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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

Bruno, as PPP estarão de regresso à saúde?

Parece que sim. O Parlamento aprovou novas parcerias público-privadas na área da saúde, uma proposta dos partidos que formam a coligação do governo e que teve os votos contra de toda a esquerda. Estas adjudicações serão feitas, de acordo com a medida aprovada, sempre que tal se afigure vantajoso para o interesse público e sublinhando o binômio qualidade-custo. Para a esquerda, claro, isto equivale a canalizar dinheiro para os privados. Outra pergunta que pode ser feita é se funcionarem, se trouxerem benefícios aos utentes e os custos forem inferiores ou mesmo sendo mais elevados, se o serviço prestado for de maior qualidade, qual é afinal o problema? O problema, neste caso, é sempre a ideologia. Na ânsia de se salvar o SNS, é preciso salvar o SNS, às vezes esquecem-se de que é mais importante salvar as pessoas.

Entretanto, vem aí o inverno, vem aí as gripes e temos, Paulo, mais um alerta para o SNS.

Mais um, logo depois do anterior e do anterior ainda. No verão é por causa das férias das pessoas, dos médicos e dos profissionais de saúde e do calor também.

Do bacalhau à Brás.

E também do bacalhau à Brás, que provoca às vezes também intoxicações alimentares. No inverno é por causa do frio e das gripes. Portanto, no estado em que o SNS está, só há dois motivos para haver crise, por tudo e por nada, basicamente.

Qualquer brisa.

Exato. Ainda por cima neste inverno parece que há uma nova estirpe de gripe, o que torna tudo ainda mais complicado. O certo é que nem precisamos destas pressões clínicas ou picos clínicos para que o SNS rebente pelas costuras. Como temos visto, qualquer parto, qualquer gripe se torna já num desafio quando as fragilidades são muitas.

Pois é. E entretanto, e aqui também sem grandes alterações, Bruno, continua o flagelo da violência doméstica.

Não há grande novidade. Infelizmente, não há novidades neste tema. As mulheres continuam a ser as principais vítimas e por mais campanhas que se façam, por mais que se incentive a denúncia de situações de conflito em contexto familiar, todos os anos temos dezenas de mulheres mortas às mãos dos companheiros. Em alguns casos, os homicídios acontecem mesmo depois de haver denúncia às autoridades. A situação está sinalizada. Por vezes já foi condenado o agressor ou tem medidas de coação, mas isso não impede depois o desfecho.

Mesmo os botões de pânico.

Os botões de pânico, parece que já sabem como contornar, em alguns casos, evidentemente, essas limitações. Haverá razões culturais, sociais que ajudam a explicar o fenômeno. Não é exclusivo de Portugal, existe noutros países e há, claro, a questão da responsabilidade individual. O que não há é uma solução para que os números baixem de forma significativa. Hoje assinala-se o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres e é bom lembrar que só nos primeiros nove meses do ano foram assassinadas 24 mulheres em Portugal, 21 das quais em resultado de violência de género. São números que todos os anos nos deixam a pensar.

E que nos põem em alerta. Paulo, afinal houve ou não pressões da equipa de Marques Mendes sobre Cotrim de Figueiredo?

Cotrim diz que sim, os factos são esses. Cotrim diz que sim, a candidatura de Marques Mendes diz que não e desafiado a dizer os nomes de quem o pressionou para desistir desta corrida presidencial, o liberal não revela. Isso aconteceu ainda ontem na abertura do debate com Jorge Pinto. Cotrim de Figueiredo diz que o objetivo de fazer as declarações públicas denunciando essas pressões era pará-las, precisamente, e que esse objetivo está alcançado. Portanto, isto não quer alimentar mais o assunto, mas é provável que o tema não acabe aqui. E ele de alguma forma é revelador. Estes ataques e críticas diretas entre as duas candidaturas mostram que ambas, no fundo, admitem ou reconhecem que a outra candidatura pode ser a mais danosa para si próprio. Ou seja, Marques Mendes verá em Cotrim uma ameaça muito real a uma votação mais baixa, porque Cotrim obviamente vai lá buscar votos e Cotrim em relação a Marques Mendes, a mesma coisa. Partilham fatias importantes de eleitorado e neste caso optam pelo fogo direto.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.