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É difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.
E está no ar o Ainda Bem Que Fachas, essa pergunta da Rádio Observador. Paulo Ferreira e Júlio Magalhães. A caminho do fim de semana, indo eu. Falamos das regras, são boas, mas é para os outros. A saga do combustível, semânticas económicas. Mas Júlio, começamos por desgostos em tempos de guerra.
É isso mesmo.
Já há um livro. Não é o teu próximo livro, pois não?
Ya, vai a ver. Parece que o Zelensky não gostou mesmo que o Guterres tivesse ido primeiro a Moscovo, será isso?
Ele já tinha manifestado esse desagrado.
Pois, as imagens do encontro de ontem parecem ter manifestado esse mesmo desagrado. É que os tempos não são de grandes euforias, é certo, mas foi evidente aquele caminho que Guterres fez desde o hotel até à porta das instalações onde correu a reunião. Guterres a tirar a máscara, um sorriso rasgado, de mão estendida para o líder ucraniano e este com cara de poucos amigos, ou seja, cara fechada, naturalmente dando as boas-vindas, mas sempre bastante distante, de uma satisfação evidente. Mesmo no frente a frente nunca houve grande cumplicidade, nem na conferência de imprensa, e ficou a ideia que Zelensky e os seus pares não estão nada convencidos do acordo de princípio que Guterres levava de Moscovo quanto à retirada de civis de Mariupol. De resto, nem Guterres está muito confiante nisso e foi sempre muito prudente nas declarações que fez aos jornalistas.
Muito bem. E vamos lá saber então, afinal, há ou não há austeridade?
Essa é a grande questão na discussão política deste orçamento, mas parece ser essencialmente uma questão de semântica, Paulo.
É, porque os factos são o que são. E até são objetivos, porque estamos aqui no reino da aritmética, de alguma maneira. E a partir daí sobra-nos, de facto, a semântica para classificar esses factos. O PS e o governo rejeitam de todo a ideia de podermos estar perante a austeridade quando olhamos para a perda de poder de compra de pelo menos funcionários públicos e pensionistas. E a oposição, claro, obviamente, pensa de forma diferente. E austeridade tornou-se uma palavra maldita há mais de 10 anos, precisamente por causa dos cortes que foram então feitos para tentar evitar a bancarrota. Podemos propor aqui uma formulação de consenso. Não há austeridade, mas a generalidade dos portugueses já está a apertar o cinto, por causa dos preços que estão a aumentar mais do que os salários. Apertar o cinto, aliás, era a austeridade na versão dos anos 80, não é?
Pois era, lembro-me muito bem e de não perceber o que isso queria dizer.
Exato, pensávamos que era mesmo a questão de dietas.
Era.
Aliás, é uma imagem muito mais elucidativa e podemos ficar com essa imagem clássica do apertar do cinto.
Ou então chamar a Kátia e a Vanessa.
Ou isso. Ótima sugestão, Carla. Estamos perante um orçamento de Kátia e Vanessa.
Exato. E eu não vos queria estar a maçar com isto, mas pode ser que vocês me esclareçam onde é que vai acabar a saga dos preços dos combustíveis. Já nem o Paulo consegue esclarecer isso.
Já nem o Paulo. Portanto, imagina.
Já fiz três palavras.
E estás a falar nisso porque foi ontem anunciada uma nova descida dos preços.
O problema é que estão sempre a ser anunciados. Quantas vezes já ouvimos o governo anunciar que conseguiu reduzir o preço dos combustíveis, que logo na semana a seguir voltam a subir. Ontem António Costa voltou a fazer um novo anúncio de uma redução de €0,20 no preço dos combustíveis, mas parece que pouco adianta. Dou o meu exemplo, ontem fui abastecer o carro e o preço estava a €2,54. Na mesma área de serviço onde eu, na semana passada, tinha posto combustível a €1,95 mais ou menos. Na semana passada tinha sido reduzido pelo menos de €2, portanto não chegava aos €2 na mesma bomba, mas muito perto. Ora, na segunda-feira estava a €2,54, agora vão reduzir €0,20, vai para €2,34, mais coisa, menos coisa. O que fica explícito é que nem o governo abdica da elevada carga de impostos nos combustíveis, nem os operadores abdicam também das suas margens de lucro e o petróleo vai andando ali para cima e para baixo. Não vale a pena anunciar mais semana sim, semana não, que os combustíveis vão baixar, porque às descidas seguem-se sempre subidas percentualmente maiores. E a escalada está à vista que não vai parar. Ainda não percebi é contas é que fazem os espanhóis.
Afinal, André Ventura quer mudar de sistema ou prefere antes driblar o sistema com práticas de nepotismo?
O Chega está debaixo de fogo por causa de uma nomeação na Assembleia da República, não é?
É verdade. Manuel Matias foi nomeado assessor do partido no Parlamento. Tudo bem até aqui. O problema é que o Manuel Matias é pai da Rita Matias, que é deputada do Chega, e a Transparência Internacional já está em cima do assunto e não tem dúvidas que esta nomeação é ilegal, porque sustenta: trata-se, de facto, de uma relação de pai e filha expressamente prevista e proibida pela letra da lei. É isto que diz a Transparência Internacional. Esta associação de escrutínio de práticas políticas já enviou uma carta ao presidente da Assembleia da República, Santos Silva, a denunciar o caso. Vamos ver o que é que isto vai dar em termos formais e legais, porque em termos políticos, André Ventura, que está sempre disposto e pronto a disparar em todas as direções quando discute-se moralistas, acha que quando chega a ele, tudo é legítimo e pode fazer tudo.
Paulo Ferreira e Júlio Magalhães. O Júlio a partir do Porto com as perguntas que marcam a atualidade segunda-feira. Há mais para ouvir.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.