Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Olá, sejam bem-vindos a mais um episódio. Hoje vamos falar de um tópico específico do fitness, do esporte. De repente, toda mundo começou a correr, a fazer Ironmans, a fazer muitas brincadeiras à volta do esporte, mas existe agora uma vertente de competição que se chama Hyrox. Para quem acompanha o meu percurso do mundo desportivo, eu já fiz um em Verona no ano passado e partilhei um pouquinho sobre essa experiência, mas aqui hoje decidi me sentar com duas pessoas que vivem o Hyrox diariamente na pele. Neste momento, quando este episódio está a sair, está sendo a primeira competição oficial da Hyrox em Portugal, e está crescendo, está sendo toda uma trend que todo mundo está de repente acordando e percebendo que existe agora uma competição de esporte híbrido. Híbrido, por quê? Porque envolve a corrida e a musculação. E com quem vamos falar aqui hoje é com duas pessoas que vivem o Hyrox muito intensamente, mas de formas um pouquinho diferentes. Porque temos o João, que é das maiores referências da Hyrox em Portugal, ganha provas pelo mundo fora, e depois temos a Inês, que é namorada do João e que acompanha todas estas provas no backstage, e que há uns tempos fez também o primeiro Hyrox. Portanto, eu quero muito falar, desmistificar este mundo, perceber por que isto é uma trend, perceber o que é o Hyrox, de que forma que eles também vivem o dia a dia deles no foco, disciplina, motivação, tudo isto, e perceber se isto é uma trend para ficar ou não, e por que de repente só se ouve falar disso. Portanto, se já conhece este mundo ou se é a primeira vez que está ouvindo falar desta palavra, mas tem interesse nesse sistema de fitness e destas competições, espero muito que gostem desta conversa. Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume. E é a primeira vez que eu vou falar assim só sobre Hyrox, que eu já fiz um, fui contando assim sozinha, às vezes, as minhas experiências de preparação e da prova. Mas, para quem está a chegar aqui ao episódio do zero, primeiro, se calhar, explicamos o que é Hyrox. Ok? João. Força, João.

O Hyrox é uma corrida fitness e é uma marca. No fundo, não é um esporte, é uma marca.

Ok.

De uma empresa que criou uma competição, que no fundo são 8 km de corrida, em que no final de cada quilômetro, há uma estação com exercícios para se fazer. Portanto, corre-se oito vezes e fazem-se oito exercícios diferentes. Começa-se com corrida, quando se acaba o primeiro quilômetro, faz-se ski. Segundo quilômetro, não vou exemplificar aqui, mas o ski é assim.

Podes fazer, é vídeo.

É exatamente isso.

Eu já fiz, está bom.

A segunda estação, sled push, empurra-se um trenó que pesa bastante, acho que é das estações mais desafiantes para quem vai experimentar pela primeira vez um Hyrox. Puxa-se um trenó com uma corda, faz-se uma distância de burpees com salto, rema-se, leva-se uns pesos nas mãos muito pesados, vai de 16 quilos a 32 quilos em cada mão, faz-se lunges com um saco às costas. Não se pode deixar cair o saco durante 100 metros, que a pessoa fica logo desqualificada, e depois acaba-se com wall balls, que é um movimento muito característico e muito conhecido do crossfit, que agacha-se com uma bola e depois ao subirmos no agachamento, temos que acertar num alvo que está a três metros ou 2,70 metros para as mulheres. E conclui-se a prova com essa estação. Por norma, isto é uma prova para uma hora, uma hora e meia, duas horas, caso a pessoa não esteja bem preparada, e é este o estímulo que é colocado dentro de um Hyrox.

E qual é o melhor tempo que tu já fizeste?

Essa pergunta é muito interessante, porque há várias formas de participar num Hyrox. Pode-se participar em duplas, pode-se participar na categoria pro, pode-se participar na categoria open. A diferença são os pesos. Na categoria pro, fiz 57, ia dizer 20, mas 57:08.

Na categoria pro, single.

Exatamente, pro, single. Exatamente, está ótimo. Não, porque muitas vezes diz: "Eu fiz 58, eu fiz uma hora".

Sim, mas depende da categoria.

Ou até: "Eu quero vir a fazer 1 hora e 05 no Hyrox". Mas quê? Já voltamos à quarta classe. Se não disseres o quê, são batatas. Temos que dizer 57 minutos em duplas femininas. Tem que ser assim, senão os 57 minutos ou o tempo que se diz fica ali um bocado perdido no que é.

Olha, por que se diz Hybrid Rockstar?

É um mito.

É um mito? Não é nada, jura.

É um mito. Houve alguma propaganda na net sobre isso.

A sério?

Mas é um mito. Os organizadores já disseram que isso não é verdade.

Acho que era muito foleiro, não acha?

Se calhar, era verdade.

E eles não gostaram, era mau marketing.

E a equipe de marketing disse: "Epá, não, vocês desmintam isso. Pronto. Digam só que tiveram a palavra Hyrox. Pronto."

Olha, por que vocês acham que isto está tão na moda? Por que agora só se ouve falar da Hyrox em todo lado?

A Inês tem uma vida minimamente ativa, fisicamente. Quantas vezes é que treinas por semana?

Quatro, cinco, se não me engano.

Ginásio.

Box, crossfit ou rua, correr. Ginásio eu também vou quando está o inverno e preciso da passadeira para correr. Ou seja, tenho vários sítios onde vou treinar, mas sim.

E já fez o seu Hyrox. E não faz mais porque apesar de já ter pago muitos bilhetes de espectador, como está a acompanhar, acaba por não fazer muitos, porque ela sai tão esgotada quase como eu, porque faz todo um trabalho, não está só a acompanhar. Mas se não estivesse a acompanhar, já tinha feito mais. Por que é tão fácil? Porque é muito fácil participar num. Eu acho que muita gente que treina diariamente ou que treina três em três dias, ou dois em dois dias, ou que vai correr ocasionalmente na ruaGosta daquele estímulo competitivo e no HYROX é muito fácil encontrar isso. Eu antes de ser o atleta amador que sou, porque não sou profissional, não tinha esta sensação de concretizar algo, de cruzar uma meta e "ganhei isto" ou "consegui este objetivo". Claro que se consegue isso nas corridas de rua de 10 km, meio maratonas, mas também são um sucesso. Têm milhares e milhares de inscrições, mais ou o dobro do que os HYROX têm agora. Mas para mim é, primeiro, a facilidade com que uma pessoa consegue fazer uma prova de HYROX. Não estou a dizer que é fácil fazer, mas com o mínimo de preparação, a prova corre dentro do normal e pela concretização que existe depois no final.

Eu acho que ainda existe, se puder completar, acho que ainda existe a vertente de redes sociais. Porque numa corrida de 10 km, tu sais e se o percurso não for circular, se tiveres alguém a filmar, é muito difícil acompanhar a tua prova o tempo inteiro. Tu sais da corrida e vais. No HYROX, como é um pavilhão fechado, tu andas ali sempre à volta. Se tiveres alguém deste lado a acompanhar, é muito mais fácil haver filmagens, passares várias vezes pelo público que está a aplaudir. Então aquilo tornou-se todo um evento desportivo muito mais social, em que as pessoas maquilham-se, arranjam-se, põem outfits super divertidos. Da vez que nós fomos fazer, eu pus imenso glitter. E depois é muito fácil ter conteúdo e ter uma experiência que para mim é os concertos de verão, para a malta que gosta imenso de música e adora ir para o concerto de verão e o dia é sobre o concerto, para a malta do fitness aquilo é quase como essa sensação. Tu vais para ali o dia todo, aplaudes malta, produzes-te, tiras imensos vídeos, imensas fotos e acho que isso também é muito aliciante, o lado social dentro do fitness.

Mas qual é a diferença para uma competição de CrossFit? Por que ganhou tanta força?

Para uma competição de CrossFit, normalmente participam o quê? 100 pessoas, no máximo?

Vamos dizer que vão 300 pessoas.

Que já é uma competição gigante.

Cá nacionalmente, se calhar, a maior competição vai a 400 pessoas. Vamos ter o primeiro HYROX cá em Portugal daqui a quase um mês.

Sim, este episódio vai sair no domingo da prova.

Portanto, já está a acontecer.

Está a acontecer agora.

Ok. Vão estar mais de 6 mil pessoas a participar. Estas 300, 400 pessoas que participam numa prova de CrossFit é o mesmo número da competição com menos pessoas, estilo HYROX, cá em Portugal.

O CrossFit é muito exclusivo devido à técnica de vários movimentos.

Pois, eu acho que também tem peso isso.

Tem muito peso, porque eu, por exemplo, se me apetecer agora convidar a minha mãe e dizer: "Mãe, vamos fazer aqui uma experiência. Se tiveres que andar, andas. Se precisares que eu faça muito mais da estação, eu faço, tu fazes só uma ou duas repetições." E ela vai concluir um HYROX. No CrossFit, isso seria impossível. "Mãe, faz aí um pin."

No CrossFit, nem tu conseguias.

Claro que não!

Um atleta profissional de CrossFit, ou mais especializado em CrossFit, se fosse contigo, não ia funcionar sequer. Nem comigo.

Acho que é esta inclusividade.

É a especialização que é preciso para CrossFit. O CrossFit não é inclusivo a nível competitivo. Claro que é para a pessoa que quer treinar todos os dias na box, isso está mais do que preparado. Qualquer pessoa está mais do que preparada, mas para uma competição, o nível é completamente diferente.

E se calhar também surge um bocadinho na linha de agora estar tão na moda os treinos híbridos e o foco na saúde também andar muito à volta do híbrido, porque as corridas, ótimo, mas depois quem corre, se calhar também procura depois outras coisas, outros estímulos diferentes. E lá está, surge também a musculação. E se calhar o HYROX é um bocadinho esse caminho para tu teres esta vertente de híbrido na tua vida. Muitas vezes me dizem: "Quem corre, depois acaba por seguir ou para um Ironman ou vai para HYROX". Eu acho que é um bocadinho depois procurar coisas diferentes, se calhar as redes sociais acabam por também extrapolar um bocadinho isto e tornar tudo moda.

E o HYROX ainda tem a vantagem versus o Ironman por causa do investimento.

Mas é caro fazer um HYROX, não é barato.

Mas um Ironman...

Sim, obviamente.

Claro que é caro, mas a inscrição é mais barata e não precisamos de uma bicicleta. Isso é a maior diferença para um Ironman. Mas sim, eu acho que se dividirmos num bolo as pessoas todas que participam no HYROX, 90% vem da corrida ou do CrossFit. Os outros 10 se calhar descobriram o HYROX por redes sociais e isso é que os fez fazer o desporto, mas eles já vêm com uma base de algum sítio, ou do ginásio, ou da barra CrossFit, ou de corrida.

Sim, não começam assim do nada vou fazer um HYROX.

Exato. E estavas a falar da parte de corrida, quem faz corrida tem que fazer musculação para reforço muscular. E acaba por ir conhecendo estes exercícios. Uma pessoa a fazer reforço muscular para corrida, acaba por fazer as lunges, acaba por fazer o wall balls, se estiver num ginásio mais apropriado para esse tipo de movimentos, e se calhar depois vai ganhando a vontade de fazer depois em competição aquilo. O HYROX também tem uma parte muito boa que é a gamificação que eles fizeram com os age groups, com as bandeiras, que toda a gente quer ganhar uma bandeira, e há mesmo muitas bandeiras para se ganhar. Há três bandeiras por age group e cada age group tem cinco anos.

Ou seja, até as pessoas com 60 anos.

A tua mãe iria querer ganhar a bandeira dela.

Porque eu já não estou a lutar contra os miúdos de 20, 30 anos. Não, é contra pessoas que têm 50 anos, então eles ficam entusiasmados. Conhecemos um casal dentro do mundo do HYROX, a Paula e o Germain

Que eles realmente ficam entusiasmados com isto dos age groups e de receber a bandeira. Eles são umas máquinas, são mesmo bons, mas tem graça ver esta dinâmica.

Nós, em casal, fizemos 1h20, eles fazem 1h02. E estão na categoria 60, acho eu.

Ou 50. Estamos aqui a beijar-nos. 50.

Mas pronto, para os levantar mais de 160. Sim, são um casal incrível e acho que isso traz uma vantagem muito grande pro Iron, porque toda a gente depois acaba por lutar contra só mais cinco anos. E isso, por exemplo, nas corridas não há. Ninguém vai ganhar uma corrida. Já um trail é mais fácil, porque também tem as categorias de idade mais próximas, mas mesmo assim os seniores vão dos 21 aos 35. No Iron há três categorias.

Mas não sei se concordam comigo, que eu sempre fui muito mais das corridas, e eu sinto que o ambiente de prova é divertido, é muita música, muito bom ambiente, porque é aquilo que estás a dizer, as pessoas não estão bem a competir entre si. E eu quando fui ao Iron, eu senti que era uma competição. Sentes muito mais que as pessoas estão ali focadas. Sinto que estão ali muito mais e as pessoas lutam mais ou apoiam mais quem estão mesmo a apoiar. Não é tanto um apoio coletivo, estão a perceber?

Sim, os acompanhantes, estás a referir.

Sim, ou seja, o ambiente de quem está a assistir.

Pois, é que há aquela questão que não estás, porque saem de 10 em 10 minutos vários grupos de 30, 40 atletas. Não é que tu estejas a competir só com aqueles que estão ali, estás a competir com imensos. Mas é normal que os acompanhantes digam: "Tu vais neste aqui, tu vais em quarto ou quinto deste grupo". E mesmo quem está lá dentro, há pessoas que realmente são muito competitivas. Por exemplo, nós quando fomos, estávamos-

Pois, depende, se calhar, do objetivo com que vais pra prova.

Exato. Mas sim, há imenso isso. Talvez nas corridas não sintas tanto isso, porque essas pessoas realmente muito competitivas já foram.

Estão lá no primeiro grupo.

Como não é isto de andares sempre às voltas, não passas por eles, não te encostam.

Vamos fazer de conta que são três atletas numa corrida de 10 km. Quantas vezes é que eles ultrapassam entre si numa corrida? Poucas vezes. Não vão estar, agora no primeiro quilômetro ultrapassou o atleta A e depois no segundo o B. No Iron, isso acontece a todo momento, porque como temos as corridas e exercícios todos diferentes, há atletas com maiores valências na corrida, maiores valências nos sleds, nos burpees, no remo. Então há mesmo uma competição a acontecer durante os 60 minutos de prova. É uma prova que não é como o futebol, que às vezes estamos a ver e acontece um gol. Pronto. Ali estão sempre a acontecer coisas interessantes.

Ultrapassagens.

Ultrapassagens, momentos mais atrasados de um atleta versus outro, e isso é que traz também a competitividade. E "bora lá", porque tu sabes que ele está com muito avanço, mas não quer dizer nada. A seguir já o podes ir buscar. Numa corrida é um pouco diferente.

Sim, vais mantendo mais essa distância também. Olha, como é que tu entraste no Iron? Como é que começou tudo isto?

No Iron, eu fazia crossfit numa box em Lisboa. O Vasco, que era o dono da box onde eu andava, viu que eu tinha jeito para correr e fazer exercícios, que eles de vez em quando, ao sábado e domingo, punham mais esse tipo de treino. Em 2022: "João, tens que experimentar um Iron". Óbvio que não fazia ideia o que era, não havia boom nenhum na altura nas redes. E isto foi por aí em meados do ano. "Inês, queres ir ver os mercados de Natal em Hamburgo?"

E ias fazer um Iron.

E fazer um Iron. Foi o Iron mais feliz que eu já tive, sem preocupação nenhuma.

É o primeiro, não tens expectativa.

E depois, ainda por cima, fiquei em segundo lugar.

Jura?

Lá está, fiquei em segundo lugar, ganhei a bandeira do meu age group. Foi ótimo. Fiz na altura 1h05.

Ei, meu Deus!

Não, fizeste 1h04:40.

1h04:40.

Como é que tu te lembras disto tudo?

Isto é o trabalho.

Esquece. Já nessa prova, apesar de ter sido a nossa primeira, e não haver bem-

Sim, não havia expectativas e fomos-

Mas nós íamos com os tempos todos.

Mas íamos com os tempos.

A Inês sabia, eu tinha que sair-

Hoje em dia já não fazemos isto. Na altura fazíamos, hoje em dia já quase que não se leva o relógio, porque já é psicológico a questão dos tempos e depois se sais um bocadinho, pode mexer. Mas o que vocês faziam, género, tu dizias-lhe como é que ele estava?

Se eu estava dentro do objetivo, porque na primeira corrida-

Eu ia com os tempos todos aqui também.

Eu ia no braço.

"Ah, eu tenho que sair desta estação a este tempo para estar..." Mas pra quê? Para chegar a este no final?

Porque eu precisava fazer 65, que é 1h05.

Estou a perceber.

E por acaso fiz mesmo 1h04:40, foi mesmo perfeito. Fiz essa primeira prova, correu muito bem, adorei a experiência, correu tudo bem. Nós gostamos da sensação e da experiência de fazer uma viagem, despachar logo a prova e depois estar uns dias.

Aproveitar.

Porque depois de Hamburgo fomos pra Berlim e aproveitamos mais mercados de Natal. Então a experiência foi incrível.

Quero mais.

Dá pra fazer mais provas na Europa, porque na altura-

Não havia em Lisboa.

Não havia em Lisboa, havia em Espanha, mas como Espanha já tínhamos visitado muito, não havia essa necessidade, mas fomos conhecer o norte da Europa todo desta forma, a fazer provas. E com o tempo fui vendo que tinha cada vez mais jeito, cada vez mais capacidade de melhorar meu tempo, e foi uma bola de neve.

Mas já tinhas feito provas de corrida antes ou não?

Não. Isto foi em 2022, eu em 2020, no Covid, estava com mais 20 quilos e zero atividade física até então, na minha vida.Eu era muito bom aluno quando era mais novo, então os meus pais queriam que eu estudasse. "Não, tens que ir para medicina ou para alguma coisa dessa cena". Não gostava de sangue, então acabei por ir para engenharia aeroespacial. Depois fui para engenharia e gestão industrial, fiz um mestrado em finanças, portanto nada a ver com isto. Trabalhei em finanças e em 2020, trabalhar até às 18h ou 19h no escritório, com gomas e com cesta de bolachas e aos coffee breaks do mundo empresarial, o meu peso aumentou muito. Ela ofereceu-me uma consulta de nutrição.

Mas vocês já namoravam?

Já namorávamos. Da sua nutricionista, e como eu gosto muito de números, foi daí que eu comecei a perceber mais de calorias, macros, micronutrientes, e levei a cabo uma transformação completa.

Em quanto tempo?

Há seis anos.

Há seis anos que estou nesta transformação.

Desculpa, foi só alimentação ou também começaste a treinar?

Eu não treinava. Quando estava na faculdade, fazia aquele body pump muito ocasional.

Uma vez no mês.

Muito ocasional, exato. Sempre que ia ficava todo massacrado, como não ia muitas vezes, sempre que ia à primeira, voltava ao ponto zero. Mas a transformação foi tanto nutricional como treino. Em 2020, comecei a ir ao ginásio três, quatro vezes por dia.

Por semana.

Sim, por semana. Hoje é que é quase três vezes por dia.

Cabe dizer que são seis anos, mas quando ele começou em 2020, não houve um meio-termo. Apaixonou-se logo. E uma pessoa normalmente quando não vai ao ginásio e começa a ir ao ginásio duas ou três vezes por semana, é um número interessante, quando não se faz nada.

Sim, do zero pra isso já é ótimo.

Já é ótimo. Ir duas vezes, três vezes, a maior parte das pessoas é isto. Ele foi logo: "Não, eu estou a gostar imenso disto". Quatro vezes, cinco vezes por semana. Rapidamente, no ano a seguir, saltou para duas vezes por dia. Portanto, houve um rápido...

Foi um boom, foi tipo o HYROX. Tinha relação com um chefe, numa empresa onde eu trabalhava, que me aconselhou a fazer crossfit, e aí é que entrei pro crossfit e passei a ir quase duas vezes. Não sei se conheces a dinâmica de uma box crossfit, eles têm a aula no quadro. No início, eu fazia a aula duas vezes. Ia de manhã e ficava à noite e fazia a mesma aula.

A ver se conseguia melhorar.

Meu Deus!

E isto foi a transformação que me fez chegar onde estou.

Sim, porque depois em 2022, foi em novembro, que ele foi a Hamburgo pela primeira vez ao HYROX e já acabava por ter dois anos de treino muito consistente e a alimentação também, não está o que é hoje em dia, mas estava muito boa já também.

Na altura, eu não treinava focado para HYROX, corria 20 km por semana. Mais as aulas todas de crossfit ou de hybrid da altura, que fazia. Mas agora, claro que mudou tudo. Fiquei com muito mais atenção a como o treino está completamente especializado para HYROX e daí os resultados.

Foste descobrindo que o caminho do HYROX, se calhar, tem ali possibilidade também de ganhar, de evoluir.

Sem dúvida. Eu adorava crossfit e se amanhã fosse proibido fazer HYROX a nível mundial, eu voltava para uma box. Voltava, não, eu estou inscrito numa box de crossfit, eu fazia era aulas de crossfit. Mas óbvio que notei que tinha muito mais valências para HYROX do que para crossfit, porque são atletas completamente diferentes.

Mas depois transformaste isso no teu trabalho.

Sim.

Ser atleta profissional e também criares o teu negócio.

Exatamente, eu não deixei 100% o-

Não, mas calma. Ele não é atleta profissional.

Eu já ia dizer. Eu não deixei 100% o meu trabalho. Nós trabalhamos os dois em conjunto. Mas, primeiro, não sou atleta profissional, porque o desporto não nos paga.

E só assim é que seria atleta profissional.

Certo.

Se o desporto desse um ordenado.

Mesmo que marcas associadas ao desporto nos pagassem, mas não é algo que aconteça.

Mas espera aí, o pódio não te dá nada, então?

O pódio, há cinco, seis pódios ao longo do ano que dão dinheiro. Sendo que a final mundial, ou seja, a competição mais difícil de ganhar, no ano passado deu 30 mil euros ao vencedor. Pronto, não dava pra viver o ano todo. Óbvio que dava.

Podes dizer.

Não, é fácil fazer as contas, que é preciso viajar muito pra chegar a esta competição final.

Não dá pra sustentar isso.

Não dá pra sustentar. Mais a comida, mais a habitação. Portanto, não sou atleta profissional, sou atleta amador, daí eu ter dito logo no início que era atleta amador. Tudo o que nós fazemos é por nossa conta. Claro que temos alguns patrocínios de marcas que nos ajudam bastante.

Mas isso não tem a ver com o HYROX, tem a ver com a nossa vontade de ter crescido as redes sociais, e através das redes sociais em que trabalhamos é que conseguimos essas parcerias, não é pelo HYROX nos dar.

Certo.

E depois, desde que houve esta evolução, eu também sou uma pessoa com a vontade de aprender mesmo muito grande, uma doutrina de trabalho muito grande, e eu tenho registado, por exemplo, os meus treinos desde 2022, num Excel, numa sheet, no Google.

Finance bro.

Sim, mas em tudo, até o que come todo dia, todas as medições que estão lá.

És bué type A. Vocês sabem a diferença entre type A e type B?

Não.

Não sabe? Type A é uma pessoa bué organizadinha, bué de números. Tem tudo certinho.

Desde que acorda até se deita.

Nós gozamos muito connosco próprios, porque eu, por acaso, agora vou para Lisboa sozinho, mas se fôssemos no carro em conjunto, íamos estar a fazer uma lista do que era preciso fazer quando lá chegássemos, ou uma lista de compras, porque temos que comprar isto quando lá chegarmos, coisas assim. Mas comecei a me informar cada vez mais sobre o desporto, não só sobre o Hyrox, sobre corrida, sobre força, sobre alimentação para desporto, nutrição desportiva, e formei-me como técnico de exercício físico, porque sem eu promover nada, muitas pessoas, muitos atletas vinham pedir ajuda para a programação dos seus treinos, da sua preparação para determinada Hyrox. Óbvio que não fazia sentido fazer isso de forma ilegal, porque é preciso a pessoa ter a cédula.

Tens de ter a licença.

Ter a cédula, sim. E formei-me, e agora que me formei e que já posso fazer isto de forma oficial e correta, não ser os coaches do Instagram, lançámos então o nosso programa, o Hybrid Pursuit, com programas de treino focados neste momento no Hyrox.

E vocês veem isso no futuro a ser o foco dos dois, este projeto?

Idealmente, é assim, já houve um grande investimento no lado das finanças, todo o nosso background acadêmico, que nos proporcionou criar uma empresa sobre isso, e teria pena de deixar isso cair. Mas, de facto, o que mais me apaixona é trazer o meu lado das finanças e tudo o que seja redes sociais e trabalhar aqui a gestão do projeto. Se pudesse crescer este daqui para que não precisasse mais das finanças, sim, talvez diga que-

Eu acho que, lá está, eu fui para finanças porque era bom aluno. A Inês conseguiu depois fazer um mestrado em gestão no final da licenciatura, porque já foi para uma área que gostava mais. Eu acho que nós, se pudéssemos, eu não voltava atrás e não mudava nada, mas o nosso caminho é mais de gestão e não tanto de finanças e números e contabilidade, não é nada disso, a nossa paixão. E nós adoramos tudo o que fazemos relativamente ao Hybrid Pursuit. Antes de virmos cá para o Porto, estivemos numa reunião com uma equipa que vai estar num Hybrid Day, que é uma prova igual ao Hyrox, mas que acontece cá em Portugal, que nós queremos é estar com eles e fazer uma ativação de marca dentro do evento. Isto são coisas que nada têm a ver com o desporto em si, portanto, não é sobre o atleta, é sobre a marca e a presença de marca nos eventos, e nós adoramos essa parte da vida que agora levamos.

Sim, se calhar hoje é Hyrox e pode depois também evoluir para outras coisas, o que vos apetecer no futuro, criando uma presença.

A nossa ideia é mesmo essa, é que agora é Hyrox, mas já estamos a tentar entrar pela vertente de oferecer também dentro nutrição desportiva. Também estamos a trabalhar o ramo da psicologia desportiva e temos aqui muito mais ideias e parcerias pensadas num futuro próximo, por isso pode não ser só para Hyrox, até abrirmos para outros segmentos, não vou estar aqui a revelar os segredos, mas sim, sem dúvida. Esse é o caminho para nós e achamos que há espaço no mercado, a comunidade quer, está sedenta disso e achamos que temos capacidade.

Nós sabemos que o Hyrox está a ter um boom gigante, mas o Hyrox é pequenino, mesmo muito pequenino ainda. As pessoas da nossa idade vão saber, se calhar, muita gente ouviu falar, mas a mãe da Inês só ouviu falar da Hyrox por minha causa. Pouca gente conhece o CrossFit, e se perguntarmos o que é o CrossFit, é levantar pneus. Muito menos gente conhece o Hyrox, apesar do boom todo que está a ter. E ainda bem que temos as redes sociais hoje em dia que ajudam a experienciar isso.

Sim, normalmente as pessoas treinam para perder peso ou para estética. É a bola maior.

São as duas razões, é saúde e perder estética. Saúde e perder peso.

Mas estavas a falar no início que tu lhe ofereceste uma consulta de nutrição. Tu já tinhas interesse por essa área? Já treinavas, já gostavas disso?

Não. Simplesmente, eu já estava a experimentar nutrição também por mim própria. Na altura, isto parece outra vida, estávamos os dois em corporate, trabalhos duros, entrar cedo, sair tarde, o tempo todo na secretária e acabas por agarrar muito à alimentação, àquela coisa de o jantar de sexta à noite, o almoço ou o jantar de sábado.

Eram os momentos.

E isso fez com que, tínhamos saído da faculdade, vida sedentária, não íamos ao ginásio e depois isso, estávamos a ganhar peso loucamente. Pronto, então eu fui à nutricionista, adorei, adorei mesmo a experiência, recomendo para quem nunca foi. Veres os teus números todos, teres alguém a pesar-te, a dizer o que comer, adorei a experiência. E achei que como ele gostava muito de números, que seria uma forma fácil de voltar a estar saudável, porque não estávamos saudáveis. Portanto, foi mais nesse sentido, foi ver a nutrição com outros olhos, com mais números do que ser só "ai, não posso comer isto". Não, fazer daquilo um jogo. Então foi mais por aí.

E acho engraçado também que quando tu falas, não dizes esta minha prova, esta nossa prova, falas sempre em conjunto, como se a Inês também de facto tivesse feito parte. Tu nunca tiveste interesse em fazer um Hyrox, só agora, ou como é que é?

Interesse, tenhoAdoro treinar, aliás, eu treino muitas vezes com ele. Só que quando o João estava a dizer que Hamburgo foi a única prova que se fez de forma descontraída, isto é mesmo verdade. Todas as outras provas, como se percebeu que ele tinha algum jeito, que ele tinha capacidade para poder vir a estar dentro da elite, poder vir a ser um atleta profissional, criou-se aqui uma pressão e uma prioridade sobre as provas dele. E para que exista conteúdo nas redes sociais, edição de vídeo, responder a toda a gente, estar presente e ele poder treinar ao nível, tem que haver ajuda, e essa ajuda acaba por passar por mim. Portanto, a Inês, que gosta de competir e treinar, tem que ficar um bocadinho de parte para que o João, durante o ano, possa competir em cinco, seis HYROX, que são um grande investimento, durante o ano, fazer isso, e tenha ao lado dele uma pessoa a gravar tudo, que antes da prova grava, durante a prova grava e depois da prova vai ver tudo, editar tudo, trabalhar o conteúdo. Portanto, no meio disso há pouco espaço para fazer o extra investimento dele também poder participar. Fizemos agora, recentemente, mas lá está, tivemos que contratar o André, que faz parte da nossa equipa agora, felizmente, do Hybrid Pursuit, porque senão não havia conteúdo. Se não fazíamos isto, não tínhamos memórias, não tínhamos nada. Não é que isso seja importante, haver conteúdo, mas óbvio que ficaria com pena de fazer o meu primeiro HYROX e não ter nenhuma imagem, não ter nada. Então, pronto, acho que é isso. É óbvio que eu gosto de participar, mas sei que o meu papel, como ele pode ir muito mais longe, o meu papel cabe produzir, editar, idealizar, fazer parcerias com marcas acontecer, porque eles já passam imenso tempo a treinar e depois a pressão de competir.

Sim, e também gostas dessa vertente da gestão, não é, do marketing?

Sem dúvida.

Porque senão também não irias estar a lutar como se fosse o teu sonho também, não é?

Claro. Para já, isto só funciona porque nós vemo-nos como uma equipa. Por exemplo, há muitas alturas em que ele é que é o spotlight.

Eu é que sou a princesa. Ela diz muitas vezes que eu é que sou a princesa lá de casa.

Os horários têm que ser de acordo com a princesa. Tem que ser.

Se é para ir dormir, tem que ir dormir.

Exatamente. As coisas têm que funcionar de forma meio egoísta. É muito ingrata a vida de uma pessoa que trabalha, treina e tem que descansar. Mas, no meio disto tudo, eu como vejo-nos como uma equipa, não me importo, porque eu sei que a imagem grande, the big picture, não é eu estar nesse momento no spotlight. Havemos de lá chegar um dia. Neste momento, o João tem que ter o corredor aberto para se conseguir focar e obter resultados. E ninguém obtém resultados de topo sem ter por trás uma base, e eu tenho que ser essa base agora.

Que bonito! João?

A Inês fica muito mais nervosa nas minhas provas.

A sério?

Do que na prova.

Não consigo correr.

Como é que foi a vossa prova? Como é que foi a preparação?

Foi ótimo.

Como é que foi o dia da prova?

Queres, João?

Quando eu compito sozinho, normalmente eu compito à noite, a categoria Pro Man, por norma, até agora, é sempre à noite. 20h. Não consegue sequer almoçar. Deixa o prato todo cheio de comida. Na nossa prova, comeu tudo, não houve estresse mesmo nenhum, mas nós decidimos que não íamos competir para tempo, portanto, era para nos divertirmos e para ela experienciar tudo o que podia experimentar no HYROX. Então fez as estações todas. Claro que não fez 100%, nem 50%, eu fiz um bocadinho mais, mas tínhamos dois objetivos, que era ela fazer um bocadinho todas as estações e conseguir fazer a prova toda a correr. Isto parece que é estranho e parece que é: "Ah, não, por amor de Deus, é só correr 8 km". Mas quando se faz um HYROX, percebe-se que há mesmo muita gente que chega a andar e gera mal.

Nem que seja na transição das estações para a corrida.

Exato, e eu não queria mesmo deixar a Inês. Perfeito, a rock zone. Não queria mesmo deixar a Inês descansar o mínimo possível. "Estás aqui, podemos fazer a corrida lenta". Eu disse-lhe isto durante a corrida.

E eu tinha que beber água. Ele tipo: "Bebes água". E eu: "Mas como é que vou beber água a correr?" "Metes assim, fechas o copo e metes." E eu: "Ok, eu vou conseguir." Não dá. A sério, não conseguia correr.

Falta de prática.

E beber água. Tive que só um segundo, meto a água, engolo, seco.

E olha para mim, eu já estou com uma cara de "pá".

Estás a parar um segundo?

Podes correr mais devagar, não há problema. Mas 100% boa vibe a prova. Eu não estou em pressão. Normalmente, quando estou em prova, desde o segundo um até cruzar a meta, eu estou em sofrimento total. Eu adoro aquilo e gosto muito de sentir aquilo, mas estou num sofrimento. Aquilo não está a saber assim tão bem durante o esforço todo. Mas com ela ficou completamente diferente. E poder falar com alguém, eu tentei fazer as minhas corridas todas sempre a falar.

O João estava a fazer o seu podcast durante a corrida. A certa altura, perguntou-me na primeira corrida: "Estás ok se eu estiver a falar contigo? Não precisas de responder, eu só estou a falar. Preferes que eu esteja calada ou que esteja a falar?" E eu fixe, só tipo assim

É giro.

Estavam a correr a quanto?

Ele foi-me contando cenas.

5:50, 6, por aí, não foi? As corridas.

A 6.

O Iron Ox também tem uma coisa que como é interior, não dá bem para ver os ritmos.

Pois, é muito chato isso. Eu não fazia ideia, foi a minha primeira prova, em Verona, e de repente não tenho GPS, e nós não fazíamos ideia. Nós tínhamos combinado correr mais ou menos a 6 e depois percebemos que corremos tipo a 5:15, por isso é que me apetecia morrer durante a prova toda.

Bom pace.

Foi bom pace.

Nós não fomos para isso. Brindámos a meio da prova.

Gostou-te muito? Do teu lado, como é que foi a experiência?

Houve uma corrida que eu: "Dá cá a mão, Inês, vamos embora."

A última. A sensação foi mesmo, há pessoas que não têm esta competição desportiva no dia a dia, então quando vão, querem sentir aquilo, querem sentir aquela da competição. Na nossa realidade, a competição desportiva é algo que acontece muito, então na nossa prova eu não queria nada disso. Eu queria o mais longe disso. Queria mesmo relaxar e portanto nunca me pus nessa posição e fiz o Iron Ox superleve, supertranquila. Lá está, fomos a correr a seis, estávamos leves. A última corrida, o João: "Bem, agora é a última corrida, Inês, não tens mesmo que fazer mais nada". Ele fez 60 ou 70 quilómetros.

Isto por causa dos tempos.

"Mas conseguimos fazer aqui menos que 1h20". Não, fazer dentro de 1h20, não era? Foi isso que fizemos. "Agora vais ter que correr". Então a última corrida, que era a mais longa.

A última corrida era muito maior que as outras todas e fizemos mais rápido.

Foi a corrida mais rápida que fizemos e aí morri. A chegar às joelhos fiquei algum tempo a recuperar, mas de resto foi superrelaxado, rir para a câmara, dizer olá. A minha mãe estava a passar, tipo: "Vai, Inês!" Mas foi só assim, não fizemos com pulmão, foi tranquilo.

Com quase sangue na boca. E foi para festejar os 10 anos de relação.

Sim, fazíamos 10 anos, então foi para isso.

Mas vocês treinaram para isso ou tu já fazes mais ou menos esse treino?

Não, fiz antes. Aliás, nós tínhamos voltado há pouco tempo do Brasil. Não houve preparação. Nós nunca treinámos em conjunto sequer para a prova. As transições com ele, eu nunca tinha feito transições. Lá está, eu treino sozinha também, ele está a treinar o seu treino sozinho, eu estou a treinar com ele, mas estamos em formato individual. Ou seja, não existe transição.

Transferência de peso e coisas assim.

Exato. Então no aquecimento foi quando ele: "Inês, como é que passas o saco da lanche?" E depois disse que eu tinha que encostar a cabeça assim para receber a lanche e é mais fácil. Foi ali no aquecimento.

Já só essa é que era importante trocar rápido, mas para nada também. No fundo, para nada.

Sim, exato.

Foi muito giro. Eu no dia anterior também já tinha participado noutra prova.

Ah, ok. Single.

Sim, exato.

Por acaso duplas com outro rapaz. E assim deu para juntar tudo. Foi um fim de semana top. Um fim de semana não, até foi tudo durante a semana, que no início o Iron Ox era mais pequenino, era só sábado, depois passou sábado para domingo. Esta prova que nós participamos começou quarta e acabou domingo. É um absurdo.

Não, mas eu também concordo convosco de que viajar e fazer provas é giríssimo, porque a minha primeira foi em Verona e agora eu também cedi, eu tinha decidido, como foi assim tão intenso para mim a experiência, tinha decidido: "Não vou fazer mais Iron Ox. Estou traumatizada."

Isso foi no dia, isso foi no momento.

Não, não foi no momento, João, foi bastante tempo, bastantes meses. Ficou ali, ainda está um bocadinho. Porque foi mesmo duro para mim. E então pensei: "Não, vou só continuar as corridas e isto não é para mim, é porque este mundo não é para mim". E entretanto uma amiga minha também: "Olha, eu gostava mesmo, não tenho dupla, não queres vir? E vamos fazer um hybrid a Valência". É viagem, vamos assim um grupinho, vai ser giro, e aí cedi. E acho que também fazer e vou fazer num ritmo mais confortável para mim de corrida, vai ser outra experiência, que eu também quero ter essa experiência não tão dolorosa.

Mas depois não te mates nas estações. Ou seja, porque como vais fazer um ritmo mais confortável, pode haver aqui um botão no psicológico que quando entras nas estações, estás mais fresca, então dás mais.

Mas sabes que eu não tenho treinado Iron Ox há meses. E vou fazer daqui a um mês. Portanto, eu já não tenho sequer estaleca de estações.

Vão quantos dias antes?

Vamos dois.

Ok. Nós tentamos sempre, na vertente de competição, é diferente. Se nós fôssemos para divertir, era indiferente ir antes ou depois. Nós tentamos é ir sempre um dia antes, se for na Europa, para haver o mínimo de distrações possíveis. A alimentação, o sono.

O João leva a sua refeição, leva as suas refeições todas.

Quanto menos tempo lá estivermos, melhor.

Se fôssemos para Valência de carro levava almofada.

Sim. E o lençol, porque há muitos sítios que não põem o lençol, chamam-lhe os nórdicos. Não põem o lençol entre o edredon. É lençol debaixo e edredon por cima. E isso faz-lhe bué confusão, porque ele não gosta de dormir com o edredom, mas também não gosta de dormir só sem nada, então levamos um lençol.

Isso é mesmo de atleta profissional, se calhar.

Não pago. Não, eu tento levar isto muito a sério, porque sinto que não tenho a mesma base que os outros atletas tiveram e isso cria até se calhar alguns bloqueios em mim, que sinto que não vou ser tão bom quanto eles. Porque eles desde os cinco anos ou 10 anos que correm e eu não. Então eu tentoCorrigir tudo o que é possível corrigir.

Tudo o que ele consegue controlar, está controlado. Agora é dar tempo.

Mas como é o vosso dia a dia hoje? Quantas vezes treinas ou treinam? Como é a alimentação? Super regrado?

A minha alimentação não muda muito durante a semana, por exemplo. Os meus dias são muito semelhantes. Eu sei perfeitamente o que tenho que comer para as 4.000 calorias, que eu como normalmente 4.000 calorias.

Tempo.

Não, mas eu acho que é pouco. Eu sinto fome durante alguns momentos do dia.

Então tu treinas muito mesmo, não é?

Sim, 4.000 também.

Gastas 4.000?

Por dia.

Por dia?

Sim.

A minha média dos últimos sete dias, não sei se consegues ver, diz 3.800.

E tem dias de descanso aqui, que não fazes nada.

Tenho um dia de descanso aqui, exato. Treino 14 a 16 horas por semana, o que dá às vezes três horas por dia. Uma hora e meia de manhã, uma hora e meia à tarde ou uma, duas. Tento que a Inês me acompanhe num dos treinos para, um, estarmos juntos, senão não estamos, porque apesar de trabalharmos em conjunto, está cada um no seu computador, vamos falando.

E temos funções diferentes.

Sim, não é tempo de qualidade.

Não é tempo de qualidade. Eu sinto que o treino é muito mais tempo de qualidade do que estarmos no computador.

Sim, eu basicamente adapto o treino que ele vai fazer, ele faz o treino, e eu é do género: "Tu vais fazer 1 km, então eu faço 600 m. Que é para eu estar sempre à frente dele e ele ter uma lebre.

Funciona bem para os dois.

Está a fazer menos, eu estou a fazer menos, sempre, mas ele tem sempre que me ir buscar. Então é giro para mim que estou a fugir, é giro para ele que está a apanhar. Acaba por ser uma dinâmica interessante.

Mas pequeno-almoço, que é um banquete, eu cumpraio 1.000 calorias ao pequeno-almoço. Ao almoço como outras 1.000, ao jantar como outras 1.000 e lanches durante o dia. Tento treinar sempre ou de manhã ou à hora de almoço, e depois a segunda sessão é sempre antes do jantar, para fechar o dia. Não é o ideal, que a pessoa depois acaba por não estar tão relaxada na parte da noite, mas por acaso eu consigo adormecer mesmo muito facilmente. Eu em três minutos de estar deitado, já estou a dormir profundamente.

Que bom isso.

Posso é não ter um sono tão tranquilo. Inês preferia que eu ficasse mais acordado para conversar.

Se estamos algum filme, o João às vezes 10 segundos do filme já adormeceu. Qualquer.

Mas é uma ótima qualidade.

Exato.

Eu, por exemplo, se treino ao final do dia só uma aula de cycling ou qualquer coisa assim.

Já ficas acordada.

Fico muito tempo. Sou capaz de ficar até às 2:00 a.m. e eu gosto de deitar às 22:00, 22:30.

Acontece muito.

Fico acordada horas e é horrível essa sensação.

A mim acontece-me isso em provas, como eu estava a dizer, o Pro Man é normalmente ao final do dia. Eu não durmo nesse dia, não durmo mesmo, fico acordado, a fazer tempo, a Inês acorda, para irmos depois conhecer o sítio ou irmos fazer alguma coisa. É que depois nem posso fazer barulho dentro do quarto.

Estás ali com os cheat eggs pós-prova. Em Glasgow foi para a casa de banho com o computador, fazer um relatório.

Eu tive que fazer um relatório, estava às 3:00 a.m fazendo relatórios com o computador pousado no lavatório.

Meu Deus!

A Inês caiu a rir e eu pensei: "Isto que achei meu lugar."

Mas a outra opção era estar dentro do quarto, onde eu estava a tentar dormir.

Mas agora havia luz para ti.

Tipo teclado. Ele estava a escrever o relatório.

Mas a dinâmica funciona bem e não foi uma dinâmica que começou do 0 ao 80. Eu há um ano atrás treinava 10 horas por semana. Agora que já estou nas 14, 16, há algumas semanas com 18, não foi algo que nós notamos que foi: "Epa, agora os dias desapareceram." Nós não notamos isso.

Foi gradual.

Foi gradual. Eu sinto claramente que fazemos pouco para além de comer, dormir, trabalhar e treinar. Fazemos muito pouco. Os dias de descanso, são mesmo descanso 100%, não se trabalha, não se faz nada. Nós adoramos jogos de tabuleiro, somos um bocado nerds, mas passamos a tarde a jogar jogos de tabuleiro, vamos à praia, como vivemos perto da praia, vamos à praia com a cadela. E são estes os dias de descanso, que é para estarmos mesmo. Hoje não se fala de nada, não se faz nada para dar alguma vida pós, sem ser o IRONX. Nós dizemos se calhar mais de 100 vezes a palavra IRONX em casa por dia.

Imagino.

É um absurdo.

Mas como é que vocês gerem a vida social? Ou nesta fase...

Difícil.

É difícil.

Tem que ser difícil. Por acaso, algo que nos ajudou nesse aspeto, para não nos sentirmos culpados, foi termos mudado há um ano e meio para Viana do Castelo. Nós vivíamos em Lisboa e mudámo-nos para Viana. Já conhecíamos muita gente, obviamente, mas a vida social, também por causa do treino que se leva e da vida que levamos, deixou de existir. É verdade. Nós temos mais vida social quando quase saímos de Viana, porque aí pronto, já vamos.

Em Viana estamos muito isolados.

Mas porque é que foram para lá?

Fomos para lá porque tínhamos lá casa, acabamos por querer uma mudança de ares. Gostávamos muito do Norte, já tinha surgido a hipótese de irmos para o Porto. Tanto eu trabalhava na sede da Sonae e ele na sede da Super Bock, então ambas as sedes são do Porto, então surgia essa opção. Acabamos por não fazer, mas depois deu-se a oportunidade de ir para Viana e acabamos por: "Ok, vamos experimentar então viver no Norte". Nós tínhamos essa vontade. Não conhecíamos lá ninguém, portanto, é difícil haver imensa vida social quando não conhece assim. Também tínhamos imensa gente que conhecemos de Lisboa que estão a trabalhar fora de Portugal, que saíram. Então também isso fez com que: "Ok, por que nós também não experimentamos outros ambientes?"Mas conhecemos algumas pessoas, só que essas pessoas também praticam esporte. Então, o fator social está misturado com o praticar também esporte.

E a Inês agora odeia ir a restaurantes comigo, porque eu sou muito chato.

Pois, imagino.

"Esta torrada está cheia de manteiga. Eu pedi só a torrada com os mexidos, por que está com manteiga? Por que não estava no menu?"

Óleos.

Óleos, e fica mesmo chateada.

Não, mas é difícil. É difícil hoje em dia tu ires a um restaurante e há imensas coisas que supostamente nós não devemos comer, mas que é superbanalizado porem na alimentação. Os ovos mexidos vêm com natas ou cheios de azeite, e não é necessário e ele não pode comer, então não posso te colocar nessa situação. Isso vai prejudicar a minha performance.

Mas como é que lidam com as exceções? Sei lá, um aniversário, qualquer coisa assim.

Acontece e é o quê.

É a resposta. Acontece, vai acontecer e é o quê, mas não há muita exceção.

Sim, eu vou a seguir para Lisboa, nos momentos em que vou comer sozinho, tenho as minhas refeições, mas quando for almoçar fora, por acaso surgiu em conversa: "Vamos a este sítio que é muito fixe, mas o dono tem outra casa ao lado de hambúrgueres." E eu: "Os hambúrgueres devem ser muito bons, mas vamos ao primeiro, não há problema." Tentei ao menos encaminhar para algo que seja mais nutritivo, mais interessante a nível alimentar. Mas se for preciso comer um hambúrguer, eu como. Não vou estar lá com o tupperware com arroz e frango ou não comer sequer, mas tento sempre fugir ao máximo dessas ocasiões.

Sim, estamos a falar de alimentação, mas isto também tem muito a ver com todos os hábitos, seja o sono, seja de ter as outras coisas que depois te falha nos treinos, tipo, isso não acontece? É a prioridade número um?

Por exemplo, fomos sábado jantar fora cá ao Porto, para ir para Viana e chegar à casa, passear a cadela, já nos deitamos, eu deito-me também 22:00, 22:30 no máximo. Às 22:00 já estou a dormir praticamente todos os dias. No dia a seguir ao treino, já foi: "Ai, já estou aqui a arrastar-me." E podia até nem estar, podia ser mais psicológico pelo fato de eu sei que me deitei tarde e se calhar até tive uma noite de sono incrível e o corpo recuperou, mas como sei que me deitei tarde, vou sentir no corpo depois alguma mazela ou algum esforço.

Mas o que estavas a perguntar, a resposta é sim, é a prioridade. A prioridade é, agora não há muito balanço, porque o João tem uma janela curta de poder pertencer à elite do desporto. E se a tem, vamos não nos autossabotar e fazer com que aconteçam situações em que sais da linha. Vamos preparar-nos e tentar criar aqui as condições otimizadas para que, se der, se não der, tu soubeste, consegues olhar para trás e saber que não foste tu que foste autossabotando o processo. Não, fizeste prioridade e tentaste. Se não der, pronto, nem toda a gente consegue, é a realidade, mas ao menos nós podemos estar de consciência livre de que fizemos um investimento de dois anos ou assim em que o foco era aquilo e tentamos. Pronto, eu acho que é a verdade.

Sim. Muitas vezes eu digo, como eu gosto muito da parte também da gestão e de organização de ativações, eu quando estava na Super Bock, trabalhei no trade marketing, há momentos em que eu digo: "Quem me dera agora estar no computador a trabalhar, em vez de ter que correr." Porque como eu passo tantas horas a correr ou tantas horas a fazer esporte, não adoro todos os momentos, óbvio. É essa a resposta. Isto vai tudo para daqui a dois anos, quer tenha conseguido entrar no mundo de elite do Iron Works ou não, quero dizer que fiz 95% do que podia. Claro que vai haver desvios, claro que há Natal, claro que há Páscoa. Por acaso a Páscoa não fugimos mesmo nada. Lá está, como estávamos em Viana e íamos entretanto a Lisboa, não fomos a Lisboa festejar com a família, mas tentamos sempre ao máximo.

É ter esse propósito bem definido. Conseguirem ver o objetivo. Porque, por exemplo, eu falo muitas vezes de esporte e destas mudanças e tudo isso, que eu também sofri uma mudança na minha vida, e sinto que há muita gente que chega até mim de: "Como é que tu fizeste? Como é que eu consigo também mudar a minha vida?" E aquilo que estavas a falar, de não te apetecer e ires na mesma, acho que há muita gente que se perde um bocadinho nesse processo, porque nem todos os dias vai apetecer, falha a consistência e depois deixas-te de andar. E quando tu deixas de andar e foges um bocadinho disso que comprometeste contigo próprio, é aí que depois começas a falhar e que as coisas te fogem do controle.

O mais fácil é falhar, é tão fácil, porque há sempre coisas mais interessantes às vezes para fazer.

E a própria sociedade desencaminha.

E a própria sociedade acaba por, não vou dizer desencaminhar, mas...

Se não estiveres dentro do meio certo.

Com as pessoas certas.

Para nós foi muito difícil, estávamos dentro do corporate. O mais fácil era andar aí, tomar o lanche, tosta mista e galão. "Vamos todos almoçar fora." Onde? Hamburgueria do bairro. É fácil. Depois do trabalho: "Bora beber umas cervejas aí ao café." É fácil.

Mas não sentem a falta de nada disso?

Não, honestamente, não. A vida levou uma volta supersaudável, o controle que eu tenho sobre o meu corpo, a maneira como eu me sinto, a energia que eu tenho, a vontade que tenho, a vida está limpa. E isso para mim

Eu para comer 1000 calorias no pequeno-almoço como mesmo muito, é mesmo um banquete. Ia comer isso fora, era muito difícil. A pessoa do restaurante ia ficar: "Mas este gajo está maluco". Eu ia ter que pedir muitos itens. Nós adoramos comer em casa. Primeiro, é uma coisa que sempre gostamos, de cozinhar e preparar as nossas refeições. Nós agora temos uma parceria com uma empresa que nos envia refeições, mas mesmo assim não nos envia todas, nós ainda dedicamos algum tempo. Mas é algo que nós adoramos. Não foi fácil, óbvio. Eu, quando tinha 100 quilos, comia duas pizzas à noite e um Ben & Jerry's como sobremesa.

E um gin tónico, uma entrada, os amendoins.

Enquanto esperávamos que a pizza chegasse. Não foi fácil deixar, mas agora acho que estamos noutra fase que sabe-nos mesmo bem.

E quando como assim? Quando sou cortada.

Fala de Glasgow.

Por exemplo, fomos de viagem, Reino Unido, há sempre aquele problema da alimentação deles, que está muito à base do fish and chips, do peixe com batatas fritas, daquelas meat tart quiches com carne e supermolhos, pesadas, sempre com batatas fritas. E depois as saladas são folhas verdes, a salada é só alface.

É a salada ibérica que nós temos.

Não alimenta nada, então és um bocado forçado a ter que pedir aquilo, não há escapatória. Saí de lá, sentia o corpo superinchado, estava mal do estômago, não me sentia bem com aquela alimentação, não estava fresca.

Agora também estamos muito pouco tolerantes a isso.

Pois.

O corpo reage logo mal. A pessoa fica logo mais inflamada, mais cheia, mais inchada. Mas que isso seja o problema.

Sim, mas aquilo que estavas a falar em relação a pessoas e circulares também com pessoas que também vivam o mesmo estilo de vida, se calhar também acabam por fazer muitos amigos, que seja da Iron, de desporto.

Sim, que compreendem mais. Sem dúvida.

Que assim não sentes tanto esse julgamento ou essa pressão.

Acaba por ser mais as pessoas que já são da tua família e com quem sempre estiveste, ou pessoas dos teus amigos que também são amigos mais antigos e da faculdade, e que continuam no mundo daquela forma e não passaram a ver a vida de outra maneira, então têm dificuldade em aceitar essa alteração que fizeste. Então quando estás com essas pessoas é um bocadinho estranho, porque têm imenso em comum, mas depois há coisas em que não bate.

Mas achas que já conseguem mais perceber?

Sim.

E aceitar?

Perceber, sim, mas está inerente a vontade de: "Mas pede lá a mousse, anda lá dividir a mousse".

Nós estamos sempre de dieta para eles.

Sim. O comer saudável é dieta.

Dieta que não é saudável, é só dieta para emagrecer ou para não ganhar peso. Nós tivemos, há uns dois ou três meses, um grupo de atletas que foram lá a casa, na Avenida do Castelo, treinámos em conjunto, dia superintenso a nível de exercício físico. Quando acabámos, fomos todos para a minha casa. O treino foi na box, viemos todos para minha casa e o almoço pós-treino, de estarmos ali duas horas, foi arroz e frango. E todos contentes.

Mas por acaso há muito essa cena de perdes tantas calorias, então agora deixa-me ir comer um hambúrguer, porque perdi imenso.

Sim, mas estas pessoas sabem que o que eles querem mesmo comer é frango, tipo churrasco de frango. Não estamos a dizer frango de hospital, mas tinhas arroz, tinhas pão, punhas o frango no pão se quisesses, tinha salada. Ou seja, não precisam e nem querem esse hambúrguer pesado com queijos ou molhos. Não, querem comer muito frango. Querem encher o prato.

Queres sentir que estás a comer saúde.

Estás a meter gasolina, concordo. Estás a meter uma boa gasolina.

E estavam todos contentes. Eu sei que se eu fizesse um treino destes com outra malta, outros grupos, era tipo: "Vamos à pizza! Hoje é loucura total, sobremesas".

"Queimei 800 calorias".

Exato.

É mentira, não associado ao Iron, mas sim ao desporto, que é: "Já treinei, posso ir jantar um bocadinho mais fora do normal". Mas o português no Iron tem uma coisa muito específica que é: se a cidade onde ele for fazer o Iron tiver um Five Guys, vai lá.

É?

Sim.

Há uma cena, é como ir a Itália comer uma pizza. É impressionante a quantidade de conteúdo que se vê nas redes dos portugueses, quando saem de Portugal e vão fazer um Iron, a acabarem a prova num Five Guys.

Acho que não é só o Iron, acho que é os portugueses no geral, como nós gostamos disso. Parece que já abriu em Lisboa, não é?

Abreu? Não sei.

Vou lá e vou ver.

Não sei, mas é essa cena de não teres quando não tens, quando vais fora e vêes, queres. Acho que é isso.

Há mesmo muitas coisas, eu achei sempre engraçado a cena do Five Guys. E depois as pessoas já metem, é dizer, o clássico Five Guys pós-prova. Já é uma cena.

Nunca apanhei. Não, mas isso de queimar e depois compensar, por exemplo, mesmo os run clubs, é muito isso. Vais correr 5 km, depois ias comer a cookie ou o bolinho a seguir, que se calhar estás até a ingerir mais.

Já dá mais, já estragou.

5 km gastas no máximo 200 calorias.

Não, podes gastar mais.

É?

Sim, podes gastar mais.

Ok.

Para quem não está preparado e quem não está habituado a correr, gasta mais.

As cookies são uma, 200. Eu estava a dizer uma cookie pequena.

Sim, mas ultrapassa. Mas lá está, não podemos olhar para isto como

Sim, claro que não.

Só números, porque não dá para contabilizar ao certo, não é?

Não. Lá está, nós fazemos isto porque existe um grande estudo e porque também ele quer maximizar a performance. E a performance não é só a parte estética. O teu corpo vai responder melhor se tiver o melhor tipo de combustível. E é olhar para a alimentação dessa forma, o que é que vai fazer com que o meu corpo esteja o mais forte, nutrido possível. E daí os números aparecerem. Eu não meço as calorias, mas mais o que como, o que é que entra no meu corpo.

O que é que te vai fazer bem.

E sinto-me realmente melhor quando tenho a possibilidade de comer bem. Lembro-me que as únicas férias que eu senti um país que comias mesmo muito bem era a Grécia, que eles tinham imensas saladas. Por exemplo, eles nas saladas punham sempre queijos em cima, ou feta. Podias pedir sem ou à parte, assim tu controlavas. E eram saladas mesmo boas, comias, por exemplo, lula grelhada com salada e batata cozida. E não havia tanto aquela coisa de vir cheio de azeite e alho. Nós temos bué tendência nos nossos restaurantes em Portugal de pôr imenso azeite e alho. Lá não havia isso. Então senti mesmo muito bem nas férias, não estava inchada, o que é ótimo, estás de biquíni. Mas hoje em dia não voltava atrás. Sinto que o caminho está melhor.

Foi ali quando foste àquela nutricionista, desbloqueou.

Sim, sem dúvida. E cada vez aprendi mais. Hoje em dia sei imenso de nutrição, porque leio, informo e estudo muito. Mas isto foi um processo. Na altura, eu realmente queria perda de peso, então fiz coisas parvas, tipo: "À noite não comas hidratos." Hoje em dia acho que isso é o pior que podes fazer. Corta uma sobremesa, mete o arroz, mete 100 gramas de arroz, porque senão tu vais ficar cheia de fome e vais ter uma queda e aquilo vai ser triste. Vai ser um processo muito triste, sempre a falhar.

És dietas iô-iô, não é?

Exato.

Nós a certa altura seguimos uma dieta que era sem hidratos.

Acho que era keto, assim o nome.

Já não sei qual que era.

Queijos.

É à base de gordura.

Ya, à base de gordura. São duas vezes mais calorias. Vais estar a comer metade em peso do que irias comer se comesse hidratos. Mas há pessoas que seguem isso.

Sim, mas há muitos mitos enraizados na sociedade. E depois há muito aquela vontade de quem está mal, de querer mudar para ontem. "Eu quero resultados." Eu acho que isso é o problema.

É um processo, exato.

É tu não aceitares que isto é a longo prazo. E daí surgem as dietas iô-iô. "Vou deixar cortar os hidratos esta semana. Para a semana já perdi três quilos." Isso não é objetivo.

Pois não.

E é insustentável.

E vais perder três quilos de água, porque em uma semana ou duas não perdes três quilos de gordura.

Também não se ganha, mas muito menos se vai perder.

Imagina, eu passei por um processo em que também perdi algum peso, mas isso foi resultado de mudança de estilo de vida, de começar a treinar, de fazer mudanças na alimentação. Não passei a seguir uma dieta, mudei muita coisa na minha vida, mesmo priorizar o sono, beber mais água, tudo isso. E muitas vezes vêm ter comigo: "Também quero perder peso, o que é que tu fizeste?" E eu aí já não sei responder.

A resposta é tão longa.

Não sei responder, não há um segredo, é literal mudar o teu estilo de vida.

Vai educando-te.

É isso, aos poucos. É uma mudança gradual, porque se eu tivesse feito, como já fiz várias vezes, uma mudança drástica, era insustentável, não ia conseguir continuar.

E sentes hoje em dia que tens saudades da outra versão?

Nada, porque eu estava super infeliz.

É isso. Eu também senti imenso isso.

E tu também, não é?

Nós adorávamos ir comer um donut, nós adorávamos ir comer a cookie, mas o momento de felicidade era tão curto, que era tipo um fósforo. Nós gostávamos daquele momento.

E era uma recompensa.

E já se sentia alguma culpa. Estava a comer aquilo e a saber: "Isto não é bom, mas..."

Há uma frase que eu gosto muito, que é: a disciplina muitas vezes pode parecer uma prisão, mas é uma liberdade. E acho que isto rezou um bocadinho deste pensamento.

Nós identificamos imenso essa frase em específico.

Eu peso tudo o que como e meto num Excel tudo que comi, tudo o que como diariamente. É uma prisão fazer isso, certo?

Sim, eu acho que era incapaz de fazer isso.

Mas dá uma liberdade incrível.

Mas percebo, porque é os teus objetivos.

Mas dá uma liberdade incrível no final do dia, sem saber se: "Epá, será que comi demasiado?" Não, eu comi aquilo, então agora eu posso comer isto. Fico completamente livre de escolher o que quero conforme as calorias que tenho ou as macros que tenho de sobra. Eu podia ter isso no wallpaper do telemóvel, porque nós dizemos isso muitas vezes. Nós temos uma cadela, a Coco, super bem-educada, mas ela viveu nessa prisão para ser educada, mas agora tem uma liberdade incrível.

Em relação aos outros cães.

Em relação aos outros cães.

Ela corre comigo ao lado, sem trela. Nós corremos em passadiços, não há trânsito e não há muita gente, mas ela está educada a andar ao meu lado, sabe que estamos a correr, não vai aos outros cães, sabe que está na função de correr. E houve uma altura, no primeiro ano, em que eu a treinei e que foi imensa disciplina. Os cães tinham o seu instinto e eu tinha que lhe fazer ver que o que interessa, isto é um bocadinho mau de se dizer, mas é a parte do treinar, não é o teu instinto que interessa, é o que eu te estou a dizer que interessa. Isto é o normal, é o beabá de treinar animais. E hoje em dia, por ela ter passado por essa disciplina, hoje em dia ela anda sem trela e eu falo com ela como se fosse um ser humano, praticamente. Ela sabe imensas palavras e é tipo: "Mais para aqui. Sim, não."Ao lado e ela faz comigo 10 km, sentrela, cheira as suas coisas no passadiço, na praia, vai nadar. É uma liberdade que ela tem, porque tem disciplina e sabe responder e por isso é ativo. Outros cães têm que estar sempre atrás dela, não podem fazer nada.

Sim, isto aplica-se a tudo também na vida, mesmo desporto, por exemplo, para quem não faz de forma, não quer obter objetivos, só quer treinar e mexer-se mais, também é a mesma filosofia. Se calhar no início tu tens mesmo de ser disciplinado e obrigar-te a ir todos os dias. Depois mais para a frente é um hábito e faz parte de ti, já não pensas: "Vou ou não?" Vais, só vais.

Tipo, tu não lavas os dentes todos os dias.

Sim. E próximos objetivos, vocês vão ao IRONMAN de Lisboa?

Ainda tenho dois primeiro.

Ok.

Portanto, quando isto sair, eu já fiz as duas provas. Vou a Málaga primeiro, a competir sozinho, pro-man. Málaga é numa sexta, na segunda-feira vou para o Brasil, vou competir lá, vou fazer o IRONMAN São Paulo, que já fiz há dois meses, o IRONMAN Fortaleza, também no Brasil. Adorei a experiência de ir ao Brasil. Agora vamos repetir, vou fazer outra vez essa prova. E a prova é sábado, à meia-noite e tal desse dia, apanho um voo para Lisboa e depois fazer o IRONMAN de Lisboa. E depois o próximo é só o de Estocolmo, que é a final, porque eu qualifiquei-me para a final, que este ano é em Estocolmo. Portanto, Málaga, São Paulo, Lisboa e Estocolmo, todos em individual. Em Estocolmo vou fazer também duplas mistas, porque também me qualifiquei nessa categoria. E agora é tentar fazer os melhores resultados possíveis nestas três e depois um bloco de treino, finalmente.

Antes da época fechar, porque depois a época fecha aqui em Estocolmo, nas finais, e abre o outro lado do mundo, ou seja, tudo o que seja Ásias, Austrálias, têm as corridas lá. Nessa altura, em grande força, mas Europas está fechado, não há IRONMAN, só volta a abrir em setembro. Então se ele quiser as classificações, convém trabalhar agora para elas, para quando a nova época aparecer, ele já estar bem posicionado.

E tu para já, não vais fazer mais nenhum?

Não, agora não. Este mês de abril é muito foco nele.

Na princesa.

Na princesa.

Depois, maio, temos o de Lisboa e muitas parcerias com marcas. Junho é as finais. Queríamos julho tentar-

Eu estou a tentar convencê-la a vir ao Hybrid de Leiria.

Sim, existe essa possibilidade. Pode ser que faça uma brincadeira em Leiria. Mas eu vou fazer neste fim de semana, não é?

Sábado-feira vamos fazer relay.

Vamos fazer um relay.

É giro.

Que eu acho que é super divertido para quem não quer ir lá investir muito tempo.

Porque tu nas duplas ainda sofres bastante. Em relay são dois quilómetros e duas estações.

Em relay são quatro amigas ou quatro amigos.

Em relay só corres dois.

E não têm que ser seguidas.

É tipo estafetas.

São quatro pessoas, cada um faz dois quilómetros, duas estações, e não têm que ser seguidas as corridas.

Muito chill.

É tipo, faz-

Não?

Eu vou estar-

Porque é sprint.

É voltar aos tempos da escola em que tinhas que fazer com o, como é que ele se chama?

Não era o corta-mato? Não, o corta-mato era mais distância.

Mas tinhas que passar o testemunho à tua estafeta, eram equipes de quatro pessoas e tinhas que correr o máximo e passar o testemunho. E não há o testemunho, há o chip no pé. E é aquela coisa de uma pessoa vai fazer o primeiro quilômetro sozinho, que faz a estação toda sozinho e depois volta para a zona onde está o grupo à espera e arranca o próximo.

Que giro! Não fazia ideia que era assim.

Tens que fazer essa. Vais com mais malta a Valença, então metes mais duas pessoas com a tua amiga e podem fazer.

Nessa prova vamos fazer a dupla, se calhar outra prova.

Mas esta é tipo a galhofa, o relay é a galhofa.

Dá para fazer as duas. Por isso é que estou a dizer para aproveitares e fazes já a experiência, porque é mesmo uma brincadeira aquilo. Depois nas wall balls, a pessoa que está a fazer as wall balls tem as três à frente para puxar.

Vocês depois podem ir todas falar: "Bye". Giro.

Quem fica com as wall balls, meu Deus.

Mas pode ser relay misto, existe?

Misto, feminino e masculino. Há tudo. O IRONMAN foi muito inteligente na forma de gamificar e, lá está, criou categorias de idade também, até para o relay. Há os sub-40 e os sub-40. Under 40 e mais 40. Vamos ver como é que estas minhas correm, as da princesa.

Mas pode ser que em Leiria faça qualquer coisa.

Uma brincadeirinha.

Já tinha esquecido disso.

A dinâmica, eu adoro o Hybrid de Leiria, é dentro do Estádio Municipal de Leiria, aquele estádio que foi feito para o Euro, e muito fixe. Está ótimo tempo, aquilo é em pleno junho ou julho. Julho. No ano passado estavam 30 e tal graus durante a prova.

Até houve a questão de haver imensas mangueiras e o homem tinha que passar por baixo das mangueiras.

Para mim, lá está, eu como vou e quero fugir ao máximo da parte competitiva, quando eu vou é para a galhofa total e para nos divertirmos e ser mesmo divertido. Divertir-nos e ser divertido. Mas, sim.

É giro, se calhar também, fazer um relay aí nesse também deve ser giro.

Sim, sem dúvida. Experimenta.

Vão estar lá mais de 5 mil atletas. Aquilo vai ser um bom momento para viver o IRONMAN.

E é uma galhofa, passarem o chip umas entre as outras. E acham que o de Lisboa vai ser giro?

Vai ser-

Intenso.

Vai ser muito intenso. Nós vamos viver aquilo de uma forma, vamos lá estar os dias todos, apesar de eu participar só sexta. Vamos estar lá, porque já temos muitos atletas que vão fazer a prova, então vamos acompanhá-los, mas vai ser algoQue vai aparecer na televisão, certeza. Porque cá em Portugal, para ser grande, tem que aparecer na televisão. Vai ser muito bom, porque o português já investe mesmo muito, não tendo provas cá em Portugal. Nós, neste momento, estamos em abril, a época começou em setembro e já tivemos mais de 4000 portugueses a participarem em provas fora. 4500 €, que é o investimento mais ou menos médio por atleta, são 2 milhões de euros que o desporto está a retirar de Portugal. A malta vai estar louca em Lisboa.

Também acho que sim, acho que vai contribuir muito para "awareness" de IRONMAN em Portugal. Porque, por exemplo, eu fiz o de Verona em dezembro de 25 e já tinha começado a ouvir falar disso, porque também estou um bocadinho na bolha de desporto de redes sociais, mas a maior parte das minhas amigas que não está, não fazia ideia o que era IRONMAN e descobriram porque eu fui em dezembro. Mas hoje em dia já se ouve falar, mesmo pessoas que estão fora da bolha, por vir a Portugal. Portanto, quando acontecer o evento, eu acho que ainda mais vai haver um "boom".

E mesmo aquela zona toda da FIL, nós já estamos a falar com algumas marcas que vão ter zonas de lojas pop-up, nem é na FIL, é fora. Ou seja, onde é que era a zona da pop-up?

Junto ao Fitness Hut, que agora é o Vivo Gym.

Ou seja, a zona do IRONMAN já está a falar com o Pavilhão FIL, mas também com toda a área envolvente que há ali para terem muitas lojas pop-up ali e vai haver aquelas caravanas táticas, não só com comida, com lojas mesmo de desporto.

Sim, vai mexer muita gente.

As pessoas mesmo que estejam só a passar, a dar o seu passeio do fim de semana, vão perceber que está a acontecer alguma coisa.

Curiosamente, não é um fim de semana com muitos IRONMAN na Europa, porque, por exemplo, o de Málaga vai ter outros três IRONMAN. Em Varsóvia, Colônia, Roterdão e mais outro, acho eu.

Roterdão, Polónia e...

Mais um.

Então vem muita gente de fora também para este.

E nós temos aqui uma facilidade muito grande dos ingleses virem a Portugal.

Sim, é um destino superatrativo.

E o atleta inglês vai muito a um IRONMAN, participa mesmo muito. Os IRONMAN no Reino Unido são uma estupidez de afluência. Foram onde começaram os IRONMAN de vários dias. Londres teve nove dias de competição. Imagina a equipa de fotografia.

Jesus!

Meu Deus. Portanto, vamos ter aqui muitos ingleses, de certeza. Provavelmente, os espanhóis e os ingleses vão ser a segunda e terceira nacionalidade mais presente. Em Portugal, de portugueses vamos ter mais de 6000. Portanto, vai parar.

Acho que sim. Acho que vai ser bom para a marca da IRONMAN.

Acho que vai ser o desporto mais falado no dia, sem ser futebol, obviamente. Nas redes, pelo menos. E nas redes, se calhar, vai se falar mais do que futebol, até.

Olha, e nós também vamos ter um podcast de uma hora e meia a falar da IRONMAN a sair nesta sexta.

É o tempo médio de uma pessoa acabar um IRONMAN.

Pronto. Olha, vamos em 1h15. Portanto, está ótimo para acabar a prova da IRONMAN. Olha, obrigada, gostei muito de vos ter aqui. Boa sorte agora para as próximas provas, que vai acabar a época também já para o verão, não é? E que corra tudo bem. Vamos falando.

Obrigada.

Vamos nos vendo também eventualmente em provas.

Vemo-nos em Leiria, de certeza.

Exatamente. Tens que ir. Já sei que tens um marcado, mas tens que ir agora a um próximo.

Deixa-me desbloquear aqui este trauma.

Exato.

O de Leiria, vais desbloquear em Valença e depois em Leiria fazes sozinha.

Não, acho que não. Não sei.

Se quiseres um bom programa de treino para te preparar, já sabes.

Já sei. Obrigada, gostei muito.

Obrigada, Mariana.

Não é fácil, eu sei, mas, amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?