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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.
Está no ar: Ainda Bem que Faz Essa Pergunta, da Rádio Observador. Paulo Ferreira, esta quarta-feira falamos de arrastar os pés, antes isso do que a língua. Milagres organizativos. Mas começamos por noivados ibéricos, não é, Paulo?
É verdade. Será que a TAP já está prometida a um noivo ou a uma noiva espanhola e nós ainda não sabemos?
Pois, voltámos a ter o ministro a falar da privatização da empresa em Espanha.
Parece que, de repente, há uma regra, uma lei diplomática que diz que qualquer governante português que vá a Madrid tem de falar obrigatoriamente da venda da empresa. Há duas semanas foi o ministro da Economia que disse, também numa entrevista dada em Madrid, que a compra da TAP pela Ibéria, pela companhia homóloga, se quisermos, espanhola, não seria uma má ideia. E agora foi Fernando Medina, o ministro das Finanças, que em Madrid, no decurso de uma conferência de imprensa que deu ao lado da ministra dos Assuntos Económicos de Espanha, que disse que o arranque da privatização da TAP está assim quase. Um dia destes ele vai levar o assunto ao Conselho de Ministros. Portanto, vamos ver o que acontece, mas parece que alguém anda por aí a tentar juntar estes pombinhos ibéricos.
O que é certinho é que o governo quer mesmo levar a noiva ao altar.
Ao altar.
Vocês estão muito bem nas metáforas.
Estamos, não é?
É, a quarta é assim.
Pois, privatizações e compras de empresas têm uma ótima analogia com casamentos, que depois acabam mal também a alguns. Mas falaste em altar, que é um tema muito sensível.
É verdade, agora é que me apercebi.
É preciso muito cuidado com isso. Mas já que falas, a partir de que data é que precisamos, de facto, de um milagre para ter a Jornada Mundial da Juventude pronta a horas?
Já faltam menos de seis meses para o Papa aterrar em Portugal.
É, menos de 180 dias. E a cada dia que passa parece que ficamos mais longe e mais preocupados com aquilo que percebemos que ainda não está feito e devia estar. Ontem ficámos a saber que o José Sá Fernandes, o coordenador escolhido pelo governo, ainda não partilhou o plano de mobilidade com os parceiros, com as câmaras municipais e a Igreja. O próprio diz que está dentro dos prazos, mas do outro lado diz-se que este é dos planos mais importantes. No fundo, trata-se de prever como é que vão andar aqui um milhão, um milhão e meio de pessoas de acréscimo em Lisboa durante uma semana, entre os vários sítios onde se desenrola a Jornada Mundial da Juventude. E nós, no meio disto tudo, cá vamos indo nesta triste troca de acusações, quando os atrasos e a falta de planeamento são manifestos. Há quatro anos que Portugal sabia ou sabe que vai organizar a Jornada Mundial da Juventude, mas parece que não sabemos fazer, de facto, de outra forma que não seja em cima de joelho. Esta mesmo é a nossa triste cena, não é?
É, não somos bons com o calendário, está visto.
Não, calendário não é nada conosco.
Não.
E de quanto tempo precisa mais a Inspeção-Geral de Finanças para fazer a sua avaliação sobre o pagamento pela TAP da indemnização ao Alexandra Reis?
Se olharmos para o calendário, já passou um mês e meio desde o pedido da auditoria que foi feito pelo governo.
Passou um mês e meio e ainda não sabemos nada. E o caso não é sequer complexo. Tem um número muito limitado de protagonistas, entre administradores da TAP e membros do governo. O acesso à documentação é fácil, basta pedi-la às entidades, que são todas públicas. As leis não devem ser difíceis de interpretar e uma decisão não será assim tão complexa como a formulação da teoria da relatividade. Mas o tempo passa e a Inspeção-Geral de Finanças continua em silêncio. Até já houve tempo, neste mês e meio, para que o ex-secretário de Estado Augusto Mendes alterasse o seu depoimento depois de se saber que afinal o ex-ministro Pedro Mota Santos tinha autorizado o pagamento de €500 mil por mensagem. Esperemos é que não haja aqui uma gestão política do calendário e do relatório no momento em que vai começar sobre o assunto a Comissão Parlamentar de Inquérito.
Paulo Ferreira com as perguntas que marcam a atualidade. Amanhã há uma nova edição, sempre a seguir ao Jornal das 7.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.