, os projetos são adiados, mas se as saídas à francesa, lá está, são discretas, uma entrada da Air France no capital da TAP será muito mais estrondosa.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.