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Olá, sejam bem-vindos a mais um episódio. Hoje vou ter aqui uma amiga minha, a Mariana Azevedo, que vem falar um bocadinho sobre o início do ano, recomeços e também explorarmos coisas novas, porque eu acho que nós muitas vezes ficamos muito focados nas nossas decisões, naquilo que estudamos, na decisão que decidimos tomar, na empresa em que estamos a trabalhar. E estando a trabalhar como freelancer, como nós estamos, acabamos por conseguir explorar várias coisas. E a Mariana, este momento está a começar uma nova formação, a estudar uma área diferente. Teve também uma oportunidade incrível e escreveu uma música para uma banda, uma coisa que nunca pensou fazer. Então têm surgido coisas giras que nunca tiveram em planos, e nós viemos aqui explorar um bocadinho disto, explorar como é que podemos encontrar a criatividade no nosso dia a dia, de que forma é que também podemos dar espaço para estas coisas diferentes acontecerem, estas oportunidades surgirem, e podemos abrir um bocadinho, sair um bocadinho da nossa bolha e pensar fora da caixa e aceitar coisas novas e conhecer outras versões nossas. Portanto, exploramos um bocadinho isto, o que o começo do ano, o recomeço também nos traz e esta vontade de fazer mais e de encontrar coisas que nos tragam mais fogo, mais propósito no dia a dia, que é uma coisa que ela acabou por encontrar também agora na música e vem contar um bocadinho de todo esse processo e viemos partilhar também cada uma de nós como é que no dia a dia trazemos espaço para estas coisas acontecerem. Portanto, eu espero muito que vocês gostem destas reflexões e vamos lá ao episódio. Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume. Gravei agora um solo antes e estava a falar dessa questão do açúcar, porque é mesmo um vício.

Não, eu sou viciada.

Imagina, eu estava a te dizer, eu estou muito mais equilibrada em tudo o resto, treino, alimentação. Comi bem o almoço, mas depois o açúcar...

Eu preciso sempre de açúcar, Mariana.

Parece que ativa-lhe uma cena no cérebro, é bem estranho.

É, mas eu sou mesmo viciada. Não consigo passar um dia sem comer.

E não é tipo, faz almoço à tarde que apetece mais?

A mim apetece depois das refeições. E ao almoço, se estiver sozinha, se eu estiver sozinha, então estou no loop de trabalho e não sei o quê, almoço consigo saltar. Ao jantar, quando estou a ver a novela no sofazinho.

É quando pede mais.

E muitas vezes mando vir McFlurries e não sei o quê, mas agora tenho uma panca nova, um bocado mais cara, que é mandar vir Häagen-Dazs. Mas não é igual Häagen-Dazs-

Mas Häagen-Dazs tens de mandar vir quantidade.

Mariana, exatamente, esse é o problema. Mas não é só esse o problema.

Que eu também já pesquisei que é melhor.

Eu sou viciada, imagina, eu gosto de Häagen-Dazs, está certo, pronto. É o chocolate belga, sempre, tudo igual. Mas o que eu gosto de Häagen-Dazs não é o gelado, é o topping. Tu já experimentaste o topping? Chocolate belga, tem de leite negro. Mariana, é o melhor chocolate líquido, topping que existe.

Mas vem numa coisinha à parte e tu pões por cima.

Sim, vêm três. Vem um balde de chocolate belga e depois vêm três toppings de chocolate. E depois rego. Ah, tão bom.

Quando fui jantar à tua casa foi tipo, acabamos de jantar, eu comi uma salada e depois-

Mandávamos um gelado, não foi?

Mandamos um gelado, claro.

Fomos, claro.

McFlurry.

McFlurry.

É assim, não dá.

Não, é horrível, mas é chato, porque eu tenho consciência que tenho esse vício. Mas também, por exemplo, eu não tomo café e eu sinto que o chocolate pode ser psicológico.

Mas o café puxa também chocolate.

Talvez, mas eu não tomo café. Então na minha cabeça invento a desculpa de que o chocolate, mas é verdade, eu sinto que o chocolate me dá energia de alguma forma.

Mas não dá, dá-te um pico muito rápido, depois uma queda maior. O açúcar.

Talvez, é assim.

Dás um pico assim de meia hora e depois já estás a cair outra vez.

Sim, talvez. Mas preciso, por exemplo, ao almoço, quando estou com sono, ou à tarde, quando estou com sono, normalmente é quando estou com sono e estou a trabalhar, computador, etc., coisas menos dinâmicas, apetece-me um chocolate.

Ya. Por acaso eu estava na passagem de ano e também estávamos a falar sobre isto, uma prima minha estava a dizer: "Sou viciada em açúcar."

Eu sou também.

"Preciso de cortar."

Eu sou.

E tu normalmente como é que lidas com isto? É tipo 8 ou 80 agora vou cortar mesmo para conseguir resolver esse problema?

Mariana, não. Nunca. Eu sou viciada em chocolate, não é em açúcar.

Mas tu tentas reduzir?

Não, eu tenho a consciência, que fui ganhando ao longo do tempo, eu tenho consciência que tenho este problema.

Até porque não te faz nada bem.

Não, eu sei, obrigada, eu sei.

Não, com a questão-

Com a doença de Crohn?

Pois.

Não, isso também não me chateia muito. Não, nunca me chateou muito. Chateia mais outras coisas, tipo grão-de-bico, ervilhas, outras coisas nada a ver. Pronto, espinafres. Chocolate, por acaso, nunca me chateou. E a verdade é que eu tenho essa consciência que sou dependente de chocolate e gosto mesmo muito de chocolate, dá-me prazer comer. Então habituei-me a dosear. Não como uma tablete de chocolate, nunca comi uma tablete de chocolate inteira.

Sim, a questão é: eu pelo menos tento dizer-me a mim própria e compro, imagina, uma tablete e deixo no frigorífico. É tipo, todos os dias depois de almoço podes comer um quadradinho. A questão é, depois em fases em que eu estou mais, sei lá, fase fria do TPM e não sei o quê, ou estou com estresse, eu não vou comer só um quadradinho. E esse é o problema.

Ó Mariana, sabes que nós somos muito diferentes nisso. Eu não tenho grandes regras na minha vida e eu tento só ser consistente. Eu compro uma tablete, eu não penso: "Ai, vou comer três quadrados". Nunca quantifico nada. Eu compro uma tablete, porque eu acho que, e isso eu aprendi ao longo do tempo, comigo mesma, isso depende da personalidade das pessoas, obviamente, depende de cada um, mas eu aprendi que quanto mais-

Tu controlas?

Quanto mais eu controlo, mais me apetece. O fruto proibido é o mais apetecível. E comigo no chocolate e na comida. Aprendi também que a melhor dieta para mim é comer tudo, mas em quantidades pequenas e reduzi há um ano e meio, dois. Reduzi, como tudo, o que me apetece, tudo, mas como pouquinho de cada. Fico saciada na mesma. Fico muito mais saciada, porque como tudo o que me apetece. E com o chocolate é igual, eu prefiro não pôr regras, não pôr limite. Pronto, eu, por exemplo, eu agora estou com a panca, é do Häagen-Dazs e é do Kinder Delice. Desbloquei de memória. Desbloquei de memória, apeteceu-me Kinder Delice, e agora compro caixas de 10 Eu nunca achei piada, mas agora adoro. Aquilo tem 150 calorias, 170 calorias, não tem assim nada. Acho que é, não faço ideia, para mim não é nada. E compro caixas de 10. E de vez em quando como um. Percebes? Não tenho aquela cena de-

Percebo, mas eu não sou essa pessoa, não consigo ter em casa. Não posso ter em casa.

Porque se tiver vais comer.

Vou comer.

Eu não, tenho lá e não me importo.

Acho que isso aí é o meu pai. Meu pai é assim. Minha mãe tem de esconder os chocolates.

Mas não é porque te pões muitas regras e és muito rigorosa contigo própria na alimentação? Não sei, estou a perguntar.

Eu nunca tive em casa, por exemplo, bolachas e coisas assim.

Eu sempre tive.

Então acho que é por aí.

Não sei, eu controlo. Gosto de ter, eu preciso de ter açúcar em casa, preciso de ter chocolate em casa.

Estou numa fase, lá está, menos estressada, sinto que estou a conseguir controlar o treino e tudo o resto, então nem sequer penso nisso. Mas numa fase em que alguma coisa falha, depois é bola de neve. Pronto, mas nós não estamos aqui para falar sobre açúcar.

Não, pois não.

Olha, início do ano, o teu episódio ainda vai sair no início de fevereiro, portanto queria te perguntar: és adepta de ano novo, vida nova, e vou mudar tudo e novos objetivos, ou como é que lidas com a passagem de ano?

Imagina, eu cada vez gosto menos da passagem de ano, ou seja, desse dia. Dessa noite, aliás, eu cada vez gosto menos.

Mas traz pressão associada o início do ano?

Traz muita comparação. Acho que é mais um lembrete para mim. Atenção, eu gosto do novo ano. Janeiro não é o meu mês favorito, mas eu gosto da ideia de um novo ano, de me comprometer a novos objetivos, etc. Se bem que eu acho que consegues fazer isso numa segunda-feira qualquer, numa terça, numa quarta, em qualquer altura do ano, mas gosto dessa ideia de: "Ok, vou começar de novo, o que tenho que começar, nem tudo, mas o que tenho que começar." Agora, cada vez mais me chateia a passagem de ano em si. Até porque acho que é um alerta e um lembrete do quão comparativos nós somos uns com os outros e com a vida dos outros, porque é a altura do ano, no final de dezembro, que toda a gente faz os recaps do ano.

Os recaps, depois toda a gente partilha os objetivos, vision boards.

Toda a gente, exatamente.

Devia ambicionar mais, devia ter mais coisas.

E sabes que eu cheguei ao fim do ano, e até partilhei isso no Instagram, eu cheguei ao fim do ano e senti: "Não fiz nada este ano". Mas não foi de um lugar de culpa ou frustração.

E fizeste tanta coisa, tu pões é muita pressão em ti. Já estávamos em casa com a Inês, combinamos esta tarde brainstorming, vamos lá pra casa, e era pra definir três coisas que alcançamos no ano passado. E tu não conseguias, estavas bloqueada.

Não, porque imagina, eu tive uma grande conquista o ano passado, acho que foi uma muito grande, porque também não estava à espera e superou todas as minhas expectativas. De resto, tive claramente muitas conquistas, todos os dias é uma conquista, mas de outra proporção. E não quer dizer que por serem conquistas mais pequenas, que sejam melhores ou piores que as outras pessoas.

Não são shiny moments.

Claro, imagina.

Porque também estamos numa fase da vida em que já não há tantos shiny moments.

Mas isso é bom, não é? Ou seja, se pouca coisa mudou e se alterou, é porque estou no caminho certo. A vida tem formas estranhas de nos dizer que estamos no caminho certo. E eu cheguei ao fim do ano com aquela sensação leve. Ora, foi um ano leve. Acho que foi um ano de estabilidade, um ano leve, e nem todos os anos têm que ser anos de sobe e desce. 2024 para mim foi um ano muito pesado, muito intenso, muito bom e muito mau. 2024 foi muita coisa. Encontrei namorado, perdi amizades, muita coisa aconteceu. Trabalho, marcas, muita coisa.

Mudanças de casa.

Mudei de casa, exatamente. Arrendei a minha primeira casa sozinha e remodelei uma casa toda sozinha, mobiliar, comprar, timings, tudo a atrasar, lidar com muita coisa boa e menos boa. E 2025 foi exatamente o oposto disso. 2025 foi calma, foi sossego. E numa pessoa como eu, que está sempre à procura de tirar o tapete e dessa instabilidade e desse desconforto, foi estranho, mas foi bom. Eu cheguei ao fim do ano e pensei: "Ok, também não fiz nada de especial, mas também não tenho de fazer." Ou seja, não, é bom.

Sinto 100% que também foi assim o meu ano. Mas depois na fase, por exemplo, de planear já objetivos, eu adoro essas coisas, adoro esses planeamentos, essas escritas, essas listas. E também te senti numa de, tu até fizeste o comentário: "Eu quero ouvir os vossos, não quero pensar nos meus."

Não, nós somos opostas nisso. Eu não gosto muito de planear. Epá, a vida acontece sempre ao contrário do que eu planeei, não vale a pena perder tempo, não é só tempo, é expectativas. Eu acho que ao longo da vida, aquilo que nos vai magoando mais, nas pessoas, na vida, nos planos, no que acontece, são as expectativas que nós pomos. Nós esperamos que aconteça alguma coisa, nós esperamos, porque lutamos muito, que vamos conseguir alcançar aquele objetivo e depois não conseguimos. Esperamos que aquela pessoa reaja assim ou assado, e depois não reage. E, portanto, eu prefiro honestamente não planear muito. Claro, fiz um vision board, nunca tinha feito. Ou seja, claramente escrevi 12 objetivos, como escrevo todos os anos, e meto sempre no calendário no dia 31 de dezembro do ano a seguir. Então é muito giro, porque depois nos dias 31 de dezembro, tenho lá nas notas da agenda, no calendário, tenho lá os meus 12, e é fixe fazer esse balanço.

O mais giro para mim é voltares depois a rever passado um ano.

Sim, sem dúvida.

Não é tanto tu estares no dia a dia com aquilo na cabeça.

Exato, ou seja, claro que eu tenho objetivos, mas objetivos mais gerais. Metas que eu queira traçar, coisas que eu queira fazer, ter, ser, etc. Mas levo isso com muita calma, ou seja, porque tu és muito mais de definir um plano de ação. Como é que eu vou pôr isso em prática já? Porque exatamente, nós estávamos no brainstorming e a tua questão foi: "Ok, vamos então definir os nossos objetivos e plano de ação. O que eu posso fazer em janeiro para concretizar os meus objetivos?" E isso para mim, a minha cabeça entra em curto-circuito, porque assim eu sei lá.

Sinto que ficaste tentada a olhar e disseste assim: "Bem, eu vou ouvir os vossos, eu não vou fazer."

Não, porque imagina, se tu agora me perguntares, eu vou te dizendo agora, estar a pensar em 12 objetivos, plano de ação para os 12 objetivos, o que eu vou fazer em janeiro, sei lá, não sei.

Para 12, era quatro.

Era quatro. Mas para mim Isso é comprometer-me. Eu gosto de ser livre, não gosto de ter muitos planos. Tenho objetivos que me vão guiando e eles estão na minha cabeça, eu sei o que são e pus no wallpaper do telemóvel o meu vision board, eu sei o que são, não me perco pelo caminho, mas também não sinto que não precise de um plano de ação regrado, que muita gente precisa e muita gente adora. Eu se calhar precisar, até preciso, só que não me consigo reger por aí.

Sim, eu acho que há formas diferentes de fazeres estas análises, de te organizares no dia a dia.

Porque acho que isso-

E eu preciso mesmo ter as coisas estruturadas para acalmar a minha ansiedade.

Mas é que isso para mim dá mais pressão. E depois imagina, podia dizer, uma das coisas era ser consistente no treino, um dos objetivos que pus nessa tarde convosco. E depois plano de ação, e estávamos a dizer, vou duas vezes ao pilates, uma vez ao cycling. Mas quem é que eu quero enganar? Ainda não me está a apetecer ir ao cycling. Duas vezes ao pilates tenho ido, mas não me está a apetecer ir ao cycling, ainda não fui. Ou seja, para que é que eu vou estar a pôr se eu não estou no mood? Eu não estava no mood naquele dia. Uma coisa é eu estar no mood, agora vou certinho. Ok, vou. É um compromisso comigo própria, mas que eu posso fazer a qualquer altura.

Mas o que eu sinto nesses casos é: eu ainda não estou no mood, mas eu vou me forçar a estar no mood.

Eu percebo. Ou seja, eu percebo e concordo, só que eu não consigo é planear muito, porque eu sou a primeira a dizer que não é a motivação.

No que toca ao treino, não podes depender de estar no mood, percebes?

Não, claro que não. E não era isso que eu queria dizer. Eu sou a primeira a dizer que não é a motivação que gera a ação, é a ação que gera a motivação. É eu fazer várias vezes que me vai motivar a fazer mais.

Sim, tu ainda estavas numa altura em que estavas a usar o Urban Sports Club e a fazer certinho os treinos e estavas super motivada.

Mas acho que, por exemplo, o meu plano de ação para ser mais consistente no treino, se calhar passaria muito mais por aí, por ter o Class Pass ou o Urban, do que dois dias pilates, um dia cycling, um dia corrida. Passaria muito mais por ter uma aplicação que dá para fazer tudo, porque isso vai me desleixar.

Vais arranjar tua vida para...

Exato. É isso, gosto de planear, mas pouquinho.

E o que é que sentes em relação a este ano? Qual é a tua ideia?

Eu estou com um bom feeling.

Também eu.

Eu estou com um bom feeling. Podia não estar, mas eu estou, estou num dia bom. E estou com um bom feeling, mas também, mais uma vez, não faço grandes planos.

Mas vais começar uma coisa nova, vais começar a estudar.

Exatamente.

Queria que me contasses como é que surgiu essa ideia, por que é que te lembraste disso. Por que sentiste essa necessidade?

Eu já queria há muito tempo fazer uma formação de escrita criativa, porque eu gosto muito de escrever e às vezes sinto que tenho palavras a mais e não consigo pô-las em papel na altura que eu quero pôr. E sinto que não tenho muitos pares, não tenho pessoas à minha volta que entendam a minha criatividade ou a minha sensibilidade para a escrita da mesma forma, porque ninguém à minha volta escreve. É tão simples quanto isso. E quando tu não tens pares, não tens pessoas que se interessam pelas mesmas coisas que tu, acho que há uma desmotivação do teu lado também. Eu estou sempre a dizer isto, mas nada na vida se faz sozinho. E se tiveres à tua volta pessoas que te incentivem, que percebam da área, que te incentivem, vais crescer, vão crescer juntos. E neste caso, o que eu sentia é: eu gosto muito de escrever, sinto-me um bocado sozinha nesta área, não conheço ninguém que escreva e quero saber melhor como aplicar as minhas palavras. E dentro da escrita há tanta coisa, tantas formas de escrita, tanta coisa diferente, eu quero explorar mais a minha criatividade. Se eu tiver um bloqueio criativo, como estava a acontecer e o que me acontece várias vezes, é que tenho vários bloqueios criativos. O que as pessoas que também gostam de escrever fazem quando têm um bloqueio criativo?

Mas achas que, por exemplo, no caso da escrita, é uma coisa que tu podes ser regrada ou depende do teu mood também?

Não, a escrita eu acho que depende muito do mood, porque muitas vezes escrevo às 2:00 a.m. quando não consigo dormir, escrevo na camioneta quando eu vou para o Porto. Ou seja, não é bem quando me apetece, é quando me apetece escrever. Agora, há formas de me apetecer mais escrever, e é essas formas que eu quero encontrar este ano também. Por exemplo, andar a pé. Eu agora como tenho carro e como está inverno e chove mais e tudo mais, tenho andado mais de Uber e de carro. Mas a verdade é que se eu fizer essas deslocações como sempre fiz em Lisboa, quando não tinha carro, sobretudo, a pé, de uns sítios para os outros, 20 minutos, 30 minutos a fazer tudo a pé, com música nos ouvidos, só isso, não estar a agarrar o telefone, estar a ouvir música, estar a romantizar a minha vida, porque é isso que eu sinto. Estás a ouvir música. Ontem estava a ouvir Justin Bieber e Ed Sheeran nos ouvidos e estava a passar no Marquês e a ver a confusão e estava naquela luz de sunset. E isso também é romantizar a vida. Eu acho que para quem escreve, pelo menos da forma como eu gosto de escrever ou como eu me identifico, acho que é preciso muito romantizar a vida.

E tens de criar espaço para isso.

É, acho que eu tenho de fazer mais disso.

Então este curso surge também numa de encontrares as pessoas para também te rodear.

Sim.

Não tanto de melhorar as tuas skills, digamos assim?

Acho que é mais encontrar pessoas que tenham os mesmos interesses que eu e também aprender algumas bases e ferramentas para a escrita não depender só das minhas emoções e de quando me apetece, mas conseguir ter essas ferramentas para me permitirem desbloquear palavras.

Não, faz sentido. Porque eu acho que também chegamos a um ponto em que, e há muito tempo a trabalhar sozinhas, também precisamos de continuar a aprender. Eu também sinto, não tanto numa área tão relacionada assim ao meu trabalho, mas eu o ano passado passei imenso tempo à procura de minicursos, formações, para explorar áreas diferentes.

Eu já fiz tantas formações, workshops, imensa coisa. Coisas de um fim de semana, coisas de um mês, dois, três.

O ano passado fui a imensas de finanças pessoais, por exemplo.

Exato. Eu acho também fixe explorar outros temas que não tenham a ver com o nosso trabalho para nos abrir outras portas, porque nós não somos bons só numa coisa. Não é, que seria?

Eu estive a pensar e eu acho que se eu pudesse ou tivesse de escolher agora áreas para explorar, seria assim mais técnicas, psicologia ou nutrição E mais práticas cozinha.

Cozinha também gostava. Nada muito intensivo. Gostava de um workshop de vez em quando, aprender a fazer um assado.

Eu estava a te dizer ontem, eu gostava de ter uma turminha e ir a aulas de cozinha.

Pois eu agora estou entusiasmadíssima.

Pois é, quando é que começas? Está quase.

Começo dia 15. E é todas as quintas durante três meses. Ou seja, tens aquele compromisso, que é uma coisa que também nós na nossa profissão não temos. Temos poucos compromissos, poucas coisas, e eu sentia falta de ter uma rotina. É só uma vez por semana, está certo, mas já é uma rotina, não posso saltar aquilo. Eu durante três meses não vou viajar muito tempo. Porque tenho sempre aquele compromisso. E já sei que vou ter trabalhos de casa, já me disseram, vou ter muitos trabalhos de casa e isso também é bom para me estimular a escrever, estimular a criatividade, porque depois mesmo no meu trabalho, nas campanhas que eu faço, eu tento sempre fazer algo criativo, muito ligado também com a escrita, com storytelling, e é isso que eu também quero aprender.

Vai acabar por te ajudar também na tua parte profissional.

Sim, é isso.

E estavas a dizer, no ano passado foi um ano em que sentiste um bocadinho mais bloqueio nessa parte da escrita, que tu fazias imensos poemas e esse tipo de conteúdo no Instagram, mas surgiu uma grande oportunidade.

Sim, foi.

Eu quero que me contes aqui como é que isso surge, como é que foi todo o processo.

Nunca na minha vida eu pensei ser songwriter, escrever músicas ou que isso fosse sequer possível. E não sou de todo songwriter, mas a verdade é que os Bandidos do Canto lançaram uma música escrita por mim e isto foi muito aleatório. Vamos voltar atrás, 2023.

Espera, hoje vamos ao lançamento.

Sim, hoje vamos ao lançamento do álbum. Hoje à meia-noite sai o álbum deles com a minha música.

Meu Deus!

Como é que isso começou? Isto foi muito aleatório. Isto foi sem dúvida a minha maior conquista e que me deixou super realizada e super feliz em 2025. Por isso é que eu digo que foi obviamente a minha melhor conquista e também foi a mais inesperada. Mais uma vez, quanto menos planos fizeres na tua vida, melhor. Porque mais de surpresa ela vem, mais inesperada. Se eu tivesse aquela ambição de "eu vou ser songwriter, eu vou escrever músicas", sei lá. Por exemplo, eu sempre disse: "Eu quero ser apresentadora de televisão, eu quero ser locutora de rádio." Amiga, eu estou aqui. E não sou. A vida tem formas estranhas de mostrar o nosso caminho.

Escrever uma letra para uma banda não estava no teu vision board, na lista de objetivos.

Não estava, nunca na vida, nem pensei que fosse possível, porque nunca tinha pensado sequer nessa hipótese. Em 2023, o Rui, que é um músico, mandou uma mensagem, mas eu não sabia que ele era um músico, eu não sabia quem ele era, na verdade. Mandou uma mensagem no Instagram. Nós recebemos algumas mensagens. E eu estranhei a mensagem. Ele era muito querido e dizia que tinha musicado um dos meus poemas. E eu achei aquilo tudo um bocado estranho.

Eu não sabia disso, tu sabias?

Não sabia.

Conta.

Foi assim que aconteceu. E ele mandou-me essa mensagem a dizer: "Olha, Mariana, musiquei um dos teus poemas, escreves muito bem, bla, bla, bla. Tens algum contacto para o qual eu te possa mandar a música?" E eu: "Fogo, este rapaz está a gozar comigo." Eu estava solteira.

Está sempre a ter comigo.

Este rapaz está a gozar comigo. Mas eu não sabia que ele era músico nem nada, como é óbvio. Depois fui investigar, fui buscar o perfil dele, ele toca com imensos artistas. Dei-lhe o meu e-mail. Ele mandou uma música, eu estava sentada no chão da minha sala e no chão da minha sala eu fiquei. Eu ouvi a música, carreguei no play, era uma música. Mariana, era uma música, era um poema meu, inalterado, que ele não alterou nada, e era uma música. E eu chorei. Ouvi 20 vezes, e guardei para mim. Ou seja, eu não contei a muita gente que isso aconteceu. Cada vez conto a menos pessoas aquilo que me acontece, digo-te uma coisa. Mau-olhado.

E antes de acontecer, principalmente.

Sim, antes de acontecer.

Depois de acontecer, conta para o mundo.

Eu achei piada, respondi-lhe, estava super emocionada. Dei logo o meu número, trocamos números, ficamos a trocar mensagens e sempre em contacto até agora. E ele entretanto musicou outro poema meu e foi muito giro, ele ia-me mandando e depois: "Eu vou tentar que este seja para este artista, este seja para aquele artista. Eu não sei das quantas, gostam muito desta música." E eu fiquei ali sempre um bocado na expectativa. "Ok, vai, não vai, alguém vai pegar nas minhas músicas, não vai?" E entretanto, dois anos depois, em outubro de 2025, o Rui manda uma mensagem do nada. Nós temos mantido o contacto, mas não falamos sempre. Manda uma mensagem do nada a dizer: "Olha, Mariana, só para te avisar que os Bandidos do Canto estão a produzir uma música tua, escrita por ti." E eu: "Ah, giro." Ou seja, vai acontecer. Aí caiu-me tudo. Quando eu li aquela mensagem.

Mas então a música tu já tinhas escrito, não escreveste para.

Não, exato. O que é que aconteceu? Eu publicava muitos poemas, como estavas a dizer, eu publicava muitos poemas no Instagram. E o Rui viu o meu perfil, apanhou dois, três, quatro poemas e transformou-os numa música. Exato, foi isso. Ou seja, ele musicou um dos meus poemas, enviou-me, eu fiquei super emocionada e a pensar: "Fogo, mas um poema meu pode ser uma música?" Sei lá, nunca tinha visto as coisas dessa forma. Aliás, eu publicava no Instagram e publico no Instagram esse tipo de textos e poemas, porque eu não sabia onde é que havia de os pôr. Porque não eram suficientes para um livro, eram devaneios às vezes na minha cabeça, coisas assim pequenas. E eu pensei: "Ok, vou pôr no Instagram", porque gosto muito dessa parte de interpretar poesia e tudo mais. E de repente ele pega e transforma numa música. Outubro 2025: "Mariana, os Bandidos do Canto vão avançar, estão a gravar e a produzir uma música escrita por ti, chama-se Nada Mais." Eu nem sabia qual era esse poema, nunca tinha ouvido. Já nem sabia, foi um poema que eu publiquei em 2023, exato, já foi há muito tempo. E eu: "Manda-me." Ele mandou-me um áudio e eu: "Não acredito que isto vai acontecer." Porque já era com a voz da banda, deles todos, e aí caiu-me tudo, foi: "Ok, isto vai acontecer." Não é só giro, não é só uma ideia gira e romantizada de que os teus poemas podem ser uma música, não, isto vai acontecer. E foi muito giro, porque depois a vida é do caraças E não sei, vai fazendo sentido à sua maneira. Eu não conhecia o Rui pessoalmente, ficávamos sempre a tentar combinar aqueles cafés, nunca aconteceu. Eu disse ao Rui: "Agora tem de ser, temos de nos conhecer, eu quero conhecê-los a todos, quero fazer um vídeo sobre isto, quero conhecer, estar convosco, etc." "Ok, bora combinar." Sei lá, mandou mensagem para aí numa terça-feira, nesse fim de semana eu vou ao Alentejo ter com o Miguel, passar o fim de semana com ele ao Alentejo. Fomos jantar a um restaurante e quem é que está na mesa à nossa frente? O Duarte e o Francisco, dois dos da banda dos Bandidos do Cante. E eu pensei: "Como assim? Isto é só a vida a ser do caraças outra vez." Na mesma semana. E eu não tenho mais nada. Eles saíram lá fora para apanhar ar e eu levantei-me, fui ter com eles. "Oi, sou a Mariana, não sei se sabem quem é que eu sou." Fiquei supertímida. "Não sei quem sou. Eu escrevi uma música para vocês, a Nada Mais." E lá sim: "Mariana Azevedo. Muito giro." Estivemos lá a falar, supersimpáticos, trocamos os números de telefone e ficámos de combinar para eu também assistir no estúdio à gravação da música, conhecer o resto da banda, etc. Foi ficando assim. Só que eles moram em Beja, eles moram longe.

Mas estavam a produzir aqui, iriam produzir aqui em Lisboa.

Produzem lá e cá, ou seja, depende. E eles: "Só se vires a Beja." Eu tipo: "Ok, eu posso ir a Beja, já que eu estou nos planos." Depois aquilo foi passando, porque eles estavam a produzir muitas músicas, não só a minha, como é óbvio, estão a produzir todo um álbum. E não foi calando. Olha, já tinha passado uma semana e meia, duas, e supostamente o lançamento ia ser agora em janeiro. E portanto eu pensei: "Bem, não posso atrasar mais isto, vou mandar mensagem. Não quero ser chata, mas vou mandar mensagem." No dia em que eu digo: "Ora, não vou ser chata, vou mandar outra mensagem." Tem um evento do El Corte Inglés e quem está a atuar no evento? Os Bandidos do Cante.

Tu ficaste tão histérica. Tu não tinhas contado nada e tu estavas ao meu lado, aos saltos a berrar as músicas todas.

Eu achava que já tinha contado. Eu sei as músicas todas decor, tudo o que é Alentejo, eu sei as músicas todas decor.

E de repente está tipo: "Não estás a perceber." Pois não estou mesmo a perceber.

Eu achava que já te tinha contado. Eu estava noutro mundo, eu vi-os a entrar e eu fico possessa. Ainda hoje pensei mandar-lhes mensagem.

Então não chegaste a mandar essa mensagem?

Não cheguei a mandar essa mensagem. O que eu fiz? Perguntei à malta do El Corte Inglés: "Onde é que são os bastidores?" Eu com a minha lata. No final, quando eles acabaram de cantar, fui aos bastidores, conheci a banda toda, conheci o Bubaspink que também estava lá, superqueridos todos, conheci o agente deles também. Conheci toda a gente, combinámos as gravações, que eu disse que além de os conhecer, queria gravar com eles todo o backstage e como é que isto tudo aconteceu, porque foi de facto inusitado, não esperava de todo e acho que se abre uma porta muito gira e muito divertida e todo o processo foi muito giro também.

E normalmente este processo de backstage nem é partilhado.

Não, eu acho que de artistas e de música também é muito escondido.

Depois é o sneak peek de vai lançar música e lança videoclipe e está feito.

Sim, há pouco storytelling à volta e eu quis explicar também. Voltei um bocadinho, foi um throwback. Voltei um bocadinho à Mariana 2023, que estava a escrever um texto sobre um rapaz e o que eu estava a sentir na altura para explicar o que para mim representava aquela música. Porque é óbvio que eu ouço uma música, tu ouves outra música, a mesma música, aliás, e temos interpretações diferentes. De um mesmo texto, de um mesmo poema, de uma mesma canção. E é muito giro ver essas interpretações diferentes. E a minha, eu tive de voltar, em 2023, para perceber aquilo que sentia, porque é que eu tinha escrito aquilo, e fez muito sentido e quis partilhar esse backstage também da parte criativa, daquilo que eu estava a sentir, explicar de onde é que veio a música, de onde é que surgiu.

E é estranho para ti agora com o Miguel estar a lançar esta música?

Não, nada estranho. Eu acho que é tão relatable, a letra da música. Acho que toda a gente já passou por aquilo. Homens, mulheres, em qualquer fase da tua vida, que claramente a música fala de um amor que não é correspondido, das expectativas que tu pões noutra pessoa, mas que são uma mera ilusão. Ele nunca te deu esse amor de volta. Então a música chama-se Nada Mais e fala de um amor que ficou no quase. Somos o quase e o quase nada e nada mais. Ou seja, porque para ela eles eram tudo, porque na cabeça dela ele era perfeito, iam ser um casal e era um amor verdadeiro, etc. Para ele nunca deu nada. Então entre o nada e o tudo ficou o quase. Foi quase amor, foi quase perfeito, mas na verdade nada aconteceu. Então fala muito disso, da quantidade de vezes que nós já nos apaixonamos por pessoas que não se apaixonaram de volta, mas que nós achávamos que sim ou que os íamos mudar ou que ia resultar. Mas nós já sabíamos que não ia resultar.

Mas acho mesmo engraçado, porque eu não sabia que já estava escrito. Porque eu queria te perguntar como é que tinha sido o processo. Ou seja, se hoje em dia, imagina que eles chegavam até ti e diziam: "Mariana, escreve uma música para nós." Achas que ia ser mais complicado porque esta é a pressão de "vou escrever uma música".

Eu acho que sim, mas por isso é que eu também me inscrevi na formação de escrita criativa, porque não quero sentir essa pressão. Não quero escrever pressionada, quero que saia mais fluido, mais leve.

Porque aí escreveste sem pensar duas vezes.

Exatamente.

Só aquilo que estavas a sentir.

Sim, só escrevi aquilo que estava a sentir. Era um rapaz que era completamente tóxico. Tóxico no sentido não literal, tóxico no sentido daqueles rapazes que nos guardam na gavetinha e depois abrem a gaveta só quando lhes apetece. Depois voltam a fechar.

Que tu tens ali na mão e quando decidem.

E tu ficas um ano enrolada nisso, um ano e meio.

Sempre na expectativa de isto algum dia vai dar e ele vai perceber que eu sou melhor que as outras todas.

Exatamente. Mas pronto, não muda. A coisa que eu aprendi na vida é que os rapazes não mudam. Podem aprender a dobrar a roupa, podem aprender a baixar a tampa da sanita.

E quando vais para a gaveta já não sais de lá. Tu és essa pessoa. Vais ser sempre essa pessoa.

É, mas é difícil, porque depois quando tu te apaixonas, quando tu queres mais, quando tu esperas mais

Eu ouvi um barulho e olhei.

Isto é o defunto?

Pronto, temos o cenário de volta.

Alguém estava a querer comunicar conosco. Amiga, eu tenho medo dessas coisas.

Aquele quadro estava a comunicar conosco.

Eu tenho medo dessas coisas.

Tu de uma pessoa específica, eu também na minha cabeça tinha uma pessoa específica. Foi uma força.

Relacionas?

Relaciono, 100%.

Se calhar a gente já passou por isso. Aquele amor que nunca passou da nossa cabeça.

Acho que faz parte e faz sentido para depois também encontrares uma cena mais alinhada contigo e que "long term".

Então foi no dia em que eu disse: "Não, não quero mais nada contigo, acabou de vez".

Eu lembro-me disso.

Que eu conheci o Miguel. No dia a seguir, eu conheci o Miguel.

Pá.

Tcharam!

Mas ainda sobre esta questão dos "Banidos do Canto", queria te perguntar como é que foi a sensação de ouvir a música pela primeira vez.

Foi aquela sensação de não fui eu que fiz isto, não fui eu que escrevi isto, não sei quem sou. Primeiro foram borboletas na barriga, como eu já não sentia há anos.

É aquele fogo de "quero mais disso".

Sim, é aquela coisa de fazer uma coisa pela primeira vez, que foi inesperada, porque nem sabia que eu estava a fazer. Mas foi sentir que fiz uma coisa pela primeira vez e que foi mesmo fixe, foi mesmo giro.

E te orgulhas.

Sim, foi muito giro, mas tu dissocias um bocado. Tu estás a ouvir a música e pensas: "Mas fui eu que escrevi isto?" E agora eu estou ansiosa que alguém pegue nas outras, pelo menos nas outras duas músicas que o Rui fez. Depois o Rui pegava na guitarra e musicava as músicas.

Mas tu já viste, já paraste para olhar para trás e perceber que estavas há uns anos numa agência, não sabias o que fazias.

Amiga, não. Sim.

Imagina.

E na altura-

Com o sonho de vou começar no digital, pá, deixa ver.

Não, sim. Atenção, o digital sempre foi um meio para atingir o fim da televisão e da rádio. E agora eu olho para mim e penso: "Eu já não quero ir para televisão ou para rádio."

Mas já viste como as coisas mudam.

Mas eu já não quero ir. Há tanta coisa fixe para fazer, porque às tantas tu tens um sonho e só o estás a ver a ele. Só estás a ver o sonho, não estás a ver as 1001 coisas que podes fazer à volta. Caramba, há tanta coisa para fazer, escrever músicas.

E tu, no início do episódio, és aquela pessoa que diz: "Não, não vamos ter planos", mas de repente tu foste sempre durante anos a dizer: "Este é o plano".

Sim. Também me desiludi várias vezes.

E dás agora espaço para outras coisas.

Claro que sim.

Porque o meio criativo também, eu acho que das maiores vantagens do digital é que depois abre-te tantas portas, tu podes fazer tantas coisas diferentes e descobrir coisas que tu nem sequer sabias que gostavas.

E acho que não te deves limitar àquilo que és. Tu não és só uma coisa, portanto, não faz sentido. Se tu não estás feliz, uma coisa é estares feliz e gostas do trabalho monótono e está tudo bem com isso. A outra coisa é, se és uma pessoa que precisa de experimentar coisas diferentes, não estás realizada, não estás feliz, por que vais só fazer aquilo das 09:00 às 17:00? Por que não vais fazer um curso? O curso que eu fiz de rádio e televisão, eu estava a trabalhar, foi pós-laboral. O curso que eu fiz de dobragens, de desenhos animados, muito giro também, foi nos fins de semana. Ou seja, alimenta-te de outras coisas, que não daquilo que tu estás a fazer. Há muitas pessoas que mandam mensagem a dizer isso, que se querem despedir, que estão muito infelizes no trabalho. E eu digo sempre uma coisa: experimenta coisas. Há pessoas que dizem: "Eu não sei o que quero ser." Experimenta.

Às vezes os teus hobbies podem depois virar o teu trabalho.

Sem dúvida. Experimenta, faz acontecer. Não fiques é a lamentar.

Não temos que ser miseráveis a vida toda. Ainda há muito esse tipo de postura.

Acomodas-te. E depois pensas: "Não, eu tenho me despedir." Calma, se tu não tens possibilidades financeiras, por exemplo, se não poupaste o suficiente para te despedir do nada, continua no teu trabalho. Mas não dediques 100% da tua energia ao teu trabalho. Dedica 50% e o resto dos 50% dedica a coisas que te alimentem, faz um workshop de culinária, vai aprender um desporto novo.

Por exemplo, começaste a fazer desporto, mexes mais, tens mais espaço para pensar e depois surgem outras coisas.

Porque são esses passinhos, esses hobbies que tu metes, essas formações que te vão alimentar e dar-te uma visão completamente diferente da tua vida e daquilo que tu podes ser.

Mais vontade de viver.

Mais vontade de viver, mais vontade de fazer coisas diferentes, aquela sensação de que eu sou capaz de fazer outras coisas. Quem é que me disse que eu sou só boa a fazer isto porque tirei uma licenciatura sobre isto? Não, a nossa licenciatura diz tão pouco sobre nós, cada vez mais é assim. E olha, fiquei muito contente, foi um desafio muito giro e quero fazer agora uma formação também de songwriting.

A sério? Que giro!

Quero aprender, porque eu de música não percebo nada. Vamos ser honestos. Por exemplo, métricas, ritmos, onde é que encaixa, o que é fixe para o refrão, o que é fixe para não sei o quê. Aprender um bocado essa linguagem.

Mas no tema da criatividade também, que está super ligado a isto, tu sentes que é uma coisa que tu consegues forçar? Estavas a falar da tua rotina, como é que tu consegues organizar a tua vida para ter momentos em que tu procuras essa criatividade? Lês, procuras ver conteúdos, filmes, etc, que te alimentam?

Um dos meus objetivos para este ano também é começar a ler. Eu tenho um grande defeito que é eu não leio. Eu amo escrever, mas eu não leio. E quero começar a ler para ter outros cenários, outras perspetivas. Por quê? Porque muitas vezes quando eu preciso de criatividade, eu vou ver uma comédia romântica, eu vou ver um filme. Geralmente não dá assanhão, geralmente é sempre romântico ou assim, porque é o que eu gosto de escrever. Ou seja, eu vou procurar mais referências, mais histórias, mais coisas, porque é isso que depois te vai dar a criatividade. Eu acho que a criatividade vai aparecendo ao longo do dia, honestamente. Por exemplo, se vou dar as minhas notas de telemóvel, eu hoje tenho, não sei se tenho uma ou duas, mas acho que hoje tenho uma nota de telemóvel aberta com dois ou três estrofes que eu escrevi, porque estava-me a arranjar, estava a calçar as meias, lembrei-me. Calcei a meia, fui escrever uma frase. Calcei outra meia, fui escrever outra frase. Foi literalmente assim. Será que um dia vou usar aquilo? Não faço ideia, mas eu escrevo tudo nas notas. Eu tenho 450 notas no telemóvel. Ideias para campanhas, sei lá, vejo alguma coisa.

Não sentes que viajar também te ajuda nisso? Tu não tens muito essa cena.

Não tenho essa cena de viajar. Viajar ajuda-me só numa coisa e não é sempre, mas ajuda-me só numa coisa: sentir-me grata, sentir que sou muito pequena na imensidão do universo, do mundo. Isso é um bocadinho para mim um romantizar a vida. Sentir que eu sou tão pequena e o mundo é tão grande e eu posso ser tanta coisa, por o mundo ser tão grande, isso é o que viajar normalmente me traz.

Eu acho que eu associo também muito o viajar, depende das viagens, mas associo muito a conhecer pessoas novas.

Ok.

E a sair da zona de conforto e estar noutros meios e estar com pessoas que não são de Portugal. E ao sair da bolha, tenho sempre conversas que me abrem portinhas.

Eu, por acaso, para mim viajar não passa por aí. Nunca fiz Erasmus.

Depende do tipo de viagem.

Não tenho essa experiência.

É isso, eu estou a associar muito a viver no estrangeiro, a fazer viagens sozinha, a estar um mês em Bali. São viagens que me despertam muita coisa. Claro que no meu dia a dia também tenho que procurar isso. E aí também tenho como objetivo de ir a mais eventos, conhecer pessoas novas, sair da minha bolha.

Mas por isso é que mais uma vez, este ano eu quero aprender coisas, porque quando tu aprendes coisas, tu aprendes muito sobre os outros também, tu estás com outros. Tu naquela hora conheces pessoas, estás a falar outras coisas, sais da tua bolha para entrar noutra bolha, que também te entusiasma. Eu adoro viajar, mas eu não sou aquela pessoa que faz imensa questão de ver. Eu amo Portugal, eu inspiro-me muito em Portugal, adoro fazer campanhas. Quando me pedem para fazer campanhas, que no fundo as campanhas são textos, a minha campanha é um texto e depois materializa-se. E quando me pedem para escrever sobre Portugal, sobre o Porto, eu adoro. E eu inspiro-me muito aqui, no que temos aqui, inspiro-me muito na nossa vida, Porto-Lisboa, Lisboa-Porto.

É naquilo que estás a viver, não é?

É naquilo que eu estou a viver, sem dúvida. E nas minhas raízes, eu acho que é isso. Acho que é o que mais me inspira a criar e a ser criativa, são as referências que eu tenho das raízes que eu tenho, é isso. Ou seja, adoro viajar, mas não é propriamente o que mais puxa pela minha criatividade. Tu ficas mais criativa quando viajas?

Eu sinto que tenho mais tempo para pensar.

Ok, sim, percebo.

Eu sinto que a criatividade no meu trabalho está associada não a uma forma tão crua de arte.

Sim.

Mas é o tipo de conteúdos que eu vou fazer, o tipo de pessoas que eu vou trazer, de que forma é que eu vou construir a marca do podcast. Portanto, não é uma arte tão visível, tão concreta.

Mas volta essa curiosidade, tu com a tua personalidade sentas-te e crias ou a criatividade para ti vai aparecendo ao longo do dia, ao longo dos momentos?

Vou-te dar um exemplo concreto de quando fui para Bali com a Glória, eu fui para lá numa de: "Eu vou ter momentos em que eu tenho de me sentar e tenho de escrever para pensar e para ter novas ideias." E as novas ideias surgiram sempre quando eu estava a fazer outras coisas, a conhecer pessoas.

É isso que eu acho.

A viver a vida. Ou seja, quando eu me forçava, não vinha. Eu tenho que estar a viver. Também vivo muito de contacto com pessoas, eu acho.

Sim, eu também. Mas eu sinto sempre isso. Eu acho que a criatividade não aparece quando estás sentada no sofá, a criatividade nasce nas coisas banais. E sabes o que também me leva a bloqueios criativos, que eu também já concluí isso. A criatividade nasce das coisas banais. Portanto, de tu ires pôr água nesta caneca, tu estás com a tua mãe, foste almoçar fora. Percebes? Nasce das coisas banais, porque tens uma ideia pelo caminho, porque viste uma coisa na rua, porque alguém estava com aquela roupa vestida, qualquer coisa. E às tantas, já não sei o que ia dizer.

A criatividade vem das coisas banais.

Sim.

Às tantas é viver a tua vida. Eu acho que é treinares o teu cérebro e estares atenta a essas pequenas coisas.

Sim.

Porque acho que se não tiveres com esse desligado, as coisas também te passam ao lado.

E se a criatividade está nas coisas banais, eu acho que com a rotina que nós temos hoje, a nossa geração, sobretudo, super-rápida, a um ritmo alucinante, depois muitos conteúdos, muita informação, muita coisa na cabeça, muito pouco espaço para te ficares aborrecida, cada vez somos menos criativos. E eu sinto que muitos meus bloqueios criativos vêm disso, desse loop de conteúdos, desse loop de coisas, de consumo do TikTok e do Instagram.

E às vezes tens uma ideia para ti, mas de repente já estás a ver mais 10 conteúdos de seguida.

Já me sai. Isso acontece-me imensas vezes. Tive uma ideia, escrevo uma frase ou duas. Já estou a fazer scroll. Só ia ver as horas ou só ia ver alguma coisa e já estou a fazer scroll e já não me apetece escrever. E é isso que temos de nos contrariar. Pausar um bocado o telefone. E quero muito que este ano seja sobre isso também.

E acho que não é só para as nossas profissões e para a tua parte da escrita ou para trabalhar no digital ou para trabalhar numa área criativa, acho que a criatividade ajuda em tudo.

Sem dúvida.

E eu li e queria deixar aqui como recomendação também que eu li um dos meus livros favoritos, que eu já falei aqui algumas vezes, que é o "The Creative Act", ato criativo, que é aquela capa que tem um símbolo.

E é sobre o quê? Fiz para mim, vais gostar.

Olha, é aquele livro, eu tenho aqui dois, um que é muito mais prático de como encontrares a criatividade e descobrires como voltares à tua criança interior, dizem eles.

Mas eu acho que é isso. Eu acho que a criatividade vem de um lado muito romântico da nossa vida.

Não somos tão racionais.

Sim, sem dúvida. E nós somos tão métricos, tão quantitativos, tantos planos, tanta coisa ao mesmo tempo. É quando nós estamos aborrecidos, estás a dizer: "Nas viagens, eu tenho mais ideias, sou mais criativa." Não é que estejas aborrecida nas viagens, mas tens tempo para pensar.

Estou desligada do trabalho, estou desligada, tenho espaço.

E quantas vezes é que nós, no nosso dia a dia, desligamos? É que não conseguimos ser criativos de outra forma, é impossível. Estás tão assoberbada, tão overwhelming com tudo, as redes sociais, eu acho que é tudo muito overwhelming. E isso corta a criatividade.

Mas este que estava a falar, que é mais prático, é "The Artist's Way", e esse ainda estou a ler, mas tem dicas mais práticas de como estimular a criatividade, como voltar à criança interior e como largar bloqueios por medo, julgamento, o que as outras pessoas vão pensar.

Síndrome do impostor.

Síndrome do impostor. Portanto, é muito uma forma mais prática de chegares lá.

Qual é que gostas mais?

É muito diferente.

Só vou ler um.

Porque o da "Creative Act", para mim, aquilo é arte. Quando eu estou a ler, é preciso estar mesmo concentrada. Aquilo não te vai dizer: "Faz isto."

É mais inspirador.

O outro diz: "Faz isto." É inspirador o livro. Eu acho que o da "Creative Act" é o que tu tens de ler.

Ok, vou ler.

É uma forma muito mais esotérica de ver a criatividade e foca muito no fato de que todos nós, na nossa vida, precisamos de criatividade, seja para estimular isto e treinar o teu olho e o teu cérebro para estares atenta no dia a dia. Imagina, só seres criativa em refeições, em dar presentes a outras pessoas, em planear viagens. Tu precisas de criatividade para viver a tua vida e para trazer cor à tua vida.

E precisas de tempo para ser criativo.

E este livro foca muito em "somos todos artistas." Em certa medida, na nossa vida, somos todos artistas. E que forma é que tu deves ter a tua presença na tua vida e pôr os óculos cor-de-rosa e olhar para a vida de outra forma para trazer mais cor para a tua vida. Eu acho que é mesmo bonito o livro. Acho mesmo que devias ler.

E eu acho que, e também me vou forçando a isso, eu não vejo as coisas só como elas são. Eu tento sempre ver a história, o que elas me fazem sentir, uma história por trás delas, e isso é muito reflexo também das campanhas que eu faço, etc. Dizem: "Olha, comunica estes cereais." Por exemplo, agora estou me lembrando de uma campanha que eu fiz. "Comunica estes cereais." Eu não vou falar sobre os cereais. Os cereais são bons? São, ok. Mas que história que eu vou inventar para estes cereais? Ou seja, é procurar sempre ver as coisas do óbvio. Na nossa vida, em tudo, não é só no trabalho, é em tudo. Aquilo não é só aquilo. Quantas perspetivas podes dar àquilo? Quantas histórias podes contar? Estar na rua, a andar com a música nos ouvidos e olhar para as pessoas e pensar: "Qual será a história desta pessoa? E se aquela pessoa agora fosse ser o que ela quiser?" Eu faço isso muitas vezes, que é tentar tirar as coisas do óbvio. Elas não são só isso. Esta caneca não é só uma caneca. Ela permite-te beber, faz-te sentir mais saudável. E tudo isso já traz um universo de coisas atrás que tu podias fazer 30 campanhas diferentes sobre uma caneca.

Sim, e estamos a falar de campanha escrita, mas dá para fazer um paralelismo para tudo. Mesmo quem trabalha com o Excel pode ser mais criativo e inventar formas de trabalhar essa estratégia.

E acho que todos nós somos muito mais criativos do que aquilo que pomos em prática todos os dias, e é um desperdício.

Eu acho que há muita gente que é tipo: "Eu não sou criativa." E fecha essa porta.

Mas acho que é engraçado, eu sempre achei que não era criativa.

Eu também não, sempre achei: "Sou a pessoa racional de números, de matemática."

Pois. Eu quando estava na agência a trabalhar, quando trabalhei lá, eu trabalhei quatro anos como account manager e via acontecer as campanhas, a escrita, os copies, tudo. Os designers, etc. Via toda a gente a funcionar, a máquina a funcionar, e eu estava de fora, porque o account é um bom correio. Gerir orçamento, gerir todo o processo, mas não está na parte de criar, não está no brainstorming, não está no Photoshop nem no Word a trabalhar para a campanha. E eu sentia sempre um bocadinho: "Ai, mas eu queria dar um input." Não, mas depois, entre aspas, punham-me no meu lugar, que é: "Tu és account, tu não és criativa, Mariana, ponto." Então sempre me cingi, tipo: "Ok, eu não sou criativa. Pronto, eu não sou criativa." Mas depois dava-me vontade de: "Eu não faria assim." Mas pensava: "As minhas ideias também são más." Então guarda para mim, eu nunca partilhei em voz alta, que eu tinha as ideias para as campanhas também e via acontecer, pensava: "Não, isto é mau, eu não vou dizer que eu sou má." Depois despedi-me e pensei: "Ok, eu quero ser locutora de rádio, apresentadora de televisão, vou tentar crescer no Instagram." E às tantas já não quero saber nada disso.

E às tantas não, eu não sei.

Às tantas agora eu quero escrever músicas. É que a vida é muito poética. Tu podes ser tanta coisa na vida, que é uma seca se for só uma.

Aliás, há mais alguma coisa que queiras experimentar este ano, assim pela primeira vez?

Espera. Agora, este ano... Não sei. Quero fazer essas formações, escrita e songwriting. Acho que isso já me vai ocupar algum tempo. Depois aprender, não sei. Acho que não. Se calhar. Imagina, eu não-

Não digo só aprender. Olha, por exemplo, eu quero voltar ao ténis só porque just for fun, porque acho giro. E gostava de aprender mais a cozinhar. Não, se calhar, num curso, mas até em casa. Estás a ver? São coisas que eu gostava de trabalhar e não tem nada a ver com o meu trabalho.

Sim, mas eu quero que este ano, e estás a falar disso, quero que este ano seja um ano de mais aprendizagem, de sair da minha bolha mais vezes. Na verdade, o ano passado foi um ano de estabilidade para mim e de paz e de calma e foi bom, mas agora quero tirar o meu tapete, quero sair da zona de conforto, quero aprender coisas novas. Porque depois é muito fixe, tu conheces versões novas tuas, versões de ti que tu não imaginaste sequer que existiam. Isso é mesmo fixe. Quando isso te acontece uma vez, é um bocado viciante. Queres que aconteça outra vez. E eu sei, porque já aprendi comigo própria há muitos anos, que quanto mais vezes eu me tirar o tapete, mais aprendo sobre mim, mais cresço e mais feliz sou, mais realizada sou. Eu não sou feliz no mesmo tapete sempre.

E mais fogo vais sentir.

Sim, e eu acho que a vida é isso. A vida é para sentir fogo, sem dúvida. E relembrou-me agora no final do ano quando-

Quando ouviste a musiquinha.

Quando ouvi a música pela primeira vez, quando os vi a todos, estávamos todos à volta lá no estúdio, no sofá, todos à volta, eles puxaram da guitarra. Também foi muito especial. Eu ouvi a música pela primeira vez nesse restaurante no Alentejo. A primeira vez que eu conheci o Duarte e o Francisco, nesse restaurante, que foi completamente ao acaso, e eles puxaram a guitarra no final do jantar e estava a lareira acesa, estava toda a gente. Malta que eu não conhecia de lado nenhum, pessoas que estavam lá a jantar, clientes, os amigos deles, etc. Estávamos todos a cantar várias músicas, Portos Sentidos, estávamos a cantar essas músicas. E depois, de repente, eles cantam o "Nada Mais". E aí foi a primeira vez que eu ouvi. Acho que foi dos dias mais bonitos do meu ano, senão da minha vida Foi mesmo bonito, Mariana. Estava toda a gente a cantar as mesmas músicas. Depois quando cantam "Porto Sentido", mais bonito é. E depois, de repente, cantam a "Nada Mais" e foi a primeira vez que eu ouvi ao vivo e arrepiei-me. É aquela sensação de: "tu és capaz de coisas que nem imaginas". Procura essas coisas.

Vais ter uma música no Spotify. Como assim?

Estou muito entusiasmada, acho que vai ser muito giro.

E é um excelente início para o teu ano.

É, acho que sim.

Um bom final do próximo, mas agora é o lançamento. Documentário.

É fixe, estou muito feliz. É isso, quero escrever mais, quero concentrar-me mais nessa parte. Sei lá, dá para fazer coisas tão giras.

Se é uma coisa que estás a gostar, é por aí o caminho. É seguir a tua intuição, é o que te está a fazer feliz agora.

As pessoas fazem muita confusão. A sociedade. Que tens de ser uma coisa, não podes mudar de opinião. Se hoje dizes que isto é azul, amanhã não pode ser amarelo. Quantas vezes é que o azul não passa a amarelo, a verde, porque já não gostas de verde, já é rosa? A vida é isto. E agora apetece-me tentar escrever músicas, tentar aprender. Ok, vou tentar aprender. As pessoas têm muito medo de falhar, de se pôr nessa posição vulnerável, de eu vou lutar por aquele sonho. E se não conseguires o teu sonho?

Porque tu vives muito nas expectativas que os outros criam sobre ti.

Sim, sem dúvida nenhuma.

Ainda estava há uns tempos numa entrevista no Observador e estava a contar a história do podcast, que começou primeiro um, depois mudou para outro e eu disse: "Nesta fase estou a viver isto, se calhar nem sei se o podcast existe daqui a um ano, ou se depois daqui a uns anos tenho filhos e estou a falar sobre maternidade, não sei." E eles estavam-se a rir e a gozar, a brincar com a situação. Eu: "Mas é assim, eu quando me apetece mudo as coisas." E acho que é assim que tem de ser.

Claro, eu também acho. Mas depois, sei lá, se estudaste para ser economista ou auditora, és auditora, e de repente queres mudar a tua vida 180 graus. Tens sempre essa pressão de "mas e se não correr bem?"

Porque é o medo das pessoas à tua volta que tu falhes. Isso é normal, querem o teu bem.

Claro. Mas depois quando tu te libertas, quando eu me despedi, quando tu te libertas e percebes que podes ser aquilo que quiseres. Who cares? E que podes mudar 20 vezes. Eu sempre quis ser apresentadora de rádio e televisão, já sabemos. Já sabemos. E agora já não tenho a mesma paixão, porque foram aparecendo outras coisas. É o tu permitires-te explorar essas coisas. Ou seja, hoje queres imenso ser advogada. Ok, força, estuda, dedica, és a melhor advogada. Passa, aquilo já não faz sentido, já não te realiza, procura outras coisas que te estimulem.

E se calhar isso nem te iria estar a realizar da mesma forma que estes novos caminhos estão.

Sim.

Nunca vais saber, mas se te está a deixar realizada agora, então é porque faz sentido agora.

Claro. E nós não somos só uma coisa, a vida não é estanca, é muito mais gira quando nós exploramos e quando nos divertimos.

Olha, amiga, está feito, vai ser um grande ano. Vão ouvir a música "Nada Mais" no Spotify, Bandidos do Canto.

Exato! Eu não acredito. Eu estou muito contente.

Muito contente por ti. E hoje à noite vamos ouvir também o lançamento do álbum. Que giro.

Estou muito contente, acho que vai ser muito giro.

Parabéns, estou muito orgulhosa.

Espero que gostem do "Nada Mais" e espero conseguir escrever mais músicas.

Ficamos aqui para ver e para ouvir. Obrigada.

Obrigada, amiga.

Não é fácil, eu sei. Mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?