Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus!

Paulo, afinal o que é que o Chega vai fazer em relação a Luís Neves?

Não se sabe. Parece que nem o próprio Chega, neste momento, sabe muito bem o que vai fazer, isto apesar de se multiplicarem anúncios e ameaças. Primeiro, começou por garantir que vai avançar com uma comissão parlamentar de inquérito, a propósito das polémicas que envolvem o Ministro da Administração Interna, mas este fim de semana o Chega foi mais longe. André Ventura fez um ultimato ao primeiro-ministro e disse esta frase: "Se este padrão ético continuar a existir, se não tivermos a resolução desta situação, apresentaremos uma moção de censura na terça-feira, no dia 1 de setembro, no Parlamento." Foi assim a frase, sem "ses", sem "mas". Hoje é precisamente esse dia 1 de setembro.

Exatamente.

Conseguimos confirmar isso. Luís Neves continua ministro, aliás, ontem prometeu para hoje novas explicações sobre o caso, como já disseste há pouco, e por isso espera-se até ao fim do dia a apresentação da tal moção de censura do Chega. Mas não, André Ventura veio ontem contar uma outra história. Diz que vê alguma evolução no assunto e que vai reunir os órgãos do partido para uma decisão final, que aparentemente ele próprio já tinha anunciado para dia um. E portanto, cá andamos, de declaração em declaração, com avanços e recuos e juras que vão ficando pelo caminho. No fundo, é a política ao sabor da próxima conferência de imprensa.

Bruno, então em um ano depois do acidente, vamos ter um novo elevador da Glória?

Um elevador completamente novo é a promessa da Carris, que assegura que será uma nova instalação com outros materiais e uma solução para o futuro. Pois, isso terá mesmo de ser, até porque vai demorar algum tempo. O concurso internacional só vai ser lançado no primeiro trimestre do próximo ano e a inauguração, na melhor das hipóteses, deverá acontecer em 2029, embora nós saibamos como são estas coisas e os atrasos que sempre se registam. Pouco se ficou a saber sobre o projeto técnico e o investimento que virá a ser realizado. E também continuamos sem respostas sobre as causas do acidente, embora se tenha sabido que a Carris não instaurou nenhum processo disciplinar a nenhum funcionário depois do acidente. É bom olhar para o futuro, fazer uma mudança para que o passado não se repita, mas convinha, entretanto, ter certezas sobre aquilo que aconteceu. É um acidente que resultou na morte de 16 pessoas, e quem afinal foram os responsáveis.

Paulo, o PRR está executado a 100%, mas é esse o indicador mais importante?

Não é tudo. Esse indicador quer dizer apenas que conseguimos gastar todo o dinheiro que recebemos da União Europeia. Uma boa parte dele veio a fundo perdido. E como sabemos, tivemos até dificuldade em gastar esse dinheiro todo. Foram feitas várias reprogramações do PRR, precisamente para acomodar atrasos. Muitos prazos derraparam. Mas a questão essencial é saber se esse dinheiro, já que foi gasto a 100%, ou pelo menos a maior parte dele, serviu para quê? Para reforçar a competitividade da economia portuguesa, para aumentar o produto potencial, o PIB potencial do país, se serviu para melhorar os serviços que o Estado presta aos cidadãos, uma vez que uma grande parte desse dinheiro foi canalizado precisamente para o Estado. E sobre este último ponto do Estado, já sabemos que não. O Estado consome cada vez mais e entrega cada vez menos, com menos qualidade aos cidadãos. Damo-nos conta disso quase todos os dias. Quanto ao resto, as agendas chamadas agendas transformadoras, enfim, projetos que envolveram empresas, a academia e centros de investigação, essas serviram para alguma inovação, é verdade, e novos produtos ou serviços. Aliás, o Observador tem um trabalho sobre isso. No resto, parece que nem uma avaliação de impacto vai ser feita. Portanto, nada de novo. Continuamos a receber dinheiro da União Europeia, a gastá-lo, mas sem saber muito bem que impacto é que ele tem no país.

Bruno, e afinal a culpa é sempre dos outros?

É, para Pedro Sánchez, o presidente do governo espanhol, parece que sim. Desta vez atribui a responsabilidade do que aconteceu em Ceuta no final de julho à Rússia e, claro está, a Israel. Para Sánchez, a culpa não é das políticas do seu governo, mas da desinformação, das redes sociais e da internacional de extrema-direita que usa a imigração como arma para atacar a Europa. Disse que, na altura, o governo que lidera não tinha qualquer informação que permitisse prever a magnitude da crise e de caminho ainda criticou os outros governos europeus que ousaram criticar o governo espanhol. Na dúvida, Sánchez vai sempre em frente, o que pode não ser muito boa ideia quando se está dentro de um labirinto.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus!