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Não sei quanto a vocês, mas eu sinto mesmo uma diferença gigante entre a minha geração e as gerações mais novas. Eu sou ali um Gen Z/millennial, identifico-me muito mais com millennial. Do gênero, eu para comprar um voo, sou aquela que tem que comprar um voo no computador e acho que isso representa bem os millennials. E hoje vou me sentar aqui com uma pessoa que tem 20 anos, a Inês Nobre, que já tem uma carreira gigantesca no digital e que está ali no limiar entre Gen Z e Alpha. E eu pensei, vamos sentar aqui e vamos perceber como é que os mais novos pensam. Sobre o AI, se usam, se não usam, por que é uma geração que anda a beber menos, a sair muito menos à noite, o que nós, millennials, fazemos que para eles é cringe. Portanto, vamos ter aqui uma desconstrução deste cérebro de geração TikTok que ela totalmente é. E ninguém melhor do que a Inês, que cresceu no TikTok, começou nas redes sociais quando tinha 14 anos, tem hoje em dia mais de 400 mil seguidores e marca totalmente a geração dela. Portanto, vamos perceber como é que os mais novos pensam. Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume. Então, o que eu pensei fazermos aqui hoje? Tu és Gen Z/Geração Alpha. Estás ali no limiar, sabias?

2006 é limiar?

Estás ali no limite. E eu estou no limite millennial, Gen Z. Estou ali na transição. Vamos começar, antes de entrarmos na nossa conversa, eu tenho aqui expressões que a Gen Z/a geração Alpha usa. E que eu não faço ideia. Vamos testar.

Eu acho que tu vais saber todas.

Vamos testar para ver se tu sabes. Ok?

Para eu testar. Eu achava que eu te ia dizer. Ok, desculpa.

Não, eu tenho aqui a lista.

Ok, diz.

Skibidi.

Não sei o que é.

Não sabes?

Não sei o que é.

O Sik Seven?

Imagina, o Sik Seven é só Sik Seven, não tem significado, é só um número.

Sim, mas eu acho que isso chegou à nossa geração também.

Ya.

Doppelganger.

Não faço ideia.

Não? Tu não és alpha de verdade. Bussin.

Bussin.

Bussin.

Bussin. Não sei.

É? É uma cena que é mesmo boa.

Sim, quando as pessoas fazem review de comida, "this is bussin", está mesmo bom. Já vi isso.

Nunca ouvi na minha vida. Yapping?

Ya.

Falar muito? Ya. Gyat.

Não, mas eu já vi no TikTok, mas eu não sei o que significa.

Ohio.

Não.

Que é tipo...

A família.

Cringe, uma situação bem cringe, é Ohio.

Mas Ohio não é do "Literally Stitch", não, isso é Ohana, desculpa.

Ohio é um estado dos Estados Unidos, só que pelo visto é uma expressão agora.

Porque as pessoas são um bocado...

NTC.

Isso, claro, isso eu uso diariamente.

Sigma?

É o superior ao alpha. Agora as pessoas dizem macho alpha, se for preciso é macho sigma.

Nunca ouvi isto na minha vida.

Eu também nunca ouvi utilizada assim.

Aqui diz que é alguém que está a fazer a cena dela. Isto está mau?

Eu acho que este está mau.

Cooked.

Ya, sim.

Estás cooked, estás tipo...

Ardeu para ti.

Ya. Brain rot.

Ya, também.

Isto é óbvio. Delulu, acho que esta é a mais...

Mas essa os millennials usam muito também.

Mas acho que é a única que nós usamos de verdade.

Não, eu uso muito mais.

Lembras-te de mais alguma?

Eu uso muito sus.

Ya, nós não usamos isso.

E depois eu acabo bué frases a dizer period.

Period.

Slay. E essas cenas, mas isso toda a gente sabe o que é.

Sabemos o que é, mas nós não usamos isso.

Não dizes tipo slay?

Não.

Ok.

Não. E uma cena que eu acho muito curiosa, não sei se tu sentes isto, mas a minha geração cresceu com o Instagram. No início, não havia TikTok. Agora o TikTok é a cena. Mas eu ouvi dizer que os mais novos hoje em dia publicarem no Instagram é cringe. Isto é verdade?

Eu acho que há sempre aquela cena de Instagram é demasiado sério, então não vou publicar. Eu achava, até um ano atrás, isso é um bocado mau, porque eu sou influencer, que publicar nas stories era cringe, então eu não publicava. Publicar nas stories a falar era muito cringe. Então eu tipo: "Não, não vou publicar nas stories a falar."

É que imagina, na minha geração era toda a gente fazia dumps de lookinhos, era tipo ao domingo à noite vai ser o dia de dump. Toda a gente, mesmo que não fosse influencer.

Eu acho que seria um bocadinho cringe.

A sério?

Ya.

Mesmo pessoas que não são influencers, toda a gente publicava fotografias. Hoje em dia não se publica.

Não.

É muito estranho.

Pois.

Mas no TikTok vocês estão a publicar a vossa vida, a falar.

No TikTok é o que for.

Mas porquê? Qual é a diferença para vocês?

Eu sinto muito que no Instagram é onde está a família e as pessoas que conheces pessoalmente mesmo, que tens de ver cara a cara, e no TikTok é só random e ninguém vê ou ninguém que tu conheças vê.

Então tu podes ser mais livre, mais tu.

Mais tranquilo.

E tu começaste pelo TikTok?

Imagina, não. Eu tenho Instagram há mais tempo que tenho TikTok, mas não punha lá nada. Comecei mesmo a pôr vídeos para as pessoas em geral, sem ser só para a minha família, no TikTok.

E como é que te lembraste de começar?

Foi na quarentena. Muita gente instalou o TikTok na quarentena.

Que idade é que tinhas?

14 anos.

Fiquei chocada quando soube a tua idade. Tens 20 agora.

Tenho 20. Eu sempre quis publicar vídeos na internet, depois aproveitei a oportunidade que não tinha de ver ninguém na escola e comecei.

Depois não tiveste aqueles comentáriozinhos.

Ya.

Não estavas a ver ninguém.

Estava na quarentena, não tinha de lidar com ninguém.

E os teus pais sempre lidaram bem com isso?

Sim, porque eu era uma rapariga de 14 anos a fazer dancinhas pro TikTok, era tranquilo. Eles achavam: "Ok, sim, tranquilo." Depois começaram a vir coisas, foi tão gradual que eles foram só aceitando. Eu acho que eles nunca imaginariam.

Mas por que tu dizes que sempre quiseste fazer vídeos? Tu vias pessoas a fazer e querias também?

Isso também. Eu adorava ver. Mas eu desde pequena sou bem comunicativa e fiz teatro musical durante muitos anos. Queria ser sempre a personagem principal, estar à frente e fazer as danças todas. Havia sempre concursos que eu montava pra minha família fazer.

A sério?

Era tipo concurso de talentos, mas era só eu. E pronto, eu sempre gostei muito de estar assim no spotlight.

Mas tu foste numa de: "Ok, eu vou criar vídeos para ir pra televisão um dia", ou foi com um objetivo concreto?

Imagina, eu não comecei logo a pensar nisso, tipo, eu vou criar vídeos pra ser famosa. Não, eu comecei a criar vídeos porque eu gosto. E deu certo, graças a Deus.

E como é que começou a dar certo?

Eu acho que foi logo na quarentena, porque estava toda gente em casa. Eu num ano ganhei 60 mil seguidores, porque estava toda a gente no TikTok, não havia mais nada pra fazer, então deu logo pra construir ali uma basezinha.

Mas dizes dar certo, ou seja, começaste a receber seguidores, comunidade.

Ya.

E começaste logo a perceber: "Bem, isso pode ser um trabalho", ou foi mais tarde?

Não, isso foi mais tarde. Também eu acho que era demasiado nova.

Vai.

14, 15 anos, não há tantas oportunidades de trabalho ainda nessa idade. Mas um ano e meio depois já comecei a ter trabalho. Na altura, o máximo que eu tinha era lojinhas.

A mandar-te uns produtos.

A mandar umas coisinhas, sim.

E depois começaste a perceber: "Ok, isto pode dar certo."

Ya.

Mas sempre tiveste na tua cabeça: "Ok, tenho que estudar, tenho que seguir um curso."

Isso sim. Neste momento eu estou na faculdade.

E olhas para isso como o teu hobby ou já olhas como um trabalho?

A criação de conteúdo orgânica pra mim é, e acho que sempre será um hobby. Eu não me sinto obrigada, "ai, agora tenho que acordar e pegar no telemóvel, enfiar o telemóvel na minha cara e fazer um vídeo, porque não tenho vídeo pra publicar hoje." Isso não. Agora, vídeos com marcas, aí já tenho mais responsabilidade e sei que tenho timings a cumprir e já vejo mais como um trabalho, porque tenho que ter responsabilidades.

Mas o que é prioridade na tua vida, neste momento? É isso ou os estudos?

Imagina, depende. É de semana a semana, eu vou vendo. Se naquela semana eu tenho três testes, vamos dar prioridade aos estudos. Não tem nada, é why not? Tenho conteúdos pra fazer. Também vou aproveitar os meus tempos livres, faço nos meus tempos livres.

Mas consegues gerir isso bem ou é difícil?

Imagina.

É que estás aqui agora a gravar pra depois ires pra um trabalho de grupo, daqui uma hora e está tudo contado.

Tenho de balancear, mas este ano tem sido o ano mais difícil, normalmente. Porque as coisas também nas redes sociais, pra mim, este ano estão a ficar cada vez mais...

Mais sérias.

Mais sérias. Também estou mais velha, e eu antes...

Mais velha, com 20 anos.

Mais velha. Eu juro que eu acho que eu sou bem velha. Não, mas é diferente. Eu diria, estar no secundário e estar a fazer conteúdo pra marcas de vez em quando, mas estava no secundário e tinha 17 anos, então se querendo fazia menos. Agora eu estou com uma quantidade maior.

Mais compromissos.

Sim.

E tu olhas pras tuas amigas e pensas: "pá, às vezes se calhar preferia não ter um trabalho", ou gostas sempre daquilo que fazes?

Eu estou muito bem com a vida que eu tenho. Eu não estou a reclamar, eu gosto muito. Eu preciso estar a fazer alguma coisa. Eu genuinamente, se eu fico um dia, às vezes, obviamente, precisamos de um descanso, e eu estou a reclamar que eu preciso ficar só um dia sentada no sofá sem fazer nada, mas depois se eu fico, eu sinto-me bem mal.

Que podias estar a fazer outra coisa qualquer.

Tipo, ya.

E também estás na idade em que tens energia pra fazer isso tudo.

Exatamente.

Ir ao Coachella, depois voltar, depois ir a Madrid.

Exatamente.

Olha, e o facto de tu seres criadora de conteúdos e partilhares muito a tua vida, achas que muda um bocadinho a forma como tu vives a tua vida real? Ou seja, escolhes aquilo que vais partilhar, que não vais partilhar. Como é que fazes essa gestão?

Imagina. Eu sinto que às vezes as pessoas me veem como Inês Nobre do TikTok, Inês Nobre das redes sociais. Mas pra mim, eu sou a Inês Nobre, porque isso faz parte já tanto da minha vida, que não é por eu ser influencer, não há personalidades separadas. Obviamente que a minha vida é completamente diferente, por causa das redes sociais, porque, por exemplo, eu acabei de vir de Madrid, eu não tinha acabado de vir de Madrid se eu não fizesse redes sociais. Mas olhando pra mim, isso faz parte só da minha vida. É normal pra mim, porque é a minha vida.

E porque também cresceste com isso, não foi uma coisa que começou agora.

Ya, estou habituada. Há seis anos.

E as pessoas, hoje em dia, sentes que já lidam bem com isso, com o que estás nas redes sociais?

Ya.

Já não é uma cena, tipo, na faculdade é assim?

Imagina, eu não falo disso na faculdade. E as pessoas sabem, mas eu nunca menciono. Por exemplo, eu tive que faltar a uma aula porque estava no Coachella. Ok, não foi a uma, mas não interessa, não vamos falar sobre isso. Tive que faltar uns tempinhos porque fui ao Coachella. Do nada, na quinta-feira eu já estou lá outra vez. Eu não digo nada, eu só apareço. Tipo, eu desapareço e apareço, e as pessoas também não dizem nada, e eu fico: "Ok".

Mas os teus amigos da faculdade estão por dentro disso.

Sim.

Ou seja, pessoas que não sejam tão próximas, é isso?

Ya.

E professores, e assim.

Ya. Ai, eu não digo aos meus professores. Eu às vezes digo: "Ai, eu tenho que ir ali, tenho que faltar esta aula porque tenho que trabalhar." Eles não perguntam, eu só digo que tenho que trabalhar, não digo mais nada.

Olha, e o que eu sinto também em relação à tua geração, não sei se tu achas isto, mas eu sinto que vocês estão muito a fugir de vida louca, e sair à noite, e não sei o quê, pra de repente querer um estilo de vida muito mais saudável e wellness e bem-estar, e coisa assim. Tu sentes que a tua geração está um bocadinho assim?

Imagina, metade, metade. Tenho amigos que recusam-se a beber porque têm treino no dia a seguir e têm de acordar cedo e têm de beber três litros de água. E tenho amigos queTodos os dias. É metade, metade. Eu estou mais na de estar tranquila na minha vida, porque é uma preferência própria também, não gosto de estar sempre vida louca. De vez em quando.

Porque quando eu estava a crescer, na faculdade, era toda a gente vida louca.

Eu acho que isso também depende da faculdade em que tu estás.

Não, na altura não dependia.

Não dependia? Agora depende.

E eu vejo muito, acho que o TikTok acaba por influenciar muito isso. É muito esse conteúdo de vida-

A vida é lá que está, tens de fazer isso e não podes-

Não sentes que toda a gente promove muito teres de ser produtiva toda a hora, teres de ser supersaudável?

Ya. Eu própria às vezes fico, se não sou produtiva um dia, fico: "Ai, meu Deus, e agora?"

Se calhar é por isso que não consegues estar sentada.

Estou a ficar para trás e tenho 20 anos. E eu tipo: "Ai, estou a ficar para trás", porque há pessoas que têm 20 anos e são trilionárias, eu ainda não.

Comparas-te muito, vês muito essas coisas nas redes sociais?

De vez em quando, mas é só nisso. Eu só quero ser bem-sucedida. Agora de comparar de corpo e tal, isso não, isso eu não quero saber, cada um com a sua. Mas de ser bem-sucedida, eu quero ser bem-sucedida. Isso claro que sim. E nem é comparar. Eu vejo, se aquela pessoa que tem 20 e tal anos e teve estas dificuldades e ultrapassou estes desafios, conseguiu, eu também consigo, é mais nessa. Está a ver?

Sim, é isso. Eu acho que muitas das vezes é de trocar um bocadinho esses pensamentos e se calhar ver pessoas mais velhas que começaram só a criar negócios com 40 anos e que conseguiram ser super bem-sucedidas.

Exato.

E tu de repente: "Tenho 20 anos, tenho mais que tempo para lá chegar." Isso acalma.

Isso ajuda bastante. Há pessoas que começaram só aos 30, ainda tens tempo.

Mas eu por acaso eu sinto que na minha altura, eu penso quando eu tinha 20 anos, não havia este hustle de fazer acontecer, de teres de ser produtivo, de teres de ser saudável. Era muito de tens é de aproveitar a vida, estás na faculdade.

Sinto que agora há bué gente a querer começar o seu próprio negócio. Toda a gente quer ser empreendedor.

E achas que isto é promovido pelas redes sociais?

Um bocado. Porque imagina, eu adoro quem é empreendedor e fala sobre isso, porque eu também quero aprender. Mas nem toda a gente precisa de ser empreendedor. Noutro dia estavam os meus amigos a tentar começar um negócio para bicicletas, para montar bicicletas, depois desistiram.

Mas por que achas que isso acontece? De vocês quererem fazer coisas por vocês?

Primeiro, porque acho que não queremos que alguém nos esteja a dizer o que fazer. Queremos ser os nossos próprios chefes, pelo menos eu quero. E segundo, porque ser empreendedor é que dá dinheiro.

Se calhar, agora a tua geração é que já está a perceber isso mais cedo. Porque para nós era mais normal seguir esse percurso normal, ir trabalhar para o outrem, para uma empresa, receber o teu salário, estar estável.

E como nas redes sociais também está exposto para as pessoas, para toda a gente: "Olha, eu despedi-me do meu emprego e segui este caminho, foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida. Vocês conseguem, façam." Então toda a gente experimenta primeiro esses caminhos antes de ir para um trabalho mais normal.

Sim, eu acho que acaba por ser um bocadinho um pau de dois bicos, que é: tu consegues ver que existem outras opções, outros caminhos, fixe, para poderes também abrir os horizontes, não ver só com duas pás à frente. Por outro lado, nem toda a gente, era isso que estava a dizer, nem toda a gente foi feita para isso. E se calhar também é importante o outro caminho.

Exato.

Para tu aprenderes, para ser uma escola para ti.

Olha, eu estou nesse momento, o que eu faço quando eu terminar o meu curso? Se eu vou full content creator, se eu vou trabalhar para uma empresa, estou mesmo em grande dilema.

Mas assusta-te trabalhar só por ti própria?

Ya, porque como eu comecei com 14 anos, sempre estive a fazer alguma coisa paralela, que foi a escola, foi os estudos. Agora, do nada, estar só a fazer criação de conteúdo, eu sinto que nem vou ter nada para dizer, que imagina, eu mostro o meu dia, o meu dia a dia, agora vou mostrar o quê? Estou aqui em casa, vou gravar uma campanha. Eu acho que nem vai ser muito estimulante para mim. Preciso de ter outra coisa em paralelo. Agora, se é ir trabalhar para uma empresa, das 9 às 17, também não sei se é isso, porque isso também não me permite fazer o que eu já faço tão livremente. Não sei. Eu estou com isso.

E as tuas amigas, ou seja, quem está a estudar contigo na faculdade, sentes que vão seguir um caminho mais tradicional ou estão a experimentar também outras coisas?

Sem dúvida, mas eu não tenho muitas amigas na faculdade. A minha amiga da minha turma, nós estamos a estudar Publicidade e Marketing, então Publicidade e Marketing também tem um bocado a ver com o que nós já fazemos. Então ela diz que quer vir trabalhar comigo.

Quer ser a tua assistente.

Nos meus sonhos, não, nos meus sonhos, não, isto vai acontecer. Eu vou dar trabalho aos meus amigos, eu quero bué.

Giros.

Eu quero bué.

Giros.

Eu já dou à minha melhor amiga, que ela está a tirar Cinema e Televisão, ela sabe editar, então de vez em quando ela ajuda-me e fazemos as duas os vídeos, que é bué bom.

Mas consideras na mesma seguir então um trabalho normal pós-faculdade?

Ya. Se pudesse ser um trabalho normal que eu criasse, imagina uma empresa que eu criasse e que eu fosse chefe, ainda melhor.

Podes seguir um caminho de freelancing.

Pois, não sei.

Assim não tens um horário fixo e podes gerir à tua maneira.

Esse é o meu dilema.

Numa forma também de teres outra coisa, não ser só o digital e poderes gerir como giras. Quando é que tu acabas o curso?

Acabo o ano. Meu Deus.

Olha, por que vocês andam a congelar os óculos?

Hã?

Não viste? Inês, desculpa lá, tu não estás no meu TikTok?

Pois não. Não estou.

Os miúdos andam a congelar os óculos de sol. Não viste isto?

Não. Do nada, por que que era mesmo a congelar os óculos? Sei lá eu.

Então eu vi que as pessoas agora, os miúdos andam a congelar os óculos, que é para se obrigarem a ficar em casa a estudar.E depois os óculos de sol, que é para tu não poderes ir à rua porque não tens os teus óculos de sol.

Isso para me impedir de ir à rua.

Não é?

Não.

Isto faz zero sentido, mas eu já vi isto.

Mas já viste muitos? Muita gente a fazer isso?

Muitos! Isto está a ser a trend agora, é tipo, congela os óculos e depois: "Oh, meu Deus, agora os meus óculos estão congelados e eu queria ir à rua."

Ó pá, eu tinha de congelar 30 pares, que eu tenho bué óculos de sol, eu sou viciada em óculos de sol.

E não é desculpa para não sair, mas isto é feito para tu ficares em casa a estudar e seres focada e produtiva.

Imagina, eu acho que se calhar há melhores técnicas do que congelar os óculos, mas pronto.

Olha, e tu preocupas-te muito com ser saudável? Com ter um estilo de vida...

Imagina. O exercício para mim é uma cena que me sai natural, eu adoro. Adoro pilates, faço duas vezes por semana, ali um bocadinho, adoro. Também gosto muito de ir ao ginásio, vou com a minha amiga, gosto muito. Eu até estou com FOMO, eu mandei-lhe um áudio: "Marta, eu estou com FOMO, eu estou com cravings de ir ao ginásio", porque eu estive a viajar imenso e eu não fui ao ginásio.

Estás com saudade dessa rotina.

Eu preciso de ir ao ginásio, mas não é porque eu preciso de ir ao ginásio que eu estou a perder progresso. Até porque eu não vi progresso nenhum, mas eu preciso de ir ao ginásio porque eu gosto de me mexer. Agora, alimentação, isso para mim é outra cena. Eu sou um bocado descuidadíssima, porque eu penso assim: "Eu posso comer o que eu quiser, porque como eu sou jovem, daqui a uma semana e meia, se eu quiser mesmo estar naquele ponto, é só cortar e depois consigo." Então eu sou um bocado extremista nisso.

Mas estavas a dizer que não bebes muito.

Não, beber não. Até porque imagina, não me sabe bem.

Pois, mas eu acho que é isso que a tua geração faz muito, é sair menos à noite, beber menos, porque gostam mais de ginásio, exercício e coisas assim.

Prefiro. Se calhar somos uma geração mais matinal.

É?

Ya.

Gostava de ter crescido na sua geração.

Às vezes eu saio com os meus amigos e digo: "Eu não volto para casa depois das 15h00." E fica ali. E voltamos. Bué tranquilo.

Para nós, não. Se eu dissesse isso era tipo: "O que é que se passa contigo? Está tudo bem? Às 15h00 começa a noite."

Como é que tu saíste lá viva? Como é que tinhas energia para fazer estas cenas?

Não, a nossa noite começava às 15h00. Chegas a casa às 19h00, 20h00.

Isso eu já quero chegar às 22h00.

Senão estás a ser uma falhada, se não chegares a casa às 19h00.

Que horror, não consigo.

Pois é, isso. Foi uma geração, foi duro, foi muito duro. Mas hoje em dia, eu estive mesmo a pesquisar sobre isso, a quantidade de pessoas que vai sair à noite, que vai a discotecas, mas está a pique. O millennial ainda está um bocadinho ali, a tua geração está a cair mesmo a pique. Eu acho que também tem muita influência partilharem isso nas redes sociais. E o bem-estar.

Até ir muitas vezes, até chega a ser cringe. Estás a fazer o quê à tua vida?

A sério?

Ya.

Que fixe.

Controller. Vemos nós uns para os outros.

Mas lá está, é isso que eu estou a dizer. Ou seja, estão mais focados em ser saudável, ter uma boa rotina. Era isso que estavas a dizer, sentes falta de treinar porque é a tua rotina, porque te faz sentir bem.

E nós guardamos as saídas à noite para uma ocasião especial. Se alguém, uma terça do nada, vamos sair, nós não vamos. Vamos esperar que o outro faça anos e só vamos na sexta, se ele fizer anos a uma segunda, não vamos sair na mesma.

Então mas convivos a que combinam?

Imagina, nós convivemos bué à tarde.

Da café.

Noutro dia fomos a uma feirinha de comida latina e estivemos a comer. Aquilo também tinha dança e estivemos lá. E é isso, e ficamos a jogar jogos.

Jogos de tabuleiro?

Não, jogos de falar.

Olha, e nós estamos aqui hoje com o apoio da Tampax, que está agora com uma campanha que se chama #estouin, que é estou in para planos, para fazer coisas diferentes, para nos sentirmos livres e prontas para fazer qualquer coisa. E nós fomos fazer uma atividade, não é?

Fomos.

Fomos correr, que tu já não corrias há seis meses.

Tenho que voltar.

Estavas com medo, não estavas?

Estava com um bocado de medo de aos primeiros 30 segundos cair para o lado. Mas eu fiquei impressionada comigo mesma. Eu cheguei a casa e disse aos meus pais: "Pais, esqueçam, eu sou bué da boa. Vou voltar a correr." Aquilo é uma motivação.

Mas ficaste com vontade de voltar?

Não, eu vou voltar. Estou-te a dizer, eu vou voltar.

Porque tu disseste-me que tiveste uma fase de correr.

É, eu vou por fases. Seis meses sou corredora, seis meses não sou, eu vou voltar.

Será que é desta que vais voltar à fase corredora?

Espero que sim.

Esperamos que sim. Pronto, e no fundo, nós fizemos então esta atividade a semana passada, temos um videozinho resumo para ver como é que nos safamos. Vamos a isso.

Isto está giríssimo. Olha para a câmera. Ó pá, tipo há seis meses, estou com um bocado de medo, mas pronto.

Ai não, tranquila. Vamos em pace slow.

Vamos mesmo? Pace slow mesmo?

Sim.

Precisamente nesse dia eu período.

Sim, adoro.

Olha, eu costumo fazer exercício com tanta vontade e até com transpiração é sempre ok, por isso não tenho esse medo.

Estás a gabandar bien.

Ó pá, sim, eu vou-te imitar, eu já não me aqueço há bué tempo.

O passo de corredora.

Eu nessa parte só te imitei, não sei como aquecer.

É que estava a tentar não rir, na verdade. Parecíamos bué prontas.

Pronta? Conto eu?

Ok.

Bora? Três, dois, um.

Bora. Ficamos mesmo iguaizinhas.

Achei que era bué bom o meu passo de corredora.

Sim, tu não gostaste da tua postura no pé, correto?

Não, estava tipo: "Isto vai correr bem?" Como é que se faz?

É só um pé à frente do outro. Estamos bué prontas. Estamos a dizer.

É, olha que estamos bué, gente. Estamos bué fofinhas com o nosso matching outfit.

E eu queria te contar, porque nós gravamos e eu estava a te contar a história da meia maratona.

Já foi?

Já foi. Então nós gravamos para quinta ou sexta e a meia maratona foi domingo. E eu estava a te dizer "Estou com medo que me venha o período". Nós estávamos de calções brancos, não é?

Ya.

O que é que aconteceu? Então, eu não tinha tampões comigo e fui apanhar o autocarro em Oriente para ir para o Porto, direta. Eu saí de lá direta das gravações. Eu de calçõezinhos brancos, saio do Uber que vou para Oriente e vou à casa de banho, para ir à casa de banho antes de ir para o autocarro. E nós vem o períodoNo momento, antes de-

Que timing!

E eu pensei assim: "Eu não tenho tampões."

Mas tu querias que viesse mais cedo.

Eu queria que viesse antes da meia maratona.

Para estares preparada.

Mas eu estava tipo: "Eu não tenho tampões." E depois lembrei-me que a Vanessa da marca me deu os tampões, aqueles super, porque eu disse que queria experimentar e ela deu-me aqueles tampões para eu usar na meia maratona, que eram aqueles super plus, aqueles grandes. E eu: "Meu Deus, isto é a minha salvação."

Salvou-te.

Salvou-me o dia. Eu estava de calções brancos, tinha sido um desastre se eu não tivesse aqueles tampões comigo.

Slay! E assim testaste-

Testei e usei na meia maratona e correu super bem.

Slay.

Foi ótimo. É que se tivesse vindo no dia da prova, eu estava mesmo em pânico.

Não, fizeste bem. Isto foi tipo um teste. Tudo acontece por uma razão. Isto foi um teste.

E foi, eu lancei para o universo, estava ali a falar, a dizer que eu queria que viesse antes, e de repente foi.

Que fixe. E como é que foi no dia da prova?

Não, foi supertranquilo.

E como é que correu?

Porque a prova em si foi dolorosa, porque é uma meia maratona, não estava assim tão preparada e custou-me um bocadinho. Mas essa parte foi supertranquila, porque como veio um bocadinho antes, eu consegui estar preparada e aqueles tampões grandes também me ajudaram.

Isso é uma cena que eu teria curiosidade quando eu era corredora seis meses atrás. O que é que fazes nessas circunstâncias? Mas fixe.

Não, correu super bem, eu estava com medo, porque imagina que vinha durante a prova, é muito tempo a correr, são tipo duas horas. Mas como veio antes, eu consegui também estar preparada. E eu achei: "Olha, esta história é épica, eu tenho que contar a Inês no podcast."

Não, aconteceu por uma razão. É que foi mesmo no dia que tu estavas a dizer: "Quero mesmo que a período apareça, que eu estou preparada."

É assim, quero mesmo contar isto, quero mesmo falar da meia maratona, porque estou mesmo nervosa sobre isso. E genuinamente estava nervosa sobre isso. E ela deu-me aquela caixa e eu: "Pronto, se calhar nem vem." O videógrafo virou-se para nós e disse assim: "Não, Mariana, nós estamos a torcer para que venha pós-prova." E de repente, passada meia hora, veio-me o período.

Muito bem.

Olha, e tu lembras-te da primeira vez que te veio a menstruação, que tiveste de pôr tampão pela primeira vez?

Imagina, é engraçado, que a primeira vez que eu tive que pôr um tampão, eu só passo uma semana por ano sem a minha mãe, que o meu pai e a minha mãe estão juntos, mas o meu pai tem mais semanas de férias. Então eu e a minha melhor amiga vamos sempre com o meu pai para o Algarve de férias, aproveitar essa semaninha. Acho que tinha 12 anos e oito meses. Estávamos lá e do nada aparece-me o período e eu: "Porra, eu quero ir à água, eu preciso de ir à piscina."

E tu sem a minha mãe.

Eu adoro a piscina. Então estou sem a minha mãe, estou com o meu pai, o meu pai vai às compras comprar tampões, volta para casa e depois estou eu fechada na casa de banho a tentar meter o tampão com a minha melhor amiga e o meu pai do outro lado, tipo: "Então?" E eu: "Estou a tentar, calma." Durei algum tempo, que estava complicado, mas depois lá consegui, fui para a piscina e foi a história mais feliz da minha vida. Aproveitei aquela semana, que senão ia ser uma semana de desperdício. Ia ficar lá só a apanhar sol.

Se te tivesse vindo o período noutra altura, provavelmente não tinhas posto logo um tampão pela primeira vez. Mas como querias ir para a piscina-

Como queria ir para a piscina. É desta, é hoje. É hoje, vou meter. Que eu estava com um bocado de receio, então no inverno usava penso, não era preciso usar tampão, mas depois tirou-me o receio, a partir daí foi supertranquilo. Engraçado que literalmente no ano a seguir aconteceu a mesma coisa à minha melhor amiga, então nós temos a mesma história, mas com um ano de diferença.

Jura? Que giro.

Exato.

Ainda bem que o teu pai pôs.

Coitado do meu pai.

Não é só uma vez, duas vezes.

Ele ficava fora da casa de banho tipo: "O que eu posso fazer?" E eu: "Não fazes nada. Sai."

Vai só comprar. Nós entendemo-nos. Olha, e tu lembras-te se deixaste de fazer alguma coisa por estares com o período, alguma vez na tua vida?

Não. Imagina, senão ficava só assim uma semana. Uma semana de... a vida não permite. A vida não permite eu ficar parada.

Sim, já que fazes tanto desporto e assim também acabas por pôr o tampão.

Eu antes tinha aquele receio, tipo: "Agora eu estou com o período e vou para a ginásio e tal." Se calhar tentava mudar o meu outfit, mas agora não.

Sentes-te confortável. Deixaste de fazer aulas de Educação Física por isso?

Não, nunca. Nunca usei essa desculpa.

Porque tu também gostas de desporto.

É fan.

Mas as tuas amigas, sentes que há muito isso?

Eu acho que provavelmente havia uma ou outra que estava sempre a repetir a mesma desculpa.

E de repente, estás com o período três vezes ao mês.

Ya, mas de resto éramos bem ativas todas.

E tu sentes que vocês entre amigas e assim conseguem falar facilmente de período assim sem tabu ou não?

Para mim, período não é tabu. Se metade do mundo tem o período, diríamos que metade do mundo são mulheres, por que deveria de ser tabu? Meu Deus.

Mas mesmo com rapazes e assim sentes-te confortável em falar?

Eu digo, até aos meus amigos, eu digo logo: "Estou com o período, não me chateies." Isso é uma desculpa, eu digo assim: "Deixa-me em paz." E eu às vezes mesmo quando eu vou ao ginásio com eles, eu pergunto: "Olha, vê lá, dá aí um check, não estou com as minhas amigas, se estiver a escorrer alguma coisa, diz-me." Eles: "Estás tranquila, Inês." E eu obrigada. Mas com o meu namorado, quando eu comecei com ele, eu fui logo. O meu primeiro período, eu: "Olha, eu estou com o período, desculpa lá e tal." Expliquei-lhe, que ele também é um bocado, ele só tem um irmão, então ele: "É assim que acontece?"

Pois, eles não estão mesmo por dentro de como é que as coisas-

É assim que acontece. E até tive lhe explicar a diferença dos buracos, que não é no mesmo do xixi.

Aqueles TikToks que se vê de homens a descobrir pela primeira vez como é que funciona.

Quando vejo TikToks de simulações de como é ter uma cesariana ou como é o período por dentro, eu mando-lhe. Ele vai ver esse. Ele também tem tampões e pensos lá em casa dele.

Para quando precisares.

Ya.

Mas tu então sempre falaste mesmo em casa e assim, sentes que a tua mãe também sempre foi muito aberta nisso?

Ya.

Deixar-te à vontade.

Ya, mesmo ao meu avô. Eu digo ao meu avô, tipo: "Vô, estou com o período." É tranquilo.

Boa, acho que isso é mesmo o mais importante para quando vem pela primeira vez, não ser aquele susto.

Imagina, eu chorei da primeira vez.

A sério?

Mas não foi porque me veio o período, foi porque eu estava a ficar muito adulta e eu não queria. Eu nunca tive superHá crianças que querem ter 18 anos e ser adultas. Eu nunca fui disso. Eu quero ficar criança e manter-me lá.

Eu não quero ser mulher.

Veio meu período, eu fiquei: "Porra, vou ficar mulher, não quero." E comecei a chorar, mas foi só essa emoção.

Pela emoção.

Ya.

Já que estamos quase a chegar ao verão, qual é aquele plano de verão que tu estás sempre in?

Eu gosto muito de ir pra praia com os meus amigos com uma prancha de paddle, mas uma. Somos quatro, mas é só uma prancha e deixamos, não sei como é que se chama, o remo, aquilo para navegar, na areia. Então temos só quatro em cima de uma prancha, é bué fun.

Eu nunca fiz stand up paddle, por acaso.

Imagina, aquilo não é bem stand up porque estás sempre a cair.

Ok, não há parte do standing.

Ya, não há parte do standing, mas é bué fun, gosto imenso.

Mas tu já fizeste mesmo aulas ou assim?

Não.

Levo uma prancha.

Me leva. É mesmo só para me divertir.

Gir. A Tampax, nós estamos aqui com este momento e com esta conversa, por quê? Porque eles também estão a dar liberdade para outras pessoas poderem experimentar coisas novas e também ter aventuras.

Adoramos experimentar coisas novas.

Ter aventuras e também terem a liberdade para fazer aquilo que quiserem. Portanto, eles estão agora a oferecer 500 € para próximas aventuras à tua escolha, na compra de duas caixas de Tampax, duas embalagens. Duas embalagens de Tampax, para depois partilhar num site, que também vou deixar todas as informações na descrição, mas o site é www.tampaxestoin.com, e é só comprar duas embalagens Tampax, depois dizer qual é o plano de verão que tu estás sempre in e as frases mais criativas à volta deste plano de verão. Os 10 mais criativos vão ganhar então estes vales de 500 € para experimentar coisas novas. Portanto, assim não somos só nós a ter experiências.

Posso participar? Também quero. Eu vou dizer às minhas amigas, participem.

E tu também vais estar a fazer umas coisas agora com a Tampax.

Eu vou estar a fazer umas coisinhas, vou falar sobre estes temas bem interessantes lá nas minhas redes sociais, depois fiquem atentos. Porque eu também quero saber as vossas histórias, vou abrir perguntinhas para as pessoas também me dizerem as histórias, fazerem perguntas, vamos todos falar.

Falar mais abertamente sobre este tema, porque não é só para falar offline com as nossas amigas e trazer para as redes também.

Com as amigas das redes sociais.

Virtuais, também.

Com as histórias delas, com as minhas histórias, tudo, vamos todas falar.

Muito bem. Outro tópico que também é bué trending na tua geração, e bem, é saúde mental.

Ya.

Vocês falam muito sobre isso? Tu já foste à terapia?

Eu já fiz uma sessão.

Mas vocês falam disso?

Mas eu adoraria ser mais frequente. Falamos. E imagina, basta alguém puxar o assunto, porque há pessoas que são um pouquinho mais tímidas, mas basta alguém puxar o assunto que as pessoas vão falar mais abertamente. Eu descobri que há imensos amigos meus que do nada andam na terapia e eu não sabia.

É sério?

Ya, e rapazes até, porque eu acho que eles penam um bocadinho mais para falar. Andam na terapia e até os que andam no desporto, andam na terapia do desporto para melhorarem no desporto. Go.

Mas por que achas que isso é? Vocês falam entre vocês ou vem de uma influência de casa?

Eu acho que é mais entre nós, porque imagina, influência de casa são os nossos pais que não são da nossa geração.

E que não fazem terapia.

E que acham que tens que ter um problema para ir para a psicóloga. A minha melhor amiga também anda, ela diz: "Hoje fui", nós falamos mesmo entre nós.

Vocês falam muitas vezes sobre o que é que vocês estão a sentir, como é que pensam?

Sim. Imagina, entre nós, ya, por acaso sim.

Mas acho que é mais uma cena entre raparigas ou sentes que é toda a gente?

Entre raparigas é livre e dizemos logo: "Olha, eu senti isto". Se alguém nos faz alguma coisa: "Olha, fez-me sentir isto e tal, e agora como é que eu vou processar os meus sentimentos?" Isso é logo. E agora, eu não sei como é que os rapazes são entre eles.

Eu acho que não são assim, não devem ser assim.

Não sei se sejam assim tão abertos entre eles, mas eu sinto que os rapazes têm lados diferentes para quando estão rapazes com rapazes e rapazes com raparigas. Eles do nada ficam soft e conseguem falar sobre sentimentos e conseguem ter deep talks. Se tu estiveres com um amigo teu, rapaz, só tu, tu e ele, do nada ele é muito profundo, tu vais estar a explicar muito profundo.

Só precisas dele soltar um bocadinho.

Eles têm noção, pelo menos. Pelo menos está lá dentro. Eles podem não expressar tanto em grupo, mas eles têm.

Mas sentes que a terapia é uma coisa que te faz falta, que tu gostavas de ter para...

Imagina, eu sinto que não me faz falta, mas como é que acrescentaria a mim.

Para processar emoções, para racionalizar de forma diferente.

Para melhorar a minha qualidade de vida, até mental, às vezes, que é bom falar com alguém.

Tu usas o ChatGPT para pensar sobre coisas da vida?

Da vida, não.

Trabalho?

Eu não. Trabalho, faculdade, sim. A minha melhor amiga, sim. Ela tem um drama, se eu não a atendo, ela diz: "Epá, já falei com o chat e ele deu-me estas três opções." E eu: "Ok, fizeste muito bem. Eu acho que ele tem razão. Opção B."

E tu achas que isso é preocupante ou achas que é uma boa ferramenta?

Eu acho que ele por vezes tem razão.

É preciso teres sentido crítico.

Eu acho que também quando vamos com um dilema, não é um dilema superpesado e que vai influenciar a nossa vida. É tipo, esta pessoa respondeu-me desta maneira, eu quero responder assim de volta, ajuda-me aí, ou como é que eu faço esta pessoa perceber que errou com uma mensagem? É mais isso, é mais situações assim pontuais.

Se calhar há pessoas à tua volta, porque há muita gente que leva situações reais e privadas.

E eu acho que isso já não é tão saudável, não é, minha gente?

Para isso é que existem os psicólogos.

Existem psicólogos. A AI não vai tirar a profissão de toda a gente.

Tu usas muita AI nos teus trabalhos?

Sim. Muito. Mas eu escrevo o que eu quero e depois mando para lá e digo escreve melhor. Ele constrói as frases melhor, ele interliga.

E não achas que dá para perceber para quem está a ler de fora?

Não, porque eu nunca faço copy paste. Depois ele dá-me aquilo e eu ajusto. Mas acho que não.

Pensa menos ou é só uma ferramenta?

Sim, faz-me pensar menos e faz-me perder menos tempo, porque imagina, até num trabalho da universidade, eu ponho a informação toda que eu quero, ponho como eu quero. Escrevo a frase de uma maneira supersimples e digo só para ele escrever de uma maneira mais universitária, uma maneira mais aceitável. E ele sim, as palavras, ligação das palavras e que palavras é melhor.

E não achas que vocês têm de se esforçar muito menos assim?

Sim.

Não achas que é mau?

Raças de Deus. Não.

Não?

Não.

Não achas que aprendes menos?

Não, porque imagina, tu estás a perder tempo a pensar. Eu uso também para mandar e-mail aos professores. É chato. Eu só quero dizer que eu vou ter que faltar esta aula porque... Escreve-me aí um e-mail.

Mas imagina, não existia o Chat, tu ias conseguir construir um bom e-mail e um bom trabalho?

Isso sim.

Achas que sim?

Perdi bué tempo. Estou a perder bué tempo a escrever.

Mas achas que tens a capacidade na mesma?

Tenho a capacidade, mas estou a perder bué tempo. Por isso é que eu acho que é bom, porque assim esse tempo de ficar bué tempo a escrever um textão que é só para dizer que eu vou faltar segunda-feira, que isso também os e-mails tu tens sempre que dizer.

Mas tu não tens tempo? Tu tens um comboio para apanhar, não tens tempo?

Mas eu prefiro estar a fazer outras coisas.

Gastar o teu tempo em outras coisas?

Ya.

E toda a gente que tu vês que está contigo também usa AI?

Sim.

E achas que os professores têm noção disso ou não?

Sim. Eles dizem: "Olha, vamos usar detetores de AI neste trabalho". Mas tem também professores que dizem: "Usem AI e mostrem as prompts que deram para eles verem. Este trabalho vocês têm que usar AI."

A sério? Mas é por quê?

Não sei. Porque eu acho que alguns que não vivem na Idade da Pedra, já perceberam que nós de qualquer das maneiras vamos usar, então eles querem que nós usemos de uma maneira mais inteligente. Eles querem mesmo saber.

Sim, usar como ferramenta e treinar-vos para vocês também.

E sabem que o trabalho vai ser muito mais eficiente se nós usarmos. Porque imagina, aquilo não faz o trabalho por ti. Tu tens que saber dar prompt. Eu acho que tens que saber trabalhar com AI.

A dificuldade de criar um prompt não é a mesma dificuldade de criar um trabalho.

É verdade. Mas também tu tens que ter sentido crítico e ver o que ele te dá e muitas vezes ele não te dá nada de jeito.

Pois, é isso. Tens de ter o raciocínio, pensamento crítico para conseguir.

Mas sem dúvida, eu uso AI e toda a gente usa na faculdade. Não conheço ninguém que não use e dá bué jeito.

E acho que se calhar os professores e o sistema de ensino também ainda não está bem preparado para isso.

Ya.

Imagina, à partida tu consegues identificar que tem limites de trações ou coisas assim ou repetições.

Não, mas isso também é totó quem manda com travessões, que isso é claramente chat.

Mas há muita gente que não sabe. Eu estava a ensinar uns amigos meus, tipo eu: "Olha, mas se tem travessões, dá para perceber."

Então mas esses não estão na faculdade, porque toda a gente na faculdade sabe que tu não podes enviar um trabalho com travessões.

É common knowledge.

Tu tiras o travessão, mete uma vírgula.

Vocês já sabem todos que isso é assim?

Sim, nós sabemos o que é que soa a chat.

E o que é que soa a chat?

Os travessões, ele do nada às vezes manda umas em português do Brasil e tu vais ali trocar.

Repetições também.

Repetições. Mas tu revisas o que ele te dá, não é, minha gente?

Meu Deus, essa geração. E depois para que é que vocês congelam os óculos, então, se é tudo prompt ChatGPT?

Ya, e até para resumos. Eu às vezes falo: "Faz-me um resumo do resumo". Mas eu não confio nele, não faz muito bons resumos. Se souberem uma aplicação que faça bons resumos, digam.

Mas usas o ChatGPT?

Sim.

É o ChatGPT que usas. Existem vários.

O Claude.

O Claude também.

E o Gemini, de vez em quando. Quando eu atingi o limite de chat, que eu também nunca paguei para ter chat pró, eu vou para o Claude.

Vais aos outros.

Ya.

E também usas muito no teu trabalho, no digital? Ajuda-te a ser mais criativa?

Não, porque as ideias que ele me dá não são muito boas. Eu acho que ele não é muito bom. Dá-me ideias bué cringe. Eu às vezes quando estou desesperada, vou lá perguntar.

Para uma campanha assim, achas que não acrescenta assim tanto?

Não. Para campanhas, não. Ele dá-me sempre ideias bué cringe mesmo.

Então achas que, imagina, no futuro, os trabalhos em que é preciso mesmo criatividade e a parte humana, achas que vão se perder?

Não, não vai ser substituído. Não, ele não consegue chegar lá sozinho. Se me mandar 40 mensagens, ele se calhar chega lá, mas nessas 40 mensagens já fiz o trabalho.

Mas é o que acontece, por exemplo, se contratas um assistente. Também tens de o treinar até ele lá chegar.

Isso é verdade.

Só que no chat, se calhar, demoras muito menos tempo a lá chegar.

Não, eu acho que o chat não percebe. Às vezes passa-me com o chat, pensando: "Não pense com a cabeça". Mas eu depois tenho medo que ele um dia ganhe vida e me ataque, então eu tenho mesmo cuidado com o que eu digo.

Mas eu por acaso sinto que isto está a evoluir tão rápido e que assusta-me, principalmente escolas e faculdades.

Escola nunca usei.

Não?

Eu fiz escola toda sem usar, não senti necessidade. Também apareceu quando eu já estava mais a terminar.

Pois, é isso, já estavas a ir para a faculdade.

Faculdade, eu genuinamente questiono os meus pais, como é que vocês fizeram faculdade sem internet? Na altura deles. Eles tinham que pegar naqueles livros que pesavam três quilos e ler aquilo tudo.

Mas quando tu tens um teste, não tens de estudar e ler e decorar?

Claro, tenho. Mas imagina, eu não sei se tenho ou se eu me convenço a mim mesma, mas eu digo isto a toda a gente e digo isto a mim mesma, que eu tenho memória fotográfica. Então eu leio e fica cá. Então eu tenho mesmo facilidade em fazer os testes e aprender essas coisas.

Porque é assim, o chat ajuda-te se for trabalhos, porque na parte de testes, em que te ajuda a estudar?

Até que ele é mentiroso, ele diz as respostas erradas também.

Sim, ele muitas vezes engana-se.

Ele é mentiroso. Para essas avaliações, eu não uso o chatEu estudo, vejo os PowerPoints dos professores, escrevo uma coisa ou outra, mas graças a Deus que eu tenho essa facilidade de ler e ficar, e depois fazer o teste.

Se calhar também tens essa facilidade porque tens pouco tempo livre e tens de fazer outras coisas.

Não, mas eu sempre tive. Eu precisava sempre um dia ou um dia e meio. Isto não é conselho nenhum, é o que resulta para mim. Há pessoas na minha turma que começam a estudar dois meses antes e eu fico tipo: "Meu Deus, se eu estudasse dois meses antes, eu ia escalar e já não ia saber nada." Resulta para mim.

Estás agora com 20 anos, o que é que te tira o sono hoje em dia?

O que me tira o sono? A minha cadela, fico a pensar na minha cadela à noite.

A sério?

Já expliquei que ela tem de já dormir bem. O que me tira o sono hoje? Que eu queria ficar a dormir com ela, mas ela também não pode dormir na cama, que ela só faz disparates. Já expliquei que ela tem de já dormir bem. Tira-me mais o sono o quê? Às vezes tira-me o sono que eu tenho muitas ideias durante o sono.

Acordas muitas vezes para quereres escrever coisas?

Ya. Eu quero levantar para ir escrever. Eu às vezes faço só um vídeo às escuras porque não me apetece escrever e depois no dia a seguir já não me lembro. Eu digo uma palavra no vídeo, a achar que depois vai voltar a ideia. Não, grande desperdício, mas pronto.

Mas tira-te o sono achares que tens de fazer tudo muito rápido e alcançar sucesso.

Não, não me tira o sono pensar muito no futuro, tira-me o sono pensar no que eu tenho para fazer amanhã. Isso sim. Amanhã acordar, fazer isto, fazer aquilo. Fico a rever o que é que eu tenho de fazer.

Acho que és uma pessoa ansiosa, não?

Depende. A ansiedade mais comum, que as pessoas quando dizem ansiedade, tu pensas em ansiedade, essa não. Mas de ansiosa com as coisas que eu tenho para fazer e horas e datas.

És uma pessoa organizada, põe tudo no calendário, direitinho, ou és mais type B?

Eu sou type perguntar à minha amiga que tem tudo no calendário.

Então és type B.

Eu sou tipo B. Mas eu queria ser type A.

Mas se calhar acordas a meio da noite por seres type B, porque não tens as coisas organizadas. Se tivesses as coisas organizadas...

Não, eu também não vou dizer que eu sou type B.

Intermédia.

A e B. Sou os dois. Para umas coisas, para outras.

Mas é assim, também tens de ser uma pessoa organizada para conseguir fazer tudo o que tens a fazer.

Eu sinto que para a quantidade de cenas que eu tenho para fazer, eu sou super organizada, porque senão metade não era feito. Mas às vezes uma coisa específica, eu tenho que perguntar: "Olha, desculpa lá, quando é que é o teste? Diz-me lá outra vez." Isso sim, mas acho que sou organizada.

E agora está a chegar o verão. Tu nas férias olhas para as férias como vou descansar ou é uma ótima oportunidade para eu trabalhar mais e fazer mais?

Vou descansar.

Consegues mesmo aproveitar?

Ya, sem dúvida.

Então e agora assombra-te só pensares o que é que vais fazer no futuro, se queres ir para uma empresa, se não queres.

Isso sim, isso é o que está sempre assim na minha cabeça.

Porque achas que é uma decisão que é assim permanente, que tens mesmo de tomar uma decisão certinha?

Não, eu acho que se eu quisesse, imagina, tirar um gap year, conseguia na boa. A cena é que eu também tenho aquela cena de ficar para trás, os meus amigos vão começar a trabalhar e eu estou aqui, sem fazer nada. Eu acho mesmo impressionante as pessoas que trocam de curso, porque eu não era capaz. Ainda bem que vocês têm coragem de perceber que aquilo não é para vocês e sair à meia e não se importarem de ficar um ano atrás. Eu não conseguia.

Mas imagina, se calhar, se pensares ao contrário, se eu esperar mais tempo e depois só quando tiver 25 anos vai me apetecer trocar, aí vai ser pior.

Mas eu também tive a sorte de acertar à primeira, então eu nunca tive esse dilema de "e agora estou a odiar isto, vou ficar aqui ou não?"

Mas na tua cabeça, se tu parares um ano, vais ficar para trás dos teus amigos, porque eles já estão a trabalhar há um ano? E tu vais ter menos oportunidades?

Não sei, vou ficar para trás na coisa. Na minha cabeça, vou ficar para trás all the time, não sei mesmo.

Quando tu estás bastante à frente.

Mas eu não me comparo com pessoas que não levam o meu lifestyle. Elas têm vidas completamente diferentes da minha.

Pois é isso.

Não faz sentido comparar com eles.

Quando tens objetivos diferentes, um caminho diferente, não faz sentido estar a comparar com outro caminho totalmente diferente do teu, não é?

Ya. Mas às vezes, por acaso, eu esqueço-me. Imagina, se eu quiser ir jantar, eu felizmente tenho possibilidades de pagar o meu próprio jantar. E quando estamos a decidir um restaurante para ir todos, é tipo: "Ei, não, malta, não tenho dinheiro, vamos ter que ir ao Mac ou vamos jantar os de casa, não dá." E eu: "Eia, pois é, vamos então à opção mais barata." Eu esqueço-me que eu tenho essa cena.

Que tens um trabalho, não é?

Eu estou tão com eles e tal, que eu esqueço-me que eu consigo, se eu quisesse, então é nesse aspeto.

E é ótimo agora aproveitares, vive o lifestyle dos teus amigos e poupa dinheiro.

Ya, nós no verão passamos sempre uma semana todos juntos e é tipo: "Compra o arroz mais barato, se há arroz a 0,50 € vamos comprar o arroz a 0,50 €". Mas eu, se eu quisesse, eu comprava. O arroz na boa, eu não tenho dificuldades para comprar arroz, mas eu esqueço-me, estou com eles.

E tu tens consciência de que tens de guardar, poupar, organizar o teu dinheiro?

Ya. Eu sou Capricórnio, minha gente.

O que é que significa? Não percebo nada disso.

Não sei também, mas tudo o que eu vejo nos sites diz que é muito dinheiro e sucesso e cenas assim.

Muito agarrado.

É um bocado.

Isso é bom.

Não é sempre bom.

Não, mas isso é ótimo.

Ya, eu tento não ser forreta demais. O meu pai diz que eu não posso ser forreta demais, que isso não é bom.

Tens de viver a vida também e aproveitar, mas se tens possibilidade de poupar.

Ya, sim, prefiro poupar.

Olha, e assim, planos para futuro que tenhas. Quais são os teus objetivos? Acabar o curso?

Acabar o curso e ver o que é que eu faço.

O que é que fazes da vida?

Ya, exatamente.

E continuar a área digital, claro.

Continuar sempre. E é a única coisa que eu sei.

Que é garantido.

Ya.

E vamos acompanhando tudo. Obrigada por teres vindo. Gostei muito de estar aqui.

Eu gostei muito da conversa.

E esperemos que voltes agora à corrida, que está muito uma fase corrida.

Olha, eu preciso correr 10 km.

É? Olha, ótimo para ti.

Eu pus no meu vision board.

A sério?

Mas já estamos a meio do ano.

Faz uma prova a São Silvestre no final do ano.

Ok, eu vou contigo. Vens comigo? Dás-me a mão?

Dou-te a mão, 10 km.

Ok. Então vai, esse é o meu plano para o futuro.

Adoro.

O meu objetivo. Isso e fazer esgrima, que eu quero fazer esgrima desde que tenho 12 anos e ainda não consegui. Também não treino, mas pronto. Obrigada, Daniela.

Obrigada. Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?