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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

E hoje falamos de Maria Albertina, deixa que eu te diga.

Isso mesmo.

Maria Albertina, deixa que eu te diga.

É mais assim.

Continuem, continuem.

Não, também não é assim.

Má sorte ser imigrante, para que esperar, mas o que começamos por negociações sem fim.

Mais rondas negociais vão ser necessárias.

Professores e o Ministério da Educação não se entendem.

Ninguém percebe para que servem estas rondas de negociações, que quando acabam, os sindicatos vêm dizer que não se avançou nada. Ontem, de repente, uma reunião extraordinária, sem pontos prévios, ou seja, sem propostas antecipadamente enviadas para depois serem discutidas. E claro, lá sentaram à mesa, no fim saíram todos de mãos a abanar. Ora, se o governo não quer avançar para o que chamam os sindicatos, para que chamam, digo, os sindicatos? Será que a ideia é desgastar o mais possível até que desistam de protestar? E não seria mais óbvio, como disse há dias uma sindicalista, marcarem uma reunião sem horas de fecho, nem que estejam dois ou três dias a partir a pedra até chegarem a um consenso, em vez de andarem semana sim, semana não, mês sim, mês não, em reuniões que não levam a ponto nenhum. Por este andar, um dia resolve-se mais depressa o conflito na Ucrânia que este diferendo entre o Ministério da Educação e os professores. Se o grupo parlamentar do PS acha que os salários da função pública devem aumentar, por que não propõe que isso aconteça já?

A proposta já foi feita pelo líder parlamentar, Paulo, mas só para o próximo ano.

Pois, só para o próximo ano. Eurico Brilhante Dias deu ontem, de facto, o tiro de partida para o próximo orçamento de Estado. Ainda vamos a meio de maio, mas já começam as propostas para o próximo ano. E o líder socialista quer que o governo dê em 2024 aquilo que chamou um passo em frente, sobretudo nos salários da função pública. Ora, se a inflação está elevada agora, se a proposta está a ser feita agora e se há margem orçamental agora, não se percebe porque é que a bancada do PS não sugere que o governo não proceda já ao aumento da função pública agora, que tem perdido poder de compra real nos últimos anos. Talvez porque desta forma o tema renda menos, se fosse o aumento feito já, em termos políticos. Assim poderá ser seguramente anunciado várias vezes. E tantas vozes a dizer que os estrangeiros devem ser bem tratados e no terreno é o que se vê.

É, até o Presidente da República tem dado voz a essa vontade.

Por várias vezes, Marcelo Rebelo de Sousa e muitos outros políticos, e não só, têm reafirmado a necessidade de tratarmos bem os estrangeiros que migram para o nosso país, referindo sempre que também nós somos um país de imigrantes. Pois, no terreno, as instituições públicas são as primeiras a não conseguirem dar resposta a essa vontade. Ontem estava a haver imagens deploráveis à porta da Loja do Cidadão, em Lisboa, com dezenas de estrangeiros que esperam horas pela vez e mesmo assim não são atendidos. O cenário é repetido vezes sem conta. Aos domingos chegam a ir às 10 horas da noite para a porta da loja fazer fila e no dia seguinte, quando abrem as portas, a maioria já não pode ser atendida. Pedem para que recorram à marcação on-line, mas o que lhes aparece é marcações para daqui a dois, três ou quatro meses, tempo que sem a devida autorização para trabalharem, não lhes é possível ficar por cá. Um verdadeiro atraso, um caso entre muitos, de burocracia e pouca eficácia. Olha, será que a Albertina vai passar a ser uma das nossas melhores amigas?

É um nome tradicional para uma ferramenta bem moderna, mas Paulo, é melhor explicares o que se trata.

Explicamos, claro. É o primeiro modelo de inteligência artificial para produzir textos em português, em português de Portugal, da Europa, se quisermos. É assim uma espécie de ChatGPT à portuguesa. Foi desenvolvido por investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e também investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que já o batizaram. Chama-se precisamente Albertina. Foi lançado discretamente na sexta-feira. Para já é uma ferramenta desenhada para correr apenas em servidores, enfim, computadores daqueles grandes, empresariais, com grande capacidade. É isto que nos contava ontem o Expresso. Mais tarde, lá para julho, deverá então ter um módulo público e gratuito, tal como o ChatGPT. E a Albertina, obviamente, fez-nos lembrar a canção do António e Variações: "Maria Albertina, deixa que eu te diga. Esse teu nome eu sei que não é um espanto, mas é cada terra e tem, tem muito encanto."

Isto evitou-se à espera fascinosa. À espera que alguém fizesse.

Um rap feito.

Queria festa.

Paulo Ferreira e Júli Magalhães com as perguntas que marcam a atualidade.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.