Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Não sei porque é que me lembrei disto e que me apeteceu fazer isto. Basicamente, olhar precisamente, isto era agosto, quando eu estava a fazer este exercício, em agosto do ano passado, como é que estava a minha vida. Porque eu acho que nós temos muita tendência também para não ter a perceção da evolução da nossa vida. Parece que está tudo muito lento, não estamos a chegar a lado nenhum.
Estás sempre a evoluar, fazes que deixas de...
É isso, deixas de conseguir ter essa consciência. E eu quis fazer este exercício. Escreve por pontos claros o que mudou na tua vida de há um ano para cá. Lembro-me de uma chamada que eu tive com a minha coach na altura em Maiorca. Estávamos a chegar à conclusão que Lisboa não era para mim e estávamos a fazer um brainstorm de onde é que eu deveria ir viver. Inês, eu estava a pensar ir para . Em agosto do ano passado, nunca, na minha vida, passou pela cabeça Porto. E neste momento estou a morar no Porto há não sei quantos meses.
Super feliz.
Estava em Maiorca e tinha o objetivo de correr os meus primeiros 5 km seguidos e foi lá que eu consegui. Faço esporte para agora estar a preparar-me para uma meia maratona.
Isso é surreal. A minha vida deu mesmo uma volta muito grande, principalmente ao nível pessoal. Eu estava a viver em Lisboa também, há um ano atrás, com o meu namorado, tinha estado seis meses a trabalhar num sítio que eu detestava. Estava cheia de medo que as coisas não resultassem. Trabalhava muito, era completamente obcecada com o trabalho. Desmistifiquei um bocado isso e hoje em dia tenho muito mais a minha vida equilibrada. Eu colocava todo o meu valor naquilo que eu fazia profissionalmente. Todo. O fim da minha relação impactou o fato de eu perceber que eu não posso só trabalhar, a minha vida não pode ser só trabalhar, porque quando tu acabas uma relação, tu precisas de pessoas, tu precisas dos teus amigos. E eu cheguei ao ponto de estar nessa posição, numa de ter de trabalhar, mas eu não sei o que eu gosto mais de fazer, porque eu não faço nada para além disto.
Achas que precisavas de acabar esta relação?
Acho.
Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume. Welcome back! Eu estava a dizer que estava nervosa, porque eu já não gravo há um mês e tal.
Tu é que mandas, se calhar.
É isso, mas é recomeço também. Mas estamos aqui, neste momento, no estúdio novo, que estou muito contente.
Está muito lindo.
Muito lindo, muito cozy, muito casa. Estamos no Porto a gravar.
Sabe melhor.
Sabe tão melhor, estou a 20 minutos da minha casa. Não é preciso ir para Lisboa e fazer muitos quilómetros para estar a gravar podcast, estou muito contente. Eu chamo isto uma season two do podcast, porque foi um ano inteiro, que eu lancei em setembro, e agora vai ser o recomeço, novamente. E é uma season two, porque vamos deixar de ter os check-ins que costumávamos ter semanais e vou trazer um bocadinho a vibe dos solos que eu tinha no início. Lembras-te que nos primeiros quatro meses eu estava a fazer solos completamente sozinha. E eu gostava muito dessa dinâmica e sinto um bocado falta de ter esse meu espaço, porque os episódios de domingo eram sempre convidados, sempre entrevistas, e senti um bocadinho falta desse espaço. E depois pensei: "Mas também era giro trazer amigas minhas e ter essas conversas não no registo de entrevista."
Ya, é tipo bate-papo.
É isso. Estamos tranquilas. E eu: "Inês, alinhavas em viste sentar aqui no Porto e só falarmos de como é que vai a nossa vida?"
É igual a quando nós estamos juntas, é só pôr a gravar.
Exato.
E às vezes ficamos com memórias disso.
E ela agora estava a começar a falar e eu: "Não, cala-se, vamos falar no podcast." Mas pronto, vai ser um bocadinho este registo, vamos continuar a ter as entrevistas e vou continuar a gravar em Lisboa, mas vamos intercalar e vamos ver como é que corre. Também queremos saber o feedback da vossa parte. Mas é isso, vamos ter uma conversa hoje, analisar um bocadinho do nosso mês de agosto e como é que vão ser os próximos meses de setembro. Ok?
O que eu estava a te dizer há bocado, era isso que eu estava a dizer antes de começar, que é tipo, setembro é o novo janeiro. Eu sinto mesmo que a cena de recomeçar a escola e não sei o quê, sempre fomos desde pequeninos um bocado habituados a isso, a de setembro ser o início. E eu continuo a sentir isso. Por isso acho que este episódio não podia ser mais perfeito para começar.
E também te fez pensar, não é? Porque eu lancei vários desafios à Inês e mandei-lhe uma lista de trabalho de casa, vais pensar nisto e vamos discutir em podcast. E vamos já começar por aí, que é antes de entrarmos em setembro, em recomeço, o nosso mês de agosto. Portanto, nós queremos fazer este exercício de duas em duas semanas, mas agora vamos analisar o mês todo de agosto, porque acho que faz sentido, é tipo férias, pausa antes do recomeço. E por isso é que eu sinto que tu sentes esse recomeço de setembro, é porque nós temos mesmo tempo para pensar no mês de agosto, e parar.
E as minhas respostas vão um bocado em contradição disso.
Pronto, e vamos trazer a rubrica que eu tinha no check-in, que é rosa, espinho e semente, portanto, momento mais alto do teu mês de agosto, o momento mais baixo, o espinho, e a semente que vamos deixar para o próximo mês, para as próximas duas semanas, de acordo com isto. Queres começar tu?
A semente é aquilo que nós plantamos no mês anterior.
Não, a semente é aquilo que tu vais plantar agora para frente.
Eu achava que era o que eu tinha plantado no mês anterior.
Não.
Ok. Então diz de novo para eu pegar aí.
Não, podes continuar. As pessoas também estão a perceber agora. Ou seja, a rosa é o momento mais alto, o espinho é o momento mais baixo, análise do mês passado, e a semente é aquilo que tu vais para frente plantar.
Eu achava que era aquilo que eu tinha plantado em agosto, que também é giro. Eu gostei de fazer esse exercício, que é tipo quase retrospectiva de o que eu fiz para...
Mas é engraçado, eu plantei aquilo que é a minha rosa.
Ok.
Queres que eu comece?
Começa.
Pronto, a minha rosa eu pus que é desligar 100% e aproveitar mesmo off das redes de trabalho, de tudo. Eu sinto que partilhei muito, eu fui para Bali, contexto para quem não está a par, estive lá três semanas e uma semana no Algarve. Então o meu mês foi sem trabalho, sem preocupações nenhumas, sem podcast e foi mesmo tipo, eu vou desligar 100%. E eu senti que vivi isso, apesar de eu ter partilhado 1000 stories por dia em Bali, foi numa de eu estou a partilhar porque me apetece partilhar e sem pressão nenhuma. Então a minha rosa, eu digo que é a semente que eu teria posto no mês anterior, que é o mesmo conseguir desconectar e conseguir desligar. E fiz por isso, fiz não aceitar trabalho, fiz o não fazer podcast também propositado. Eu ainda pensei em fazer, mas não, propositadamente eu quero mesmo ter um mês para mim, para conseguir limpar a cabeça e focar noutras coisas. E aí surge também espaço para depois pensar, para fazer análise, para pensar mais para a frente, novos projetos, e acho que é preciso haver esse espaço. Portanto, a minha rosa é isso. Qual é que é a tua rosa?
É exatamente a mesma coisa.
A sério?
Sim, é desligar. Eu sinto que Eu sou freelancer desde sempre e este agosto, eu vou sempre de férias com a minha família para a nossa casa de férias e passo lá o mês inteiro, quase. E foi há muitos anos para cá que eu não conseguia estar no registo em que eu estive. Se eu trabalhei quatro dias, o mês inteiro, e às vezes em bicos, eu desliguei mesmo. Por outro lado, o meu espinho também vem um bocadinho daí, mas eu consegui a 100% desligar, depois cobrei-me um bocado por causa disso.
Ok. E é daí o espinho.
Vem daí o espinho. O meu espinho, eu sinto que com o desligar e eu sentir-me tão bem desligada, vem o síndrome do impostor de: "Ok, mas afinal eu gosto de não estar sempre a trabalhar. O que é que afinal eu gosto de fazer? O que é que eu não gosto?" Eu não estive tão focada no trabalho. Agora, se calhar, as coisas não vão correr tão bem, precisar de apanhar quase o comboio à pressa outra vez. Senti um bocado isso também, ou seja, estou agora no final do mês a começar a sentir isso.
Mais ansiedade de já pensar em tudo que acumulei? Ou sou uma merda porque não estou a trabalhar e não estou a fazer as coisas avançar e tenho um negócio e tenho que fazer acontecer?
Não. Foi totalmente racional a minha decisão de desligar. E eu sabia que eu precisava, eu queria e era importante. Ou seja, não me senti uma merda por o fazer, mas começo a sentir síndrome do impostor de: "Ok, e agora, se não correr bem?" Parei. Sinto que parei, que não parei efetivamente, mas parece que sinto isso e depois começo a sentir: "E agora? Será que não vai dar para recomeçar no ponto em que eu estava? Preciso de fazer coisas diferentes." E depois começo também a ter as crises existenciais que vêm às vezes com essa síndrome do impostor de: "Será que eu quero mesmo fazer isto que eu estive a fazer até agora?"
Achas que ter espaço para pensar também cria uma confusão mental ainda maior, não é?
Acho que sim. O desligar a 100% dá-te a liberdade de deixar de viver em piloto automático. E quando tu deixas de viver em piloto automático, tu abres espaço a novas opções. Quando tu estás em piloto automático, tu tens aquele objetivo e nem sequer experiencias ou pensas que pode existir. Quando tu desligas a 100%, conheces pessoas novas, vais a sítios novos, estás desligado daquilo que é o teu main goal e começam outras coisas.
Eu acho que isso foi o que me aconteceu o ano passado em Bali.
Foi?
Porque foi essa pausa, esse dar um passo atrás para depois dar vários à frente, mas foi ter espaço para pensar que depois comecei por tudo em causa, a marca, na altura de roupa que eu tinha. Foi o ponto em que o meu podcast, tudo acabou por ser posto em causa porque eu estava com espaço e tempo para pensar. Mas acho que é muito importante para fazer isso. E já vamos fazer também a seguir o exercício de pensar nas coisas que mudaram de há um ano para cá.
Sim.
Mas então a tua rosa foi o desligar, o espinho foi o de cobrar e a semente que tu deixas para a frente?
A semente que eu deixo para a frente, eu tinha pensado uma semente naquela ótica daquilo que eu plantei o mês passado, mas até deixo a mesma, porque foi um processo que eu iniciei, mas que eu quero manter. Eu sinto que sou uma pessoa emocional e que estou a aprender a lidar e quero lidar e quero plantar essa semente de conseguir ser cada vez mais racional, especialmente em relações com outras pessoas, amigos, família, rapazes, seja o que for. O conseguir tipo: "Estou a sentir isto, por que eu estou a sentir isto?" E num curto espaço de tempo, ou num momento, conseguir: "Ok, estou a sentir isto, é por isso que eu estou a sentir isto, deixa-me baixar e reagir racionalmente como eu sou, com os meus valores, com os meus princípios e com aquilo que eu acho correto e não o impulso."
Mas achas que é possível fazer isso?
Eu estou a sentir que estou a melhorar. Agora, também se calhar não é naquele extremo de emoção.
Se calhar quando estás a viver uma coisa assim intensa, se calhar não consegues tanto.
Mas acho que o primeiro passo é tentar fazer nas coisas mais pequenas. Eu nas férias, isto é estúpido, mas eu às vezes irrito-me com a minha mãe. Toda a gente se irrita com os pais, a minha mãe às vezes irrita-me. E eu nas férias, a minha mãe ria-se, porque quando ela fazia algo que me irritava muito, a minha vontade não é gritar com a minha mãe, mas ser dura com ela ou dar uma má resposta. Então eu nas férias começava a respirar fundo e dizia assim: "Adoro-te, mãe." E ela começava a magozar. Eu tipo: "Adoro-te, mãe, não percebes que eu estou a tentar lidar contigo de uma forma racional?" Isto é uma coisa estúpida. Juro que fazia isto.
Mas isso foi em terapia?
Acho que inventei. A respiração dizem nos livros, o adoro-te, mãe, não sei. Isto é uma cena mesmo estúpida, mas aconteceu noutro tipo de situação, em que não respirei fundo nem disse à pessoa que a adorava, mas nas mais pequenas coisas, tipo let them, tentar praticar esses tipos de coisas.
Eu acho que é racionalizar o que está dentro da tua cabeça. Isso aconteceu comigo na altura em que eu estava sempre num loop negativo, ia ao journal para desconstruir desde a cabeça. É tipo: "Não, o que é que se está a passar? Por que eu estou assim? Não sei. Deixa-me abrir o caderno." E depois aí começava a escrever e começava a chegar a algum lado. E eu também sinto isso muitas vezes a falar com amigas. Imagina, estou a ter um problema qualquer, trabalho ou pessoal, whatever. Desconstruir isto com amigas, eu a falar em voz alta, consigo chegar à raiz do que é que me está a incomodar.
Sem dúvida.
E se calhar eu na minha cabeça, sozinha, não consigo lá chegar.
Eu era uma pessoa, quando era mais nova, quando era adolescente, que eu não contava muito as minhas coisas às minhas amigas. As coisas realmente, se calar, namorado ou assim. Tinha uma discussão com o namorado, jamais E comecei a crescer, comecei a fazer mais isso e a obrigar-me a fazer mais isso. Discussões, por exemplo: "Tenho algum momento contigo que não me senti tão confortável, não gostei desta atitude que tu tiveste." Eu guardava, acabou. Se calhar, hoje em dia já consigo conversar com alguém sobre aquilo que eu estou a sentir ou aconteceu uma coisa mínima, mas essas coisas mínimas, se forem desconstruídas, realmente desaparecem.
Eu acho que ao cresceres tu ganhas menos medo do ridículo.
Ya.
Percebes?
Tu quentes.
É assim, estou a ser estranha, não vou partilhar, vou guardar para mim. Ainda ontem estava com uma amiga minha e estava a falar de uma relação de amizade que eu tenho uma questão que me estava a incomodar e eu: "Olha, vou ser bem honesta, o que tu achas sobre isto? Achas que eu estou a ser ridícula? Achas que faz sentido eu pensar isto?" E ela ajudou-me a desconstruir e chegamos a uma conclusão. E normalmente, se calhar, mais novas, passamos por isso na nossa cabeça, porque temos medo. "Ela é ridícula por estar a pensar aquilo." E acho que ajuda a desconstruir, estar a falar com outras pessoas e ser mais honesta. Pronto, a mim.
E a tua semente.
Exato. E falta o meu espinho.
Sim.
Portanto, a minha rosa foi o desligar, o meu espinho foi, sem dúvida, ter ficado doente e ter saído da minha rotina de exercício físico.
Tenho medo de saber como é que é.
Eu estava com muito medo. Eu estava ansiosa antes de ir para Bali, por causa disto. Eu não pensava noutra coisa. Eu vou deixar de correr, vou deixar de treinar, porque é tão importante para mim. E eu sabia que ia ser uma destabilização tão grande que eu estava com muito medo. Algarve correu super bem, consegui ir ao ginásio, consegui correr imenso, então estava tipo: "Mesmo fixe, estar de férias e conseguir manter tudo." Mas Bali estava a causar ansiedade. E depois, para além disso, fiquei uma semana e meia doente, que me quebrou ainda mais, porque eu estava a conseguir fazer algumas corridas no início lá em Bali, quebrou-me completamente. Portanto, para mim, o espinho foi também quando cheguei e perceber o impacto que parar tem em mim.
Mas quando estavas lá, conseguiste estar bem com isso?
Consegui.
Soube bem ou não?
Saber bem, nunca sabe bem.
Ok.
Porque na minha cabeça não sabe bem.
Ok.
Ou seja, estamos constantemente a lembrar: "Não estás a fazer nenhum."
Ok.
Mas soube bem descansar e consegui me desligar mais disso, porque também estava ocupada e estava com amigas e eu fazia imensa coisa. Quando cheguei, custou mais, porque depois é: "Eu quero recomeçar de onde eu estava antes." E isso não acontece. E a minha semente vem muito desta questão aqui também, que é não me cobrar tanto, não ser tão dura comigo, porque eu quando cheguei, por exemplo, cometi o erro de vou treinar para o ginásio, vou correr nesse mesmo dia e fiquei dois dias sem conseguir andar.
Claro. E não tomaste Voltaren?
Não tomei nada, mas fiquei dois dias em que eu depois não consegui treinar. Então, de repente, estás a tentar estar ao nível em que estavas antes e é impossível. Mas custou-me perceber que é um processo que vai demorar agora até chegar. É tipo, fogo, treinei tantos meses, estava numa forma física tão fixe, principalmente porque vou fazer uma meia maratona e é um grande objetivo e estava a me sentir super confortável. De repente, chegar e correr, também estava jet lag, ainda a recuperar de doença, vou correr 5 km e foram os 5 km mais dolorosos da minha vida. Eu quero desistir da vida. Está a ser um processo agora de retomar a rotina e perceber que, e não ser dura comigo, de tens de ir treinar três vezes por dia para recuperar aquilo que-
Mas só tens essa consciência, porque não há maior frustração para um atleta do que tu teres a consciência e a mentalidade e já teres lá estado e saberes que o teu corpo consegue e que tu consegues, e de facto, ele não estar a conseguir, porque isso acontece quando tens uma pausa.
Mas ele vai conseguir, é cabeça.
É ótimo, o problema já está resolvido, porque tu já estás com essa mentalidade. Por isso dá tempo.
Sim, por exemplo, esta semana só fui duas vezes ao ginásio quando costumo ir quatro, porque não consegui encaixar e porque priorizei a corrida e tipo "Ok, está tudo bem, calma, Mariana, acabaste de chegar." Isto sou a dizer a mim própria, todos os dias.
Mas há um ano atrás, é mesmo giro, porque se calhar não foi há um ano atrás, mas eu lembro-me de ter este tipo de conversas contigo e tu lidavas de uma forma muito pior com falhar o ginásio. Tu sentias-te muito chateada contigo própria. Eu não sinto isso agora, ou seja, sinto que tu estás numa fase em que queres cumprir e está na medida certa para te motivar a cumprir e para seres regrada, mas não no sentido destrutivo.
Sim, quando eu comecei a ser mais ativa, foi em setembro do ano passado, foi há um ano, e agora também vamos entrar na questão de analisar o ano passado, mas foi aí e aí eu estava a treinar duas vezes por dia, super. E quando não fazia, isso era a prioridade número um na minha vida. Tudo o resto, tem de se encaixar depois disso já acontecer. E quando eu não ia e falhava, era mesmo difícil.
Acabou, o dia não valeu.
Não, não contava. Começa amanhã de novo, horrível. Mas pronto, o que eu queria te lançar também o desafio, porque eu estive na semana de Algarve, eu também falei com os meus amigos sobre isto, que quando tu estás na praia, não dá mesmo vontade de pensar e escrever, não sei.
Sim, planear.
Ya, planear. E eu estava na praia, não sei porque me lembrei disto e que me apeteceu fazer isto, basicamente olhar precisamente, isto era agosto, quando eu estava a fazer este exercício, em agosto do ano passado, como é que estava a minha vida. Porque eu acho que nós temos muita tendência também para não ter a percepção da evolução da nossa vida. Parece que está tudo muito lento, não estamos a chegar a lado nenhum.
Estás sempre ao va e vens que deixas de-
É isso, deixas de conseguir ter essa consciência. E eu quis fazer este exercício, escreve por pontos claros o que mudou na tua vida de há um ano para cá. E eu fiquei, a lista nunca mais acabava e eu fiquei chocada só de pensar tipo: "Como assim? Há um ano atrás isso Ainda não tinha acontecido.
O balanço é muito positivo.
Superpositivo. Fazer este exercício, e também quero deixar como recomendação, podem pegar no setembro do ano passado e fazer esta análise e perceber que mudou muita coisa, efetivamente. Pelo menos para mim, foi um ano que mudou muita coisa grande.
Então conta.
Vou contar algumas coisas. Olha, em agosto do ano passado, eu fui para Maiorca, para um co-living, um mês sozinha. Queria ter uma experiência diferente e lembro perfeitamente que estava, nesse mês, muito focada em decidir o que eu vou fazer com a marca e o que eu vou fazer com um monte de estoque que eu ainda tinha de roupa. E neste momento já não tenho flare, o estoque já não o temos e já passou imensos meses desde que fechei a marca. Portanto, num curto período, isso aí era o meu maior problema na altura e já ficou completamente resolvido. Lembro-me de uma chamada que eu tive com a minha coach na altura em Maiorca, em que estávamos a chegar à conclusão que Lisboa não era para mim e estávamos a fazer um brainstorm de onde é que eu deveria ir viver. Inês, eu estava a pensar ir para Ericeira. Eu nunca fui a Ericeira na vida. Juro-te, nunca fui a Ericeira na vida, mas estávamos a ver arredores de Lisboa e a ponderar eu recomeçar uma vida nova nos arredores de Lisboa para estar perto e conseguir ir trabalhar a Lisboa na mesma.
Sim, ou seja, estás perto de Lisboa, mas conseguiste afastar.
Mas estar em vida de terrinha. E estávamos a fazer um brainstorm. Em agosto do ano passado, nunca na minha vida passou pela cabeça Porto. E neste momento estou a morar no Porto há não sei quantos meses.
Superfeliz.
Superfeliz. E faz todo sentido e não tinha passado pela minha cabeça. "Amiga, faz parte" ainda não existia em agosto do ano passado, ainda estava em processo de chegar a um nome e de recomeçar o podcast, que depois só começou em setembro. Fast forward para estar no Observador, estar agora a gravar no Porto. E eu quando penso no podcast, parece que é um projeto que tem muitos anos.
Esta versão?
Sim, parece ter muitos anos e tem um ano. Nem isso, vai fazer um ano.
Mas acho que as coisas também valorizam pela intensidade que tu colocas nelas e tu dás muito de ti, muito do teu dia ao projeto.
E é um projeto que eu gosto muito e de repente ainda não existia em agosto do ano passado e agora é o meu maior projeto. Então é giro pensar nisso. A nível de exercício físico, o ano passado eu estava em Maiorca e tinha o objetivo de correr os meus primeiros 5 km seguidos e foi lá que eu consegui. Fast forward para agora estar a preparar-me para uma meia maratona.
Isso é surreal. Quem é guru da corrida e sempre correu imenso, se calhar não sente isto, mas quem, como tu, que não era uma coisa que era fácil para ti ou que tu adorasses, é mesmo difícil fazer.
E foi mesmo um processo lento, mas em um ano mudou muita coisa. E também resumindo agora, em termos assim um bocadinho mais sentimental, emocional, sinto que estou muito mais alinhada. Se eu pensar na minha versão do ano passado, muito mais alinhada comigo, muito mais feliz, muito mais calma, a gostar muito mais daquilo que estou a fazer. E acho que um dos maiores pontos que mudou era que eu punha muito do meu valor na minha imagem e sinto que ao longo deste ano trabalhei imenso nisso e estou cada vez melhor nesse ponto. E acho que faço assim o balanço pensando na minha cabeça também de agosto do ano passado. Portanto, mudou muita coisa, efetivamente, que dá palpável, que dá para perceber, mas acho que em termos de mindset, para mim, a mudança ainda é maior.
Estavas a falar de coisas palpáveis e essas dá para nós vermos que mudaram. Achas que essas coisas que mudaram ajudaram a que o mindset mudasse ou o mindset mudou e essas coisas mudaram?
Essas coisas ajustaram-se de acordo com o mindset que ia mudando. Ou seja, eu ia percebendo, eu fui ficando cada vez mais alinhada comigo e essas coisas foram mudando à volta disso.
Foram acontecendo. E é mesmo giro, porque tu estavas a dizer, a maior parte dessas coisas nem sequer era um objetivo.
O Porto não estava na ideia sequer. O podcast tornar-se um projeto assim tão grande não estava sequer nos meus sonhos. O podcast sempre foi uma coisa gira que eu criei para falar, não estava nos meus objetivos.
É mesmo giro como a força a pessoa que tu te tornas atrai.
Atrai as oportunidades e os projetos alinhados contigo também.
Sim.
E tu, amiga? Como é que estava a tua vida em agosto?
A minha vida deu mesmo uma volta muito grande, principalmente ao nível pessoal, mas que eu acho que foi extremamente necessário e que a parte profissional eu vou conseguir e estou a conseguir alinhá-la por causa dessa mudança. Eu estava a viver em Lisboa também, há um ano atrás, com o meu namorado, casadíssima não, mas eu achava do gênero: "Ok, vou casar daqui a dois anos." Há um ano atrás, eu estava a abrir a minha empresa, a lançar a minha empresa, uma coisa que eu nunca tinha pensado fazer. Tinha me despedido de um trabalho que eu detestava, tinha estado seis meses a trabalhar num sítio que eu detestava. Estava cheia de medo que as coisas não resultassem. Eu lembro-me que em agosto, eu para me despedir do trabalho em que eu estava, eu financeiramente tinha conseguido angariar clientes suficientes para pagarem as minhas despesas fixas. E pensando para hoje, em que financeiramente consegui atingir os meus objetivos, consegui contratar pessoas para a minha equipe, crescer de uma forma muito grande, e eu há um ano atrás estava cheia de medo de não conseguir. Tinha muita certeza do que eu queria fazer, trabalhava muito, era completamente obcecada com o trabalho, foi uma coisa que me prejudicou de certa forma, o que eu percebi ao longo deste ano, que não é o sítio em que eu quero estar. E hoje eu desmistifiquei um bocado isso e hoje em dia tenho muito mais a minha vida equilibrada.
Sim, tu vivias muito para o trabalho.
Eu vivia 100% para o trabalho Tu estavas a dizer que colocavas o teu valor na tua imagem, eu colocava todo o meu valor naquilo que eu fazia profissionalmente. Todo. Eu já não sabia distinguir a Inês de casa da Inês que trabalha, criadora de conteúdos e que tem uma empresa e tudo mais. Para mim, se alguém me pedisse um pedido de alteração de um conteúdo, um vídeo, eu quase que sentia como se me estivessem a dizer que eu não era boa amiga e que eu era mentirosa. Percebes? Quase uma crítica à minha pessoa. E durante este ano, foi uma coisa que eu tentei trabalhar e que eu fui trabalhando.
Mas de que forma é que fizeste esse trabalho ou foi aquilo que te aconteceu na tua vida pessoal que impactou isso?
O fim da minha relação impactou o facto de eu perceber que eu não posso só trabalhar. A minha vida não pode ser só trabalhar, porque quando tu acabas uma relação, tu precisas de pessoas, tu precisas dos teus amigos, tu precisas da tua família. Não te apetece trabalhar. Quando tu acabas uma relação, naquela semana, te apetece ficar em casa sem fazer nada ou fazer coisas que te dão prazeres momentâneos. E eu cheguei ao ponto de estar nessa posição, não me apetece trabalhar, mas eu não sei o que eu gosto mais de fazer, porque eu não faço nada para além disto.
Achas que precisavas de acabar esta relação?
Acho. Desde o primeiro dia, mesmo quando eu estava destroçada. Eu sou uma pessoa que acredita muito, o universo dá-me aquilo que eu preciso e não aquilo que eu quero. Acredito muito nisto. E eu sempre tentei manter-me muito positiva nesse sentido e racionalizar também as coisas o mais rápido possível, porque acho que isso te ajuda muito a sair da situação e conseguir viver. E acho que isso, de fato, ajudou-me a perceber que eu não posso só trabalhar, eu não posso só viver para o trabalho, eu sou muito mais do que isso, eu preciso ser mais do que isso. Mas esse processo de tentar desligar aquilo que eu sou profissionalmente da pessoa que eu sou pessoalmente, era algo que eu já tinha identificado como um problema. Porque a maior parte de resolver essas questões é tu te conscientizares que é um problema. E sempre que vem a situação ou que vem o pensamento: "Não, não pode ser assim, Inês, estás a sentir isso por causa daquilo." Mas isso foram as principais mudanças, vir para o Porto.
Exato, vieste para o Porto também.
Exato. Eu ia comprar uma casa em Lisboa.
E também há um ano atrás.
Não, eu ia comprar uma casa em Lisboa em março ou abril, e as coisas mudaram completamente e em pouco tempo eu consegui perceber que foi a melhor coisa ter vindo para o Porto. Era uma coisa que eu já queria fazer.
Mas também tinhas medo de fazer.
Era uma coisa que eu já queria fazer, que eu tinha medo de fazer, que eu por causa da minha relação, nós tínhamos definido em conjunto que íamos nos manter em Lisboa. Quando a minha relação acaba, eu decido OK, então inicialmente ainda penso ficar em Lisboa, mas vim para o Porto e tem sido uma descoberta, eu sozinha, esta nova fase tem sido uma descoberta muito boa de fazer no Porto, que foi uma decisão que não foi tomada por mim a 100%, mas que tem sido uma aventura muito boa, estar em um registro muito mais leve, calmo no Porto, eu consigo ter muito mais qualidade de vida.
Mas é uma decisão tomada por ti, porque tu podias ter ficado em Lisboa.
Não, é uma decisão tomada por mim, ou seja, se não tivesse acontecido aquilo que aconteceu, eu não tomaria decisão nenhuma, fosse qual fosse. Eu manteria a minha vida como ela estava. É isso, o sentimento de empurrão foi algo que eu senti muito. E de um ano para o outro muda assim mesmo muita coisa profissionalmente. Eu agora vou ter um projeto, vou começar a dar aulas. Era uma coisa que estava em "standby" porque eu tinha muito fazer dinheiro, crescer o negócio, pôr mais pessoas a trabalhar comigo e hoje em dia se calhar penso: "Ok, claro que quero crescer o negócio, mas se calhar consigo fazer outras coisas que também me dão prazer e que eu gosto de fazer."
Por acaso nós estivemos, agora lembrei-me, isto não estava sequer na minha ideia falar, mas nós estivemos num aniversário e tu me disseste uma coisa que ficou marcada na minha cabeça. Tu lembras o que é que me disseste?
No teu aniversário?
Não, no aniversário da Mariana. Que tu me disseste assim, que eu estava a dizer que sentia que estava numa fase um bocadinho apática, estagnada profissionalmente, ou seja, estou a fazer projetos que gosto. Mas que eu sempre fui uma pessoa que quis mais, de fazer outras coisas, e tu disseste-me: "Tu não podes pôr o teu foco na parte monetária."
É verdade.
E tu tens muito essa cabeça, porque eu também, quando me despedi e quando comecei a trabalhar por conta própria, a minha cabeça sempre foi: eu quero fazer dinheiro. Eu preciso fazer dinheiro para pagar as contas, para conseguir manter minha vida em Lisboa. E depois quando chega um ponto em que até estou bem financeiramente e os meus negócios estão a correr bem, para passar para o próximo passo, eu penso logo em novos projetos, é de que forma que isto vai ser rentável financeiramente. E é isso que estavas a dizer agora, de encontrar também coisas que tu gostas de fazer e que não necessariamente até possam não ser para já as coisas mais rentáveis ou ser aquele negócio que te vá dar mais dinheiro.
Porque nem tudo na vida tem que ser. Ou seja, eu acredito que tudo tem que ter um propósito e um objetivo, mas claro, nós precisamos de dinheiro, todos precisamos de dinheiro e eu desmistifiquei muitas crenças limitativas que eu tinha em relação ao dinheiro. Não falava de dinheiro, tinha dificuldade, achava que o dinheiro só vinha se eu trabalhasse muito e eu era muito assim.
Era preciso sofrer para ganhar muito dinheiro.
É, eu era muito assim e já tirei muitos desses pensamentos, mas eu nunca fui "money oriented", eu nunca fui essa pessoa, porque eu durante muito tempo, eu tive que lutar com o contrário, eu tive que me tornar mais ligada ao dinheiro e mais racional nesse lado, porque eu tinha muito o pensamento de que eu quero ser feliz todos os dias no meu trabalho Isso é aquilo que eu mais quero. E eu achava que eu nunca conseguiria ser feliz e ganhar muito dinheiro, então eu já estava ok com isso. E eu acho que é por isso que também não sou muito obcecada com isso. Trabalhei para hoje em dia, claro, que tenho uma empresa e para conseguir atingir os objetivos financeiros que consigo e que eu quero atingir, tornei-me muito mais financeiramente estável e mais focada nisso. Mas no final do dia, não é sobre isso.
Se vires, por exemplo, o podcast é o projeto que para mim me dá menos dinheiro e foi aquele que desde o início, desde o dia um, eu sempre disse e dizia em voz alta: "Não quero ganhar dinheiro com isto, estou a fazer porque gosto". E é o meu projeto principal neste momento.
Mas é isso. Não é incrível nós podermos ter, isto é um sonho utópico, mas é verdade. Se tu tivesses todo o dinheiro do mundo, o que tu fazias todos os dias?
O que eu faço.
Pronto, eu acho que é sobre, claro que temos que ser racionais e conseguir ter dinheiro para pagar as nossas contas, mas é ótimo nós conseguirmos viver algo que nós queremos fazer todos os dias.
Mas eu gostei bué dessa abanão que tu me deste, porque eu senti mesmo que foi uma abanão que eu precisava de ouvir na altura, porque eu tenho imensas ideias e eu agora quando estou a olhar para elas e pensar: "Ah, mas isto não dá dinheiro". Não, calma.
Não sei se vai.
Isto ia me fazer feliz, se calhar até vai me levar numa direção que depois no futuro até pode, eventualmente. Portanto, gostei muito dessa recomendação. Olha, e agora entrando em setembro, recomeços, início do ano.
Exato. É o novo janeiro.
É super. Mas uma coisa que eu também estava a falar ontem com uma amiga minha, é que eu sinto que o ano passado eu senti que era muito mais recomeço do que agora, principalmente no que toca a rotinas. Por quê? Porque eu sinto que eu já estou com uma rotina que eu gosto e já estou motivada, treinar, já não preciso fazer aquele habit tracker de pôr os hábitos todos e definir. Ok, por acaso hoje até é dia um, segunda-feira, setembro, calha mesmo bem.
É intenso.
Mas não sinto aquela rush de dopamina de vou começar segunda-feira a treinar, a comer bem. Não sinto isso.
Não paraste, porque isso faz parte de ti.
Já faz parte da minha realidade. Então eu já não sinto tanto essa sensação. Mais a nível profissional sinto, porque estou a recomeçar podcast e projetos novos e assim, mas não sinto tanto isso.
E porque, e eu acredito muito nisto, é bom sairmos da rotina em tudo na vida, é bom ires comer a um McDonald's um dia, tirar essas pequenas coisas. Mas não é bom propriamente, se tu tens uma rotina de hábitos saudáveis e que tu gostas e que te faz bem, não é bom tu durante um mês de nada decidires que queres destruir a tua rotina. Mas é bom tu durante um mês ou 15 dias parares 100% de trabalhar. Ou seja, o peso que tem é totalmente diferente e por isso é que se calhar profissionalmente tu sentes isto porque conseguiste desligar e agora sentes: "Ok, bora, quero!" Tipo aquele fogo que também é bom, mas na rotina tu só te sentes melhor. Porque é horrível, é aquilo que tu estavas a dizer, deixar de treinar 100%, voltar, é horrível.
E tu já sabes, tu também não queres passar por isso.
É, é isso. Se tu te sentes bem, é ótimo não parares.
Eu sinto que estou agora no recomeço de treinos e tudo mais, porque estive doente e porque parei mais em Bali, mas como já tenho uma rotina que eu gosto, não é aquela coisa de o ano passado eu não fazia ginásio, por exemplo, eu estava super recomeço de vou experimentar os ginásios todos, vou começar a nutricionista, vou experimentar isto e aquilo. Agora já estou numa fase, bora só retomar aquilo que eu já tinha. Então estou com uma sensação de recomeço, não tão intensa, muito leve. E tu como é que estás sobre setembro?
Olha, eu sinto que setembro vai ser o mês, de setembro a dezembro eu tenho previsto riscar muitas coisas da minha bucket list da vida.
Aé, mentira!
Porque está tudo a alinhar-se e está tudo a acontecer e acho que a primeira metade do ano foi mesmo de muita mudança e agora está a ser quase de accomplishments e de conseguir certas coisas. E por isso eu sinto-me entusiasmada para tudo. A minha rotina, desde que eu vim de Lisboa, estou a aprender a ter a minha, ou seja, não tanto ao nível de alimentação e de treino, porque estou a ir tendo essa minha rotina, ainda não estou 100% como eu gostaria de estar, porque ainda estou nesse processo de encontrar, de facto, o desporto que eu quero fazer.
Vou contigo. Ela foi correr outro dia, por isso é que eu estou a dizer isto.
Eu gosto de ir correr, mas eu sempre fui atleta de alta competição, sempre treinei cinco, seis vezes por semana numa modalidade coletiva, tipo jogando vôlei. Então para mim, desde que eu deixei de jogar, esse processo, ou seja, vou sempre ao ginásio, vou correr, vou ao cycle, continuo sempre uma pessoa ativa e com uma alimentação relativamente equilibrada, mas sinto que setembro não me vem trazer mais isso, mas vem me manter isso que eu já tenho desde que cheguei ao Porto, tenho tentado encontrar aqui também essa minha rotina, mas de uma forma também leve. Eu deixei-me de extremismos, já fui muito essa pessoa.
Sabes que eu vi ontem um TikTok que agora as pessoas estão a fazer aqueles, não é o 75 Hard, mas é setembro lock-in.
Eish.
É tipo agora uma trend em que estão lock-in, é uma espécie de um 75 Hard.
Mas tipo não se divertem, não saem, só treinam, comida.
Treino, comida, água.
Não acredito nisso.
Ya, é isso.
Não acredito. Já fui essa pessoa.
Eu também já fui várias vezes.
Não acredito, não resulta.
Não.
Não resulta.
Long term não resulta.
Resulta perderes 5 kg, 10 kg e ficares-
E depois se calhar voltar a ser um loop.
Sim. Eu não acredito.
É aquilo que eu também já falei várias vezes sobre dietas iô-iô e rotinas iô-iô, no fundo.
Sim. Mas acredito numa coisa. Não acredito nisso de todo, e até aprendi isto aqui num episódio do teu podcast, de fazer sprints, de teres algum objetivo específico.
Foi o Brandão que falou isso.
E eu achei isso mesmo interessante e comecei a pensar na minha vida. E de facto, isso resulta e acho que é importante, mas é importante tu saberes parar o sprint. Eu durante a primeira metade do ano e durante o último ano tive muita dificuldade a parar os meus sprints. Era depois eu compenso, depois eu paro, depois eu faço.
Isso é o problema de também trabalhares por conta própria.
E nunca parava os sprints. E eu quero planear setembro e quero planear este recomeço bem. Eu quero ser uma pessoa que planeia muito mais. Estou esmote assim.
Já está incutido em mim que é agosto e janeiro que eu paro. E eu faço normalmente isso com viagens.
Pois.
Essas quebras. Portanto, eu fiz já uma viagem grande em janeiro, por acaso este ano não fiz, porque foi a mudança de casa para cá, mas também foi um mês muito mais parado e só a tratar de mudança para o Porto. E agora foi agosto, praticamente o mês todo fora. Quando fui a Bali em janeiro, também foi o mês todo.
Isso faz-me lembrar muito uma frase que eu li este verão e que tenho pensado muito sobre isso, porque trabalho numa área criativa e tenho pensado mais sobre o que é a criativa. E eu li uma coisa que é: as mentes criativas precisam de parar e não fazer nada. E esses momentos são mesmo importantes para pessoas que trabalham, para toda a gente no geral, porque toda a gente é criativa e eu acredito que isso se trabalha, mas é mesmo importante, tu parares e depois andares para a frente. E agosto e janeiro estás a falar.
É aquilo que se estava a falar, um passo atrás, mas que não é, que depois são três à frente. É muito preciso para limpar a cabeça. Então o teu setembro, como é que vai ser em termos de objetivos concretos?
Tenho objetivos concretos, vou mudar de casa, vou começar a dar aulas. Este objetivo que eu tenho agora de no início de setembro planear, pelo menos até dezembro, a minha vida e planear, não quero ser obcecada, mas quero conseguir planear. Esta semana é para isto, este fim de semana há coisas que eu quero fazer, quero fazer uma viagem sozinha, vai ser aqui, vou marcar, porque sinto que-
Deixar andar, depois nunca acontece.
Não, porque depois eu não consigo parar os sprints. Foi isso que me aconteceu, é isso que me tem acontecido, porque também se calhar porque trabalho muito por conta própria. Eu tinha definido que em 2025 ia fazer uma viagem sozinha. E eu ia fazer no meu aniversário, depois "ah, não, agora estou com muito trabalho. Não, embora. Agora tenho a festa desta pessoa, vai haver um evento."
Mas agora é a melhor altura para tu marcares, agora em setembro.
Exatamente. É isso que eu quero. Eu quero planear e marcar, fazer as coisas acontecer. Quero muito que setembro seja um mês de fazer acontecer aquilo que já está em pipeline, que já tenho vindo a trabalhar, mas muito de planear aquilo que vai ser o resto do ano. Eu gosto mesmo de viver e estou a redescobrir uma nova forma de viver, e eu não quero deixar isso fugir. E acho que preciso planear algumas coisas para continuar a querer viver, porque quanto mais vives, realmente, mais tu queres viver. Quanto mais tu estás imersa no trabalho e imersa no piloto automático-
Mais aquilo que consome, mais vais continuar ali naquela Roda dos Ratos.
Exato. Então eu quero muito que setembro seja isso.
Eu agora já não estou com coach, mas o ano passado, e pode ser uma dica engraçada, que eu fiz o exercício com ela, eu também trabalho por sprints normalmente, então de setembro a dezembro é o meu bloco do ano com mais trabalho e depois volto a descansar em janeiro. E então o que eu fiz o ano passado e que voltei já a fazer este ano a nível de exercício, é pegar numa página horizontal, dividir em quatro e escrever setembro, outubro, novembro, dezembro, e pôr objetivos concretos, pessoais e profissionais, de coisas grandes que eu quero que aconteçam nos quatro meses. Imagina a tua viagem sozinha, vai para outubro, então põe lá como objetivo, que assim depois visualmente, pôr aquilo em algum lado e consegues visualizar aquilo que tu vais querer que cada mês signifique para ti. E qual é que vai ser o teu foco em termos de prioridade também. Porque eu ponho em termos de trabalho, ok, este projeto vai ter prioridade em outubro. Portanto, agora não me tento consumir a cabeça porque é um projeto para outubro. E acho que visualmente ajuda também a organizar. Lá está, eu sou super de planeamento, de escrever tudo, e é uma coisa que eu acho que pode ajudar.
E eu até vou acrescentar uma coisa aí, porque eu fiz esse exercício em terapia. Não era para os últimos quatro meses do mês, mas era para objetivos que eu queria para a minha vida. E nós fizemos o exercício primeiro de os definir, como tu estavas a dizer, e depois de colocar exatamente quais eram as tarefas pequenas para lá chegar. E tão simples, isto pode parecer estúpido, mas a visualização, como tu estavas a dizer, é mesmo importante. E tu teres lá escrito tipo quase como uma task, ajuda-te muito a concretizar. Viagem sozinha. Eu nesta semana vou marcar os voos.
Sim, ou seja, a gestão de podes quase que gerir o projeto. Mudar de casa, vai ser um projeto que eu vou gerir. Abres um quadro do Notion, o que eu tenho que fazer? Eu faço isso, imagina, mesmo para o podcast, para criar um cenário no Porto. Pode parecer fácil, mas sei lá, envolve muitas coisas, muitas logísticas e é marcar o estúdio e não sei o quê, e encomendar as coisas da net. Ou seja, eu geria isso como se fosse também gestão de um projeto. Abri um quadro no Notion, pus todas as alíneas que eu tinha de tratar, até que data.
E na vida pessoal também podes fazer isso.
Também faço isso.
Tu és a master das histórias.
Planeamento e organização e ter tudo escrito.
É mesmo.
Sim, mas depois, a nível de objetivos para setembro, também queria dar aqui outra dica que eu vi e que até vou partilhar hoje um vídeo sobre isso no Instagram, que vi no TikTok um conceito muito engraçado para no dia a dia tu também fazeres uma gestão. Lá está, aquilo que estavas a dizer de viver, também teres esse espaço no dia a dia. E então um conceito que se chama therapy thrill Tríade da terapia, em que diariamente tens de ter três terapias para ti, que é a terapia mental, que no meu caso é journaling e leitura, que podes reservar à noite ou de manhã, como for melhor para ti, ou podes ter outra ferramenta que para ti seja um trabalho mental, uma terapia mental. Te sirva como uma terapia. Um momento que tu saias de lá, melhor.
Tipo meditação, pode ser?
Pode ser. Pode ser mental. Depois terapia do corpo, portanto, movimento diário, que é uma coisa que já faz parte da minha vida e que eu quero continuar a fazer todos os dias. E a terapia da alma, que é todos os dias também teres uma coisa que te alimenta a alma. Imagina, ires trabalhar para um café, ires comprar um cafezinho que tu gostas, uma coisa que tu gostas de comer, ires ver o sunset com uma amiga, ires passear para algum lado. Portanto, é teres qualquer coisa diária que te alimente a alma. E eu achei este conceito mesmo engraçado para agora também começar. Hoje é dia um, começar a partir de setembro, em vez de ser um habit tracker de vou ter estes 10 hábitos que eu tenho que cumprir.
Não, tiras essa pressão.
Tiras a pressão, tens que ter as tuas três terapias diárias. Já tive o meu journaling e a minha leitura de manhã, já fui correr. Não sei o que me vai alimentar a alma hoje.
Não, mas às vezes pode ser coisas pequenas. Olha, ontem fiquei até a 01:00 da manhã, hoje estou com sono, mas ontem fiquei até a 01:00 ver uma série no sofá durante quatro horas com a minha mãe. Não me lembro da última vez que isso tinha acontecido. Nós não falamos uma com a outra, mas ontem enquanto estava a acontecer, tive quase uma magia que aconteceu que eu fiquei a olhar para a minha mãe e disse: "Fogo!"
Realmente é que vês de fora, é tipo "pinch me moment", que tu estás a olhar de fora.
Ainda estou a pensar isso. Acho que podem ser também essas coisinhas mínimas, mas nós nos lembrarmos que são importantes, pode também trazer esse poder terapêutico.
Ser terapia também, no fundo.
É muito fixe.
Achei um conceito mesmo giro e vou adotar e hoje é dia um, portanto quero...
Sabes o que eu acho giro, que é uma coisa que eu ando muito com isto também por causa do meu trabalho. Tenho muito aquela coisa de não me quero esquecer das coisas. Não quero que a memória me falhe nunca para as coisas boas. E uma coisa que eu não faço muito é, eu tenho o hábito de todos os dias agradecer por uma coisa estúpida, estúpida não, mas uma coisa pequenina que aconteceu no meu dia. Pode ser, por exemplo, hoje vim aqui a este estúdio e o pessoal era muito fixe. Agradeço, vou ver o pôr do sol, estou em casa, não sei o quê, e lembro-me. Olha, hoje agradeço porque cheguei aí.
Mas dizes em voz alta?
Digo, a mim para dentro, digo só a mim. Por uma coisa estúpida, por aquele senhor na passadeira que estava com o cão e riu-se para mim, foi simpático e falei dois minutos com ele. Essas coisas mesmo pequenas, eu tento fazer uma introspeção do meu dia e encontrar essa coisa pequena que me fez feliz. Eu fiz isto porque tive um acidente de mota em Bali e quase morri. E desde esse dia que faço isso.
A sério?
É. Comecei a fazer isso nesse dia porque encontrei uma rapariga alemã que nos salvou. E nesse dia estávamos a ver o pôr do sol e eu tipo: "Fogo, agradeço por aquela rapariga alemã que nós encontramos e que a seguir fomos com ela almoçar e não sei o quê." E comecei a fazer isso. Há dias que posso me esquecer, mas tento todos os dias fazer.
Se tiveres um dia mesmo mau?
Às vezes esqueço-me de fazer, mas tento sempre me lembrar. Há dias mesmo corridos que posso não me lembrar. Mas há sempre alguma coisa mini e é isso.
É treinares o teu cérebro para pensar em coisas positivas, não é?
Para pensar em coisas positivas e para as mais pequenas. Porque isso também depois te faz no teu dia a dia, tu quase te obrigares a fazer essas coisas pequenas, porque o tu seres simpático para alguém, o tu prestares mais atenção, estares a brincar com o teu cão e prestares um bocado mais atenção àquele momento, faz com que se calhar no final do dia tu te vás lembrar que aquilo foi um dos teus momentos favoritos do dia e seres grato por isso. Ou seja, é todo um exercício de gratidão e reconhecimento das coisas mais pequenas para que tu também no dia a seguir estejas mais presente a fazer as coisas pequenas, porque tem tudo a ver com tu estares presente nos momentos, porque há imensa coisa boa, só que às vezes nós não damos por ela.
E esta terapia da alma também é muito disso, não é coisas bonitas para publicar no Instagram todos os dias. São coisas que te preencham, que te deixem felizes, mesmo que sejam coisinhas pequenas, é muito esse exercício, por isso é que eu quero agora estar consciente.
É isso.
Eu acho que já o faço aqui no Porto, tenho muito essa vida.
Quase romantizar um bocado a vida. Mas aquilo que eu estava a dizer sobre a memória e sobre não nos esquecermos, eu faço muito este exercício, mas eu não escrevo.
Eu escrevo, vais gostar. Eu sou de escrever.
Eu não sei o que eu disse a semana passada. Então isso é um exercício que eu também quero fazer, tu fazes muito journaling. Eu quero tentar aplicar o journaling nestes hábitos que eu já vou tendo.
Eu acho que ias gostar imenso. Sabes que eu agora estive em Bali e estava até com a Carlota, uma das minhas melhores amigas, e estivemos a tarde toda a rever o meu journal. E foi épico, Inês.
Deve ser incrível.
É que consegues perfeitamente perceber a minha cabeça. E eu tenho journal de há quatro anos atrás, antes de me despedir, e eu a ler tudo aquilo, e nós as duas a rirmo-nos da Mariana, da minha cabeça da altura, e depois todos os rapazes e não sei o quê, e draminhas.
Tu contas tudo essas partes?
Eu conto tudo.
Isso é um diário, não é um journal.
Criando diário, total. E olha, foi tão giro. E depois também estive a rever como é que eu estava na minha viagem da Bali do ano passado, que é completamente diferente desta viagem.
Quais são as principais diferenças que sentiste?
Da viagem?
De uma para a outra.
Olha, eu acho que a principal diferença é que eu fui para Bali a primeira vez em busca de algo. E agora foi zero pressão, só fui de férias, então aproveitei muito mais. Vivi Bali. Da última vez eu estava sempre em ansiedade e mesmo eu dizia muitas vezes à Glória: "Eu ainda não encontrei aquilo que eu estou à procura. Eu vim em busca de algo, de respostas." E sinto que estava numa de fugir da minha realidade e não estava com vontade de voltar. Também esta é a principal diferença, não estava com vontade de voltar a Portugal na altura, o ano passado, porque eu não tinha decisões tomadas. E fui pra Bali a procurar respostas de o que eu vou fazer com a marca, quero isto, não quero isto. Imensa dúvida existenciais, principalmente profissionais, que existiam na minha cabeça, e eu tinha de voltar a Portugal e ainda tinha essas dúvidas.
E é aquela questão de quando tu vais à procura desse tipo de respostas, a um sítio que não te vai dar essas respostas, tu meio que estás a fugir da tua realidade e depois tu tens que ir.
Os problemas seguem-te para lá. Os problemas seguem-te. Por isso é que muitas vezes quando pessoas vêm ter comigo e dizem que gostava muito, estou mesmo mal, a minha cabeça precisava de fugir pra algum lado. É complicado, porque as questões vão atrás de ti.
Lembras do que eu te respondi quando me disseste para ir na viagem a Bali?
Sim.
Não me podia ir naquela fase pra Bali. Eu tinha acabado a relação há pouco tempo, eu não estava ainda bem. Eu tinha muitos dias high e low, e eu tinha muito essa consciência de que eu não quero ir pro outro lado do mundo.
E fugir disto.
Não quero, porque isso só me vai atrasar. E não vou experienciar a 100%.
Mas ter essa consciência também é muito fixe.
Sim, não sei se é por ver demasiados vídeos de heartbreak. Não, estou a gozar.
Não podes fugir da tua realidade pra curar um coração partido.
Não, mas acho que é muito melhor, e eu estou muito a ter essa sensação agora, é muito melhor tu experienciares coisas novas e viveres e tudo mais. Claro que nós nunca estamos a 100% e não somos a nossa melhor versão nunca. Mas quando estamos mais plenos de nós, mais perto, mais alinhados conosco, nós cada vez mais vivemos melhor cada coisa que aparece. Então tu estares a forçar a viver muito quando tu ainda não estás preparado pra viver esse tanto, acho que só te tira essa beleza. Agora até estou curiosa pra tua resposta. Gostaste mais de Bali? Eu também já lá estive, aquilo é mágico de certa forma. Pelo menos eu tive essa experiência de viagem. Nem toda a gente tem, mas eu tive muito e há muita gente que tem. Tu sentiste mais ou menos mágico qual das vezes?
Eu sinto que gostei mais desta vez da ilha, daquilo que tinha pra me dar, mas senti mais intensamente da última vez.
Ok.
Porque era a primeira vez, porque eu estava a viajar sozinha pela primeira vez pra longe, porque era tudo novidade e porque eu estava com estas questões e estava a fazer muito journaling, a entrar muito na minha bolha. Acho que vivi tudo muito intensamente, mas eu gostei mais desta vez, porque eu própria estou mais feliz. E acho que no final do dia é isso, não é?
Sim.
E uma coisa que eu também reparei que, lá está, há um ano atrás eu não queria voltar e eu fiquei um mês e estava tipo: "Eu preciso ficar mais aqui, eu não quero voltar." E desta vez eu estava tipo duas semanas: " estou fixe. Se calhar até já voltava pra casa."
A sério?
Porque imagina, eu estava superbem e superfeliz e adorei a viagem, mas já estava tipo: "Ei, tenho saudades da minha casa, da minha rotina, dos meus treinos." Sei lá, porque como eu criei uma rotina e uma vida que eu gosto cá, eu não estou a fugir de nada. E por acaso queria aqui entrar também num tema e perguntar-te, porque eu vi um TikTok teu a dizer que estavas a pensar largar tudo e fugir. Não é fugir, largar tudo e viajar. E ter essa vontade. Mas eu queria te perguntar se isso é pra fugir de alguma coisa.
Não, zero.
De onde é que surge essa vontade?
Sabes que é muito engraçado, tu estavas a falar desse sentimento de "já voltava". E eu só fiz duas grandes viagens assim pra realidades diferentes e longas, assim um mês, que foi pra Bali e foi pra São Tomé e Príncipe. E nenhuma delas foi pra fugir de nada, nunca. Nunca tive essa vontade. Foi mesmo tipo, queria ir e fui, e curti e adorei. E em ambas essas viagens, eu nunca quis vir embora. Sabes aquele dia que acordas pra dia da viagem do avião e tu acordas. Dessas duas viagens eu acordei das duas tipo: "A sério, vou embora, não acredito."
Claro que eu também tive um bocadinho desse sentimento, último sunset, isto é tão bonito. Mas depois pensar na minha vida cá, recomeço e não sei o quê.
Sim, eu percebo e eu também tinha um bocado essa cena, eu sempre gostei muito da minha vida cá e nas viagens pequenas, e é sítios tipo Europa e não sei o quê, eu sinto muito isso, mesmo que vá uma semana ou assim, eu sinto tipo: "Quero ir pra casa, quero ir fazer acontecer, quero não sei o quê." Nestas viagens longas, que são muito mais imersivas, que são tipo, estás com culturas totalmente diferentes, com pessoal local. Eu fui jantar à casa de santomenses, tipo locais, cenas mesmo diferentes, uma realidade, uma cultura, tudo diferente, supernatureza, praia, coisas ainda muito por explorar. Eu percebi que são coisas que me apaixonam muito e que eu fico com, não é homesick, é o contrário. Eu quando volto, fico muito "quero experienciar isso outra vez, quero experienciar isso outra vez." E essas duas viagens foram relativamente perto, foi uma em cada ano. E desde aí, eu continuei a viajar, mas sempre viagens muito mais curtas, não nesse registo.
Achas que é porque é sentimento de férias? Porque imagina, esta minha viagem a Bali foi férias.
Não, eu nestas viagens não me sinto bem.
Não, mas é isso. A primeira vez que fui a Bali não foi férias.
Ya, é isso.
Senti mais a viver em Bali.
É isso. A fase que eu estou agora, que eu desliguei finalmente. Depois dessas viagens, eu só trabalhei. Eu só trabalhei. Todos o resto das viagens que eu fiz, fui a Dubai, fui à Suíça, fui Madrid, Barcelona, esse tipo de coisas, mas são coisas curtas, que não deixei de trabalhar, não quebrei a rotina. E eu desde que comecei a trabalhar workaholic como andei estes últimos anos, esqueci-me um bocado dessa sensação E quando agora, julho e agosto, eu me foquei em viver a minha vida, em desligar, em estar presente, em fazer um bocado aquilo que me apetece, eu relembrei essa sensação. E foi estranho, porque eu comecei a pensar muito nessas viagens que eu tive.
Verás a mesma sensação e será que quero fazer isto outra vez?
Parece que a vida deu-me essa sensação de novo, que eu já não sentia desde essas viagens. E comecei a pensar: "Eu nunca tive a coragem de ir mais tempo ainda" e se calhar também quando era mais nova não tinha dinheiro para o poder fazer ou não tinha essas oportunidades, estava a estudar, era entre semestres, entre começar a trabalhar. Então comecei outra vez, ou pela primeira vez, eu acho, realmente a pensar nisto e a pensar: como é que eu vou fazer? Será que eu quero fazer? Em que contexto? Porque também gosto da minha rotina, e gosto da minha vida, e gosto da minha empresa, e gosto dos meus negócios, e tenho muita coisa que eu quero fazer cá. Eu não me imagino emigrar e viver para outro país. Nunca imaginei, não é isso que eu quero. Mas sempre disse isto quando era miúda, agora estou a lembrar, dizia muito: "Um dia quero ir em uns três meses viver para o Brasil." Sempre disse isto, não sei porquê, nunca fui ao Brasil. Sempre disse isto.
Estás a pensar nisso?
E um dos meus objetivos em 2026 é ir para o Brasil três, quatro meses, mas fazer um estágio na minha área, acho que é uma coisa que eles são os maiores nessa área.
Investir na experiência.
Ya. É um dos meus objetivos para o ano, mas acho que esta vontade de viajar assim deve-se ao facto de que comecei a fazê-lo cá. Acho que não precisas de fugir para sentir aquilo que eu tenho sentido com a minha vida, mas aquilo que eu tenho sentido com a minha vida cá, está me a dar vontade de explorar outros sítios e ir. Não é largar tudo.
Mas ir e continuar a trabalhar, porque isso foi uma coisa que eu também no ano passado fiz quando fui, eu continuava a trabalhar. E acho que ter essa rotina também é fixe.
Nunca experienciei, porque as outras viagens que eu fiz não trabalhei.
Mesmo em Maiorca, também estava a trabalhar, é giro, porque é descobrir uma nova rotina num sítio novo, com novas pessoas. E outra coisa que também nós estávamos constantemente a pensar lá e a discutir entre amigas: viverias aqui ou não? E eu acho que Bali, por exemplo, era um sítio em que eu me imaginava a viver para uns dois meses.
Viveria, sim.
Eu viveria.
Olha, Bali, eu senti muito isso. Santo Mé, eu amei, mas eu não conseguia viver em Santo Mé. Percebes? Mas amei e conseguia passar lá mais em modo de férias, mas aquilo boa vezes não há internet, percebes? Eu preciso para o meu trabalho.
E houve uma manhã que eu fui, por exemplo, a um run club lá em Bali e fui completamente sozinha, 6:15 da manhã, que eles correm lá a essa hora. Chego lá ao run club e vamos correr, e depois sentamos todos a conversar, a tomar café e tenho um destes momentos em que saio de fora, e fico a ver e a pensar: "Isto é mesmo fixe e eu dava-me super bem aqui." Mas depois também vem o outro lado de: "Não, mas eu também gosto da minha rotina em Portugal, também gosto da minha casa, também gosto da minha vida."
Eu estou a planear um bocado isso com as viagens. É isso que eu estou para aguentar um bocado esta vontade. Não é aguentar, mas para tomar uma decisão dessas, de ir assim três meses. Tenho uma empresa, tenho casa, tenho um cão, sei lá. Não é assim também. Eu zero romantizo esse tipo de situações em tudo. Acho que é preciso ter pés assentes na Terra. Mas uma coisa que eu tenho feito é: quero planear as minhas viagens para que consiga ter essas experiências e esses sentimentos como tu estavas a ter em Bali, mas de uma forma racional. Ou seja, dar à aventura o tempo necessário, organizar a viagem de uma forma que me dê essa liberdade.
Eu acho que tu ias gostar de um co-living.
Essas?
Essa experiência, porque conheces pessoas que também trabalham freelance e estão a construir coisas, porque estás a viver num sítio que tens todas as facilities, tipo tudo, roupa lavada, quase tratamento de hotel. E depois tem imensas atividades que dinamizam a cena. Num sítio novo, boa internet e é focado em trabalho remoto, é focado nisso.
Vou focar nisso, vou pensar nisso.
Ya. Há destinos mesmo fixes com bons co-livings e aí de certeza que há sensação de comunidade.
Ya, giro.
Conheces pessoas que depois vão contigo passear e fazer coisas e planos, etc. Eu não amei a minha experiência de co-living na altura e partilhei sobre isso em Maiorca, porque era em agosto, foi mau timing. Ninguém estava com a cabeça de trabalho, estava tudo mesmo tipo: "Queremos é alugar um barco e curtir." E Maiorca também não acho que seja o sítio para isso, mas, por exemplo, um co-living em Bali, acho que deve ser épico.
Deve ser muito fixe.
Há imensos sítios mesmo fixes. Portanto, olha, fica a sugestão.
Vou pensar nisso.
Estamos a chegar ao final, amiga. E entretanto, quero falar sobre duas coisas. "Conselhos de Amiga" era uma rubrica que eu tinha no podcast anterior. Criei um e-mail, portanto amigafazparte@gmail.com, para as pessoas mandarem os seus dilemas, perguntas, questões. É um e-mail aberto para tudo aquilo que vocês quiserem falar sobre o podcast. E o que eu pensei? Vamos já falar do que vamos falar no próximo episódio. Daqui a duas semanas, eu e a Inês sentamo-nos aqui outra vez e vamos falar sobre amor, relações, amizades. Tema tenso.
Não, não é tenso. É bom.
É um bom tema, é um ótimo tema. E eu queria que vocês direcionassem as suas curiosidades, questões, dilemas que queiram que nós falemos nesse episódio. Então para o amigafazparte@gmail.com sobre este tema. E para além disso, sendo que é este o tema, e eu no aeroporto em Bali comprei um livro, que li na viagem toda para cá, que eu amei, que é "Conversations on Love", que eu vou lançar como desafio à Inês ler nas próximas duas semanas. Ok?
Se tu o lestaste assim tão rápido é porque ele é bom.
É muito bom. É basicamente uma jornalista que faz várias perguntas a muitas pessoas diferentes da área, a vários escritores.
Sobre amor.
Sobre amor. E toca em temas de amor romântico, amor de amizade, amor de pais e filhos, perdas, abortos, montes de temas diferentes, mas é um livro mesmo muito relatable, eu sublinhei imensa coisa, vais ver. E pronto, queria deixar o desafio desse livro e nós queremos trazer esta dinâmica para estes episódios também. Portanto, no próximo episódio, daqui a duas semanas, tu tens de me trazer um livro que me vais desafiar a mim a ler da próxima vez.
Ok, combinado.
Portanto, da próxima vez vamos falar deste tema, porque eu e a Inês estamos em fases bastante diferentes.
Bem diferentes.
No que toca a este tema. E vamos debater isso e estou muito curiosa para saber o teu feedback deste livro também.
Olha, já estou a ver os sublinhados, já me está a interessar.
Eu acho que vais gostar.
Aceite.
Pronto, ficamos por aqui hoje. Espero que gostes do livro, vai mandando feedback.
Vou gostar.
E vemo-nos daqui a duas semanas para mais updates românticos ou não românticos.
Ou não, depende.
É isso, até ao próximo episódio. Tchau! Não é fácil, eu sei, mas, amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?