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Sétima jornada do campeonato, Sporting dois, Arouca também dois. Mais uma vez, depois de estar a ganhar por 2 x 0, o Sporting volta a perder uma vantagem neste campeonato. Os três empates que teve foram precisamente de vantagens perdidas. A primeira frente ao Estoril da Amadora, por dois gols, estava a vencer por 2 x 0, deixou-se empatar 2 x 2 e na semana passada tinha também empatado em casa de Famalicão, depois de estar a vencer por 1 x 0, deixou-se empatar 1 x 1 e a jogar com mais um jogador. Hoje acabou por deixar empatar depois de perder um jogador. Mas na primeira parte, Augusto Inácio, o Sporting foi superior e até parecia que o jogo estava facilitado.
O futebol tem coisas surpreendentes e nunca deves dar nada por adquirido até as coisas se concluírem. Diria que o Sporting, na primeira parte, até começou muito bem. Em 16 minutos, o Sporting já tinha dois gols marcados. Dono e senhor do jogo, um Arouca... Às vezes confunde-se aqui a personalidade com aquilo que é o atrevimento. E eu acho que, às vezes, a personalidade nada tem a dizer com aquilo que é a arrogância no sentido de querer discutir o jogo em Alvalade. Isso não é discutível, porque qualquer um pode, qualquer equipa pode fazer isso. Mas eu diria a forma como o Arouca se plantou no relvado, com uma defesa a subir até à linha do meio-campo, com os avançados a pressionar a defesa do Sporting, claramente que o Arouca não está a jogar como equipa qualquer, está a jogar na casa do Sporting.
E esse posicionamento foi sendo aproveitado sobretudo pelas capacidades de passe longo de Debast e também de Gonçalo Inácio.
Sim, mas era isso. O Arouca deu todas as oportunidades do Sporting chegar à baliza do Arouca com toda a facilidade. E é quando aparece aqueles passes de Debast, do Gonçalo Inácio, jogadas em que o Max Araújo está isolado e rematou por cima da cabeça do guardas-redes, mas ao lado. Ou seja, um Sporting que deu uma sensação que depois do 2 x 0, deixou rolar o jogo, não foi bem à procura do gol, se acontecesse, acontecia, se não acontecesse, estava tudo bem na mesma. Só que o 2 x 0 continua a ser, mais uma vez, um grande exemplo de que o resultado não está seguro. E o que é certo é que o Sporting vai pro intervalo, dono e senhor do jogo, como eu disse, e claramente que estava-se na expectativa. E o Sporting vai cometer os mesmos erros dos outros jogos, vai cometer os mesmos erros na Amadora, vai cometer os mesmos erros em Famalicão. O que é certo é que o Sporting, nos primeiros minutos, até estava bem, mas depois acontece aquilo que o Debast fez, que é de uma infantilidade, que é de uma negligência, que é de um jogador que, sinceramente, perdão as pessoas têm sempre, mas que ia levar um grande castigo, tinha que levar, porque colocou em causa o próprio jogo.
Eu conheço algumas profissões um pouquinho pior pagas, onde um erro destes se paga com um despedimento.
Sim, mas também não vamos tão longe nesse sentido, porque o Debast é um grande jogador, cometeu aquele erro, é verdade, mas foi um erro que teve uma influência muito grande. Mas mesmo assim, o Rui Borges faz uma troca normal, tira o Gyökeres e mete o Quaresma, continua a jogar com uma linha de quatro, com dois centrais, só que o Quaresma entrou completamente fora do contexto. O Quaresma parecia que estava na praia a jogar, parecia que não estava ali em Alvalade. E o Quaresma tem muito disto. E toda a gente diz muito bem do Quaresma, fala do Quaresma, mas eu olho pra um jogador e vejo o nível mental que o jogador tem para jogar num nível como o Sporting. E em todos os jogos, eu vejo sempre o Quaresma, cada vez que joga, cometer um erro. Pode dar gol, pode não dar erro, mas um erro daqueles que não é um erro que qualquer um pode errar, é aquele erro que pode comprometer a equipa. E às vezes não acontece, mas outras vezes acontece, como foi o caso de hoje. Um Quaresma que provocou uma grande penalidade, que coloca o Arouca no jogo a perder por uma bola de diferença.
Mesmo o segundo gol do Arouca, a bola cai na zona do Quaresma.
Mas antes disso, ganha a bola e quer invadir o meio-campo do Arouca e depois fica ali assim, como eu costumo dizer, a marinar, a ver ali assim, em vez de recuperar logo a posição, que é o seu lugar, que é de central, e que não estava lá. No caso do Sporting perder a bola, ele já não estava lá. E depois tens o caso do segundo gol, em que ele está a olhar pra bola e não está a olhar pro adversário, o adversário aparece nas costas e faz o 2 x 2. É uma noite negra pro Quaresma. Já teve noites gloriosas no Sporting, já esteve também, mas esta foi uma noite negra pro Quaresma. E eu costumo dizer, e às vezes eu já falei isso com o João Pinto, nosso adepto do Benfica, falávamos dos jogadores e eu disse assim: "O Quaresma tem um defeito. Cada vez que joga titular no Sporting, num jogo, tem sempre um erro que pode comprometer a equipa". E o que é certo é que esse erro voltou a acontecer. Não foi um, foram dois.
E um deles pagou caro.
E claramente que o Sporting, como eu costumo dizer, e já disse ainda há pouco, entregou o ouro ao bandido, perde dois pontos, perde a oportunidade, pelo menos, de não se afastar do primeiro lugar ou de aproximar do primeiro lugar. E o que é certo é que entrou outra vez aquela onda que vai ser muito complicada, porque estendeu-se à bancada. Os adeptos já estavam desconfiados.
Já começa também a haver a narrativa de que o treinador do Sporting não tem competência pra segurar uma vantagem e tudo isso também, essa pressão mediática sobre a equipa, também se sente.
É um cemitério. Mas além disso, eu também queria referir aqui uma coisa que me parece que entra pelos olhos adentro das pessoas. É que entre os jogadores, eu não vou falar do treinador, eu ponho isso de lado, à parte, que também tem muita influência, como é evidente, mas entre os jogadores, não há aquele capitão, não há aquele líder, não há aquele jogador que se zangue com os colegas, mas que os faça ver que o caminho não é aquele. Mas claro, isso também tem a ver com aquilo que eles observam e veem da liderança de outros, da liderança do presidente, da liderança do treinador. Eles também veem isso. Mas o Suárez, por exemplo, não pode ser o dono do mundo. O Suárez não pode discutir com o árbitro, discutir com os adversários.
E mais uma vez hoje isso foi visível dentro de campo. Levou mais um amarelo por protestos, esteve pegado com o Fontán, o defesa central do Arouca. Depois quando saiu, posto no lugar do treinador, assim um pouco à Cristiano Ronaldo na final do Euro 2016, a dar indicações pra equipe subir, e terminou o jogo a mandar beijinhos ao quarto árbitro, aquilo que pro Pedro Henriques valia uma expulsão.
Sim. Mas quando tu tens um treinador que o protege da maneira como o Rui Borges deu a cara por ele, e depois tens esta paga do jogador, porque no fundo também está a colocar em causa o treinador, eu diria que ante a proteção a este jogador do presidente do Sporting, em que se fosse, se calhar, um outro nome qualquer, se calhar, já tinha tomado uma posição, mas como é o Luis Suárez, como está ali muito dinheiro para que o Sporting, no caso de venda, possa receber, quer dizer, ele é tratado não é da mesma forma que os outros jogadores. Não é, podem dizer o que quiserem. E agora mais uma coisa que eu quero dizer em relação àquilo que se passou o ano passado Do Sporting saíram muitos jogadores e o que é certo é que foi dito que era fim de ciclo para esses jogadores. Repara que o Pote tinha renovado três meses antes até 2030, não era fim de ciclo, porque senão não tinha renovado. O Trincão a mesma coisa, também renovou até 2030, também não era fim de ciclo, mas foi considerado fim de ciclo, porque depois da derrota da final da Taça de Portugal com o Torreense-
Dá a ideia que o verdadeiro mau ambiente começou ali, mesmo entre adeptos e Trincão. Eu lembro-me do momento em que o Trincão quase entrou numa agressão armada com os adeptos. Essas coisas marcam, não?
Sim, marcam, mas há outros incidentes que marcam, mas tens de olhar também para o valor do jogador e para aquilo que ele tem sido completamente. É que o Trincão, por exemplo, foi o melhor jogador do Sporting no ano passado.
Eu digo marcam, é o jogador, a própria vontade do jogador de permanecer no clube.
Sim, mas é jogador do clube. Independentemente disso, também há o negócio, também é uma verdade. Mas essa história do fim de ciclo, tem muitos que lhe diga que a história está, na minha opinião, mal contada, porque o Pote desde que disse, no final da Taça de Portugal, que andava a jogar com o travão de mão, a partir daí, teve uma cruz nas costas e tinha que ir embora do Sporting, como houve. Olhando para esses exemplos, olhando para aquilo que dizem que é a falta de fome, eram jogadores que já tinham ganho muitos títulos e não tinham fome. Olhando para aquilo que é a equipa, neste momento, do Sporting e com os ares que tem tido, eu não sei se na próxima época também não vai haver fim de ciclo para muita desta gente e o Sporting vai ter outra equipa nova.
Equipa, só equipa. E também a equipa técnica, no teu caso.
Pois, isso já se sabe. Os treinadores são reféns dos resultados, claramente que antes de ir para o lado do jogador, vai que ir para o lado do treinador e o Rui Borges, quer queiramos, quer não, está a passar por um momento.
Antes de irmos ao melhor e ao pior, só perguntar o que é que pode este Arouca, depois de conseguir um empate com o seu devido mérito, porque nem tudo foi de mérito do Sporting, apesar dos erros. Há aqui mérito de um Arouca que já tem expressado bom futebol em outros encontros deste nosso campeonato e que chega à sétima jornada com 11 pontos. Algo que não costuma ser muito habitual pelas equipas que têm como objetivo lutar pela manutenção, aqui entre aspas, porque o Arouca poderá qualquer coisa a mais este ano.
Sabes, em todas as épocas, há sempre aquele clube que é o outsider. E neste caso, estou a ver o Santa Clara como outsider, estou a ver um Arouca como outsider, e vamos ver se uma ou outra também não aparece, porque os três primeiros lugares já estão entregues aos grandes. O quarto lugar parece que é do Sporting Braga e depois a partir daí abaixo, tudo pode acontecer. Eu diria que o Arouca tem condições, sinceramente, para lutar pelo menos pelo sétimo lugar.
Agostinho Nazaré, o que foi, na tua opinião, o pior esta noite em Alvalade?
O pior esta noite foi o Sporting voltar a ser aquilo que tem sido ultimamente, uma equipa intranquila, principalmente na segunda parte. E acima de tudo, as ações que o Debast teve, colocou em causa também a equipa, os erros do Quaresma e acima de tudo, mas mesmo acima de tudo, o nervosismo com que o Sporting ficou depois de ter sofrido o gol de penalti. Acho que uma equipa grande como o Sporting a jogar em casa não pode tremer daquela maneira como tremeu e depois isto estende-se à bancada e depois a bancada também reage daquilo que está a ver. E claramente que o Sporting praticamente convidou sempre o Arouca nos minutos finais a chegar à baliza do Sporting.
E o que foi o melhor esta noite em Alvalade? A resiliência do Arouca?
Deixa-me ainda complementar o pior, dizer que o relvado do Sporting está uma vergonha e o Sporting treina em Alcochete, não treina no Estádio Alvalade, e o relvado de um clube grande como este é inadmissível e alguém tem que ser responsável por isso, como é evidente. Agora, o melhor foi a primeira parte do Sporting. Eu gostei do Sporting da primeira parte, comprometida, envolvente, a querer mais, a querer muito, a querer marcar gols até o segundo gol. A partir daí, o Sporting abrandou o ritmo, deixou andar, mas sempre controlador do jogo e havia uma boa química naquela altura entre relvado e bancada. Essa química existiu, mas depois o pior foi o resto.
Está feito e entregue o relatório de jogo deste Sporting 2, Arouca também 2. O Sporting deixa fugir mais uma vantagem de dois gols, a segunda vez este campeonato, e também já tinha deixado fugir uma vantagem frente ao Famalicão de uma bola a zero, mas aqui com a agravante de estar a jogar com mais um. Agostinho Inácio, estaremos de regresso em próximas jornadas. Um grande abraço. Até à próxima.
Um abraço.