Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.
Esta segunda-feira falamos do profeta moçambicano, vamos até ao partido do Largo do Gato.
Do Gato.
Fazemos contas às exigências do Trump, mas começamos com equívocos. Paulo, será que o director executivo do SNS entendeu mal o convite que lhe fizeram?
Só pode ter acontecido isso, de facto. Depois de apurada a investigação, chegamos a essa conclusão. É que António Gandra de Almeida, que apresentou a demissão na sexta-feira à noite, depois de uma reportagem da SIC ter revelado que ele terá recebido mais de 200 mil € com acumulação de funções que eram incompatíveis com a outra função principal que tinha. Isto aconteceu durante mais de dois anos. Tudo se passou quando foi diretor do INEM, portanto antes deste novo cargo de diretor executivo do SNS, quando ele era diretor do INEM do Norte e durante esse período foi igualmente médico tarefeiro nas urgências de Faro, médico tarefeiro nas urgências de Portimão, suspeitando-se que tenha feito também ainda trabalho de médico tarefeiro nas urgências de Gaia, Vila Nova de Gaia, e condutor de viaturas do INEM no Hospital de Abrantes. Só pode ter sido aqui um equívoco, quando o convidaram para exercer funções no INEM, ele percebeu que era para exercer todas as funções. Tudo.
Funções, é no plural.
Funções.
Foi a todas.
Ser diretor, ser médico, ser condutor, e se investigarem bem, ele também esteve na portaria durante uns tempos. Portanto, quem é que nunca entendeu mal um convite?
Eu acho que a ministra da Saúde já estava era preocupada com o lugar em risco.
Só faltava ele ser ministro.
Só faltava ser ministro.
Assim poupa-se dinheiro, não? Se calhar não.
Por falar nisso, Bruno, a Europa vai investir os 5% do PIB em defesa, tal como Donald Trump quer?
Cinco por cento. Vamos com calma. Primeiro temos de chegar à meta mais modesta dos 2%. Foi isso que lembrou Luís Montenegro, dizendo que os 5% do PIB não é exequível a curto ou a médio prazo. Por quê? Porque lá está, ainda não estamos sequer nos 2% do PIB que o governo estabeleceu como meta até 2029. O primeiro-ministro reconhece que os países da Aliança Atlântica têm de investir mais, sobretudo numa altura em que as ameaças vindas da Rússia são bastante claras, mas mesmo uma reavaliação daquela meta dos 2% nunca seria para chegar para já aos 5%. Não sabemos se o almirante Gouveia e Melo está a tirar notas, ele que acha que o país ao investir mais em defesa terá de poupar nos custos sociais, ou se em breve, seguindo o conselho do secretário-geral da NATO, o melhor não será aprendermos todos um bocadinho de russo. O certo é que o dinheiro não chega para tudo e 5% do PIB em defesa não vai mesmo acontecer assim tão depressa.
E as presidenciais ainda não arrancaram e já transformaram o PS num saco de gatos?
É verdade, desta vez o PS até parece PSD, que é sempre mais dado a estas brigas internas. O anúncio de Mário Centeno, de não estar disponível para avançar nessa corrida, deixou muita gente órfã no PS, sobretudo aqueles que não se revêm em António José Seguro. E o tiro ao Seguro já começou. Vamos ver então como é que estão as coisas pelo PS. Eduardo Cabrita acha que Seguro não está à altura, no que é apoiado por Augusto Santos Silva, que acha que Seguro, e citamos mesmo Augusto Santos Silva, só diz banalidades e que não cumpre os requisitos mínimos, mas nisto foi criticado por Ascenso Simões, que disse que as palavras de Augusto Santos Silva sobre Seguro são ordinárias, e acrescentou ainda: "Augusto Santos Silva nunca abandonou o trotskismo em que militou após o 25 de Abril e isso continua a manifestar-se." Mas lá vem Marta Temido, em defesa de Santos Silva, dizendo: "Pessoalmente, não tenho dúvidas em incentivar Augusto Santos Silva." E Francisco Assis, por seu lado, não concorda nada com Temido, nem com Santos Silva ou Cabrita, e critica a forma como algumas figuras do Partido Socialista têm vindo a tratar António José Seguro.
A atirar, queriam eles.
A atirar também, exatamente. E o Seguro lá continua a fazer o seu caminho.
Que enredo que vai para aqui.
Vai uma grande novela.
Por aí, em Moçambique, voltamos aos tempos do Antigo Testamento.
Já há profeta, pelo menos, e traz um tom religioso inconfundível. Venâncio Mondlane, o autoproclamado presidente de Moçambique, anunciou as medidas para os próximos 100 dias e parar a violência é o seu objetivo número um. Mas se a violência não parar, se as autoridades, em particular a polícia, continuarem a assassinar cidadãos moçambicanos, então na 13ª medida, Mondlane prevê a possibilidade de autodefesa do povo moçambicano. Autodefesa que, como o próprio disse, é muito mais do que isso. Visto que o povo está a ser maltratado, fuzilado e agredido, Mondlane propõe o regresso ao olho por olho, dente por dente. Por cada moçambicano morto pela polícia, um polícia deve ser morto pelo povo. Lei de Talião, disse Mondlane, e quase o ouvimos falar com a voz de Samuel L. Jackson no Pulp Fiction, a prometer fúria e fogo divinos contra os seus inimigos.
A questão é difícil. Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.