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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.
Tempo para Ainda Bem Que Faz Essa Pergunta. Paulo Ferreira e Miguel Cordeiro, hoje falamos de presidentes que levam puxões de orelhas e de leis que permitem que o proíbam. Mas começamos por um Cerco a Lisboa. Está muito histórico esta edição.
É verdade. Cerco a Lisboa para perguntar se de facto está na altura de pensar numa cerca sanitária a Lisboa.
Paulo, achas que se justifica fazer essa cerca sanitária?
Não sabemos, as autoridades sanitárias saberão, mas a verdade é que a região de Lisboa tem neste momento a quase exclusividade dos novos casos de contaminação com COVID-19. Ontem foram reportados 219 casos em todo o país, atenção, de infecção do novo coronavírus, isto referentes às 24 horas anteriores, e desses 96% foram na região de Lisboa, ou seja, 211 em Lisboa e oito novos casos no resto do país. Apenas oito. O que significa que a contaminação quase desapareceu na generalidade do país, mas continua forte em Lisboa. E as autoridades falam de três focos, na Azambuja, no Seixal e Almada. São estes os três focos que justificam estes números. Não se sabe se terá alguma coisa a ver ou não com o Primeiro de Maio, mas já houve cercas sanitárias em Ovar e Graça Freitas chegou a admitir idêntica medida para o Porto. Será que agora chegou a vez de Lisboa?
Vamos esperar para ver. Paulo, e como é que se coordena um grupo sem participar nas decisões?
Eu acho que isso é uma tarefa difícil, para dizer o mínimo. E não é nada prática mesmo.
Sim, mas parece que foi isto que aconteceu a Pedro Rodrigues, o deputado social-democrata que coordenava o grupo de deputados do PSD na Comissão de Trabalho e Segurança Social e que ontem demitiu-se desse cargo. Demitiu-se em divergência com Rui Rio e numa carta enviada ao líder social-democrata, Pedro Rodrigues diz que foram tomadas decisões nesta comissão sem ter participado e, para além disso, o deputado explica que foi tendo conhecimento das decisões pela comunicação social ou quando acabavam por ser materializadas. Pedro Rodrigues fala em falta de confiança e surge aqui mais um conflito, desta vez no grupo parlamentar do PSD, nesta fase de desconfinamento político. Para já, ainda sem uma reação de Rui Rio.
Vamos esperar então. E a Festa do Avante pode realizar-se, mas não se pode realizar, é isto?
Como assim? Ou pode, ou não pode.
Não, vamos lá ver. Marcelo Rebelo de Sousa promulgou ontem o decreto-lei que proíbe até 30 de setembro os festivais e espetáculos de natureza análoga. Primeira nuance que está no comunicado da presidência. O que está proibido não são todos os festivais e espetáculos de natureza análoga, são aqueles que os próprios promotores classificam como sendo festivais e espetáculos de natureza análoga. Portanto, esta decisão é dos próprios promotores. E continuando a ler o comunicado de Marcelo Rebelo de Sousa, citamos: "Quer isto dizer que se uma entidade promotora definir como iniciativa política, religiosa, social, o que poderia, de outra perspectiva, ser encarado como festival ou espetáculo de natureza análoga, deixa de se aplicar a proibição específica prevista no presente diploma." Portanto, cá está, não se podem realizar, mas podem realizar-se. Basta chamar-lhes outra coisa. Ainda assim, Marcelo Rebelo de Sousa alerta nesta promulgação para a garantia do princípio da igualdade entre cidadãos e para a clareza e o conhecimento atempado das regras sanitárias aplicáveis nos casos concretos. Cá está, são regras à portuguesa, com certeza.
E parece que o vírus consegue mesmo distinguir a natureza dos festivais. Paulo, e será que virou moda fazer fact checks a publicações de presidentes nas redes sociais?
Isto já tinha acontecido recentemente com Bolsonaro, presidente do Brasil, e agora temos mais um caso, com Donald Trump.
Sim, isto tudo no espaço de um mês, até menos. Bolsonaro viu uma publicação ser identificada como falsa no Instagram. Agora é Donald Trump no Twitter, a sua rede social favorita. Foram identificadas duas publicações do presidente norte-americano. Trump fez dois tweets a contestar o método de voto por correspondência. Disse que se as eleições presidenciais forem por correspondência, as caixas de correio vão ser roubadas, os boletins de voto falsificados e até impressos ilegalmente e assinados de forma fraudulenta. Os dois tweets de Donald Trump foram identificados pela nova ferramenta do Twitter, que permite verificar informações falsas que são vinculadas nesses tweets e, por isso, embaixo da publicação surge uma pequena frase: "Conheça os factos sobre o voto por correspondência", neste caso. Um link que redireciona os utilizadores para várias notícias sobre este método de votação. O Twitter afirma mesmo que as afirmações de Donald Trump são infundadas, de acordo com a CNN, o Washington Post e outros verificadores de factos. Os fact checks vieram para ficar. O Observador já os faz há muito tempo e agora com estas novas ferramentas das redes sociais, já nem os presidentes podem escapar quando publicam informação falsa.
E está feito o Ainda Bem que me faz essa pergunta, Miguel Cordeiro e Paulo Ferreira. Já voltamos a falar. Está aí a chegar também o Zoom. Até já. A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.
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