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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.
E começa agora mais um Ainda Bem que Faz Essa Pergunta, Paulo Ferreira e Júlio Magalhães. Hoje falamos de idas ao Parlamento, o diabo nos detalhes. Segurem-me, senão eu avanço. Segurem-me, senão eu chumbo. Gostas deste teatralismo? Mas começamos com avisos sobre a despesa.
Segurem-me, senão eu começo. Vamos lá, então. O governo e os partidos de esquerda estão a tomar nota de todos os avisos de Mário Centeno e de Francisco Assis.
Ora, Paulo, o governo do Banco de Portugal não deixou dúvidas a quem o quis ouvir.
Sim, e é preciso é querer ouvir de fato esses avisos. Centeno deixou ontem uma série de alertas orçamentais. Primeiro: o contributo dado pelos saldos nos juros vai acabar e os juros vão começar a subir. Tomem nota. Segundo aviso: mesmo descontando as despesas com o Covid, Portugal tem um nível de despesa pública muito acima do que tinha em 2019. Terceiro aviso: por isto mesmo, conclusão, a despesa pública terá que descer. E Francisco Assis tinha alertado na véspera, tinha dito: "Temos um gravíssimo problema de dívida pública." Portanto, tomem nota para que depois não digam que ninguém alertou.
Mas, Paulo, com que despesas, afinal, é que o governo nem sequer se preocupa?
Para os portugueses, as despesas não baixam, com certeza.
É isto, ninguém sabe onde é que isto vai parar. Os portugueses devem ser, neste momento, os mais pressionados dos 27 países da União Europeia, com uma carga fiscal pesadíssima. O próximo orçamento fica claro que não baixam os impostos para empresas, nem sequer para as famílias. Com o gás, a eletricidade e os combustíveis em escalada de preços, só para dizer que para a semana os combustíveis voltam a subir, ou melhor, continuam a subir, e as moratórias a acabarem, aumentos que estavam previstos, que afinal não podem ser concretizados. A economia portuguesa vai continuar a subir ligeiramente e a ficar ainda mais para trás em relação à União Europeia. Está à vista, Paulo, vêm aí dias muito difíceis para as famílias e empresas portuguesas. Tanta bazuca, tanta promessa e, afinal, tudo sustentado no aumento das despesas dos portugueses.
E repararam que já estreou a peça habitual do outono, Segurem-me senão eles chumbo o orçamento?
É verdade, é um clássico desta época, de setembro a outubro.
Chega assim mais ou menos com as castanhas assadas na rua. E é tão certa como o Sozinha em Casa nas televisões na época de Natal. Mas aqui os protagonistas são outros. O governo e o PS são os protagonistas que tentam seduzir, neste caso, o Bloco de Esquerda e o PCP. E estes fazem-se sempre cabros, ameaçam chumbar, saem da sala para depois voltar. Enfim, uma cena de novela mexicana, quase. Mas sabemos como acaba. Sempre aprovaram e vão aprovar mais este orçamento.
E já agora, por falar em segurem-me senão avanço, quem finalmente que parecia andar a pedir para o segurarem, deu um passo em frente?
Ontem, assim que se enquadra nessa descrição que fazes, só vi Nuno Melo.
É verdade, tal como Rangel andou a fazer campanha própria nas autárquicas, descontente com o rumo do CDS, ainda assim esteve também ao lado do líder do partido, e este já sabia da ambição de Nuno Melo e das suas intenções. Agora tem agendado para sábado o anúncio da sua candidatura, mesmo depois da estrutura do CDS ter achado que fez um grande resultado eleitoral. Nuno Melo pode não ganhar o congresso e a liderança, mas pelo menos andou a fazer o seu caminho e agora, em vez de criticar instalado em Bruxelas, dá o passo em frente. Falta saber se Paulo Rangel faz o mesmo no PSD. De resto, Paulo, a confirmar-se também Rangel no PSD, quase que é caso para perguntarmos se Bruxelas já não é o que era.
Exato. Mas Júlio, e diz-me lá, tu és Júlio Magalhães ou Júlio de Magalhães?
Era mais fino se fosse Júlio de Magalhães, mas sou Júlio Magalhães mesmo, que não haja dúvidas. Mas por que então esse detalhe?
Olha, porque o diabo, como sabemos, está sempre nos detalhes. E ainda ontem vimos isso. O mandado de detenção europeu de João Rendeiro, desculpa, não te queria aqui misturar com pessoas tão fugidas à Justiça, de João Rendeiro voltou para trás e teve que ser refeito. Por quê? Precisamente pela falta de um "de" no nome do ex-banqueiro. O nome completo é João Manuel de Oliveira Rendeiro, e o "de" não estava lá. E como somos um país de muito rigor, onde nada falha, o mandado teve então que ser emitido de novo, depois do alerta dado pelo sistema de segurança interna. Isto é que é grande profissionalismo.
Sem dúvida, e que se estende também ao Parlamento. Por falar nesses detalhes, nesse profissionalismo, Paulo, quem vai ao Parlamento um dia destes?
Está prevista alguma cerimônia institucional que me escape?
Não, mas é mesmo essa institucionalidade que marca a nossa política desde que os deputados querem que Gouveia e Melo vá ao Parlamento fazer um balanço. Ora, se foi aos Globos de Ouro, por que não há de ir ao Parlamento? Os deputados também querem a nova estrela nacional na sua casa, só para fazer um balanço. O homem terminou a sua missão, agora queria estar sossegado, mas ninguém lhe dá descanso. O balanço da sua missão já foi feito por ele mesmo, já saiu em todo lado, todos os dias era atualizado. E já agora também dou uma ajuda se quiserem saber: 8,7 milhões de vacinados, 84 já com segunda dose.
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