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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte com um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Bruno, o governo já tem um parceiro preferencial?
No caso da Lei dos Estrangeiros, que ontem foi aprovada com os votos da direita, o parceiro estava mais ou menos definido, porque em circunstâncias normais a lei seria aprovada pelos mesmos partidos que aprovaram a lei que o Tribunal Constitucional acabou por chumbar. Só que não vivemos tempos normais e ainda há dois dias André Ventura não dava a certeza que o Chega aprovasse esta lei. Acabou por aprovar, votar a favor e assim ficou o PS livre para votar contra. E este parece ser o novo modelo de relacionamento. Quando um dos partidos da oposição vota a favor, o outro pode ser mesmo a oposição e vota contra. É este tango a três. Não sabemos quanto tempo vai durar e não sabemos no final quem é que fica de tanga.
Pois. Tango a três em que só dois dançam de cada vez.
Claro.
E até rima.
Depois entra o outro.
É o polícia bom e o polícia mau.
Perfeitamente. É por aí. Olha, Paulo, e para quando uma estátua ao contribuinte desconhecido? Já merecíamos. Todos são contribuintes desconhecidos, digamos assim. Essa grande massa que paga. Mais um mês de dados da execução orçamental, que foram divulgados hoje, mais um excedente do Estado. Isto é uma boa notícia, é melhor o Estado ter excedente do que ter défice, diria lá Paulo. Até porque os défices depois são acumulados, fazem dívida e isso pode nos sair muito caro, como vimos. Os dados agora são até agosto, há um excedente de 2 mil milhões de euros contra 1,5 mil milhões no ano passado. É uma subida substancial quando comparado homologicamente. Ora bem, como é que isto aconteceu? Por que é que aconteceu? No fundo, porque a receita fiscal está a subir 8,7%, isto apesar da descida de IRS no ano passado e no início deste ano, que já se reflete, obviamente, na receita deste ano. Há mais pessoas a trabalhar e a descontar, é verdade. Portanto, o mercado de trabalho está praticamente no pleno emprego. O consumo vem aumentando também. Compram-se mais casas e mais caras, o que engrossa obviamente as receitas fiscais de IMT e depois de IMI. E portanto, há aqui uma série de fatores a contribuir para o aumento da receita fiscal. O certo é que os contribuintes pagam cada vez mais impostos e venha de lá essa estátua ao contribuinte que bem merece. Muito bem. Olha aí, Bruno, e o programa Hilar? Hilar ou e lar?
Questões fundamentais do nosso tempo. Eu diria e lar.
O programa e lar está a ser um sucesso?
Pelo número de candidaturas no primeiro dia, que foi ontem, sim. Pelo crash do sistema, que não aguentou tanta gente a candidatar-se, não. Esta é a nossa sina. Quando as coisas correm muito bem, correm sempre mal. Há sempre qualquer coisa.
Somos vítimas do nosso próprio sucesso.
É verdade. Já falámos aqui de várias notícias, de propostas, de programas em que a afluência não é assim tão grande, ou seja, as pessoas não aderem. Neste caso, não. As pessoas foram.
Aderem demais.
Aderem demais. E só para lembrar que o e lar é aquele programa criado pelo governo com o objetivo de melhorar o conforto térmico das casas e apoiar as famílias.
Acabei de aderir.
Já aderiste?
Sim, ao conforto térmico. Sim, vesti uma camisola.
Já vamos subir o ar condicionado aqui.
Mas já não vou parar.
Está a subir?
Subir onde, chefe? Aumentar a temperatura. Há isso. Ok.
Há algumas condições e prioridades neste programa, mas o aviso que foi feito, também reproduzido pelos órgãos de comunicação social, de quem se quisesse candidatar, que se devia apressar, acabou por sobrecarregar a plataforma. Ficou tudo com medo de não conseguir o apoio. Parece ser uma boa medida, pelos vistos, só que vai precisar mesmo de reforços financeiros e informáticos para não haver outro apagão.
Pois.
É sempre assim. Entretanto, Paulo, em Gaza passou tudo para as mãos do Hamas.
Pelo menos a pressão e os olhos estão virados para o Hamas e todos à espera da resposta que o Hamas vai dar ao plano de paz apresentado por Trump, que já foi aceite por Israel. Mas o importante nestas contas é que o plano, mais importante, obviamente, do que a aceitação por Israel, podia indiciar que era um plano muito desequilibrado a favor de Israel. O importante nestas contas é que o plano está a merecer um amplo apoio da comunidade internacional, sobretudo da generalidade dos países árabes e muçulmanos, que não podem ser acusados, obviamente, de simpatia para com Israel. Mesmo António Guterres, o secretário-geral da ONU, já veio pedir a todas as partes que se unam em torno do documento. O Hamas vai aceitar, ou pelo menos aceitar negociar alguns pontos, ou vai recusar liminarmente este plano? Vamos ver, há grande expectativa sobre isso. Ficamos com a ideia que se recusar, o horror que já se vive em Gaza pode ainda ficar pior. E podemos também pensar que essa pode ser uma intenção do Hamas, isto é, não estar minimamente interessado numa paz. Mas vamos ver, é muito importante isto. Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte com um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.