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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

E tanto que se tem falado de incêndios. Agora, Paulo, ficamos a perceber que o risco de incêndio é apenas uma questão burocrática?

Pelo menos há quem pense que sim. Que o fogo basicamente utiliza relógio, e um relógio sempre certinho, e que ele próprio vai controlando as horas a que se acende. E que, por isso, qualquer chico-espertice serve para controlar o fogo. Isto a propósito das festas de Marinhais, no Conselho de Salvaterra de Magos. As festas tinham previsto o lançamento de fogo de artifício para a 00h30 de sábado para domingo, isto há algum tempo. O governo, entretanto, decidiu decretar neste fim de semana uma situação de alerta por causa dos incêndios para entrar em vigor precisamente à meia-noite. E obviamente que esta situação de emergência proíbe o fogo de artifício e lançamento de foguetes. Ora bem, o que é que a organização das festas fez? Antecipou uma hora o fogo, começou às 23h30, portanto, ainda dentro do período de não proibição, para poderem ver o seu fogo de artifício. E assim, obviamente, que toda a gente sabe que como o fogo estava marcado para a meia-noite, qualquer risco ficou afastado.

Claro que sim. É como a guerra do Soldado.

Exatamente, é isso mesmo.

Então, Bruno, e há abusos na amamentação?

Então não há, Maria João. E isto agora dava para uma série de trocadilhos políticos, mas vamos ao essencial. A ideia da ministra do Trabalho é a de acabar com o horário reduzido para as mães que amamentam quando a criança tem mais de dois anos. Disse Rosário Palma: "Acho difícil conceber que depois dos dois anos uma criança tenha de ser alimentada ao peito durante o horário de trabalho". Bem, e a ministra até poderá ter razão, mas convinha que as medidas não fossem justificadas com um "acho difícil conceber". Não é assim muito científico, digamos.

O acho.

O acho. Acho difícil conceber não é a melhor maneira de justificar uma medida. Depois, há aqui um lado simbólico também. É que quando se ataca este direito, mesmo que na substância haja alguma razão e haja alguns abusos de mulheres que querem ficar mais tempo em casa com o horário reduzido, será assim uma dimensão tão grande que leva a pôr-se em causa este direito? De facto, é um pouco estranho. Sabendo nós que, no mercado de trabalho, são as mães, as mulheres mães, as mais prejudicadas com a não renovação de contratos, com a falta de promoções. Portanto, se calhar, ter razão nem sempre é a melhor justificação para uma medida.

Paulo, em Gaia, há pelo menos uma coisa que é consensual entre os vários partidos. Pelo menos uma.

É verdade. Não é uma coisa boa, não é uma coisa positiva, mas é consensual, pelo menos entre as candidaturas do PS e da coligação que junta o PSD, o CDS e a Iniciativa Liberal, que é basicamente o mau funcionamento da empresa de transportes que presta esse serviço em Vila Nova de Gaia e que se chama Unir, a empresa. O PS, que tem uma candidatura liderada por João Paulo Correia, diz que quer substituir essa empresa de transportes. Esta operação da Unir começou em 2023 e a qualidade de serviço é questionada por muita gente e apontada por muitos utentes. E a coligação liderada pelo PSD, que neste caso tem à cabeça Luís Filipe Menezes, concorda com isso, quer também cortar com a empresa. Cá temos então uma empresa que se chama Unir, que está, de facto, a conseguir precisamente isso entre as duas principais candidaturas, que por regra não costumam muito de acordo. Agora não é uma coisa boa para a empresa. Vamos ver se depois tudo melhora, independentemente de quem vencer, para os utentes de Gaia.

Pois. Falando em Unir, pouco a pouco as linhas vermelhas vão se apagando?

Carla, vai começando a faltar tinta vermelha nos marcadores ou então a falta de vontade em traçar as famosas linhas vermelhas. O candidato do PSD à Câmara de Sintra, Marco Almeida, veio dizer que não tem linhas vermelhas em relação ao Chega e que, se ganhar as eleições, escolherá os competentes. Esse é o critério. Não há linhas vermelhas. Luís Montenegro não deixou cair o não é não, mas deixou claro que cabe ao Chega mostrar se quer ser um partido responsável e confiável ou apenas um partido de protesto e que na hora da verdade rói a corda. No fundo, o Montenegro, o que fez foi passar a batata quente, por assim dizer, para o Chega, para não ter de ser confrontado com alguma contradição com o não é não. E esta parece ser agora a atitude generalizada do PSD em relação ao Chega. Não há linhas vermelhas, o que há é uns ténues riscos cor de laranja. Ou para irmos ao caso da imigração, não há portas escancaradas ao Chega, mas se o Chega for bater à porta do PSD, é muito provável que alguém abra a porta.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.