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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta para o comparativo errados?

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

O Paulo já ajeitou os colirinhos.

Vocês não percebem que ele riu os auscultadores, que se intromete aqui.

E pensa, estás na televisão também.

São outras hábitos. Vocês acham que eu sou o Xecê ao ponto de ter que estar com a televisão aqui?

Xecê, um jovem. O Paulo logo explica. E aliás, isto significa, Paulo, que é desta que nos vais conseguir responder ao avanço da reforma do Estado. É agora.

É agora, ou agora ou nunca. Já tivemos tantas ameaças, e depois a coisa não deu em nada. Vários documentos. Vamos ver se é desta. Pelo menos o governo vai aprovar, está previsto que aprove amanhã em Conselho de Ministros, aquilo que vão ser as linhas gerais da reforma, que é a reforma mais aguardada, que é a reforma do Estado. Dizem que é a mãe de todas as reformas. É o Estado a meter os papéis para a reforma. Exato, se quisermos. Esperemos é que a reforma não seja tão complicada como aquilo que pretende combater, que é muita papelada, muitos processos e por aí fora. Portanto, vamos ver que medidas preparou Gonçalo Matias, o ministro indicado para esta pasta. É melhor não esperarmos um plano global, que seja basicamente tentar reformar o Estado de alta a baixo, um projeto transformador. Eu acho que isso não existe. Se formos por aí, vamos por um mau caminho. Talvez algumas medidas de execução rápida, com resultados rápidos também, e que facilitem um pouco aqui e ali a vida das pessoas e das empresas, isso seria o ideal, porque enfim, já não temos idade para acreditar no Pai Natal, numa reforma do Estado a partir do zero, folha em branco e aquela coisa toda. Passo a passo. Passo a passo. Agora, dada a aposta de Luís Montenegro, com a criação de um ministério, nomeação de um ministro para esta área e o papel que teve este tema no discurso de tomada de posse de Luís Montenegro, esta é uma área absolutamente fundamental para a avaliação deste governo. O Gonçalo Matias parece um daqueles treinadores que são contratados e aos quais logo, não há margem de erro. Vamos ver, então. Quinta-feira começa o jogo.

Que é amanhã.

É amanhã, já não falta muito.

Bruno, então há perigo de fuga nas prisões portuguesas?

Isso depende da perspectiva, Maria João. Perigo.

Depende de quem está dentro e de quem está fora.

Exatamente. Para uns é um perigo, para outros pode ser uma oportunidade. E nós sabemos que em Portugal os reclusos costumam aproveitar as oportunidades que têm. E por que o perigo de fuga é maior neste momento? Porque estamos no verão, é altura de férias e de acordo com a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, a maioria dos estabelecimentos vai ter grande dificuldade para garantir em permanência os postos que são considerados essenciais para haver segurança nas prisões. Para que a redução do efetivo ao dispor das prisões não ponha em causa a segurança, a Direção Geral sugere, por exemplo, que sejam retirados os tendais dos pátios. Não vão ser usados. Parece que sim, eu não sabia, mas parece que há. E que também sejam realizadas rondas inopinadas, ou seja, nada de rondas. É isso, nada de rondas. Agora vamos à ronda das 9 horas da manhã. Às vezes parece a guerra do Robsonade. Prison Break. Eu não sabia que isto era tudo, tinha hora.

Robsonade e Prison Break foi espetacular.

Temporada. Gostavas de ver, não é? Talvez com inteligência artificial, quem sabe.

Rondas inopinadas, eu também fico inopinada.

Antes de mais, a palavra inopinada.

Muito boa.

É para surpreender.

Eu inopino, tu inopinas.

É para surpreender. De repente, uma ronda, como quem não quer a coisa. Também deve ser feita, de acordo com esta informação da Direção-Geral, uma verificação mais cuidadosa do estado das grades. Não das grades de cerveja, que provavelmente também existe. Parece que estamos em época alta, mas não tão alta que impeça os reclusos de tentar fugir e por isso é preciso tomar medidas, porque guardas prisionais não há muitos. É época de férias, é de férias para todos.

E não são férias inopinadas.

Exato, também pensam. É para ir de férias? Então vá, vamos todos. Estás com vontade de inopinar. Exato. Agora queria mais acordar o computador. Já está.

Já está? Já acordou? Então diz-me lá se no Porto a tecnologia é ou não a melhor amiga da Polícia Municipal?

É a melhor amiga da Polícia Municipal, é também o maior pesadelo dos condutores. Saíram agora as estatísticas referentes ao primeiro semestre. A Polícia Municipal do Porto aplicou um pouco mais de 30.500 multas, quase o triplo, e aqui eu não faço ideia se esses 30 mil são muito ou pouco, mas quando nos dizem que é o triplo do mesmo período de 2024, percebemos que houve aqui qualquer coisa que mudou. E o que é que mudou? Mudou a tecnologia. Há sistemas tecnológicos agora que permitem que os agentes, há câmaras em duas viaturas da polícia que vão passando pela rua, vão lendo as matrículas que estão estacionadas nos passeios, naturalmente. E sabem logo se está. E sabem logo se está legal, isto é, se está a moedinha no parquímetro, ou se o parquímetro foi acionado ou não. Portanto, se aquele veículo está a pagar devidamente o que deve pagar para isso E depois também há dois radares móveis que permitem agora detectar excesso de velocidade dentro do perímetro urbano. Esta infração, portanto, medir a velocidade dentro do Porto, não era possível até agora porque não havia forma de a medir, não havia tecnologia, pelo menos a Polícia Municipal não tinha tecnologia para isso. E, portanto, obviamente que só isto fez logo disparar as multas, como é evidente. Claro que há logo quem fale que é caça à multa. Nós temos muito esta coisa em Portugal de põe-se um radar ou há uma fiscalização, é caça à multa, basicamente. Quem é que saltou logo para a primeira fila deste slogan? André Ventura, claro, veio logo dizer que isto com ele não seria assim, porque isto é só feito para sacar dinheiro às pessoas. Eu não sei se André Ventura prefere ou não o estacionamento selvagem nas cidades, se calhar prefere.

Vamos continuar a falar de cidades e de estacionamento também.

Transportes.

Em transportes, em Luanda, o povo é sereno.

Carla, mas só até ficar sem meios de transporte. E na capital angolana, a falta de transportes públicos de qualidade faz com que os famosos kadongueiros, que são aquela mistura de táxi com minibus, normalmente Toyota HIACE, sejam essenciais para que as pessoas se desloquem para o trabalho dentro da cidade. Na segunda-feira, os kadongueiros deram início a uma greve, que se previa pacífica, mas que até agora já resultou em quatro mortes e mais de 500 detenções. Em declarações ao Jornal de Angola, o subcomissário da Polícia Nacional Angolana disse que foram vandalizadas 45 lojas, 25 viaturas ligeiras particulares, 20 autocarros, três agências bancárias e dois multibancos. Ou seja, com a cidade paralisada com esta greve, alguns grupos aproveitaram para semear o caos. Também há um grande descontentamento, não só destes empresários, mas também dos utentes, quem precisa dos transportes. Por isso, sim, o povo é sereno, mas não tanto assim.

E este é o tema da história do dia de hoje, que já está disponível lá em podcast.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta. A pergunta para cumprir ciclo errados. Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente. Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer