Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

O podcast desta semana é muito especial. Uma grande entrevista com o senhor presidente da Câmara de Aveiro, José Ribau Esteves, para um momento que não vai querer perder. Bom dia!

Bom dia, muito gosto. Tudo bom?

Muito gosto.

Bom dia.

Está preparado?

Preparadíssimo.

Preparadíssimo para passar o dia conosco?

Totalmente, com muito gosto.

Vamos aí, sabe que há muita curiosidade sobre o dia a dia, a vida de um presidente da Câmara.

É, só há uma parte pequenina que nós expomos. A maior parte não é exposta.

Então hoje podemos falar de tudo.

Muito bem. À vontade.

Certo? Vamos a isso?

Vamos a isso.

Vamos entrar?

Vamos embora.

Obrigada. Venha conosco. Obrigada.

Aqui é uma parte do gabinete.

É aqui que a magia acontece.

É. É aqui que é o trabalho do dia a dia. É aqui que recebemos as pessoas, que reunimos com as equipas internas, com as pessoas que vêm de outras entidades externas. É aqui que vamos guardando as nossas referências da vida das nossas associações, das entidades com quem trabalhamos. E eu gosto de trabalhar numa mesa grande, com os meus papéis à frente, o meu computador.

Estar à vontade.

E estar o mais à vontade possível.

Ainda se recorda da primeira vez que entrou por este gabinete?

Perfeitamente.

Há 12 anos.

Perfeitamente. Eu entrei aqui a primeira vez para fazer a reunião de transição com o meu antecessor. Ainda ele era o doutor Hélder Maia, o presidente da Câmara, e eu era o presidente eleito. E a primeira coisa que eu tive foi uma sensação horrível, porque ele fumava quatro maços de cigarros por dia, que era o cheiro a fumo. E levei vários meses de outono e inverno com as janelas abertas para poder perder aquele cheiro. Foi o primeiro momento, passamos aqui três horas a trabalhar os dois juntos na reunião de transição, que é sempre um momento muito importante. Eu também vou fazer a minha reunião de transição com o meu sucessor. Vai ser mais longa do que três horas, porque há mais coisas para passar. Mas a primeiras que eu entrei aqui foi ainda antes de ser presidente em funções. No dia que entrámos, no dia de trabalho primeiro, já como presidente da Câmara, foi entrar, chamar pessoas, começar a perceber onde é que estávamos e começar a trabalhar com toda a velocidade. Lembro-me perfeitamente desses dois dias da minha entrada aqui primeiro.

Senhor presidente, e que segredos, que curiosidades esconde o dia a dia de um presidente da Câmara? O que costuma fazer aqui, por exemplo? Chega aqui a que horas?

Eu sou uma pessoa que gosto de trabalhar cedo, muito cedo. Eu entre as 7h e as 8h, depois há dias um bocadinho mais em cima das 7h, outros mais em cima das 8h. Eu gosto de chegar muito cedo, porque o dia para mim é muito mais produtivo entre as 7h e as 9h. Porque a partir das 9h começamos com as reuniões, com os telefonemas e, portanto, aquilo que é planear, estudar um dossiê, escrever um texto mais difícil, eu preciso que seja entre as 7h e as 9h. Porque a partir daí, o ritmo é outro.

É um madrugador.

É. Já como estudante, sempre trabalhei muito melhor. Eu estudava de manhã cedo do que à noite, em regra. Cada um de nós tem o seu biorritmo, nenhum está certo, nenhum está errado. Mas o meu ritmo é assim. O sábado é um dia de trabalho normal, em regra à manhã no gabinete e depois de tarde e noite com ações sociais. E no domingo, eu faço sempre à noite a revisão do plano da semana seguinte, porque obviamente, está sempre tudo muito planeado para cumprir os muitos objetivos que temos, porque há a missão da Câmara. Eu fui muitos anos presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro também aqui, vice-presidente da ANMP há muitos anos, membro do Comitê das Regiões da União Europeia, portanto, há várias agendas que se cruzam dentro deste gabinete. Este não é só o gabinete do presidente da Câmara. Há aqui várias outras funções também que se cruzam aqui. E tudo isso tem que ser muito bem planeado, muito cuidado e obviamente ter a equipa toda em carga, porque a equipa de trabalho é fundamental. O que faria eu se trabalhasse sozinho? Não fazia coisa nenhuma, como é evidente, não é?

E por exemplo, quando chega, chega cedo, já sabemos, gosta de beber um café ou prefere um chá?

Não, eu já venho suficientemente estimulado para dispensar o café. Normalmente, o meu primeiro café do dia é ao almoço. Primeiro e único, em regra. Não bebo café. É chegar e andar, e tocar a trabalhar.

E há sempre reuniões, há sempre visitas?

Eu não uso uma agenda marcada. Não gosto disso. A minha agenda depende do que é que temos para fazer. Se esta semana tem que se andar mais na rua, anda. Se esta semana tem que ter mais gabinete, mais reuniões internas. Não tenho um formato. Há muita gente que se organiza com o formato. À segunda-feira, reuniões internas, à terça, é visitar. Eu não faço isso. É a dinâmica do trabalho que determina como é que a semana é composta. E daí este planeamento à semana. Não é possível fazer de outra maneira, porque as dinâmicas são muito fortes. Eu fui sempre responsável na Câmara pelo desenvolvimento económico e há sempre o trabalho com os investidores, em regra de gabinete, mas quando começam os investimentos, é preciso acompanhá-los também no terreno. É uma atividade sempre muito intensa e tem que ser muito planeada para tudo correr bem.

Nestes 12 anos, algum hábito que tenha ganho ou não? Algum hábito que se tenha tornado indispensável, por exemplo?

O meu hábito indispensável é chegar muito cedo e sair muito tarde. Isso é um hábito fundamental para nós conseguirmos ter feito tantas coisas. Foram 12 anos fantásticos, de muita realização, muito difíceis no primeiro mandato. Tínhamos a Câmara em péssima situação financeira, desorganizada. Tivemos que fazer trabalhos de auditoria e eu decidi fazer uma auditoria interna, porque precisávamos de capacitar a própria equipa da Câmara para que ela fosse capaz de resolver os seus problemas, primeiro de os conhecer bem, de os resolver, e nesse trabalho ficava capacitada para chegarmos àquilo a que chegamos, que é uma Câmara de uma performance excelente. E foi nesse exercício em que os objetivos foram sempre muito diferenciados. Ao longo dos três mandatos, nós fomos uma Câmara resgatada pelo Fundo de Apoio Municipal. Éramos a segunda pior Câmara do país em situação financeira, mas conseguimos resolver isso no primeiro mandato e depois passámos, no segundo e no terceiro, para uma fase de muito investimento. E a Câmara fez muitos investimentos e aliás, deixamos muitos investimentos em plena execução também.

Muitas horas aqui neste gabinete de gestão que às vezes o público não tem noção. Qual foi o momento mais desafiante que se recorda?

A nossa vida tem que ser assim. Eu sou um político que comunica os resultados do seu trabalho e não aquilo que está muito na moda, que são os políticos que comunicam as intenções do que querem fazer. É evidente que nós temos que comunicar as intenções, como é lógico, mas os resultados é que interessam às pessoas. Eu cuido muito de trabalhar para ter resultados, obviamente, comunicá-los, mas para nós conseguirmos ter resultados, é preciso muito trabalho que não se vê, que não se explica, porque se tivéssemos que explicar, então é que não fazíamos coisa nenhuma, porque é muita coisa e que tem muitas interações e muitos pormenores. Absolutamente. Mas isso é assim em todos aqueles que são gestores. Eu sempre guardo os momentos mais dramáticos. A quantidade de pessoas que vieram a esta sala no meu primeiro mandato pedir para pagar contas. Pessoas que venderam terreno à Câmara há 20 anos e que a Câmara nunca lhes pagou. Empresas que venderam produtos ou que fizeram uma obra e que a Câmara demorou-lhe 10 anos, 15 anos a pagar. É muito difícil. E aquilo que eu disse sempre a toda a gente foi: "Confie em mim, dêem-me tempo que eu vou resolver os problemas todos. Preciso só de um pouquinho de tempo, porque não é de um momento para o outro." A outra parte, a parte festiva, quando as coisas nos correm bem, quando fazemos uma inauguração de uma obra sofrida, de uma obra que nos custou muito, mas que gostamos muito dela. E esta vida também tem muita parte festiva. E nós também fizemos muitas festas, porque comemoramos muitas coisas boas. Fomos Capital Portuguesa da Cultura em 2024. Foi um ano absolutamente fantástico, com uma agenda doida, porque além de tudo o que era normal, ainda tivemos muitas atividades culturais, em número muito mais do que aquilo que é normal. E somos uma Câmara com muita intensidade de produção cultural. São marcas muito diversas, mas a marca principal é o tempo todo. São estes 12 anos na sua diversidade, naquele tempo completamente doido que foi 2020 e 2021, da pandemia do Covid, a solidão, estarmos sozinhos, olharmos para a janela e não vermos nada nem ninguém. E eu trabalhei sete dias por semana. Nós fizemos aqui um trabalho com um grupo na Câmara, outro grupo em casa, dos vereadores do meu gabinete, foi aquilo que decidimos fazer. Eu pertencia ao grupo, não fazia de outra maneira, que estava sempre aqui. E tivemos também que viver esse tempo completamente anormal, cheio de interrogações. Dessa solidão dura. A solidão é sempre muito dura. É a soma de tudo isto que dá uma história fantástica e é o todo que deixa a marca principal.

Falamos em vários momentos, alguns mais desafiantes, outros mais felizes. Esses momentos mais felizes que me contou são os que dão ao final do dia a energia para continuar, a motivação para chegar aqui depois às 7h30 no dia a seguir?

Claro que sim. Eu sou uma pessoa positiva e nós sempre nos estimulamos mais com as coisas boas, mas são as coisas negativas, são as críticas da oposição que dão o estímulo principal para nós fazermos melhor. Eu cuido muito e agradeço sempre muito, por exemplo, aos colegas da oposição, aos meus colegas vereadores, eles serem contra, serem sérios a defender a sua perspectiva diferente da nossa, porque isso é a riqueza da democracia e é um estímulo para quem governa, é um estímulo muito importante. E quando as coisas correm mal, temos que dar a volta a isto. Qual é a solução? É quando a equipa tem que estar mais atenta, mais unida, é quando as discussões têm que ser mais profundas. "Isto não correu bem, isto não está a correr bem, que soluções é que temos para este problema?" E eu estimulo muito com isso. É evidente que toda a gente gosta mais das coisas positivas e elas dão-nos um élan mais forte. Como eu costumo dizer, a fase mais bonita do dia é quando o sol nasce, não é exatamente quando aparece a lua. No meu conceito, há quem tenha conceitos diferentes. Mas os momentos de dificuldade, as contrariedades, as críticas, são instrumentos de motivação que eu tenho para mim como muito fortes, muito relevantes.

Para continuar.

Absolutamente.

Aqui atrás de nós, temos uma prateleira recheada de memórias.

É verdade. Isto tem muito a ver com a relação muito intensa que temos com as pessoas, com as associações. Basicamente são as ofertas que as nossas associações, a assinalar um aniversário, um festival de folclore de um dos nossos ranchos, as nossas cidades-irmãs por esse mundo fora, os nossos clubes náuticos. Temos um conjunto de clubes náuticos que se dedicam, neste caso, ao remo. É uma vida muito relacionada com essa fortaleza. E neste eixo central, esta área é dedicada aos nossos ovos moles. Obviamente, os ovos moles têm um lugar sempre central na nossa vida, na nossa cidade.

É apreciador.

Apreciador, consumidor e propagandista. Tem aí o pleni Confra de Honra. A Câmara de Aveiro também é Confra de Honra da nossa Confraria dos Ovos Moles de Aveiro. E aqui está a capa transformada em passe-partout das três tomadas de posse que eu tive: a de 2013, a primeira, 2017 e a última, 2021. Aliás, ainda se nota, está aqui uma pessoa atrás de mim com máscara.

Com máscara, sim.

Porque ainda usávamos muito a máscara. E a minha referência política de sempre, um homem que sempre apreciei muito e mesmo depois de ter perdido a vida da forma como o fez, como alguém o fez perder a vida. Sempre leio muito e gosto de ler e reler Sá Carneiro, que acho que é uma personalidade muito determinada, muito marcante e um visionário. Hoje, ler coisas de Sá Carneiro e ver como é que ele via o mundo décadas depois, é de facto um homem extraordinário. Tem sempre aqui um lugar muito especial. Depois, a outra nota que temos sempre aqui duas pessoas muito importantes cá no meu gabinete. Este é o paraquedista. Nós temos um regimento de infantaria, o Regimento de Infantaria número 10, em São Jacinto, mas é um regimento paraquedista. É a única unidade militar portuguesa que já teve Lugar na Marinha, quando a Marinha tinha hidroaviões, tinha asas. Depois quando as asas passam para a Força Aérea, passa para a Força Aérea e é aí que ela se torna uma base paraquedista. Depois quando os paraquedistas passam para o exército. Passou a unidade para o exército. Eles têm esta estátua no regimento, depois tem esta miniatura para as ofertas. E este é o nosso homem a quem devemos a nacionalidade. O nosso Afonso foi uma oferta do chefe de Estado-Maior do Exército, no dia em que tivemos aqui as comemorações nacionais do Dia do Exército. Portanto, o Afonso é aqui uma companhia muito importante. E estão aqui a guardar este quadro, um quadro diferente do normal, que eu fui presidente da nossa comunidade intermunicipal da região de Aveiro este tempo todo, de fevereiro de 2002 a outubro de 2023, vinte e dois anos. É recorde nacional. E quando saí, em outubro, no nosso congresso da região de Aveiro, os meus colegas, de forma simpática, ofereceram este, com as assinaturas deles todos. Foi muito bonito.

Senhor presidente, são 12 anos aqui na autarquia de Aveiro, antes em Ílhavo. Uma vida dedicada à política. Mas eu sei que isto também tem uma história familiar, não é? Isto é uma paixão incutida pela família.

É verdade. A minha mãe, sempre foi a política da família, foi presidente de junta de freguesia 11 anos, membro da Assembleia Municipal membro do órgão concelhio do Partido Social Democrata, ela também era militante do PSD. E eu era o filho. Nós somos cinco irmãos, eu era o rapaz mais velho, três raparigas, dois rapazes. E era preciso acompanhar a mamã às reuniões que, em regra, eram à noite, nomeadamente a Assembleia Municipal e a Comissão Política do PSD de Ílhavo, e passava-se uma mata que ele era um bocadinho tenebroso, de dois quilômetros. Então alguém tinha que ir com a mamã. E, portanto, como eu era o rapaz mais velho, embora a segurança da minha mãe não ficava lá muito bem defendida. Mas lá ia eu. E depois comecei a apanhar gosto. Não havia telemóvel. Em vez de estar distraído com qualquer coisa, estava distraído com o que estava a acontecer. Ouvir as pessoas, ouvir as discussões. E fui apanhando gosto, entrando em discussões. E uma vez, numa reunião da Comissão Política do PSD, perguntaram: "Olá, tu não queres fundar aqui a JSD?" "O que é isso, a JSD?" Lá me explicaram. "Não, vamos lá embora". Aliás, sou o único dos cinco irmãos que se meteu na política e, portanto, dos meus 58 anos de vida, 59 faço este mês de outubro, 28 são de presidente de câmara. Ainda fui quatro anos vereador em regime de não permanência. E é uma vida dedicada ao serviço dos outros no poder local, que é um poder muito bonito. E sou muito feliz. Decidi não querer uma terceira câmara. Tive esse convite, mas há uma fase na nossa vida que nós queremos fazer coisas diferentes e foi essa a decisão que eu tomei. Esta é uma etapa que eu gostei imensíssimo. Se eu mandasse em tudo, eu fazia mais um mandato em Aveiro, se eu mandasse na lei, se eu mandasse em tudo. Mas a vida é feita assim e como eu também sou a favor da limitação de mandatos, fico muito feliz por ter feito estes 12 anos aqui, muito agradecido com a oportunidade que me deram, com a energia que pude partilhar com tanta gente, obviamente com o apoio fundamental de toda a minha equipa, fundamental para nós fizermos tantas coisas. E agora partir para uma etapa nova da vida.

E agora vamos nós também partir, porque vamos andar a passear por Aveiro, não é?

Exatamente, que é sempre uma oportunidade deliciosa passear por Aveiro.

Fantástica, é uma cidade muito bonita.

Exatamente. Vamos dar a conhecer lugares muito importantes de Aveiro.